Mostrar mensagens com a etiqueta movimentos sociais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta movimentos sociais. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tributo a José Tengarrinha, nos seus 80 anos

A homenagem ao cidadão antifascista, fundador do MDP-CDE e historiador do Portugal contemporâneo é já no próximo dia 14, num almoço a realizar na antiga FIL, em Lisboa.

Depois disso, e ainda em 2012, sairão mais dois livros seus: uma Nova história da imprensa portuguesa das origens a 1865, nas suas volumosas 700 páginas, e uma novel incursão no tema das greves e dos conflitos sociais no Portugal moderno - 1872: o início da ofensiva operária em Portugal. Bem bom. Calha relembrar que, além destas áreas, Tengarrinha deu ainda um contributo relevante para a história cultural, área em que destaco um estudo sobre a leitura na monarquia final e um livro sobre A novela e o leitor, editado pela Prelo com base num inquérito distribuído nas bibliotecas da Fundação Gulbenkian.

Para quem quiser ficar a saber mais sobre o homem, a obra e o tributo pode consultar a página facebook de Helena Pato.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

«A Praça é Nossa»: a geração à rasca volta hoje à rua


A PRAÇA É NOSSA | 20 DE MAIO | 20H | COIMBRA · Praça 8 de Maio | FARO · Jardim Manuel Bivar | LISBOA · Rossio | PORTO · Praça da Batalha

sábado, 20 de março de 2010

Ideias simples com grandes impactos: elogio do projecto Limpar Portugal

A mobilização cívica: «Mais de cem mil portugueses vão limpar Portugal amanhã [é já hoje mesmo]»

Causa e evolução: «País continua sujo mas infracções por despejo de resíduos têm vindo a diminuir»

O contributo relevante da internet: «Movimentos de cidadãos já não passam sem Internet»

segunda-feira, 23 de março de 2009

O dia em que o mundo ficará às escuras...

Não, não é mais uma profecia de Nostradamus, mas tão-só uma iniciativa voluntária, organizada pela ONG ambientalista WWF- World Wild Fund.
A iniciativa, que se intitula «Hora do Planeta», é um apelo para um apagão mundial no próximo dia 28 (entre as 20h30-21h30) e "tem por objectivo alertar os líderes políticos para a necessidade de adoptarem medidas urgentes contra as alterações climáticas". Já são mais de 700 as cidades que participarão nesta redução simbólica dos consumos de energia e das emissões de gases com efeito de estufa.
Todos os portugueses estão convidados a também dar folga às luzes das suas casas.
O governo português também aderiu a esta iniciativa de sensibilização (fica sempre bem e ano eleitoral oblige). Na Grande Lisboa, p.e., os principais monumentos ficarão às escuras: Cristo-Rei, Ponte 25 de Abril, Mosteiro dos Jerónimos, Palácio de Belém, Museu da Electricidade, Torre de Belém, Padrão das Descobertas, Castelo de São Jorge e os Paços do Concelho alfacinha.
O Centro Cultural de Belém foi mais comedido e só aguentará o sacrifício durante 15 minutos.
Segundo informação da WWF, em 2008, acima de 5o milhões de pessoas em todo o mundo participaram nesta pan-mobilização. Para este ano, a meta é chegar aos mil milhões de aderentes.
As empresas em Portugal também se mobilizaram e prometem apagões e acções de sensibilização nos seus espaços durante a Hora do Planeta. Uma delas é uma estação de tv. Como será à hora do telejornal, ficamos na angústia de saber se passa ou não passa...
Para muito bom português, o problema será bem mais comezinho: a essa hora, será teledifundido em canal aberto o jogo de futebol Portugal-Suécia... Talvez uma debandada geral rumo a cafés e restaurantes já dê para manter as luzes de casa no descanso. Quem sabe não será boa solução? O tempo está de feição, os tremoços ajudam, e já faltou mais para os caracóis.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sociedades desiguais e paradigmas em confronto

Depois dos movimentos sociais terem dado a cara no Fórum Social Mundial, que o Manolo Piriz aqui cobriu com detalhe, é a vez dos cientistas sociais se debruçarem sobre os mesmos (e outros temas) no X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Aquele que é o principal fórum dos cientistas sociais do espaço lusófono arranca hoje em Braga, prevendo-se a chegada de 2000 participantes, que apresentarão 1400 comunicações em 260 mesas de trabalho. Os trabalhos decorrerão na Universidade do Minho, e duram até sábado.

