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terça-feira, 5 de junho de 2012

Ainda bem que reconsiderou, Olivença é ibérica

«Alcaide de Olivença retira carga bélica à recriação da Guerra das Laranjas», por Carlos Dias
Sobre o mesmo assunto vd. este post anterior.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como um edil nacionalista consegue afrontar a memória do seu povo

«Território anexado por Espanha: PS reabre polémica de Olivença por causa da Guerra das Laranjas», por Luciano Alvarez

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A dança dos museus e os espaços do poder

«Novo Museu dos Descobrimentos vai para o espaço do Museu de Arqueologia»

PS: sobre esta polémica vd. os seguintes posts do Peão: «Prova dos nove», «A passerelle do centralismo», «Basta de trapalhadas: quem quer o novo Museu dos Coches?»; «Novas sobre a polémica das mudanças nos museus de Arqueologia e dos Coches»; «Ainda se vai a tempo de evitar um gasto deslocado, ainda por cima para mal dum sector tão carenciado como é o da cultura».

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Um bom exemplo

«Sérvia pede desculpa pelo massacre de Srebrenica»

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

É já neste sábado!

A Imprensa de Ciências Sociais e a Livraria Ler Devagar convidam para a sessão de apresentação do livro Construção da nação e associativismo na emigração portuguesa, coordenado por Daniel Melo e Eduardo Caetano da Silva.
O livro será apresentado pelo Prof. Onésimo Teotónio de Almeida (Brown University, EUA).
Haverá também declamação de poesia relacionada com a emigração.
A sessão realiza-se no sábado, dia 9 de Janeiro de 2010, às 19 horas, na Livraria Ler Devagar da Lx Factory, em Lisboa.
*
Estes links permitem aceder ao índice da obra (a 1.ª via opção «Folheie o livro»).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Identidade Nacional: Proponho que se discuta o caso dos polícias que andavam a roubar imigrantes legais

A França está em pleno debate sobre a identidade nacional, o grande debate de toda a sociedade que Sarkozy desejou, e que o seu ministro da imigração e identidade nacional (sic) tornou realidade (sobre o que já escrevemos aqui no Peão . A coisa está deveras interessante. Para começo de conversa, o ministério da identidade nacional enviou umas circulares com instruções sobre o que se devia discutir no tal grande debate nacional, e lá constava a relação entre a imigração clandestina e a delinquência (toda a gente sabe que esses malandros vêm para cá só para roubar, mas vindo do ministério tem outra legitimidade); só que depois o tal tema desapareceu dos documentos oficiais, como quem não quer a coisa. É o actual ministro, Besson, a seguir as pisadas do seu antecessor, Hortefeux, que acha que um árabe numa reunião do seu partido é uma coisa boa, quando há muitos árabes juntos é que é um problema; mas depois também veio dizer que não disse aquilo que tinha dito. Neste debate lá está também, como não podia deixar de ser, o presidente da junta, na circunstância de Gussainville - uma terriola com 40 habitantes -, eleito pela UMP de Sarkozy, que acha que este debate é essencial porque "está na altura de reagir, pois que senão vamos ser todos comidos" porque eles são "já 10 milhões pagos por nós para não fazerem a ponta dum corno"; está bom de ver, este também não é racista (vale a pena ler a justificação que faz jus ao velho "pior a emenda que o soneto"). Vá-se lá saber porquê há quem no próprio partido da maioria ache que a coisa não está a correr bem e se distancie da iniciativa.

Ora, se é para discutir a relação entre a imigração e a criminalidade eu sugiro humildemente que se discuta este caso ocorrido a semana passada em Paris, que demonstra definitivamente que existe uma relação causa-efeito entre imigração e criminalidade: dois polícias da secção encarregue da imigração ilegal entram numa loja de telemóveis, propriedade de imigrantes, sob pretexto de levar a cabo um controlo de identidade, e de passagem pela caixa dão uma baixa no imigrante. Podem ver o vídeo aqui em baixo, e sim, são mesmo polícias, no exercício das suas funções, sigam o link para ler a história toda.


domingo, 6 de dezembro de 2009

E o menino gosta mais do papá ou da mamã? Tem que escolher, não pode gostar dos dois.

