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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Enciclopédia do boy júnior

É um trabalho de sapa aquele que este blogue tem feito para nos revelar o maravilhoso mas intrincado mundo do assessor nova geração, pró-troika mas imune à partilha de penalizações salariais (isso é para o comum dos mortais).

Perante esta tendência com algum déjá vu, há quem ache que o perigo é a «esquerda caviar» ou, na expressão mais chã de Fátima Bonifácio, a «esquerda champagne». É que esta, se fosse poder, seria a «nomenclatura da nova situação». E, temor dos temores, concretizaria a ameaça letal: «Não fariam parte [os seus amigos ricos socialistas], como eu faria, se isso acontecesse, dos lumpen intelectuais a ganhar 25 tostões para dar dez horas de aulas por dia».

Pessoas como a insigne historiadora do século XIX dizem-se há muito vacinadas contra o esquerdismo dos anos 70, em que militou cegamente. No seu armário, contudo, é só fantasmas desse período. Aqueles que assim se expressam vivem todos nesse passado, como se não tivessem vivido mais nada, como se não houvesse mais referenciais do que um certo pensamento dualista desse tempo.

Entre o real e o imaginário, há todo um campo de opções. Optar pelo cenário mais inverossímil para neutralizar o dissenso político actual (ou, simplesmente, para evitar alongar-se sobre a situação actual) não deixa de ser o mais irónico possível para alguém que se «pela» por polémicas, gosta de política e se afirma provocadora.

Nb: para ler outras pérolas vd. aqui.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Boas e más notícias da igreja

José Maria Castillo Sánchez
(em entrevista a António Marujo)

9 conselhos para o Dr. Jardim...

... cada qual melhor que o anterior! Há dias de inspiração!! Ora veja e reveja este resumo por Francisco Teixeira da Mota, em versão autorizada pelo Tribunal da Relação.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A escola Dan Brown ainda é literatura?

Para António Guerreiro é a isto que parece resumir-se o sururu em torno do último livro de José Rodrigues dos Santos, O último segredo.

Há que ser justo: não foi esse o motivo da polémica iniciada pelo poeta e biblista Tolentino de Mendonça (sim, é ele o responsável pela nota crítica do Secretariado Nacional da Pastoral de Cultura*), mas sim a questão de se apresentar a interpretação do livro sobre o cristianismo como baseada em factos insofismáveis (e aqui acho legítima a intervenção em nome da Igreja católica). Esse sim, é o busílis: para alguns isso é desonestidade do autor (não da obra), enquanto para outros cada qual tem o direito a dizer as patranhas que quiser, que isso não significa que uma obra passa a estar rente ao real.

Todavia, e para complicar a coisa, sucede que a obra se filia no subgénero do romance histórico, onde a tensão entre real e ficção é constitutivo da sua identidade mas não só: integra ainda as principais lutas simbólicas em torno da sua apropriação, seja para sedução do leitor, para prestígio junto dos letrados, para ostentação pelo poder, para voz dos silenciados...

Para finalizar, até já havia um outro romance, este assumidamente de «mistério», com o mesmo título (tradução de 2008, por Lynn Sholes e Joe Moor), o qual tem a vantagem tentadora de se poder baixar... Já para não falar deste volume da série juvenil lusa «Os Invisíveis». Ou... Ou...

E esta, hein?

*Mas nem todos os cristãos têm exactamente o mesmo tom: veja-se a opinião de Anselmo Borges, que apresentou a obra, ou de Mário Avelar, que a reduz a um Dan Brown para tontos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (9)

9 – Como passaste a vida a dizer mal dos outros, não desejes para ti a extracção da laringe.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda sobre a mostra «Portugal nas trincheiras»: notas críticas

Há umas semanas atrás falei aqui da exposição «Portugal nas trincheiras: a I Guerra da República», alertando para o seu final eminente. Agora, aproveito para referir uma excelente recensão à mesma por Eduardo Cintra Torres. A crítica começa pela foto que encabeça a mostra, nada representativa por ser mera propaganda, ainda por cima mal conseguida: um solitário soldado na planície de guerra esforçando-se por mostrar contentamento (pela vitória militar). Depois refere-se ao facto da concepção seguir uma linha demasiado conservadora, omitindo a guerra entre alemães e portugueses em Angola e Moçambique, que redundaram em tantas mortes quanto na frente europeia. Na parte literária alude só a 3 escritores recorrentes (Jaime Cortesão, André Brun e Hernâni Cidade), olvidando Augusto Casimiro, António Granjo, Carlos Selvagem e António de Cértima.
Isto dito, a mostra tinha vários pontos de interesse, a começar pela encenação das trincheiras, os sons da guerra, a reconstituição da frente de batalha e a exibição contextualizada de muitos objectos e documentos de soldados e oficiais. Para quem quiser acompanhar os argumentos recomendo a leitura de «Propaganda, 1918» (Público, 7/V, p. 12-P2).
Nb: imagem retirada de Ilustração Portugueza, n.º 464, 11/I/1915 (via blogue Ilustração Portuguesa).

