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terça-feira, 1 de junho de 2010

Gramsci, por Chris Bambery (em directo, às 21h)


A partir das 21h de hoje pode assistir aqui à transmissão em directo da conferência de Chris Bambery sobre o político e pensador italiano Antonio Gramsci.

As conferências anteriores do ciclo «Pensar os pensadores do socialismo», incluindo a de Trotski, podem ser acompanhadas aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pensar o socialismo, hoje


O ciclo de conferências «Pensar os pensadores do socialismo», organizado pela Cultra, propõe-se apresentar alguns dos nomes sonantes do pensamento socialista mundial: Marx, Lenine, Trotsky, Rosa Luxemburgo, Antonio Gramsci e Mao Tsé-Tung. Começou este mês e decorre até 8 de Junho, às 3.ªs, às 21h, na liv.ª Ler Devagar da Lx-Factory, em Lisboa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um candidato para o futuro

Com o discurso de hoje, Fernando Nobre é o 3.º candidato presidencial independente que se afirma como representando a sociedade civil nestes 36 anos de liberdade reconquistada em Portugal. Os anteriores tinham sido Otelo Saraiva de Carvalho e Maria de Lurdes Pintasilgo*.
Embora Manuel Alegre não tenha este perfil, pois é militante co-fundador do PS, ele assumiu-se desde 2006 como um candidato da cidadania e pró-democracia participativa. Além disso, tem outros pontos a favor: 1) fez um acompanhamento crítico da governação desde então; 2) foi um defensor da intenção mais democrática do texto constitucional enquanto deputado (ainda que pouco activo fora disso); 3) lançou um movimento cívico (o MIC), no qual apresentou propostas de convergência para uma esquerda solidária e pró-activa e análises críticas de políticas públicas (basta ver a revista de opinião socialista Ops! ou manifestos sectoriais como este); 4) colaborou em plataformas de convergência unitária à esquerda.
Ora, nada disto consta do cv de Fernando Nobre, além de ser monárquico assumido... Todavia, a sua actividade filantrópica, enquanto presidente e co-fundador da ong AMI (Assistência Médica Internacional) tornou-o conhecido e um dos principais activistas da sociedade civil organizada. Isso confere-lhe a dimensão de alguém empenhado e com experiência na resolução de problemas da sociedade, com uma visão humanista da vida, apartidário mas que assume valores, princípios e compromissos solidários e cívicos (outros prós e contras de ambos os candidatos podem ser lidos aqui).
Em suma, a sua não é uma canditatura viável para 2011 mas pode ser-lhe útil que entre já, por permitir-lhe granjear experiência e espessura política para uma opção mais séria em 2016. Apesar de ser um candidato que os soaristas procuravam para ajustar contas com Alegre, e de poder retirar votos essenciais a Alegre para uma vitória eleitoral, seja na 1.ª ou na 2.ª voltas. Enquanto manobra de diversão do sector soarista acaba por encerrar um parodoxo irónico: é um indício mais do esgotamento duma certa forma de fazer política, monopolizada pelos directórios partidários, em circuito fechado, auto-centrado e de conflitualidade amiúde narcísica e vazia.
*Manuela Magno em 2006 viu anulada a sua candidatura por razões formais, pelo que não conta.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Manuel Serra (1931-2010), católico progressista, antifascista delgadista, socialista popular e otelista

Obituário aqui, a partir de Rui Daniel Galiza e João Pina, Por teu livre pensamento. Histórias de 25 ex-presos políticos portugueses, Assírio & Alvim, 2007.
*
Nb: na imagem, reprodução de foto de Frederico Corado, retirada daqui.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ninguém pára o Alegre, ninguém pára o Alegre, alé ô!

Portimão, esta noite (com ou sem sardinhas)
PS: para ser complementado com a notícia «Manuel Alegre anuncia candidatura à Presidência da República».

terça-feira, 17 de março de 2009

Republicanismo, Socialismo e Democracia

Em epígrafe figura o título do novo Seminário de História e Cultura Política do Centro de História da FLUL. Decorre durante toda a tarde de hoje, com um vasto e estimulante programa, que "procurará aprofundar o conhecimento sobre pensadores portugueses e estrangeiros através de ideias políticas e sociais que perfilharam, como o republicanismo, o socialismo e a democracia". Nele serão abordadas figuras como Kant, Malon, Teófilo Braga, Arriaga, Sampaio Bruno, Ernesto da Silva, Sérgio e Proença. A coordenação está a cargo de Ernesto Castro Leal e ainda haverá tempo para 3 debates, tantos quantos os painéis.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Idealizar a democracia? Vamos a isso!

A propósito deste debate que se iniciou com a discussão em torno do tipo de democracia vigente na Venezuela, o Zé Neves respondeu ao meu post anterior. Das suas afirmações retenho esta (que gostaria de responder de uma forma concisa e clara):

“Creio, no entanto, que a idealização da democracia deveria igualmente preocupar democratas como o próprio Renato. Não o digo apenas – ou tanto – pelo que essa idealização pode ter de afim aos projectos neoconservadores de exportação da democracia. Falo sim de algo que me parece anterior a isso: as análises tipológicas sobre a democracia correm muitas vezes o risco de só existirem “fora da história” e de só servirem num tal contexto”.

