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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ai que confusão vai nessas cabeças...

Até custa dizê-lo, de tão óbvio, mas aqui vai: sexo oral não é sinónimo de escravidão, e muito menos de escravidão pelo tabaco!!!
A quem achar estranho esta alusão faça favor de ir ver esta campanha francesa alegadamente pró-não fumadores (mais informações aqui).
Nós, que não perdemos uma campanha, aqui lavramos o nosso protesto, essencialmente por razões lógicas... e estéticas (o kitsch já era, meus amigoze).

sábado, 6 de junho de 2009

O que Berlusconi faz com o seu pênis é problema dele e de quem se satisfaz com ele

berlusconi O primeiro-ministro italiano não é flor que se cheire e política e pessoalmente não tenho a menor simpatia por ele. Ao contrário. Tenho tudo contra. Entretanto, o que ele faz com o seu pênis (desde que não nós foda com ele) é problema exclusivamente dele e de suas parceiras de alcova, que aliás deveriam escolher melhor quem as penetra. Porém, gosto é gosto e não serei eu a criticar eventuais desvios sexuais de quem quer que seja. Digo desvios porque, valha-me Deus, ter qualquer tesão por um homem tipo Berlusconi é uma evidência incontestável de muito mau gosto e demonstração de profundo desrespeito com a respectiva genitália. É como jogá-la ao lixo, digamos. Agora, o que é condenável de fato é a exploração sensacionalista do El Pais sobre este fato. Mas, enfim, um jornal que se aliou ao asqueroso Aznar ao responsabilizar sumariamente o grupo separatista basco ETA (longe de mim defender as suas ações terroristas - que fique claro) sem qualquer investigação prévia pelos atentados terroristas do 11-M não é lá muito sério.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Padre lança Kama Sutra católico (ou como chegar ao orgasmo divino)

Kama Sutra Preocupado com o relacionamento sexual dos fiéis de sua igreja, um padre franciscano polaco escreveu um guia prático e teológico aconselhando como casais casados (note que o dito cujo é somente pra casais casados) podem melhorar a sua vida sexual. Segundo ele, o objetivo de tal publicação é o de “acabar com atitudes excessivamente conservadoras de muitos dos fieis”. “Durante o ato sexual, as pessoas casadas podem demonstrar o seu amor em todos os sentidos, incluindo a estimulação manual e oral, sem que com isso se ofenda a Deus”, diz o padre. Mais.

PS: Tudo bem que se trata de uma atitude inovadora, ousada e louvável até, mas, como perguntar não doi, qual a experiência do tal padre nessas coisas de sexo?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

No tempo em que as pin-ups eram bem generosas

Após as revelações discretas de Verão passado, confirma-se que a Vénus mais antiga de sempre é 'alemã'!
Tem 35 mil anos mas mantém a silhueta original. Destrona assim a Vénus de Willendorf, com c.28 mil anos, e descoberta na Áustria em 1908.
Chama-se Vénus de Hohle Fels, pois foi recuperada na gruta homónima e, tirando as formas dominantes, nada parece ter mudado quanto ao gosto pelas representações sexuadas. Passa a ser a representação mais antiga de arte figurativa de que se tem conhecimento. Estas figuras, esculpidas em pequenas estatuetas, estariam associadas a crenças de fertilidade e/ou a rituais xamânicos. Um estudo científico detalhado vem hoje publicado na revista Nature e é da autoria do arqueólogo Nicholas J. Conard, da Universidade de Tubinga (Alemanha). Video com depoimento do autor aqui.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mas estas coisas ainda espantam alguém?

Para fazer tempo, enquanto esperamos os resultados das eleições americanas, aqui vai um post sobre sexo e religião. No Courrier International pode ler-se uma peça de uma jornalista que descobre - com aparente espanto - que as mulheres muçulmanas mais conservadoras, no recato do seu lar são dadas ao prazer da carne. Note-se contudo que o título da peça ("Sous le hijab, le string") é muito bem conseguido. Acontece que para o Islão, contrariamente às religiões judaico-cristãs, não é o sexo em si mesmo que é o problema, desde que com o respectivo cônjuge, e longe de olhares públicos. Porque são precisamente os olhares públicos que são o problema. De resto o Corão incita tanto o marido como a mulher ao gozo dos prazeres da carne. Tirando aquela coisa da jornalista parecer descobrir o óbvio, o artigo merece definitivamente uma leitura atenta. Apetece-me destacar isto:«C'est que là où les judéo-chrétiens ne conçoivent la sexualité que dans un strict but de procréation, le Coran et l'enseignement du prophète semblent beaucoup plus ouverts à une sexualité de plaisir. "L'islam encourage la sexualité dans le couple marié et le plaisir autant masculin que féminin. Le sexe est tenu pour spirituel"»