Segundo Rogério da Costa Pereira Liedson não percebeu que a selecção portuguesa não é um clube, não percebeu a escolha que fez, não percebeu que Portugal passou a ser o seu país, não percebeu que não pode estar dividido. A nacionalidade é portanto para ser gozada em regime de exclusividade, para adquirir o cidadania há que renegar o passado, não se pode amar dois países ao mesmo tempo, não se pode ter identidades misturadas. Jean-Marie Le Pen não diria pior.

sábado, 5 de setembro de 2009

Portugal no seu labirinto

Um empate queirosiano obrigaria a invocar Fradique Mendes com uma pitada fatalista do género «O português não tem o impulso matador do seu vizinho ibérico». Mas não, é demasiado óbvio, rebobinemos. Deixemos o século XIX para outros escribas e fiquemo-nos despretensiosamente pelos tempos coevos.
Os tugas no seu labirinto. Ké ké isso, ó meu? Eu expilico, como diria Badaró.
O seleccionador português de futebol, Carlos Queirós, disse recentemente que os nativos têm um problema estrutural de finalização. Queria dizer que não sabemos rematar à baliza e marcar golos. Não subscrevendo o excesso essencialista, aceite-se que a formação de avançados-centro não é o forte dos tugas. Para tentar atenuar o problema, recrutou um português recém-naturalizado, o ex-brasileiro Liedson. O banzé que por se levantou, como se fosse um atentado à pátria.
Pois bem, aqui Queirós fez muito bem, parabéns (eu, que sou benfiquista, tenho orgulho em ter um jogador como Liedson nas quinas, tomara que outros fossem como ele). O problema veio a seguir.
Queirós enredou-se na teia do fado nacional: como temos muitos bons jogadores centro-campistas, toca de os enfiar lá todos. Resultado: jogou meia partida (ou mais) sem avançados-centro!!! Um alien piscaria os olhos de espanto, mas foi assim mesmo. Sucumbiu duplamente ao conservadorismo indígena: temeu colocar Liedson como titular, e, pior do que isso, abdicou de jogar com um avançado-centro desde início. Pequeno detalhe dispiciendo: os «patrícios» estavam obrigados a ganhar o jogo! Nuno Gomes lá ficou a ver o jogo do banco, quase até ao fim... Os restantes avançados (Danny, Hugo Almeida) estavam lesionados.
É verdade que a equipa portuguesa teve azar, foi a que mais procurou o golo e falhou muitas oportunidades. A selecção dinamarquesa pareceu inferior, mas jogou bem tacticamente e foi mais objectiva. O empate sabe a pouco, mas não nos podemos queixar. Também ajudámos à festa, com uma táctica, no mínimo, arriscada. Com a entrada dum avançado-centro lá marcámos um golo de consolação. Com a cabeça do «levezinho». Ao menos valeu isso. Isso, e o tinto açoriano que em boa hora arrebalhei.
Agora resta-nos um milagre, se é que ainda existem. E viva o Liedson!!!
Nb: cartoon de GoRRo, já publicado neste blogue há uns meses atrás, mas infelizmente ainda actual...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Revisionismo histórico agrava-se na Rússia de Putin

Após a aprovação de manuais escolares dando apenas o lado positivo do estalinismo, e sugestões públicas de Putin no mesmo sentido, chegou a vez da censura ao pluralismo através do cerco à edição comercial e aos arquivos das ONG's.
A denúncia partiu do historiador britânico e russólogo Orlando Figes, após o processo de cancelamento da edição da sua última obra na Rússia, The whisperers: private life in Stalin's Russia, alegadamente por coacção política. A documentação de suporte ao livro depositada nos escritórios de São Petersburgo da organização internacional de direitos humanos Memorial Society foi entretanto confiscada por agentes "armados e encapuzados" do Comité de Investigações do gabinete do procurador-geral russo. "O raide à Memorial é parte de uma maior luta ideológica pelo controlo do que é publicado e ensinado sobre História na Rússia, e seguramente esse raide deve ter influenciado a decisão do editor russo em cancelar o contrato do meu livro"- denunciou Figes ao The Guardian, em Dezembro passado.
É verdade que o seu premiado livro A people's tragedy, sobre a revolução russa e o estalinismo inicial, é muito crítico daquela revolução, mas o eventual contraditório (vd., p.e., críticas ao uso das narrativas individuais como prova generalizável e à perspectiva adoptada aqui) e debate de ideias não passa obviamente pela rasura do pluralismo. E, lamentavelmente, é isso que está a ocorrer na Rússia de Putin, em vários campos da vida social. A tradição autoritária e nacionalista russa não olha a regimes.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Comunismo e nacionalismo em Portugal

