Esta coisa de Beaujolais Nouveau é uma tradição ancestral, que remonta nos seus moldes actuais a 1985, e na sua origem a 1951, e só pode ser compreendida no seu contexto étnico-cultural francês. Por um lado a modéstia endémica dos franceses leva-os a celebrar efusivamente o vinho que permite demonstrar ao mundo que nem todos os vinhos franceses são bons, o que os livra da maldição de ser vistos de fora como sendo um povo arrogante. Por outro lado existe a crença profundamente enraízada de que beber um mau vinho do ano em curso proveniente de uma determinada região vai permitir saber se todos os vinhos do país nesse mesmo ano serão bons ou não. Na realidade parece-me que a verdadeira razão pela qual se festeja a chegada do Beaujolais Nouveau é tão simplesmente porque isso quer dizer que continua a produzir-se vinho. Isso em si mesmo é uma razão mais que suficiente para uma celebração, porque pior que mau vinho é não haver vinho de todo.
O Beaujolais Nouveau propriamente dito, para quem tem curiosidade de saber, tem paladar que faz lembrar a áqua pé (sem qualquer desprezo pela água pé, que - como todos sabemos - não é vinho), se for bebido imediatamente após resrolhar a garrafa. Se se deixar respirar umas horas já se tem algo que se assemelha vagamente a vinho (se se deixar respirar uns dias tem um vinagre bastante suave de um paladar muito agradável, apropriado sobretudo para saladas).