E mesmo em relação aos judaico-cristãos, ou pelo menos os católicos, talvez as coisas já não sejam bem como soíam. Pois que a soeur Emmanuelle, uma versão francesa da Madre Teresa de Calcutá recentemente falecida, decidiu deixar em testamento um grande rombo nos tabus do sexo. Num livro intitulado "Confessions d'une religieuse", publicado poucos dias após a sua morte, soeur Emmanuelle escreve sobre os prazeres carne (pecado bem menos grave que os outros, segundo ela), e discorre em particular sobre a masturbação, na primeira pessoa. Não li o livro, mas há uma elevada probabilidade de o vir a fazer.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Os 10 “mandamentos” do sexo ecologicamente correto

Não morro de amores pelo Greenpeace. Entretanto, não posso deixar de achar sui generis o artigo “Cómo ‘enverdecer’ tu vida sexual”, publicado pela filial mexicana no início de agosto, mas só agora descoberto por mim. Sob o slogan “ser verde nunca foi tão erótico”, o tal guia pretende promover um sexo amigo do meio ambiente. O primeiro “mandamento” da cartilha diz que os amantes devem apagar as luzes durante o sexo como uma forma de economizar energia (pelo menos essa). Já no último, o Greenpeace orienta que se “faça amor, não guerra”. Está aí uma boa sugestão de leitura para a senhora Palin. Abaixo transcrevo alguns dos “mandamentos” e aqui está a íntegra do texto.

- Utilizar frutas afrodisíacas orgânicas. Nada de transgênicos ou pesticidas.

- Não consumir ostras, mariscos e camarões. Use óleos ou sabões aromáticos para esse fim.

- Utilize apenas lubrificantes à base de água, nunca à base de petróleo ou vaselina.

- “Brinquedos” eróticos de PVC devem ser evitados.

- Banhar-se junto com o parceiro(a) para economizar água.

- A madeira da cama deve ser de uma empresa ecologicamente responsável.

Imagem retirada daqui.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Os Arganazes explicam: Anda p'r'ai muito mau jornalista (e mau cientista)

A notícia do Público de ontem, aqui referida pelo Daniel, é daquelas que me tiram do sério. Como não há nada como ir às fontes primárias (coisa que duvido que os jornalistas, autores da notícia, tenham feito) o tal estudo sueco está disponível na íntegra no lado b do Peão. Diz o título da notícia do Público que "variante genética está associada ao divórcio e à infidelidade". É deveras curioso, porque nem a infidelidade nem o divórcio são estudados no artigo (ou pelo menos não são referidos enquanto tal). Pergunta-se, sim, aos indivíduos se tiveram crises conjugais e sentiram a ameaça do divórcio, o que não é bem a mesma coisa (e é muito mais subjectivo). Em relação à infidelidade passa-se o mesmo, não foi perguntado se os homens são infiéis ou não, aplicou-se os resultados de um inquérito sobre a satisfação das mulheres relativamente aos seus maridos. É aliás possível que a taxa de divórcio, e a ocorrência efectiva de infidelidade - o que seria uma análise bem mais robusta - tenham sido analisados, mas talvez por não confirmarem a teoria não tenham sido incluídos (acontece...). Não sabemos porque não é referido. Mas isso nem é o mais chocante. O que me irrita mesmo é que lendo este tipo de notícias o leitor fica com a impressão que os genes determinam tudo: o homem tem a variante do gene RS3-334 logo é infiel e vai divorciar-se, com 100% de probabilidade, não essa variante do gene então é fiel à mulher e casa uma vez para a vida toda, e tem 0% de probabilidade de não o fazer. Lê-se o artigo e vê-se que a diferença é de 15% para 34% (e nem seque se fala de divórcio, mas apenas de crises conjugais). De 0%-100% para 15%-34% vai uma grande diferença. E o que dizer dos 76% dos homens que têm a "mutação da infidelidade" mas não têm crises conjugais?
Aliás, para quem costuma ler artigos científicos salta à vista que este artigo é bem curto, bem preliminar, que fica muito longe de uma análise exaustiva do assunto, contenta-se com umas poucas análises estatísticas. Além do mais cai num erro, a meu ver, muito frequente em estudos de Genética Humana (e aqui entro em detalhes mais ou menos técnicos). Quando se estuda uma dada característica que se quer associada a uma determinada variante genética há sempre uma probabilidade de existir uma correlação entre as duas por mero acaso. Essa probabilidade é pequena e pode ser calculada. Simplesmente aumentando o número de variantes genéticas estudadas aumenta a probabilidade de ocorrer essa mera coincidência, e isso já não é levado em conta. Cada vez que se calcula uma probabilidade de erro, faz-se com se fosse a única variante estudada. Ora, se a probabilidade de se estar errado é apenas de 1% mas forem analisadas 100 variantes distintas, então é bem provável que haja uma correlação por simples acaso. Neste estudo foram analisadas três regiões diferentes do gene em causa, e cada região com muitas variantes (também não é referido o número exacto no artigo, mas andará na ordem das dezenas). Apenas uma variante mostrou uma correlação. Mera coincidência? Eu não apostava um euro...
Finalmente os jornalistas deviam perceber que muitas vezes, por um genuíno entusiasmo com o seu trabalho, o cientista tende a empolar os seus próprios resultados. O jornalista, em vez de relativizar, ainda ajuda mais à festa com sensacionalismo e simplificações grosseiras. E depois dá nisto...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Os arganazes expilicam: gene malandro culpado das escapadelas do homem

