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quinta-feira, 31 de março de 2011

Identidades, hibridismos e tropicalismos: leituras pós-coloniais de Gilberto Freyre


10 h - Conferência de abertura de Peter Burke (Univ. Cambridge) - "Gilberto Freyre and Postcolonial Theory: a dialogue of the deaf?".



Entrada livre e gratuita.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Gilberto Freyre no Museu da Língua Portuguesa

Depois de Guimarães Rosa e Clarice Lispector, chegou a hora de o Museu da Língua Portuguesa homenagear Gilberto Freyre, com a exposição temporária, "Gilberto Freyre - Intérprete do Brasil", tributo ao sociólogo e antropólogo brasileiro, falecido há 20 ano, e autor, entre outros, de "Casa-Grande & Senzala" (1933). A exposição começa amanhã e vai até 4 de maio de 2008.

A mostra apresenta objetos inéditos para o grande público. Trata-se de material de pesquisa utilizado por Freyre para vários de seus livros, como Casa Grande & Senzala , Ordem e Progresso, Açúcar entre outros. Além de documentos pessoais e correspondências trocadas com Cândido Portinari, Heitor Villa-Lobos, Carlos Drummond de Andrade, Florestan Fernandes e Cícero Dias.

Outra novidade e um lado pouco conhecido de Gilberto Freyre é trazido ao público pela primeira vez: o pintor. A mostra reúne 27 quadros de Freyre (óleos em tela e aquarelas), com temáticas variadas, como auto-retratos, religiosidade, cenas familiares e de crianças, sua casa, engenhos e etc. Taí um evento que não se pode perder.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Qual o tempo dos peões que hão-de vir?

Noutros tempos, interessei-me pela obra do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre (1900-1987). Apresentei, em trabalho académico, uma leitura crítica da génese e estruturação do luso-tropicalismo, desde Casa-grande & senzala (Rio de Janeiro) até O luso e o trópico (Lisboa, 1961), e analisei a recepção daquela doutrina em Portugal e as apropriações a que foi sujeita pelo Estado Novo. Não obstante aquilo que me separa de Freyre em termos políticos e ideológicos e as reservas que a sua doutrina me merece no plano científico, sempre admirei a sua escrita, perspicácia e imaginação. Tem a capacidade de nos surpreender e desafiar. Obriga-nos a pensar, sobretudo porque o que nos diz ecoa em impressões muito enraizadas e generalizadas.
A propósito do tempo, Freyre volta a discorrer sobre a excepcionalidade ibérica. No livro O Brasileiro entre os outros Hispanos (Rio de Janeiro, 1975), desenvolve o argumento de que os povos ibéricos teriam um sentido próprio de tempo, mais semelhante ao dos povos orientais e diferente do dos norte-europeus. O tempo como vida e não o tempo como dinheiro («time is money»), bem precioso e escasso. O desprezo pelo tempo cronométrico, pela hora exacta dos britânicos seria característica e virtude dos hispanos. Ao tempo dos negócios, contrapunham o tempo do ócio. Esta atitude em relação ao tempo era marcada pelo mito, pela religião, pelo folclore, o que lhe conferia uma enorme capacidade criadora e criativa. O hispano teria assimilado expressões de uma filosofia de espaço-tempo não-europeu.
«Isto é aquilo que vier a ser» – responde o pintor a Dom Quixote, quando este lhe pergunta o que está a pintar. Esta fórmula, segundo Gilberto Freyre, caracterizaria a maneira de estar dos povos ibéricos, a sua capacidade de improvisação, a sua tendência para procurar novas cores e formas de homens e de culturas. "Dando-se tempo ao tempo, sem pressa e sem cálculo" (1975: 7).
Tudo indica que a maioria dos peões que se propõe participar neste blogue partilha de uma concepção de teeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeempo longo. Resta-me uma curiosidade: Trata-se de pensar longamente antes de cada jogada? Ou de viver intensamente fora do tabuleiro?
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Imagem: Salvador Dalí, La Persistencia de la Memoria (1931). Museu de Arte Moderna - Nova Iorque.