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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Verde que não te quero ver-te.

irã - futebol Verde que te quero verde/ Verde vento. Verdes ramas/ O barco vai sobre o mar e o cavalo na montanha/ Com a sombra pela cintura / ela sonha na varanda, / verde carne, tranças verdes, /
com olhos de fria prata / Verde que te quero verde (...). Aqui, a poesia completa.

É o que diz as primeiras linhas da poesia “Romance Sonâmbulo”, de Federico García Lorca. Entretanto, este é um verso que os detentores do poder no Irã não querem sequer ouvir falar, quanto mais ver algo de cores verdejantes. E foi exatamente por usarem pulseiras verdes que 4 jogadores de futebol foram banidos da seleção do país. Mais.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Lorca total só no digital


É isso aí, todo o Federico García Lorca na ponta dum clique.

Na imagem, Lorca na Huerta de San Vicente, Granada, 1932. Atrás de si figura o cartaz para o grupo teatral La Barraca, desenhado por Benjamín Palencia (col. Fundación Federico García Lorca, Madrid).

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Memória e justiça em Espanha: Garzón ordena investigação judicial dos desaparecidos do franquismo e exumação de valas comuns

O juiz Baltazar Garzón declarou que a Audiência Nacional espanhola tem competência para julgar alguns dos crimes do franquismo, ordenando uma investigação judicial dos desaparecidos e a exumação de 19 valas comuns, incluindo a do poeta Federico Garcia Lorca. O argumento principal é o de que estão em causa crimes contra a Humanidade, o que cai na alçada deste tribunal e não foi abrangido pela Amnistia de 1997 nem são crimes que prescrevam. Segundo estimativas apresentadas no auto judicial, foram 114.266 os desaparecidos da Guerra Civil espanhola e da subsequente repressão franquista até 1951.
Este processo iniciara-se em Setembro, em resposta às denúncias apresentadas 2 meses antes por associações que lutam pela recuperação da memória histórica, que solicitavam uma investigação aos desaparecimentos, sequestros, assassinatos, torturas e exílios forçados cometidos após 1936, a fim de que o Estado espanhol "cumpra as suas obrigações de reparação" das vítimas pelas violações dos direitos humanos de que foram alvo (ap. El Mundo, cit. pelo Público).
Mais informações aqui ou aqui. Na imagem, presos políticos levados para um campo de concentração franquista.


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Memória Histórica: restos mortais de García Lorca serão exumados

Os restos mortais de Federico García Lorca serão desenterrados. Depois de resistir por algum tempo, a família do poeta e dramaturco autorizou a abertura da vala comum onde a ossada do escritor permanece desde que foi fuzilado na Guerra Civil. As informações mais divulgadas dão conta de que Lorca foi fuzilado no dia 19 de agosto de 1936, mas que teria sido preso três dias antes sob a acusação de ser subversivo e homossexual. Com ele, foram fuzilados o professor Dióscoro Galindo, republicano e acusado de negar a existência de Deus porque ensinava educação laica a famílias pobres, e os sindicalistas Francisco Galadí Meljar e Joaquim Arcollas Cabezas. Eles foram enterrados em uma vala comum debaixo de uma oliveira (foto), num lugar conhecido hoje como o Barranco de Víznar (Granada), onde agora há um pequeno parque em homenagem às vítimas da Guerra Civil e onde se estima estejam milhares de outras ossadas. Desde a criação da Lei da Memória Histórica (leia aqui o excelente post do peão Daniel), os parentes dos fuzilados pelo franquismo vem recebendo ajuda do governo para desenterrar corpos, obter provas de DNA, fazer sepultamentos e conhecer os verdadeiros detalhes dos assassinatos. Mais...

LA COGIDA Y
LA MUERTE (García Lorca) *

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro, solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

*tradução