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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tão liberais que nós somos


****Mais informação nesta entrevista a Pedro Rosa Mendes.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É no que dá a excessiva proximidade entre políticos e jornalistas, e não é só em termos metafóricos, não...

Aqui o suco da última polémica, já carimbada como caso Crespo vs. Sócrates.

Algumas reacções institucionais: opinião do Sindicato dos Jornalistas; nota da Direcção de Informação da SIC.
Observações críticas pertinentes aqui e aqui (esqueça-se esta foleirice extrema, no mesmo blogue, num momento bem infeliz).

Já agora, qual é o restaurante de luxo que tem esta péssima acústica(?!) e/ou as mesas tão encavalitadas umas nas outras que se fica debaixo do cotovelo do vizinho?

ADENDA: «Sócrates queixou-se de Crespo a director da SIC»...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Via rápida para um jornalismo diferente

A revista A.23, dirigida pelo Ricardo Paulouro, ressurgiu recentemente com redobrado fôlego.
Em primeiro lugar, com um n.º de Outono bem interessante: reportagem rara sobre o povo saharaui; notícia sobre o 10.º Festival de Cinema Imago, com um tema guloso: sexo; entrevista ao escritor Manuel António Pina; conto do fantástico Manuel da Silva Ramos; viagem de Tiago Salazar pelo terroir do atraente tinto Rioja; portefólio de José Manuel Rodrigues, etc., etc..
Em segundo lugar, surge com um site renovado, com bom grafismo, muitas rubricas novas, excelentes colaboradores e uma combinação única entre local, regional, nacional e internacional!!
Por fim, o n.º de Inverno é bem capaz de nos reservar melhores surpresas! É só uma questão de se estar atento. A distribuição é feita pela Vasp, por isso, a revista, em formato A3, está presente em muitas bancas, além da cadeia de livrarias da Colibri.
Para quem quiser dar uma olhada nos 5 n.ºs anteriores pode ir aqui.
Ao projecto e à equipa desejo boa sorte e perseverança, para bem dos leitores de imprensa!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Não importa de onde vem a informação, o que importa é estar informado

Sou daqueles que pensa (ou pensava) que os meios de informação influenciam pouco ou nada as opiniões de cada um, sobretudo políticas. Já não sei se é dito explicitamente, ou se é apenas insinuado, mas a ideia forte que me ficou de quando vi "Fountainhead" (e que está longe de ser a ideia central do filme) foi: "não são os jornais que fazem a opinião pública, é a opinião pública que faz os jornais". Ou seja, quem lê um jornal de esquerda (ou direita) é porque é de esquerda (ou de direita); escolhemos os jornais em função do que queremos ler, não é o jornal que nos vai tornar de esquerda ou direita (pensava eu...). Tudo isto foi posto em causa por um trabalho recente de uma equipa de investigadores de Yale; os jornais podem ter influência, mas não aquela que seria de esperar. A experiência foi a seguinte: Antes das eleições para governador da Virginia (2005) os investigadores escolheram, numa determinada cidade do estado, uma população que não lia regularmente jornais. A um grupo ofereceram uma assinatura por um ano do Washington Post, um jornal de esquerda, a outro grupo uma assinatura do Washington times, de direita, e a um terceiro grupo, para comparação, não ofereceram jornal nenhum. O resultado foi que por um lado o conhecimento factual das notícias não era diferente nos leitores dos dois jornais, as opiniões políticas gerais (como por ex: a taxa de aprovação de Bush) também não. A surpresa foi que, quando comparados com aqueles a quem não foi oferecida nenhuma assinatura de jornal, tanto quem recebia o Times como quem recebia o Post votaram em maior percentagem no candidato a governador pelo partido democrata. Conclusão (minha): Pouco importa se se lê um jornal de esquerda ou de direita, quem está informado tem mais probablididade de votar à esquerda.
P.S. - Ainda segundo este artigo, embora não tenha sido o caso em 2005, a partir de 2006 a taxa de participação nas eleições aumentou entre os contemplados com as assinaturas tanto do Post como do Times.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não se faz, pregar rasteiras destas a jornalistas...

