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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ajudar quem diz que precisa, mêmo, é?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Um presidente falido...

... de decência.
De decência, simplesmente.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Olha, os juros da dívida estão a subir

Os juros da dívida pública portuguesa a dez anos estão a subir pelo segundo dia consecutivo (ver aqui). Se houvesse segunda volta das eleições presidenciais já sabíamos a explicação do professor Cavaco Silva, anunciada durante a campanha eleitoral: as segundas voltas sobem os juros da dívida. Como não há segunda volta, é legítimo perguntar: será uma reacção dos mercados à eleição presidencial?

PS: a minha pergunta era irónica, mas a realidade pode não o ser - os mercados são pouco dados a figuras de estilo. Ver aqui a notícia do El País sobre a vitória de Cavaco Silva. Uma citação: «El político equilibrado, comedido e institucional desapareció de un plumazo para dar paso a un orador resentido que descalificó a todos sus adversarios, sin excepción, en un tono tremendamente agresivo.»




quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Muda o disco e toca o mesmo

Uma peculiar relação com a despesa pública: vós poupais, eu gasto, a imprensa amocha, a coisa passará incólume.

As ligações perigosas de Cavaco: um esclarecimento definitivo, se ainda fosse preciso, sobre a particular fixação de um político não-político numa coisa distante chamada BPN, e que se declina em compra-vende, 140% e vivenda BPN.

A ideologia de Cavaco: o lugar da mulher na vida pública é... na cozinha, e, vá lá, no larzito, a cuidar da prole numerosa...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Se isto é lealdade institucional, ou «cooperação estratégica», vou ali e já venho...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Que falta de chá medonha, credo!

A gestão do BPN, agora criticada por Cavaco Silva, foi entregue à Caixa Geral de Depósitos, após a nacionalização do banco, há dois anos. Faria de Oliveira, o presidente da Caixa, nomeou então dois administradores do banco público para a liderança do BPN, Francisco Bandeira e Norberto Rosa. Tanto Faria de Oliveira como Norberto Rosa fazem parte da comissão de honra da candidatura presidencial de Cavaco Silva. [notícia da RTP]

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Pai Natal de Portugal, Boliqueime e Ilhas

Afinal, o Pai Natal existe! E não só existe como vive na Tugalândia, para gáudio dos seus residentes!!

Desde há umas semanas para cá que se vem confirmando: o presidente Cavaco Silva é só coisas boas para todos os seus compatriotas. Está a chover? Não faz mal, rega a horta. Faz frio? Ajuda a manter a pele do rosto esticadinha. E por aí fora.

Hoje foi a vez do seu frente-a-frente com Manuel Alegre, na RTP1. E, novamente, se viu o senhor-tudo-de-bom-peace-and-love.

Alguns exemplos. Quanto à crítica de Alegre de que é cúmplice do projecto de direita de esvaziamento do Estado social em Portugal, Cavaco riposta que ele não está a destruir o Estado social e que o oponente anda a enganar os nativos nesse particular. Se lhe perguntam se é a favor das taxas moderadoras, responde que é a favor duma saúde pública de qualidade para todos. Sobre o BPN e a promiscuidade entre política e negócios, o problema é a actual administração do banco que não fez uma recuperação rápida, à inglesa. Em suma, é tudo ao lado.

Não sei se uma atitude assim seria aceitável em países com debates incisivos, como os EUA, o Reino Unido ou o Brasil. Parece que por cá ainda vale. É a mística dos sempre-em-pé, de que é feito também o Pai Natal. Pois claro. Então não vai aparecendo, um bocadinho todos os anos, para não se cansar muito? Ai os votos, os votos. Meus ricos sofás de Belém...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mas então porque escreve artigos de opinião, ainda por cima contraditórios entre si?

Poderá parecer uma banalidade, mas a verdade é que cada vez mais se sente que o país precisa desesperadamente de mais actos, e não de mais palavras? (Belmiro de Azevedo dixit, Público, 27/XI)

Numa entrevista do Sr. Azevedo à revista “Visão” publicada a 28 de Janeiro deste ano, acusou Cavaco Silva de ser ditador por ter dispensado quando era Primeiro Ministro, quatro amigos seus e “ministros competentes. Mais, diz na mesma entrevista que Cavaco "é um tipo duro, mas não foi talhado" para ser Presidente da República, porque "é um homem do Governo, activo". Mas afinal vai votar no professor para o Governo ou para Presidente? [no artigo de opinião de ontem, declara o seu voto em Cavaco Silva nas presidencias de 2011] Ou está só a ser incoerente? (Andreia Peniche dixit, blogue Arrastão)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E essa repartição justa, está ou não a ser cumprida?

