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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O professor desde 1975: de xerife a perseguido...

L'école, por Isabeau de R (é falado em francês, mas a situação é 'universalizável')

terça-feira, 8 de junho de 2010

À atenção dos cenógrafos: para uma recreação perfeita é indispensável a saudação romana


domingo, 23 de março de 2008

Na sala de aula ninguém mete a colher

Este episódio de violência na sala de aula via YouTube, releva uma realidade que existe, que provavelmente está a crescer, mas que ainda é relativamente circunscrita. Não se pode avaliar todo um sistema de ensino a partir de uma cena filmada por telemóvel. E, sobretudo, não se pode reduzir o sistema ao que se passa na sala de aula. Mas, de facto, este é quanto a mim um dos problemas: o interior da sala de aula. Para a maior parte dos professores a sala de aula é o seu reino, o último reduto na qual deverão ter o domínio completo da relação pedagógica. Tudo o que lá se passa só ao professor diz respeito. Gerou-se quase um código de conduta entre os professores relativamente à sala de aula: ‘na sala do colega ninguém mete a colher’. Se alguém se imiscui está de certa forma a intrometer-se num espaço que naturalmente não lhe pertence. Assim, para o bem e para o mal, o professor está isolado na sala de aula: nela é o senhor ou é o seu servo. Se muita coisa mudou na escola pública em relação a quase tudo, algumas ainda persistem desde dos tempos da escola tradicional onde o professor era de facto rei e senhor. E uma dessas coisas é, sem dúvida, o modo como os professores, entre si, encaram a sala de aula.
Infelizmente, as medidas que têm vindo a ser contempladas por este ministério têm atafulhado os professores num sem número de actividades administrativo-burocráticas, enquanto as questões do foro pedagógico e relacional têm sido claramente secundarizadas. O trabalho de sala de aula deveria ser também um trabalho de reflexão e de partilha de recursos e estratégias pedagógicas e científicas entre profs do mesmo grupo e dos mesmos níveis de ensino. O interior da sala de aula tem de deixar de ser tabu entre os colegas. Comungar o que se passa lá dentro não deve ser visto como uma fraqueza. Pelo contrário, se for realizado de uma forma sistemática este trabalho, que é muito pouco desenvolvido nas escolas, pode representar a salvaguarda e protecção dos próprios docentes. Um dos aspectos que mais me constrange ao ver aquelas imagens é a extrema solidão daquela professora, será que ninguém ouviu tamanha berraria, porque é que ninguém vem ao seu auxílio… um funcionário, um colega, etc.
A escola mudou extraordinariamente. Em muitos aspectos mudou para melhor. A nível europeu Portugal tem actualmente uma das mais elevadas taxas de qualificação superior entre os jovens até aos 35 anos. E isso deve-se em grande medida ao trabalho da escola pública democrática. No entanto, a sociedade não pára e a escola como parte integrante dessa sociedade está em mudança. Cabe aos professores pensar nessa mudança não como uma mera inevitabilidade mas como uma oportunidade de também poderem mudar.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Socas anti-socrático, ou o Homem-quadrado interactivo

Cartoon de GoRRo (c) 2007


Nb: para ser acompanhado pelo artigo de Helena Matos de ontem no Público: «O governo antropofóbico».

terça-feira, 24 de abril de 2007

Outra coisa que eu gostava de ter escrito

Vital Moreira no "Público", a ler com muita atenção:

«(...) Seja como for em tese geral, no caso dos sindicatos de professores, a invocação da defesa da escola pública para justificar e legitimar a sua luta contra as medidas na área do ensino não poderá ser mais contraditória. De facto, toda a resistência sindical tem tido por único e exclusivo fim a defesa das posições profissionais adquiridas, mesmo quando elas conflituam de modo flagrante com a qualidade e a eficiência do sistema escolar. A oposição ao alargamento do horário escolar, às medidas contra o absentismo, às aulas de substituição, à contratação plurianual dos professores, ao encerramento de numerosas escolas com poucos alunos sem as mínimas condições para um ensino de qualidade, etc., essa oposição pode ter toda a justificação em termos de defesa dos "direitos adquiridos", mas não encaixa minimamente com nenhuma ideia de defesa da escola pública.
O mesmo se passa com a rejeição do novo estatuto da carreira docente, que institui dois escalões e estabelece requisitos exigentes de acesso ao escalão superior. Para quem goza da regalia de uma carreira plana, sem provas intermédias e com possibilidade de quase toda a gente atingir o topo da carreira, a mudança para o novo sistema é seguramente uma importante perda. Porém, independentemente da sua configuração prática, o novo conceito é inatacável sob o ponto de vista da melhoria da qualidade do ensino, da remuneração pelo desempenho, da eficiência da escola. Por isso, nesta circunstância, não existe nenhuma coincidência entre interesses profissionais e o interesse do serviço público.
Pelo contrário, como é evidente. As referidas medidas é que podem parar e reverter o caminho de degradação e de abandono da escola pública em favor da escola privada, com prejuízo para as famílias (que tem de pagar as propinas) e para o papel de socialização interclassista e de inclusão e de coesão social que somente a escola pública pode desempenhar. Ao invés das proclamações sindicais, verifica-se um conflito entre a defesa da escola pública e os interesses sindicais.
Existe uma posição de esquerda romântica, segundo a qual, havendo uma convergências histórica entre a esquerda e as lutas sindicais, um Governo de esquerda deve encarar com benevolência e mesmo com complacência as reivindicações sindicais. Numa versão mais radical, vai-se mesmo ao ponto de ver na contestação sindical uma prova incontornável da natureza direitista e neoliberal das políticas impugnadas. Trata-se, porém, de um sofisma político, não somente porque a defesa de interesses sectoriais (sobretudo quando relativamente privilegiados) pode não coincidir com o interesse geral, mas também porque numa paisagem sindical politicamente segmentada e com manifestas articulações partidárias (a propósito, quando é que se retira do princípio constitucional da independência partidária dos sindicatos a incompatibilidade do exercício simultâneo de cargos sindicais e de cargos partidários?), nenhuma razão existe para não distinguir nas lutas sindicais aquilo que são as reivindicações sindicalmente sustentáveis e aquilo que constitui aproveitamento partidário da via sindical. Não é por ser desencadeada pelos sindicatos e não pelos partidos da oposição que a contestação política se torna mais justificável, independentemente dos seus motivos e objectivos. Um Governo de esquerda não pode seguramente contestar o direito de acção sindical, nem o direito à negociação e à participação. Tampouco pode deixar de considerar seriamente os pontos de vista sindicais, quando fundamentados. Porém, como organizações de defesa de interesses profissionais sectoriais, os sindicatos não dispõem de nenhum direito de veto. Para além deles há outros "grupos de interesse" mais vastos, que não têm sindicato que os represente, nomeadamente os utentes dos serviços públicos, que estão interessados em que eles cumpram a sua missão, e os contribuintes, que querem que os dinheiros públicos sejam utilizados de maneira profícua e eficiente. Por conseguinte, a nova guerra da Fenprof é para perder. No conflito entre os interesses profissionais e os interesses da escola pública, o Estado só pode atender aos primeiros sem sacrificar os segundos.»

segunda-feira, 26 de março de 2007

Como não ser um pai ou uma mãe hipócrita


How Not to Be a Hypocrite: School Choice for the Morally Perplexed,

de Adam Swift (2003, London: Routledge, 189 p.)

Este é o livro que os pais de esquerda que não confiam na escola pública mas sentem escrúpulos em colocar os seus filhos no ensino privado deviam ler. À atenção de um editor português. É filosofia política aplicada no seu melhor.