Shane Fitzgerald, estudante irlandês finalista de sociologia e economia na University College Dublin, introduziu na wikipédia uma citação falsa, completamente inventada atribuída ao compositor francês Maurice Jarre, pouco depois da morte deste. O objectivo era fazer uma experiência no quadro de uma investigação sobre a Globalização; os resultados ultrapassaram as expectativas. Essa citação apareceu nos obituários dos respeitáveis "The Guardian", "The Independent", e mais uns quantos jornais por esse mundo fora. Parece aliás que a citação continua a propagar-se pela internet.

A citação: “One could say my life itself has been one long soundtrack. Music was my life, music brought me to life, and music is how I will be remembered long after I leave this life. When I die there will be a final waltz playing in my head, that only I can hear”

A fonte: Irish Times

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sim, porque ele há jornalismo e jornalismo

Segundo o Público 24 horas depois de ser eleito Obama já está a sofrer pressões, segundo o New York Times, e o Le Monde é Obama quem está com pressa de constituir uma nova equipa. Definitivamente o modo como se escreve uma notícia não é neutro.

domingo, 7 de setembro de 2008

Ele há mau jornalismo que nem os Arganazes conseguem explicar

Eu sei que há jornais maus, que até costumam vender bem, e que há maus jornalistas. Mas o "Público" seria suposto ser um jornal de referência, mesmo sendo o director um tal de José Manuel Fernandes. Pura ingenuidade - a minha, claro! Esta notícia é mesmo do piorzinho que um "jornalista" (entre aspas) pode escrever. E não deixa de ser irónico que a gravidez de Rachida Dati parece estar a causar mais excitação nas redacções fora de França, do que por cá. Quem diria que eu alguma vez viria a defender Rachida Dati. A ministra de Justiça francesa não tem qualquer talento político reconhecido, nem sequer tinha actividade política (e não digo experiência política relevante, não tinha pura e simplesmente qualquer actividade política anterior, seja num partido seja em cargos políticos) antes de Sarkozy a escolher para sua porta-voz durante a campanha eleitoral no ano passado. Não me lembro de na altura o "Público" ter questionado os putativos laços pessoais entre Dati e Sarkozy. Dati tornou-se em seguida ministra, e é uma péssima ministra. Conseguiu a proeza, ainda hoje inigualada, de em apenas três meses e meio à frente do seu ministério ver não menos de sete membros do seu gabinete se demitirem. Não me recordo do "Público" ter feito disso notícia. Tal como não me lembro de ter sido referido que Rachida Dati ultrapassou todos os limites de gastos em despesas de representação em 2007, e precisou duns irisórios 100.000 euros extra (nem quero imaginar como seria se ela fosse ministra dos Negócios Estrangeiros). Nada disto é politicamente relevante, o que é politicamente relevante, pelo menos no entender da redacção do "Público" é a gravidez de Rachida Dati e os seus mistérios. O que dizer duma notícia em que Dati é apelidada logo no título de "A Sarko Babe"? E que acrescenta, ainda o título "vai ser mãe solteira" (o que tecnicamente é falso, ela já foi casada). Isto é uma informação política relevante? O inenarrável texto continua afirmando na caixa de destaque que "só falta saber quem é o pai". Who cares?. Até a imprensa cor-de-rosa francesa se impõe a si própria limites éticos à devassa da privacidade mais rigorosos do que o "Público". A cereja no topo do bolo é a reprodução de nomes de potenciais pais da criança que circulam na internet. Isto é jornalismo? Reproduzir rumores num assunto que pertence exclusivamente ao foro privado?
Rachida Dati confirmou a sua gravidez e afirmou relativamente à identidade do pai da criança "Tenho uma vida privada complicada e este é o limite que me imponho em relação à imprensa; não direi nada sobre o assunto". Dêem-me uma boa razão para não respeitar a decisão de Rachida Dati.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Os Arganazes explicam: Anda p'r'ai muito mau jornalista (e mau cientista)