O oportuno tema desta edição é justamente «Sociedades desiguais e paradigmas em confronto» (+informações neste blogue oficial). Haverá ainda tempo para o lançamento de 23 livros e revistas, incluindo as obras As cidades na cidade: movimentos sociais urbanos (de Carlos Faria, numa adaptação da sua tese de doutoramento sobre o movimento de moradores em Setúbal), Dicionário da outra economia (de Pedro Hespanha), Escola da Ponte - formação e transformação da educação (de José Pacheco) e As vozes do mundo (de Boaventura Sousa Santos).

Na sessão inaugural falarão conhecidos cientistas sociais, como Beit Vader, Hermínio Martins, Boaventura Sousa Santos, Renato Lessa, Carlos Lopes, Fernando Oliveira Baptista, José Madureira Pinto, entre outros. Vários peões e amigos de peões aí marcarão presença, não fosse Braga uma boa cidade onde deambular. As comunicações apresentadas serão disponibilizadas em linha, com acesso livre para todos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Mudar de vida

Surgiu recentemente em Portugal o Movimento de Apoio aos Sem-Abrigo (MASA). Foi criado por um ex-sem-abrigo e ex-jornalista, Daniel Horta Nova. Baseando-se na sua experiência pessoal, salienta que o fim do MASA é mudar a vida dos que vivem na rua, e não simplesmente dar-lhes comida. Porque a rua também pode ser um "vício", impõe-se um plano de reinserção social para os sem-abrigo e não "associações-fantasma que só dão alimento". Para o efeito, o MASA presta-lhes apoio psicológico, técnico e jurídico. Quem quiser apoiar este movimento pode adquirir uma agenda 2009 do MASA (vd. aqui). Mais informação no texto «Daniel voltou à rua para salvar outros como ele através do MASA», de Amanda Ribeiro. Na imagem, o mentor do MASA.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

As cidades da esperança

No quadro da afirmação cosmopolita dos países e dum certo imaginário civilizacional humanista e universalista, as cidades lograram um lugar de destaque. Primeiro, impuseram-se como pólos económicos e financeiros. Depois, enquanto capitais culturais de referência: cidades como Paris, Londres e Nova Iorque foram consideradas centros de distintas fases da 'cultura ocidental'. Recentemente, tornaram-se nós de redes informacionais e comunicacionais. Nas conversas sobre vivências e viagens pessoais, é hoje corrente compararmos grandes cidades, valorizando-se normalmente a sua oferta cultural-artística, mas também certos espaços de vivência, os cafés e os jardins públicos, a gastronomia, o clima e ambiente, o relacionamento interpessoal, outros atractivos históricos, etc..
Mas as cidades não se esgotam neste ângulo. São actualmente o espaço onde vivem mais pessoas no planeta; porém, só este ano se atingiu tal valor, segundo dados da ONU, é verdade (vd. aqui). Daí que seja natural serem elas o palco privilegiado das transformações sociais, da intervenção cívica, do debate e confronto políticos e dos interesses económicos.
Nunca como agora este quadro fez tanto sentido. Num contexto de esgotamento dum modelo predador de 'desenvolvimento', assente no lucro a qualquer preço, de agudizar das desigualdades e das tensões sociais, da degradação do espaço público urbano, é desconcertante constatar como muitos dos nossos governantes (locais e não só) prosseguem no mesmo rame-rame, como se nada tivesse ocorrido, como se a mudança efectiva fosse um não lugar.
Ocorreu-me esta divagação a propósito de 2 textos do geógrafo catalão Jordi Borja, "El mercado dejado suelto es destructor de la ciudad" e "La ciudad contra el capital", cuja leitura recomendo. Neste, o autor avança algumas propostas conjunturais para alterar a actual podridão das políticas urbanas: 1) comprar as hipotecas; 2) impôr moratórias; 3) proibir a distribuição de benefícios ou dividendos ao sistema financeiro; 4) obrigar a dar créditos ao tecido empresarial pequeno ou mediano. E, a um nível estrutural, iniciativas que travem as dinâmicas especulativas por detrás da bolha especulativa que agora rebentou um pouco por todo o lado: reformar a legislação urbanística para se impor quotas relevantes para habitação social (20%) e a preços controlados (60%), recuperar 90% das mais valias urbanas, penalizar fortemente as operações urbanizadoras segregadas da cidade compacta, criar uma banca pública hipotecária e impulsionar um programa de transporte colectivo em detrimento do crescimento urbanizador da rede viária.
Enfim, ideias oportunas e válidas, nenhuma sequer 'revolucionária', mas que significam uma vontade política de contrariar o conformismo, o laissez-faire, o que para muitos é já uma ousadia intransponível. Por isso, a sua viabilidade impõe que se criem "amplos" movimentos sociais, capazes de pressionar no sentido da sua materialização, pois só com os governantes que temos já lá não vamos. Ficam aqui também como propostas para as cidades do peão, a começar por Lisboa e Porto, cidades sobre as quais aqui temos falado com mais profundidade e atenção, mas extensíveis a todas as grandes cidades do mundo actual.
Porque o lugar para renovar a democracia é justamente a cidade, como sintetiza outro ensaista reconhecido, Jesús Martín Barbero.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Da rua à prática política