«Cavaco: preocupação deve ser “repartição justa dos sacrifícios”»

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ainda Saramago

Muito se escreveu a pretexto do passamento de Saramago. Do que li, destaco a lúcida reflexão de Manuel Gusmão e o dossiê do Público, do qual li com gosto as evocações de Carlos Reis, Mário de Carvalho, Luiz Schwarcz (aqui se podem ler outros depoimentos), Urbano Tavares Rodrigues e Mia Couto. Fiquei estarrecido com o texto de Eduardo Lourenço, onde a projecção do próprio pretende impor uma pseudo-redenção final de Saramago como saída para a sua desilusão utópica, em gritante contraste com o sentido constante da intervenção cívica e literária do autor.
Sobre a ausência de altas figuras do Estado das cerimónias fúnebres do único Prémio Nobel da Literatura português, apenas reiterar as críticas oportunamente feitas a essa conduta, apesar dos dois dias de luto nacional. A situação é agravada quanto ao Presidente da República, Cavaco Silva, que teria necessariamente que estar lá enquanto representante de todos os portugueses numa ocasião simbólica por excelência.
O Vaticano, este Vaticano, primou novamente pela arrogância e deselegância; nb: já o comunicado do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Igreja católica portuguesa tem um tom bem diverso, que só pode ser elogiado pela sensibilidade e esforço de reflexão que representa: «Igreja enaltece “grande criador da língua portuguesa” mas lamenta “balizamentos ideológicos”».
Nb: na imagem, cartoon inspirado no quadro Des glaneuses (1857), de Jean-François Millet.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que tem que ser tem muita força

domingo, 9 de maio de 2010

Disse há 7 anos mas não o fez há 20, e dirige-se a Alegre qual frei Tomás

*
e o recado a Manuel Alegre, para confrontar com a pouco discreta investida anterior: «"Não devo interferir na governação", diz Cavaco Silva».


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Recapitulando, e enquanto persistem as cinzas do vulcão que não me deixam voltar para o lar, doce lar:

«Santo António é nosso, reclama o Presidente da República»

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ainda a República, agora a propósito da sempre pulsante veia retórica

cartoon de GoRRo (c) 2010

O mais engraçado foi que o PR português, obcecado pela simulação da sua aversão pública ao confronto e entalado pelo comemorativismo republicano, conseguiu a «quadratura do círculo» ao afirmar, no fim dum discurso a propósito da República, que o seu discurso era pela união de todos os portugueses, como se a divisão monárquicos vs. republicanos não existisse, ainda que minoritária. Um caso bicudo, mas já previsível.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um programa para 4 anos?

O 18.º governo constitucional português apresentou o seu programa de governo no parlamento, que não é mais do que o decalque do programa eleitoral do PS.

As oposições criticaram o gesto do novo governo, acusando-o de arrogância e de insensibilidade face aos resultados eleitorais, uma vez que aquele programa fora esboçado tendo a expectativa duma maioria absoluta (teria?) e não contempla soluções de compromisso para imbróglios passados, como o conflito com os professores do ensino básico e secundário. Tentando contornar estas críticas, o governo contra-ataca com o anúncio de medidas avulso consensuais ou, pelo menos, sensatas, como a limitação do mandato do premiê e dos líderes dos governos regionais.

Para os interessados, e para efeitos de escrutínio público, senhoras e senhores, eis o Programa do XVIII Governo Constitucional (2009-2013). Boa leitura... e boa sorte!