A notícia do Público de ontem, aqui referida pelo Daniel, é daquelas que me tiram do sério. Como não há nada como ir às fontes primárias (coisa que duvido que os jornalistas, autores da notícia, tenham feito) o tal estudo sueco está disponível na íntegra no lado b do Peão. Diz o título da notícia do Público que "variante genética está associada ao divórcio e à infidelidade". É deveras curioso, porque nem a infidelidade nem o divórcio são estudados no artigo (ou pelo menos não são referidos enquanto tal). Pergunta-se, sim, aos indivíduos se tiveram crises conjugais e sentiram a ameaça do divórcio, o que não é bem a mesma coisa (e é muito mais subjectivo). Em relação à infidelidade passa-se o mesmo, não foi perguntado se os homens são infiéis ou não, aplicou-se os resultados de um inquérito sobre a satisfação das mulheres relativamente aos seus maridos. É aliás possível que a taxa de divórcio, e a ocorrência efectiva de infidelidade - o que seria uma análise bem mais robusta - tenham sido analisados, mas talvez por não confirmarem a teoria não tenham sido incluídos (acontece...). Não sabemos porque não é referido. Mas isso nem é o mais chocante. O que me irrita mesmo é que lendo este tipo de notícias o leitor fica com a impressão que os genes determinam tudo: o homem tem a variante do gene RS3-334 logo é infiel e vai divorciar-se, com 100% de probabilidade, não essa variante do gene então é fiel à mulher e casa uma vez para a vida toda, e tem 0% de probabilidade de não o fazer. Lê-se o artigo e vê-se que a diferença é de 15% para 34% (e nem seque se fala de divórcio, mas apenas de crises conjugais). De 0%-100% para 15%-34% vai uma grande diferença. E o que dizer dos 76% dos homens que têm a "mutação da infidelidade" mas não têm crises conjugais?
Aliás, para quem costuma ler artigos científicos salta à vista que este artigo é bem curto, bem preliminar, que fica muito longe de uma análise exaustiva do assunto, contenta-se com umas poucas análises estatísticas. Além do mais cai num erro, a meu ver, muito frequente em estudos de Genética Humana (e aqui entro em detalhes mais ou menos técnicos). Quando se estuda uma dada característica que se quer associada a uma determinada variante genética há sempre uma probabilidade de existir uma correlação entre as duas por mero acaso. Essa probabilidade é pequena e pode ser calculada. Simplesmente aumentando o número de variantes genéticas estudadas aumenta a probabilidade de ocorrer essa mera coincidência, e isso já não é levado em conta. Cada vez que se calcula uma probabilidade de erro, faz-se com se fosse a única variante estudada. Ora, se a probabilidade de se estar errado é apenas de 1% mas forem analisadas 100 variantes distintas, então é bem provável que haja uma correlação por simples acaso. Neste estudo foram analisadas três regiões diferentes do gene em causa, e cada região com muitas variantes (também não é referido o número exacto no artigo, mas andará na ordem das dezenas). Apenas uma variante mostrou uma correlação. Mera coincidência? Eu não apostava um euro...
Finalmente os jornalistas deviam perceber que muitas vezes, por um genuíno entusiasmo com o seu trabalho, o cientista tende a empolar os seus próprios resultados. O jornalista, em vez de relativizar, ainda ajuda mais à festa com sensacionalismo e simplificações grosseiras. E depois dá nisto...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sarkozy vintage