Devo confessar que não percebo muito bem o problema de “idealizar a democracia”. Aliás, entendo até que esse tem sido um dos grandes problemas da esquerda e do socialismo desde das concepções propostas a partir da segunda metade do século XIX (refiro-me particularmente a Marx e Proudhom). As vias ideológico-políticas propostas desde então foram na sua maior parte idealizadas fora de um contexto de democracia. Este sistema foi sempre associado aos interesses e ao domínio da burguesia. Penso que isso foi um dos grandes erros estratégicos do socialismo do séc. XX: deixou que um determinado modelo de democracia se impusesse pela mão dos partidos sociais-democratas e pelos conservadores.
Herdamos agora um modelo que está em grande crise e que assenta basicamente em dois pilares: a democracia representativa e a instituição do Estado Providência. Foi o que restou e infelizmente não temos muito mais em que nos agarrar. Contudo, isto não quer dizer que não tenhamos outra alternativa senão assumir um discurso e uma prática de resistência. Essa é a via da esquerda dita reformista cujo objectivo pragmático passa unicamente pela reforma do Estado Social (para que este permaneça com a maior parte das suas funções de solidariedade institucional).
Entendo que para além da resistência há mais campo de luta para a esquerda. E este deve jogar-se essencialmente dentro de um processo democrático e de democratização. Considero que a posição da esquerda socialista não deve ser, mais uma vez, a saída de cena apregoando aos quatro ventos a ineficácia do sistema e apresentar a revolução como a única saída possível. Muitas mudanças e rupturas podem efectivar-se por intermédio de um sistema mais vasto e pluridimensional de democracia. Talvez tenha chegado a hora da esquerda começar a idealizá-lo!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Chávez não é a minha via

Este debate sobre Chávez e os novos movimentos da esquerda na América Latina tem sido interessante de acompanhar e teve o condão de, pelo menos, trazer um novo fôlego para o debate político na blogosfera. Gostaria de centrar este meu post na esquerda. De um lado, temos a postura cautelosa que torce o nariz perante as ambivalências de Chávez (o populismo carismático, o egocentrismo, os tiques autoritários…) e questiona se de facto este representa uma real alternativa ao modelo neo-liberal; do outro lado, temos uma adesão ao suposto processo revolucionário de transformação socio-económica que está ocorrer em alguns países da América Latina. Segundo esta perspectiva a figura de Chavez não é o mais importante, como também não é importante centrar o debate na questão democrática. Contudo, devo confessar que tenho alguma dificuldade em entender a perspectiva de José Neves (defensor desta última posição): não percebi se a sua crítica é ao modelo liberal de democracia ou se é à democracia em si enquanto sistema.
Na minha opinião qualquer processo reformista ou até revolucionário deve ser enquadrado e constituído por intermédio de uma sistema democrático representativo (e não me refiro somente aos partidos, mas também, aos sindicatos, às associações – inclusive às patronais). Aliás, um dos grandes problemas das actuais democracias liberais (americana e também europeias) tem sido, quanto a mim, a limitação do campo representativo da democracia quer a nível micro - nas empresas, nos sindicatos, na administração pública, nas universidades; quer a nível macro, por exemplo, na construção da União Europeia.
Por outro lado, entendo que a suposta revolução de Chávez tem por base um imenso barril de petróleo. Este facto não displicente, pelo contrário, para mim é central. Para a esquerda mais esclarecida o petróleo significa um dos grandes males do mundo: gera oligarquias, ditaduras, guerras, e, sobretudo, gerou um sistema económico insustentável que urge substituir. O que seria deste capitalismo não fora o petróleo? É claro que enquanto o barril perdurar, Chávez terá toda a liberdade e todos os recursos para eternizar a seu processo revolucionário. Mas o curso deste processo assenta em grande medida no curso do ouro negro.
Defendo que um dos grandes objectivos da esquerda contemporânea é o de propor e de lutar por um sistema económico que acabe com a dependência e, sobretudo, com o monopólio do petróleo. Não consigo conceber qualquer forma de socialismo viável cuja infra-estrutura se fundamenta num forte desequilíbrio económico: o monopólio de um recurso. Em última instância podemos dizer que este socialismo de Chávez só é possível porque existe este capitalismo que tanto criticamos. Ao sustentar toda a economia interna e toda a sua política social no petróleo, Chávez está a ser um forte contribuinte para a reprodução de um sistema capitalista gerador de enormes desigualdades. Por isso, não comungo da exaltação de alguma esquerda face à actual Venezuela: a desvalorização da democracia e a indiferença face ao uso (abuso?) de uma matéria-prima nefasta como monopólio económico, não representam para mim os pilares de uma esquerda com futuro.