Nb: o cartoon é de GoRRo e foi patrocinado pela Adega Cooperativa Estratégica.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Da ética republicana

Hoje, na sua alocução em Belém sobre as comemorações do 5 de Outubro, Cavaco Silva encheu a boca com a «ética republicana». A retórica não bateu certo com o exemplo. Porque o exemplo ético dos republicanos consiste em colocar o respeito pelas instituições acima das tricas pessoais e políticas. Cavaco Silva afirmou que não falava nos Paços do Concelho, como é tradicional, para não «influenciar as eleições autárquicas». Como se António Costa, que ficaria a seu lado, representasse um partido e não a cidade. Como se Paula Teixeira Cruz, que discursou, representasse um partido e não a assembleia municipal. A recusa é particularmente absurda uma semana depois de Cavaco Silva ter feito uma declaração ao país que abalou a «cooperação institucional» entre Presidente e Governo, aumentou as tentativas de violação do sistema informático do Governo, como se pode ver aqui, e turvou a imagem externa da política portuguesa, como se pode conferir lendo aqui a notícia no Folha de São Paulo, o jornal de língua portuguesa mais lido.
Eu, que não costumo ligar às comemorações do 5 de Outubro e que achei uma palhaçada o roubo da bandeira republicana dos Paços do Concelho, em Agosto passado, tive hoje o meu momento de tentação monárquica. Não seria melhor ter um Rei ou uma Rainha que cumprisse o seu papel de sorrir e acenar em vez de um Presidente da República que se comporta como um misto de princesa caprichosa e de velha pitonisa? A tentação foi breve. Quando um monarca não está à altura do cargo temos de esperar pelo sucessor ou pelo regresso de D. Sebastião. Quando o mesmo se passa com um Presidente basta esperar pelas próximas eleições presidenciais ou, na pior das hipóteses, pelo fim do segundo mandato.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Interrompemos a emissão para uma notícia de última hora!

Para quem está «à escuta», aí vai mais um fenómeno extraordinário, um fora-de-série:


cartoon de GoRRo (c) 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um Presidente da República passado

Cada palavra que Cavaco Silva comunicou ao país hoje, às 20 e 30, foi uma palavra a mais. O Presidente da República ainda não se tinha pronunciado sobre o caso «das escutas» e hoje percebe-se que nunca o devia ter feito. Bastava ter mandado alguém colocar, a 18 de Agosto, um texto de dois parágrafos no site da Presidência da República. O primeiro a esclarecer que o Presidente da República não autorizara ninguém a falar sobre o «caso». O segundo a anunciar que ia pedir a técnicos que averiguassem a existência de eventuais fragilidades no sistema informático da Presidência.
O silêncio de Cavaco Silva empolou um caso do qual não assume qualquer responsabilidade. E agora o Presidente fala para causar ruído, acicatar suspeitas e atirar a cooperação institucional pelo cano. A maior parte das notícias, dos políticos que reagiram à declaração e dos comentadores têm sublinhado que o Presidente da República atacou o PS, ou seja o partido que acabou de ganhar as eleições e que ele não é, por lei, obrigado a convidar para constituir Governo. Não atacou o PS com base em factos, mas em «interpretações pessoais» que teria sido «forçado» a divulgar. O homem passou-se.

O presidente que caiu numa dupla ratoeira

No final de contas, parece que o Presidente Cavaco Silva caiu, não numa, mas em duas ratoeiras: a dos seus ex-cooperantes institucionais, que o 'picaram' para tropeçar em armadilha de campanha, um passo em falso por mero excesso de nervosismo; e a do seu ex-assessor principal, que, pelos vistos, agiu contra a vontade do PR. Como «quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto», o resto é desvario de imprensa. O PR nada sabia e nada fez. Um modelo esfíngico para a posteridade: cego, surdo e mudo; e hirto que nem uma barra de aço.
Será possível esta rebobinagem do filme O silêncio ensurdecedor das escutas e outros mistérios irresolúveis?
Aceitam-se apostas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As pífias de Cavaco II - ou o "affaire Clearstream" resumido para aprendizes na arte da manipulação