O presidente francês Nicolas Sarkozy, continua em grande forma, não deixando os seus créditos por mãos alheias. A semana passada anunciou a sua reforma da televisão que determina que as estações públicas de televisão devem estar sobre o controlo do governo (i.e. ele próprio), medida que suscita críticas de todo o lado, incluindo do próprio campo de Sarkozy. Poucos dias depois vai a uma dessas cadeias públicas de televisão, a France 3, para uma entrevista. O Rue89 pôs on-line um vídeo dos 6 minutos que antecedem a entrada de Sarkozy no ar (sim, é suposto ser em 'off'). Para começar um técnico de som não responde ao cumprimento de Sarkozy - o que começa a tornar-se numa tradição francesa - Sarkozy passa da justificada indignação "Quando somos convidados temos o direito a que nos dêem os Bons Dias" à impaciência - revelando au passage o seu desprezo pelos funcionários públicos - "Isto não é o serviço público" (leia-se Sarkozy acha que no serviço público os funcionários são mal-educados) e continua "parece que estamos no meio dos manifestantes" (donde se depreende que manifestar também é falta de educação), e passa depois à ameaça mais ou menos velada "Isto vai mudar! Isto vai mudar!", parece que a ameaça é dirigida tanto ao técnico de som pouco educado como aos manifestantes. Mas isto foi só o aperitivo. Sarkozy tinha em estúdio dois jornalistas figurando entre os signatários de uma artigo de opinião muito crítico da reforma da televisão, um desses jornalistas, Gérard Leclerc, esteve dois anos na prateleira. Sarkozy achou de bom tom mencionar o assunto poucos minutos antes de entrar no ar, com o delicioso pormenor de tratar o jornalista por 'tu', primeiro uma irónica saudação "É um prazer ver o Sr. Gérard Leclerc por aqui" para logo de seguida lançar um seco "Tu, quanto tempo é que tiveste na prateleira?". Pergunta inocente só para fazer conversa de circunstância ou táctica de intimidação do jornalista? A vous de voir. Segue-se um desconfortável e longo silêncio. Mesmo antes de entrar no ar Sarkozy sugere ao director de informação da France 3, Paul Nahon que lhe sejam feitas perguntas sobre um tema da actualidade, o drama de Carcassone (um sargento do exército numa demonstração militar aberta ao público feriu 17 pessoas, e Sarkozy havia visitado os feridos nesse mesmo dia). Manifestamente dava-lhe jeito falar do assunto, e o director de informação aquiesceu sem grandes hesitações. O entrevistado pode dizer ao entrevistador como fazer o seu trabalho. Será que a intimidação funciona?


Curiosamente a coisa não fica por aqui. Agora é a France 3 (televisão pública, relembre-se, controlada pelo estado) quem ameaça o Rue89 (orgão de informação independente) com um processo judicial por divulgar as imagens que deviam ser em "off". Esta é nova, um orgão de informação que processa outro orgão de informação para tentar obter as suas fontes, e impedir a divulgação da notícia. Obviamente que a publicação do vídeo pelo Rue89 já foi bastante criticada, ao que o próprio Rue89 já respondeu (e, a meu ver, bem).

sábado, 7 de junho de 2008

Jornalismo preguiçoso

A taxa de acidentes com ciclistas em Paris está longe de ser um dos mais prementes problemas da humanidade, mas por estes dias serve muito bem como exemplo do que é o jornalismo preguiçoso. O comissariado da Polícia de Paris lança um comunicado dando conta de um aumento de 21% dos acidentes no primeiro trimestre de 2008, comparando com o mesmo período de 2007. Logo pululam pela imprensa francesa notícias alarmistas de uma "explosão" (sic) de sinistralidade velocipédica em Paris (por exemplo aqui, aqui, aqui e até no respeitável Libération), e de caminho associa-se a coisa ao Vé'lib (iniciativa do município de Paris que disponibiliza qualquer coisa como 20 mil bicicletas de aluguer). Até que finalmente um jornalista, do rue89 (só podia...) faz o seu trabalho. Os acidentes aumentaram 21% mas a circulação em bicicleta aumentou 33% no mesmo período. Tal como em 2007 os acidentes aumentaram em 37% comparando com 2006, enquanto que a circulação em bicicleta aumentou em 70%. Ou seja, na realidade, se a taxa de acidentes aumentou muito abaixo do aumento da circulação, o risco de um ciclista ter um acidente em Paris diminuiu substancialmente nestes últimos tempos. Exactamente o contrário do que nos dizem as notícias. Seria interessante perceber porque razão o risco diminui quando aumenta a circulação, mas a discussão ainda não chegou a esse nível. Para começar seria bom que mais jornalistas aprendessem a ler números, e a colocar um mínimo de questões relevantes antes de reproduzirem comunicados de imprensa. Enfim, que aprendessem a fazer o seu trabalho.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Um ano e uma nova forma de fazer jornalismo

Fez esta semana um ano que nasceu um novo projecto jornalístico em França. Numa altura em que a imprensa escrita está em retracção, para não dizer crise, um grupo de jornalistas na maioria vindos do Libération lançou um jornal exclusivamente on line e de acesso inteiramente gratuito. O jornal/site informativo (chamem-lhe o que quiserem) segue uma lógica muito influenciada pelo fenómeno blogosférico, nomeadamente no que toca à forte participação dos leitores na elaboração dos conteúdos. Isto sem beliscar minimamente a qualidade do trabalho jornalístico. Os resultados ultrapassaram de longe as expectativas mais optimistas: um milhão de visitantes únicos por mês, uns quantos scoops ao longo do ano, e tronou-se rapidamente uma referência citada por outros jornais. Pessoalmente, descobri-o através do Peão, e é-me indispensável (já o linkei várias vezes). O Rue 89 festeja o seu primeiro aniversário

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Perguntas parvas...