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tour-de-force de Fausto no Festival Música e Revolução

«Fausto: a cantiga ainda é uma arma», por João Pedro Barros

sexta-feira, 19 de março de 2010

Está com a pontaria afinada?

«o mundo vive uma crise sem precedentes, cujas consequências se fazem sentir em toda a parte e especialmente nos países de economias mais frágeis como o nosso. [...] Esperava-se que se tivesse aprendido a lição e se procurassem novas soluções. Mas nada se aprendeu e nada mudou» (Manuel Alegre dixit).

«Neste PEC o PS caiu numa armadilha terrível. Assumiu-se definitivamente como um partido que propõe acima de tudo as mesmas medidas que um partido de direita podia tomar e deixou cair sem cuidado as bandeiras de esquerda que ainda há dois meses eram parte do seu programa. O PS vai perder aos olhos do eleitorado muito rapidamente, com as medidas que acaba de tomar, a ideia de que afinal de contas sempre tem preocupações sociais. […] Sobre as privatizações, o Portas diz que só deve haver certas privatizações quando houver um regulador forte para não criar situações de monopólio ainda mais graves. O Portas a dar lições de esquerda a Sócrates! O PS entrou numa deriva à direita da qual vai ser muito dificil regressar sem que haja grandes alterações na direcção» (João Cravinho dixit).

Aos seus lugares, preparar...

cartoon de GoRRo (c) 2010

domingo, 24 de agosto de 2008

A magnífica aventura do Reino de Redonda

Para quem acha piada às peculiares relações entre cultura, mercado e media, vale a pena ler este texto de Javier Marías (El País-«Babelia»).
Além de escritor prestigiado, Marías é também editor da singular Reino de Redonda. É sobre essa experiência que se debruça, abordando tópicos interessantes. Fala de como os media mainstream dedicam obsessivamente as suas folhas (e só prestam atenção) aos best sellers (com a excepção do «Babelia», onde escreve, hélas… mas é um dos melhores suplementos literários existentes). Desespera por constatar que até um Prémio literário com um jurado internacional de notáveis é esmagado pela mesma assimétrica atenção mediática. Em jeito de desafio, revela dados sobre as vendas dos livros do seu catálogo, assunto tabu para a maioria dos restantes editores. Etc..
É um olhar de ironia picante, com muito humor. Deixo-vos aqui em baixo um cheirinho. O resto pode ler-se aqui ou no blogue dele, que segue aí no cartaz.
~
"El Cultural de El Mundo, por ejemplo, no se ha dignado -cuesta creer que no haya deliberación- sacar reseña de ninguno de ellos, a lo largo de ocho años. El único suplemento que les suele hacer caso es Babelia, tal vez por la proximidad de mi firma, domingo tras domingo, en El País Semanal (sea como sea, gracias mil). Los demás acostumbran a ser rácanos. Habituado a no incurrir en el mal gusto de solicitar críticas y atención para las obras que publico como autor, me cuesta hacerlo para las que saco como editor, y empiezo a pensar que si uno no da la lata, llama, promociona, ruega, amenaza e insiste, mal lo tiene para que su catálogo suscite interés en los medios especializados. Da lo mismo que uno lance a las librerías rescates fundamentales de autores fundamentales (Isak Dinesen, Conrad, Hardy, Yeats, Sir Thomas Browne, el Capitán Alonso de Contreras o el gran Sir Steven Runciman) o que suelte textos interesantísimos desconocidos en español (Viaje de Londres a Génova de Baretti, los cuentos de Vernon Lee o los recuerdos del fusilero Harris que combatió en la Guerra de la Independencia). Si uno no hace relaciones públicas ni pide favores, será difícil que alguien, en las redacciones, se moleste ni en echarles un vistazo".
~
"Todos los volúmenes, eso sí, llevan su prólogo o presentación: algunos míos -qué remedio-, otros de gente afectuosa como Mendoza, Savater, Pérez-Reverte, Antony Beevor, Rodríguez Rivero o el Profesor Rico -bueno, éste aún me lo ha de escribir. Todos ellos forman parte del jurado del Premio Reino de Redonda, que concede cada año a un escritor o cineasta extranjeros la editorial, añadiéndose déficit, para variar. Pese a que son también miembros del jurado George Steiner, Almodóvar, Coetzee, Rohmer, Alice Munro, William Boyd, Ashbery, a veces Coppola, Villena, Magris, Sir John Elliott, Lobo Antunes o Gimferrer, la cosmopolita prensa española apenas si se hace eco de él, mientras llena páginas con cualquier merienda de negros de cualquier editorial poderosa o institución oficial".