Enquanto em Portugal o "misterioso caso das escutas a Belém que afinal só existiam na cabeça do presidente e seus lacaios" está no auge, em França o "affaire Clearstream" chega à barra dos tribunais. Os dois casos têm em comum a tentativa de manipulação com objectivos políticos e o provável rebentamento da bomba nas mãos de quem a tentava armadilhar (demonstrando que, contrariamente à crença popular, o crime não compensa). No resto os dois casos são até bastante diferentes, e o contraste que mais salta à vista é o gritante amadorismo, para não dizer infantilidade (oops, já disse...) da troupe de Cavaco.
O "affaire Clearstream" (pode ler-se aqui um recapitular mais completo), sendo complexo, pode resumir-se assim: 1) um jornalista tinha uma lista autêntica de detentores de contas bancárias secretas na sociedade financeira Clearstream, sediada no Luxemburgo, contas essas que serviam para receber dinheiro sujo (corrupção, branqueamento, etc...) 2) um técnico informático de passado duvidoso, obtém essa lista em 2003, e acrescentou-lhe nomes de pessoas que não tinham nada que ver com o caso, entre os quais o de Nicolas Sarkozy, à época ministro das finanças e pretendente a sucessor do então presidente Jacques Chirac, contra a vontade deste 3) para servir de cobertura o informático duvidoso é contratado por uma empresa de aeronáutica a pedido de um general dos serviços de informação (equivalente do SIS) com ligações a Villepin, e em 2004, o chefe do informático duvidoso envia anonimamente a lista adulterada das contas bancárias a um juiz de instrução, numa tentativa de incriminar Sarkozy 4) o dito Juíz apercebe-se rapidamente que há uma tentativa de manipulação, e trata de investigar não a denuncia mas os denunciantes 5) Sarkozy cedo informado da tramóia, deixa a coisa correr apostando (e com razão) que a coisa lhe vai ser favorável 6) os indícios recolhidos pela investigação do juiz de instrução sugerem que Dominique de Villepin, então ministro dos negócios estrangeiros, mais tarde primeiro-ministro, e fiel delfim de Jacques Chirac, como tendo tido conhecimento da manipulação e não a ter impedido, ou de tê-la mesmo encorajado. O julgamento que agora começa visa determinar se houve denúncia caluniosa, e Villepin está no banco dos réus. Sarkozy, entretanto decidiu envolver-se no processo e constituiu-se como parte civil. Um testemunho do processo terá alegado que Jacques Chirac estaria ao corrente da situação, mas não há quaisquer indícios disso, e não vai sequer a julgamento. Ora aqui temos o primeiro contraste: Villepin (e talvez mesmo Chirac, nunca o saberemos....) manipula - presumivelmente - sem deixar provas, passando por entrepostas pessoas que falsificam documentos e fazem denúncias anónimas, Fernando Lima vai tomar um café num lugar público com um jornalista, leva um dossier sobre um assessor do primeiro-ministro, e até hoje ainda ninguém desmentiu que Cavaco tivesse conhecimento de tudo como referem as mensagens trocadas entre jornalistas do Público. Nem que fosse pela falta de sofisticação, Cavaco e toda a casa civil deviam ser destituídos imediatamente das suas funções. Se é para manipular, que manipulem com estilo.
Outra diferença notória é na atitude de quem é apanhado com a boca na botija. O Villepin vocifera que é uma cabala contra ele, dirigida por Sarkozy, que não só está inocente, como é ele próprio a vítima da manipulação - e há que reconhecer consegue ser um nadinha convincente na sua indignação. E o que diz Cavaco? Nada (-pausa para riso-), não diz nada, mas demite o homem da sua confiança como quem não quer a coisa. Mas se não quer a coisa, demite o assessor? Isto faz alguma sentido? Assume a sua culpa pelos actos, e não diz uma palavra para se justificar. Nem que seja pela incapacidade de elaborar um raciocínio lógico, Cavaco deveria cessar funções imediatamente.
Outra diferença curiosa: o caso "Clearstream" veio a público em 2005 graças a um trabalho de investigação jornalística notável do Le Monde, as escutas de Belém vieram a público graças a uma imbecilidade do jornal Público (repararam como eles hoje tentam fazer pressão sobre Cavaco para disfarçar?, como se não fosse nada com eles).
Reparem bem que no caso "Clearstream" todos tentam manipular, e ficamos sem saber quem na realidade manipulou o quê, no caso das escutas de Belém não houve sequer manipulação por manifesta incompetência de quem tentou manipular.
Nisto apenas Sócrates parece estar a seguir o exemplo de Sarkozy, por enquanto não diz nada, mais tarde se verá. Uma máxima alegadamente napoleónica diz "não interrompas o teu adversário quando ele estiver a cometer um erro".

Adenda - Lembrei-me de mais um contraste entre estes dois casos: comparado com escutas ao presidente ordenadas pelo primeiro-ministro uma lista falsa de contas bancárias no Luxemburgo é pevides, ainda assim o "affaire Clearstream" está a abalar seriamente o sistema político em França, já as escutas fantasma de Belém parecem ser apenas mais um caso do momento, até ver...