Acho que isto pode ser qualificado como tesourinho deprimente. É um excerto de um noticiário da televisão holandesa NOS, a pivot (Astrid Kersenboom) fala ao telefone com o correspondente em Madrid (Rop Zoutberg). Dá-me a sensação que RZ achou a pergunta de AK despropositada, não sei porquê...

Tradução (resumida) da versão francesa:
RZ- Os 11 suspeitos dos atentados foram condenados a 40000 anos de prisão, com 40 anos de prisão efectiva.
AK- Portanto os 40000 anos são, digamos, um pena simbólica...
RZ - Não, não, nada disso, mesmo depois de morrerem terão de permanecer 40000 anos na cela.
AK - ...
RZ - Claro que é simbólico. Meu Deus... - desliga o telefone.


Fonte: ZapNet du rue89

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Jornalismos...

O jornalismo de referência está em crise. O que está a dar é o jornalimo de reverência.

sábado, 20 de outubro de 2007

Conhecimentos

Hoje fui ao Campo Pequeno ver o filme The Secrets (Sodot, Ha-) do realizador Avi Nesher, integrado no ciclo de cinema israelita que está a decorrer naquele local. O filme versa sobre o tema da homossexualidade feminina, do judeismo ortodoxo e do feminismo.
Qual não é o meu espanto quando me deparo com as descrições do ciclo na internet: "(...)o filme - sobre duas jovens brilhantes que descobrem as suas vozes numa cultura ortodoxa repressiva em que as mulheres estão proibidas de cantar"; "«The Secrets» (2007), (...) uma longa- metragem de Avi Nesher que conta a história de duas jovens brilhantes que descobrem as suas vozes numa cultura ortodoxa repressiva em que as mulheres estão proibidas de cantar". Descobrem as suas vozes?!? talvez seja uma forma codificada, utilizada pelos jornalistas que ao perceberem que o filme versa sobre judeus ortodoxos, resolveram utilizar uma linguagem bíblica tipo conhecer. Elas conheciam as vozes uma da outra, mas estavam proibidas de cantar, coitadas.. se calhar é por isso que o filme "conta a história de duas jovens brilhantes".
Também tenho sérias dificuldades em entender a segunda parte da frase: "cultura ortodoxa repressiva em que as mulheres estão proibidas de cantar". Ah sim? pois neste filme há cenas e cenas em que não se faz mais nada senão cantar a viva voz. (no sentido literal do termo..)
Aliás, como se pode perceber pela foto, as duas "brilhantes" raparigas estão em plena descoberta da suas cordas vocais e melancólicas por não poderem dar azo ao "canto".
Não me lembro da classificação etária do filme, mas com este tema era certamente para m/6..

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Será que a nossa fé na Humanidade depende...

... do sentido em que lemos o jornal? Hoje, se começarmos o Público pelo fim (ainda herança da antiga «morada» do Calvin), deparamo-nos com o terrível destino da rapariga curda apedrejada até à morte (Mundo, p.19), o que seguramente, nos fará descrer da possibilidade de uma séria mudança de mentalidade além-Bósforo; com este espírito, prosseguimos a leitura até à notícia de mais uma maifestação na Turquia a defender o secularismo (Mundo, p.16), momento em que voltamos a acreditar em todas as possiblidades. Claro, que para quem tiver lido o jornal do início, o percurso terá sido o inverso: da confiança para a descrença.
Resta saber qual das notícias terá mais força. O Público escolheu para capa a da descrença.
P.S. - Porque será que continuo a achar que o conceito de «honra» tem sempre, em si, qualquer coisa de arrepiante?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Rue89

