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segunda-feira, 5 de março de 2007

Será?

Escreve Fernanda Câncio "Que há um acervo (grande quantidade) de palavras que nunca são usadas e de significados que se perderam. Que o arroubo da língua e dos seus infinitos cambiantes gasta os seus últimos prosélitos,(...)".
Será? Câncio exemplifica com o vocábulo "decesso", que, argumenta, tem ainda equivalentes usados correntemente em inglês e francês, respectivamente "decease" e "décès" (não "decés"). Mas para essas palavras há outro equivalente em português igualmente usado: "falecido", que não tem equivalente directo naqueles idiomas.
Posso até concordar com a primeira frase da citação ali acima, já quanto à segunda não conheço quaisquer evidências empíricas que a corroborem (já sei, isso das evidências empíricas é boring; boring - maçador, enfadonho). Que haja palavras que deixem de ser usadas e significados que se percam é apenas normal, se aceitarmos que a língua evolui (evolução - transformação ao longo do tempo). Daí a concluir que a língua gasto os seus últimos prosélitos parce-me excessivo, vislumbro aí um hiato importante. Será possível que enquanto uma palavras desaparecem outras novas vão surgindo? Serão os neo-logismos? Bem sei que Câncio dá vários exemplos, mas não haverá igual número de contra-exemplos? Serão os exemplos escolhidos a dedo para ilustrar a sua tese? A mim todo esse catastrofismo parece-me apenas motivado por um pessimismo congénito e conservador.
Não sei se por optimismo se por cepticismo, sem as tais evidências empíricas não acredito nesta tese.

P.S. - Num mundo dividido entre entre os que sabem usar palavras difíceis e os que não sabem, bem sei que estou no segundo grupo, mas - enfim...- faz-se o que se pode.