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Assinaturas

A primeira morada descobri-a ontem, meio por acaso, num blog. Hoje está no ipsilon, certamente por ironia (como estaria em qualquer outro jornal nacional): http://bookcriticscircle.blogspot.com/2007/04/how-to-get-involved-in-saving-book.html
A outra já passou na nossa TV mas não dei por nenhum link para ela, como é norma no nosso escasso activismo, por isso fica aqui.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O futuro anunciado da história

Com a devida autorização do autor, nos próximos dias publico excertos de textos cuja versão integral se encontra na secção de crítica da revista Prelo, nº4 (INCM, 3ª série, Lisboa, Janeiro-Abril 2007). Uns aqui, outros no outro lado.
«Francis Fukuyama, Depois dos neoconservadores, Gradiva, Lisoa, 2007 (trad.: Mónica Ferro).
(...)
Desde o seu grande sucesso O Fim da História e o último homem é claro que Fukuyama pressupõe uma Filosofia da História teleológica, herdeira não tanto dos filósofos alemães de que habitualmente se socorre como de um determinismo (mitigado, nas suas obras) comum às ciências sociais mainstream de língua inglesa. Este pressuposto não quadra de todo com o sentido que nos últimos anos, como argumenta Fukuyama, o termo «neoconservador» adquiriu (e que o autor não admite ser, agora, possível alterar para ser melhor compreensível). Tal como hoje é usualmente entendido, o neoconservadorismo pressupõe um voluntarismo que em nome de um bm futuro se move contra o historicamente adquirido (em contraste, como Fukuyama argumenta, com o neoconservadorismo original de há 50 anos, que por isso se articulava melhor com as grandes tendências da política americana).
Insistindo aqui numa linguagem filosófica não muito presente no livro, dir-se-ia que os neocon’s da década de 1950 pensavam a partir de leis estáticas (como o anti-comunismo) atribuídas aos regimes demoliberais; e , para estes, Fukuyama apresentou em O Fim da História e o último homem algo como leis dinâmicas (uma tendência geral para o demoliberalismo, com apoios e resistências, a ver caso a caso e com generalização bastante limitada). Ora, quando o termo neoconservador significa, como hoje sucede, uma imposição voluntarista de regime, estamos nos antípodas das premissas neoconservadoras de há 50 anos e da Filosofia da História do próprio Francis Fukuyama. É apenas natural que a discordância se acentue nas questões concretas e, assim, a confusão de Fukuyama com o pensamento neoconservador como este é geralmente entendido se torne impossível.No geral, é mais um pequeno livro bem feito, como o anterior. Claramente estruturado, várias vezes em remissão directa para vários dos seus trabalhos anteriores, exposição histórica bem informada e análise equilibrada, tudo aspectos a valorizar (e raros) quando o assunto é a política externa norte-americana posterior a 11 de Setembro de 2001. Decerto não interessará anti-americanos militantes, a quem a compreensão das várias Américas presentes nos EUA não importa; e igualmente desiludirá os mais ardentes defensores da presente administração, a quem a crítica é sempre lesa-majestade. Talvez isso explique o fraco acolhimento crítico a este livro (a tradução, aparentemente apressada, em cima de um Inglês já muito coloquial, também não ajuda).
(...)»

