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terça-feira, 26 de junho de 2007

O dia B: do quiosque do Joe ao Centro Coltural Berardo

Sobre o foguetório do salão Berardo, já o essencial foi dito, embora pouco debatido quanto às suas implicações no quadro da política cultural.
Pelo lado positivo, é um chamariz e, a médio prazo, possivelmente uma (valiosa) colecção pública; pelo lado negativo, é o Estado a financiar de modo excessivo uma fundação privada para um investimento de alto risco, sendo que a compra de obras devia ser para colecções já públicas (Serralves, Chiado, Soares dos Reis, MNAA, etc.), e condicionando fortemente o principal centro cultural nacional e a sua política de diversificação de exposições e eventos ao desviar a maioria do espaço para a nova colecção.
Em tom sério recomendo os posts específicos do Daniel Oliveira (no Arrastão), do Nuno Teles (no Ladrões de Bicicletas) e do Pedro Sales (em 0 de conduta). O Nuno chama a atenção para 2 argumentos esquecidos: antes alegava-se não haver dinheiro para reforçar os orçamentos, mas para este tipo de museus já há; ficam agora em situação mais complicada os restantes museus (excepto Serralves), que vêm reduzida a sua fatia orçamental por desvio para este outro museu, faltando ainda os hermitages e quejandos que se anunciam.
Em tom humorístico, recomendo este tesourinho reprimente retirado do Fuga:
"Em 1.ª mão, eis como tudo começou, com grande sacrifício self-made man, tudo tão suadito, credo, foi só o amor à arte e aos indígenas que lhe permitiu aguentar as agruras desta separação:

cartoon de GoRRo (c) 2006"

ADENDA: no próprio dia da gala houve uma baixa de peso, entretanto tornada pública - António Mega Ferreira abandonou a presidência do redundante Conselho de Fundadores da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo (ler carta de demissão aqui).

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Galas à la carte

Hoje, ao passar pelo CCB exactamente à hora da «grande » abertura do agora Museu Berardo deparei-me com o trânsito fechado, um forte cordão policial, um desfile de automóveis do Estado e de personalidades da sociedade portuguesa vestidas a rigor. Confrontada com o acontecimento fiquei a pensar, em como parecem estar sempre a acontecer festas de gala, quer seja a propósito de finais de programas televisivos, ou de eventos culturais e, tristemente, cheguei à conclusão de que umas e outras são indistinguíveis.

terça-feira, 20 de março de 2007

A vida das imagens ou a última exposição

Desde que vi pela primeira vez a reprodução da fotografia de Daniel Blaukfus, que me senti tocada pela sua composição. A imagem foi-se «instalando» e, comecei a atribuir-lhe signficados vários, mas, sobretudo, relacionados com ambientes profissionais. Percebi, depois, que se tratava de um retrato de uma sala do campo de concentração Theresienstadt (tenho que rever a minha concepção de ambiente profissional...). Acabei por ir ver a exposição e, de facto, a fotografia é belíssima: ao mesmo tempo rigorosa e evocativa.
Apercebi-me, também, que estava a ver a última exposição do CCB, espaço que, a partir de agora, ficará reduzido à colecção Berardo e à «obra» fashion da entrada que tanto se adequa à porta de um museu, dentro de uma discoteca, ou como decoração de restaurante (e tudo isto em verdadeiro sentido literal).