As investidas da direita contra o Estado social visam um só objectivo: substituir o Estado pelo mercado. Como se entre estas duas instâncias não existisse mais nada. No entender do discurso económico dominante (infelizmente, parece que deixou de haver discurso económico de esquerda), tanto o Estado, como o mercado são constituídos, basicamente, por factores de racionalidade. Nesta óptica, a racionalidade do mercado gira fundamentalmente em torno da maximização de ganhos e da minimização de custos, enquanto a racionalidade do Estado é, do seu ponto de vista, essencialmente reprodutiva, no sentido da manutenção dos interesses instituídos.
Por outro lado, fora destas instituições parece que domina a irracionalidade. Para estes iluminados, a sociedade civil é um logro e uma inutilidade. Quando se manifesta move-se segundo as batutas manipuladoras de algumas organizações que lhe são exteriores, como é o caso dos partidos ou dos sindicatos. Por este motivo, sempre que a rua ganha aos parlamentos ou às bolsas, é porque foi instrumentalizada. Nunca reconhecem racionalidade à rua, encaram-na, na maior parte das vezes, como um bando de alienados cuja motivação é simplesmente insondável e, por isso, muito pouco racional.
Face a esta visão, conservadora no que diz respeito ao Estado e liberal no que concerne ao mercado, é necessário encetar um contraponto… Uma outra narrativa que conte uma história diferente sobre a natureza da sociedade civil e da sua importância enquanto elemento (re)organizador dos sistemas sociais económicos. Uma narrativa que a partir da rua construa novos horizontes ao Estado, ao mercado e também à democracia. As movimentações de protesto representam um ponto de partida que não culminam com o recuo, meramente circunstancial, do Estado (ou do mercado). O protesto gera consciência e esta, por sua via, deverá gerar discurso e acção.
Muito bem, provavelmente até aqui as várias esquerdas estarão de acordo. O problema é quando na rua surgem diferentes narrativas que, em certa medida, parece colidirem ou, pelo menos, são aparentemente inconciliáveis. Por exemplo, veja-se o caso francês, nas últimas semanas tivemos simultaneamente uma greve dos sindicatos e trabalhadores, e o ressurgimento dos protestos nos subúrbios das maiores cidades. Em traços muito redutores podemos dizer que os primeiros protestam contra a perda de alguns direitos legitimamente instituídos e que os segundos clamam contra a sua contínua marginalização no acesso a determinados direitos básicos. Face a este desequilíbrio a direita (e alguma esquerda?) não tem dúvidas na resposta a dar: corte-se nalguns direitos dos primeiros para que os segundos possam aceder a um pouco mais. Basicamente a ideia é: nivelar por baixo.
E qual é a proposta da esquerda? Anunciar a ineficácia do Estado, da democracia e propor a realização de uma greve geral? Quanto a mim, essa já não pode ser a receita (se é que alguma vez foi?). O pior que pode acontecer à esquerda é que a rua se divida e se barrique na defesa de interesses particulares e supostamente antagónicos. Transformar o Estado e a democracia como os inimigos a abater é um erro crasso por parte da esquerda. É, basicamente, dar uma margem ainda maior para que o poder económico e financeiro transnacional se reproduza e continue a acumular. Face a isto é preciso encontrar uma outra narrativa, uma racionalidade que agregue na mesma reinvidicação o acentuar contínuo da precarização ao ciclo vicioso da marginalização. É necessário propor alguma coisa, um caminho… algo de concreto: uma prática política.
Nota: este post é uma versão aumentada de um outro publicado aqui.