terça-feira, 8 de maio de 2007

Escrever a memória

Com a devida autorização do autor, nos próximos dias publico excertos de textos cuja versão integral se encontra na secção de crítica da revista Prelo, nº4 (INCM, 3ª série, Lisboa, Janeiro-Abril 2007). Uns aqui, outros no outro lado.
«Paulo Tunhas, O Essencial sobre Fernando Gil, INCM, Lisboa, 2007; José Augusto Seabra, Por uma Nova Renascença, INCM, 2006.
Toda uma geração central na história contemporânea de Portugal, nascida nas décadas 1920 e 1930, formada na década de 1945-1955 (sensivelmente) e desde então, mas sobretudo após 1974, à frente das instituições e cargos que efectivamente comandam as áreas decisivas do país, está, desde a década de 1990, a sair de cena. Entre os numerosos exemplos possíveis, José Augusto Seabra (1937-2004) e Fernando Gil (1937-2006) destacam-se pelo valor do seu trabalho, influência das respectivas obras e pelos percursos que tiveram na sociedade portuguesa desde a segunda metade do século passado. A edição póstuma de um conjunto de textos ainda preparado em vida por J. A. Seabra e a primeira obra dedicada ao pensamento de Fernando Gil, por Paulo Tunhas, merecem por isso uma nota conjunta, desde logo pelas substanciais diferenças que as marcam no que respeita a algo de há muito comum no pensamento português, a falta de cuidado com a posteridade.
Mais vinculado na sua Obra à história da cultura portuguesa, J. A. Seabra terá porventura tido uma consciência mais aguda do problema. A sua última obra, que reúne textos escritos ao longo de mais de duas décadas, agrupando-os em torno de temas maiores do seu pensamento e acção político-diplomática (Renascença Portuguesa, mas igualmente Educação e cultura, a língua portuguesa, ou as relações luso-brasileiras, para não nos alongarmos), não só será um útil ponto de entrada dos leitores na sua vasta produção literária como constitui um exercício testamentário invulgarmente lúcido. Fiel às origens mais fundas da sua forma mentis, Seabra prolonga as inspirações de Teixeira de Pascoaes e de Leonardo Coimbra de forma produtiva, o que é um aspecto decisivo: na segunda metade do século XX, isso só se poderia fazer através de uma abertura às ciências sociais e humanas a que o autor permaneceu sempre sensível e que, aliás, dominava com uma grande segurança.
Apesar de alguns esforços nos últimos anos de sua vida, sobretudo em Mediações e em Acentos (2001 e 2004, respectivamente, ambos na INCM), Fernando Gil não chegou a legar-nos uma síntese da sua Obra. Muito embora, como Paulo Tunhas exemplarmente sintetiza no seu ensaio, o seu percurso tenha tido uma coerência teórica assinalável (Tunhas chega mesmo a contrariar a opinião de Gil a esse respeito, cf. p. 4), a sua própria especificidade filosófica tornou-o tão autónomo quanto influente, isto é, tão isolado quanto considerado. Não pretendendo ser uma introdução ao pensamento de Fernando Gil (cf. p. 6), este Essencial corresponde bem ao perfil da Obra de Gil: escrito para ser lido por filósofos, isto é, por leitores com treino e habituação à linguagem filosófica.
(…)»

quinta-feira, 15 de março de 2007

Crítica construtiva; o mito e a fraude

Nota prévia: Lamentavelmente o texto que se segue não é baseado em factos verídicos, e qualquer semelhança com locais, situações ou personagens reais é infelizmente uma coincidência

A cena ocorre durante o julgamento de José da Silva, acusado de homicídio. O Ministério Público não conseguiu apresentar testemunhas ou provas materiais do crime, no entanto baseando-se num presumível móbil, numa série de provas circunstanciais e conjecturas elaboradas construiu uma sólida acusação. João da Silva, testemunha, passível de fornecer um alibi ao acusado, é chamado a depor. Segue-se o interrogatório por parte de Manuel da Silva, delegado do Ministério Público, a João da Silva.
...
MP - Então o Sr. João da Silva encontrava-se com o Sr. José da Silva no dia em que ocorreu o crime?
JS - É verdade.
- À hora do crime?
- Exactamente.
- A 300 kilómetros do local onde se deu o homicídio?
- É isso mesmo.
- O que quer dizer que o sr. José da Silva não pode ter cometido o homicídio...
- Parece-me evidente.
- Portanto na sua opinião a acusação da polícia é falsa?
- Logicamente que sim.
- Então diga-me só uma coisa: quem é que cometeu o crime?
- Hmm !?!?! Isso eu não sei...
- Como assim? Se o sr. João da Silva diz que não foi o sr. José da Silva tem que nos dizer quem foi.
- Mas eu não sei quem foi, sei apenas que não pode ter sido o sr. José da Silva, mais nada!
- O sr. João da Silva não está a fazer uma crítica construtiva, assim sendo não podemos levar em conta o seu testemunho.
- ...
- Sim, porque o sr. João da Silva limita-se a criticar, a pôr em causa a seriedade dos que com a sua dedicação conseguiram os elementos para acusar o sr. José da Silva, não é verdade?
- Não, eu limito-me a confirmar o alibi do sr. José da Silva...
- Mas não propõe nenhuma alternativa séria e credível. Eu pergunto apenas: senão é o sr. José da Silva o homicida então quem é?
- Mas não me compete a mim responder a essa pergunta, eu sou apenas uma testemunha...
- Não compete a si? Então compete a quem?
- Bem..., à polícia.
- Ah! Quando a polícia faz o seu trabalho o sr. João da Silva critica-o, mas quando lhe perguntamos se tem alguma explicação alternativa, não é a si que lhe compete responder, mas é à polícia. É isso?
- É isso, exactamente.
- Portanto o sr. João da Silva recusa-se a fazer um crítica construtiva.
- Eu sou apenas uma testemunha...
- Meretíssimo sr. Juíz António da Silva, o Ministério Público solicita que o testemunho do sr. João da Silva seja retirado dos autos, e não seja considerado para efeitos deste julgamento, devido à recusa intransigente por parte da testemunha em fazer uma crítica construtiva.