O historiador José Neves lança amanhã o livro Comunismo e nacionalismo em Portugal, na liv.ª Pó dos Livros (19h). Com o subtítulo Política, cultura e história no século XX, esta obra é a versão adaptada da sua tese de doutoramento e será apresentada por António Borges Coelho, João Leal e Carlos Maurício. A editora tinta-da-china continua a reforçar a sua colecção de bons ensaios em ciências sociais, sem receio de arriscar em novos autores e obras de fôlego, o que é de felicitar.
Este destaque tem duplo cabimento, já que o ensaio oriundo das ciências sociais é pouco divulgado em Portugal, dedicando-lhe os media um espaço mínimo (alguns jornais reduziram mesmo a secção de recensões). A aposta e acolhimento dadas por editoras como a tinta-da-china, a Campo das Letras, a Minerva, a Livros Horizonte, a Afrontamento, etc., mostra que este tipo de livros têm um público interessado (veja-se a multiplicação de livrarias de fundos e de feiras com grande presença do ensaio), susceptível de ser ampliado através duma melhor divulgação. E que não faz sentido reduzir a edição à literatura de ficção, por muito boa que esta seja. As bibliotecas municipais e outras instituições públicas também podiam contribuir para uma maior formação e sensibilização de públicos, por ex., organizando ciclos temáticos e/ou convidando autores.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Não sou daqui mas gosto de aqui estar

Julgo que a música tem um papel muito importante a desempenhar no combate ao racismo e à xenofobia e na promoção do pluralismo e da inclusão. O último trabalho de Amélia Muge, que sigo com muito prazer há uns doze anos, tem um tema, Não sou daqui, que fala do desejo de ter todos os lugares neste lugar e que este lugar seja o lugar de todos. Diz a cantora: "Aprender no lugar do outro a me encontrar...".
Como colectivo, os portugueses têm ainda muito que aprender nesta matéria. Eles que durante as últimas décadas do Estado Novo foram 'bombardeados' com uma propaganda nacionalista que enaltecia o carácter integrador, universalista e ecuménico do nacionalismo português, em oposição aos 'maus' nacionalismos, fechados, etnocêntricos e xenófobos. Tudo indica que os portugueses apenas interiorizaram a norma anti-racista para efeitos de discurso autojustificativo, não a reproduziram na prática pessoal e social quotidiana.
Na semana passada, o Público divulgou um estudo sobre as identidades na Europa e os modos como estas influenciam, nomeadamente, a atitude face à imigração. O estudo, elaborado no âmbito do European Social Survey, inquiriu polacos, portugueses e suíços. Em traços largos, relativamente aos portugueses, chegou-se à seguinte conclusão: opõem-se mais à entrada de imigrantes no seu país do que os polacos ou os suíços, embora sejam menos nacionalistas do que aqueles. Como refere Jorge Vala, coordenador do estudo em Portugal, "Quanto maior é a identificação com o país, mais se valoriza a tradição, o conformismo, a segurança. Pelo contrário, quanto maior a identificação com a Europa, mais se está orientado para valores de abertura à mudança, de realização pessoal, com maior capacidade de integrar situações de incerteza e valorizando o prazer e a gratificação". Em Portugal prevalecem os indivíduos que se identificam simultaneamente com o país e com a Europa. Isto significa que a maioria não está muito aberta à mudança, nem essencialmente virada para a tradição. Apesar de serem menos nacionalistas do que os polacos ou os suiços (18% contra 42% na Polónia e 38% na Suíça), os portugueses, devido ao seu perfil de identificação "misto" ou "ambíguo", têm em média uma atitude mais restritiva em relação à imigração.
A 28 deste mês, realiza-se no ICS-UL um Seminário de Apresentação de Resultados - Identidade Nacional 2003, dedicado ao tema «Nação, Nacionalismo e Exclusão». É organizado por Jorge Vala e José Manuel Sobral, coordenadores do módulo sobre Identidade Nacional no projecto «International Social Survey Programme».
Desconheço os resultados relativos a 2003, mas lembro-me que estudos anteriores mostraram que o espaço de afirmação identitária da maioria dos portugueses não se confinava a Portugal e à Europa; estendia-se à África, ao Oriente, ao Brasil… ao mundo, como outrora ao império.
Pensando na letra «Não sou daqui», parece que os portugueses gostam dos lugares dos outros e dos outros noutros lugares distantes, mas têm alguma dificuldade em partilhar o seu lugar com os outros e em reconhecer neste lugar o lugar de todos.