Os suecos (ou suecas? ou suec@s?) acabam de descobrir a pólvora (conjugal, salvo seja): a infidelidade deve-se (é propiciada?) a uma variante genética do gene que regula a hormona vasopressina, segundo um estudo recente. Este fenómeno abrange 40% dos parceiros!
Estudos pioneiros já haviam sido realizados em roedores com o nome arranhado de arganazes, mais precisamente em arganazes-do-campo e em arganazes-do-prado, estes últimos polígamos. Está bom de ver que o prado é mais tentador...
Mais coscuvelhices aqui ou aqui.
PS: este texto é em tom meio irónico e o incontornável Zèd já nos veio lembrar, num post mais acima, por que é que estas notícia e estudo foram mal apresentadas, ou seja, nada do que está neste post é para ser levado a sério, exceptuando os arganazes...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Artistas globetrotters

Contou Gonçalo M. Tavares um engenhoso plano turístico imaginado por Philip Roth no livro Portnoy's Complaint (1969), editado em português pela Bertrand, mas actualmente indisponível no mercado.
Um dos personagens tem como grande sonho conhecer os Estados Unidos, e, para concretizar essa ambição decide dormir com uma mulher de cada Estado. Para ele, só depois de se ter deitado com o número de mulheres correspondente ao número dos Estados é que poderia afirmar conhecer o país.
O mesmo «desejo excursionista», surge nas artes plásticas com Tracey Emin que na instalação My Bed, concorrente ao Turner Prize em 1999, interrogava-se se para conhecer o mundo bastaria ter relações sexuais com uma pessoa de cada país, ou se seria mesmo necessário visitar o sítio.
A mim, esse «turismo» sempre me pareceu de uma originalidade promissora...
Imagem: Tracey Emin - Everyone I Have Ever Slept With, 1963-1995

sábado, 31 de março de 2007

Posfácio c/osso (II)

"O Lobo Antunes oculta, Saramago pouco fala e eu desnudo. O quê? As rolas? As toutinegras? As milheiras? Não, o sexo em Portugal."
Manuel da Silva Ramos
(O sol da meia-noite seguido de contos para a juventude,
Lx., Pubs. D. Quixote, 2007, p. 166)

terça-feira, 27 de março de 2007

O preço do amor, com pompa e circunstância

Fonte: origem desconhecida.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Sexo & Prozac

Manuel da Silva Ramos, hoje, no ípsilon, referiu-se aos prazeres da vida com uma abertura muito pouco usual entre os portugueses. Fala-se de sexo de uma maneira ou muito cerimoniosa, ou entre risos, mas raramente como um acto de que se desfrute: tem de ser com a pessoa certa; tem de ser no momento oportuno; tem de ser num sítio adequado e, claro, o inevitável, tem de haver amor... Naturalmente, todas estas condições pesam, ainda mais, no universo feminino, que o autor «acusa» de só querer casar, pelo menos no caso português.
Esta falta de capacidade portuguesa para desfrutar e para ser festivo, também apareceu, ontem, em rodapé do telejornal: os portuguese choram, em média, 2 a 3 vezes por semana! E sempre que se mencionam estatísticas de uso de anti-depressivos, os números no país são impressionantes!
Cada vez mais pessoas dizem ficar angustiadas com o Carnaval, deprimidas no Natal, arrasadas nos aniversários. Não se comemora festivamente, com excepção para o 1º de Maio, datas como o 5 de Outubro, o 25 de Abril, ou, até mesmo, o 10 de Junho; nesses dias não há farturas ou bifanas, apenas discursos, paradas e distribuição de «caricas» pelo Presidente da República.
Os portugueses encerram esta mistura desanimadora de serem macambúzios e, ao mesmo tempo, pouco sérios, o que os arrasta para este pântano de choraminguice, depressão e falta de sexo.
Por tudo isto, e porque estamos mesmo à beira de mais um fim de semana, aqui deixo o conselho do autor: «Comer, foder e beber».
Imagem: Instalação de Tracey Emin, My Bed, obra nomeada para o Turner Prize de 1999.