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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O segredo das boas escolas

Qual é o segredo das boas escolas?
Ter bons directores, bons professores, uma boa relação com a comunidade. Os professores é que são o sistema educativo e não o Ministério da Educação. É senso comum. Aceitamos a diversidade nos restaurantes, na arquitectura, na música. Em todo o lado procuramos a diversidade, por que não na escola? Queremos que estas sejam todas iguais, mas não são máquinas, são organismos vivos.
Se tratamos os alunos como se não fossem indivíduos, com talentos reconhecidos, eles não podem interessar-se pela escola. O sistema educativo mata a criatividade das crianças. Os políticos não compreendem e acham que a solução está em normalizar tudo.

Não sabem que não resulta?
Não está a resultar, os alunos continuam a abandonar a escola. É preciso regressar às origens, a uma educação mais pessoal, mais comprometida, onde se criam oportunidades para as pessoas desenvolverem os seus talentos, seja na matemática ou a tocar violoncelo. A experiência diz-me que se descobrirmos uma coisa em que somos bons, conseguimos ser melhor em todas as outras em que somos menos bons.
Aposta nas artes e criatividade, contra os maus exemplos
As artes têm muito pouco peso nos currículos e eu fiz campanha, em toda a Europa, a favor da criatividade. Quando Tony Blair foi eleito, a tónica era "Mais educação, mais educação". Mas quando chegou ao Governo, as políticas que levou a cabo foi: mais exames, mais inspecção, mais avaliação, pagar aos professores conforme os seus resultados... Nas escolas, cresceu um clima de medo entre os professores. Não defendo que não deve haver metas, mas sempre defendi que deveria haver uma estratégia para desenvolver a criatividade. Foi criada uma comissão para estabelecer uma política nacional sobre criatividade.
Nos EUA há mais testes, mais avaliação dos professores, as escolas são penalizadas se não conseguirem os resultados esperados, há rankings que desmoralizam os professores e os directores. O que é que se ganha com isso? Fala-se de eficiência para a educação como para a indústria automóvel e não se pode aplicar esse conceito nas escolas. Tem sido um desastre e em Portugal provavelmente também.
Ken Robinson, entrevistado por Bárbara Wong,
a propósito do lançamento do seu livro O elemento

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Um plano Rehn-Meidner para o 1º ciclo do ensino básico

Mais escolas primárias vão ser fechadas no início do próximo ano lectivo. A onda de protestos já começou, centrada por agora na dúvida em torno do número final de estabelecimentos em causa. Mas agora que escrevi o post anterior a partir do modelo/plano Rehn-Meidner, vale a pena mostrar o improvável paralelismo entre os dois processos.

Uma das características do modelo/plano Rehn-Meidner era o, como escrevi lá átras, aumentar o salários mais baixos - acima do que o mercado ditaria - e evitar a subida dos salários dos trabalhadores mais qualificados (wage restraint of the well paid = wage solidarity), mas com a condição de aumentar a produtividade das empresas. Como? Obrigando-as a racionalizar os métodos de produção ou fechando-as. Os trabalhadores seriam então retreinados (daí a importância das políticas de mercado de trabalho activas) e integrados em empresas mais produtivas. Note-se: a política não era o proteccionismo da mediocridade - baseava-se precisamente no esforço para eliminar a mediocridade.

Ora, o Ministério da Educação não pretende nada de particularmente diferente: apenas acabar com as más escolas (tal como como Rehn e Meidner pretendiam acabar com as empresas improdutivas). As escolas que ficam serão de nível superior e puxarão os mínimos na qualidade dos processos de ensino e da aprendizagem para cima - os mesmos mínimos (escolares, económicos, culturais) que são tão baixos num país como o nosso.
A justificação filosófica, essa, é Rawlsiana, e segue a regra do maximin (abreviatura de maximum minimorum), que tem como objectivo, na definição de políticas públicas, a maximização do bem-estar ou da utilidade dos que estão na pior situação.