Se houve uma boa notícia em França no 6 de maio, essa foi a criação dum novo espaço jornalístico, o Rue89. Esse jornal em linha reúne principalmente pessoas oriundas do Libération. Os primeiros dias mostram que é um projecto a seguir. Há entrevistas interessantes com investigadores e esse espaço dá um lugar importante aos blogs e aos leitores.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Esta notícia é uma vergonha

Portas evoca no Dia do Trabalhador palavra de ordem nazi

O presidente do CDS/PP, Paulo Portas, afirmou esta terça-feira, na Madeira, que «o trabalho liberta», recorrendo a um dos lemas nazis mais utilizados nos campos de concentração durante a II Grande Guerra.
Falando sobre o Dia do Trabalhador, Portas declarou: «para nós CDS/PP trata-se de um festejo que acarinhamos. Nós acreditamos no valor do trabalho. Nós acreditamos que o trabalho liberta».
«Nós acreditamos que o trabalho melhora a condição de vida das pessoas. Nós acreditamos que o trabalho é a forma das pessoas legitimamente subirem na vida», acrescentou.
O líder nacional dos populares deslocou-se à Madeira para apoiar a candidatura do CDS/PP-M na campanha eleitoral das legislativas regionais antecipadas que decorrem no próximo domingo.
Paulo Portas regressa à Região na próxima quinta-feira para marcar presença na iniciativa de encerramento da campanha do CDS/PP-M.

Diário Digital / Lusa



Esta notícia é politicamente insultuosa e jornalisticamente está, como alguém dizia no outro dia, ao nível da sarjeta. Quem a redigiu devia ter a coragem de escrever um artigo de opinião, um post, um ensaio, o que quer que seja, e justificá-la convenientemente. Vá a O Trabalhador de Ernst Junger e explique porque disse o que disse. Mas usar uma take da Lusa para fazer um pseudo-brilharete intelectual e acusar alguém de fazer discursos nazis é um exemplo de péssimo jornalismo.

*agradeço ao Pedro Alcântara por me ter chamado a atenção para esta notícia.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Só mais um brilhante contributo

Nuno Pacheco hoje no "Público":
"Além do que já foi dito e redito sobre a mísera ideia de que há horríveis profissões inferiores e temos que ser salvos delas para abraçar as superiores que a glória universitária nos dá, existe nesta campanha outra intenção. Tipo: frequentar universidades é dar o pão a uns largos milhares de portugueses. Porque, coitadas, têm cada vez menos clientela. Só entre 1997 e 2005, as universidades portuguesas terão perdido 15 mil alunos. Terão perdido também outras coisas, como algum orgulho, eficácia, seriedade e até vergonha, mas disso a propaganda não reza. É preciso que a universidade, mesmo má, resista! Daí a tal campanha, género "tirem um diplomazinho, pelo amor de Deus". O problema é que muitos milhares tiraram o tal diplomazinho e andam por aí a fazer coisas que nada têm a ver com a almejada profissão: vender bugigangas, pizzas ao domicílio, uma temporada num call-center, outra num bar ou restaurante. Licenciados, todos eles, cumpridores da regra "sem-diploma-não-és-ninguém", todos a tentarem ser alguém apesar do diploma. Seria assim o cartaz: Asdrúbal, licenciado, vendedor de quinquilharia, a fazer o mesmo que faria se não tivesse acabado os estudos."
Mais um brilhante contributo para a discussão pública de um dos membros da actual direcção desse jornal sério que é "Público". Um dos problemas do país é ter falta de pessoas qualificadas. Muito jornalismo, aparentemente, sofre também desse síndroma. Caso contrário, seriam ditas menos asneiras, daquelas que podem ser desfeitas num par de minutos olhando para algumas estatísticas. Mas confesso que começo a ficar habituado à incríveis semelhanças de nível intelectual entre as opiniões dos membros da direcção do Público e as conversa de "taxista". São estes que passam a vida a acusar os outros - o "Governo", os "portugueses", o "país", etc. - de incompetência, preguiça, mediocridade e outros pecados com muitos séculos, não é?

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Entre «rounds»

A descarada campanha contra Sócrates chegou hoje a um momento de pausa.
Depois de tudo tentado, ver a sondagem com que a TVI abriu o noticiário ou as vacuidades de Fernandes e Sarsfield na ERC é revelador da seriedade da «classe jornalística» (aliás em agitação pela mais que justa condenação do Público por uma pseudo-notícia caluniosa sobre o Sporting, que só peca por tardia e insuficiente).
A conferência de imprensa de Mendes foi pífia, a Esquerda já se afasta do assunto, resta saber que mais patranhas falta sacar do esgoto de onde veio esta «investigação». (Curiosamente surgida no jornal da Sonae a seguir ao insucesso da OPA sobre a PT por causa da CGD, se pensarmos do mesmo modo que os jornalistas de serviço...)
A próxima semana deve ainda trazer mais alguma coisa, mas as eleições do PP, a crise do Benfica e o desinteresse do grande público por questões processuais em geral irão provavelmente extinguir o caso.
Mesmo que assim seja, é evidente que o «estado de graça» de Sócrates terminou, justamente quando surgiram propostas no sentido de responsabilizar os jornalistas. E, agora que o Governo é acusado por não reagir rápido e por pressionar, por deixar andar e por ser uma central de informações apenas preocupado com a imagem, ou seja, por tudo e pelo seu contrário, será preciso escolher uma via própria. A presidência da UE pode ajudar ou complicar, dependerá da capacidade de resposta de Sócrates e do PS. Mas provavelmente tudo dependerá do que se quiser fazer com a segunda metade do mandato, agora que a Imprensa já não pode ser acusada de favorecimento.

Deixem o homem explicar

O desempenho dos jornalistas, José Alberto Carvalho e Maria Flor Pedroso, deixou, hoje à noite, muito a desejar. É verdade que a sua tarefa não era fácil. Depois do silêncio - provavelmente demasiado longo - de Sócrates, todo o país estava de olhos postos na TV, e nenhum deles queria ficar na história como o "jornalista-que-estendeu-a-passadeira-vermelha-ao-primeiro-ministro" numa entrevista onde estava em avaliação muito mais do que o balanço de dois anos de governo.
Na parte relativa à Universidade Independente, a coisa não foi particularmente má: deixaram José Sócrates falar (para aqueles que acham que ele não respondeu a todas as suspeitas, então é porque contra suspeitas baseadas em insinuações fáceis que atacam directamente a honra pessoal, então a vítima não pode fazer muito mais jurar a pés juntos que "isso é, obviamente, mentira". Como é lógico, no fim deste exercício ficamos basicamente no mesmo sítio de onde começámos: a insinuação vale o que vale, e o desmentido vale o que vale. Acredita quem quiser, no que quiser. Para aqueles que, depois disto, acham que ele é um aldrabão, então o estrago está feito).
Mas foi na parte relativa ao desempenho económico que a agressividade jornalística veio ao de cima, e José Alberto Carvalho fez lembrar os saudosos tempos de Manuela Moura Guedes, conhecida por tentar intimidar o seu adversário, perdão, entrevistado, não o deixando falar. O problema, aqui, é que José Sócrates precisava mesmo de falar, de explicar, pedagogicamente, com calma e por A mais B porque é que o desempenho da economia é o que é, porque é que é muito difícil ser de outra forma, e porque não vale a pena estar aqui a pedir a política da varinha mágica. Mas os jornalistas não estavam interessados em saber porque é que coisas são como são, ou porque é muito difícil serem de forma bastante diferente: se calhar porque não percebiam a explicação, que estava ao nível da cadeira de 1º ano de macroeconomia (se Sócrates pedir uma equivalência, ainda lha dão). Ora, obrigá-lo a fazer promessas milagrosas de números de crescimento e de redução de desemprego sem ter minimamente em conta a fragilidade estrutural da nossa economia, o ponto de partida conjuntural deste governo há 2 anos atrás, e de como é difícil conseguir um crescimento à base das exportações (ou seja, não é o crescimento insuflado pela procura interna) enquanto se procede à redução do défice que foi efectuada não é muito sério.
Pode ser um display de agressividade e pode lavar algumas consciências, mas não é bom jornalismo, quanto mais não seja porque demonstra ignorância de alguns factos básicos.