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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tão liberais que nós somos


****Mais informação nesta entrevista a Pedro Rosa Mendes.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Isto é uma democracia?! A sério?!

«Tribunal condena 17 manifestantes angolanos a penas de prisão»

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Locais imaginários

Nunca fui a Luanda, mas o mercado Roque Santeiro tem, para mim, uma representação de local imaginário (tal como as favelas do Rio, ou, noutra versão, as ilhas artificiais em formato de Torre Eiffel no Dubai). Consigo imaginá-lo como uma enorme feira do Relógio, ou antes como os mercados de rua entre Camarate e a Apelação, onde peixes estripados jazem ao lado de galos viventes entre ténis de catechu fedorentos.
Li que o mercado vai acabar, mudar de sítio e todos se queixam, feirantes e consumidores. O sítio é longe para uns e outros e, ambos, terão uma vida muito mais difícil sem ele.
Como será o novo mercado Roque Santeiro?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ainda sobre a mostra «Portugal nas trincheiras»: notas críticas

Há umas semanas atrás falei aqui da exposição «Portugal nas trincheiras: a I Guerra da República», alertando para o seu final eminente. Agora, aproveito para referir uma excelente recensão à mesma por Eduardo Cintra Torres. A crítica começa pela foto que encabeça a mostra, nada representativa por ser mera propaganda, ainda por cima mal conseguida: um solitário soldado na planície de guerra esforçando-se por mostrar contentamento (pela vitória militar). Depois refere-se ao facto da concepção seguir uma linha demasiado conservadora, omitindo a guerra entre alemães e portugueses em Angola e Moçambique, que redundaram em tantas mortes quanto na frente europeia. Na parte literária alude só a 3 escritores recorrentes (Jaime Cortesão, André Brun e Hernâni Cidade), olvidando Augusto Casimiro, António Granjo, Carlos Selvagem e António de Cértima.
Isto dito, a mostra tinha vários pontos de interesse, a começar pela encenação das trincheiras, os sons da guerra, a reconstituição da frente de batalha e a exibição contextualizada de muitos objectos e documentos de soldados e oficiais. Para quem quiser acompanhar os argumentos recomendo a leitura de «Propaganda, 1918» (Público, 7/V, p. 12-P2).
Nb: imagem retirada de Ilustração Portugueza, n.º 464, 11/I/1915 (via blogue Ilustração Portuguesa).

quinta-feira, 25 de março de 2010

A emergência da sociedade civil angolana: o movimento pelo direito à habitação e ao lugar

Realizou-se hoje em Benguela a marcha «Não partam a minha casa», contra as demolições forçadas que até agora desalojaram 20 mil pessoas na província angolana de Huíla.
Foi organizada pela associação Omunga, apoiada por muitas outras ong's e individualidades (vd. lista aqui), incluindo por membros da Igreja católica local, como o arcebispo do Lubango (cuja declarações podem ser escutadas aqui e aqui).
As palavras de ordem foram «Não partam a minha casa, sou ser humano!» e «Não me obriguem a viver em tendas, tenho dignidade!».
Mais inf. aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Democracia de fachada

O quadro político angolano está tão viciado que poucos se deram ao trabalho de reprovarem a entorse democrática por detrás da recente aprovação da 1.ª constituição do país. E, no entanto, o facto do futuro presidente angolano vir a ser eleito pelo parlamento significa, na prática, carta branca para a perpetuação de José Eduardo dos Santos, o sr. todo-poderoso que se mantém no poder há 31 anos e que nunca venceu uma eleição própria. Um presidente vitalício não se usa em democracia. Eis o perverso paradoxo: o parlamento escolhe, mas quem manda é o escolhido! Perante este cenário, a nova lei fundamental já é conhecida como «a Constituição do Presidente». Que se junta assim ao novo bilhete de identidade, com uma foto do Pai da nação, como deve ser.
E, depois, há uma ironia amarga nisto tudo: o MPLA que contribuiu para derrubar um Presidente do Conselho vitalício (2 até: Salazar e Caetano), contribui agora para eternizar um outro. E isto sob o olhar complacente dos países ocidentais, que fecham olhos face aos interesses em jogo. A realpolitik prossegue. A democracia pode esperar.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

E lá se vão alguns diamantes de Zédu & Família S/A

Luiz Felipe Scolari está a um passo de se tornar seleccionador nacional de Angola. Será que os diamantes (*) de Zédu irão seduzir o Brazuca? A ver vamos.

(*) Não sei o porque, mas quando ouço falar em diamantes angolanos logo me vem à cabeça a imagem do ex-tudo dr. Mário Soares e suas relações perigosas com o falecido Jonas Savimbi. Estou a delirar?

sexta-feira, 20 de março de 2009

O papa e a Democracia espiritual de Zédu

zedu

Finalmente o sr Joseph Alois Ratzinger disse hoje algo aproveitável e sensato. Em sua visita à Luanda, lembrou que as riquezas “materiais e espirituais” de Angola” devem ser mais bem distribuídas pelos seus habitantes e que o país deve usar o seu poder para ajudar a construir uma África mais solidária. Apelou também a que as autoridades políticas africanas tudo façam para que seja erradicada “de uma vez por todas a corrupção”. Não é exagero alguma afirmar que Angola é hoje um dos países mais ricos e corruptos do mundo, com uma grande diversidade natural. Tem petróleo, diamantes e gás natural a dar com pau, além de grades reservas de ferro, fosfato, manganês cobre, ouro e um governo cleptomaníaco (digamos assim). As riquezas são fácies partilhar. Basta o governo querer. Difícil será distribuir as riquezas saqueadas do povo ao longo dos anos pelo clã Zédu, um dos mais ricos de Angola, cujo patriarca tem uma concepção de Democracia bem “espiritual” ( digamos assim): ela só existe na cabeça e no bolso dele e de sua família.

Imagem retirada daqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

São Paulo dá as boas-vindas à arte contemporânea angolana

hotel_central A arte contemporânea africana passará a ter um centro de referência em Terras Brasilis. Será inaugurada amanhã em São Paulo a Soso- Arte Contemporânea Africana. Inspirada na sua homônima de Luanda, a Soso-São Paulo será aberta com a apresentação de fotografias, vídeos e instalações dos artistas angolanos Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine. A exposição se estenderá até o próximo dia 21 de março, no antigo Hotel Central, na av. São João, 313 – Centro. E o melhor de tudo: é de graça. Mais.

Imagem da fachada do Hotel Central retirada daqui.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O faz-me-rir Zédu

Que a vitória por mais de 80% dos votos do MPLA nas legislativas de Angola não seja lá uma surpresa, tudo bem. Mas a promessa de José Eduardo dos Santos de afastar do governo quem “privilegiar interesses pessoas” soa-me como uma boa piada de mesa de bar. Se levar esta promessa ao pé da letra, suponho que Zédu se afastará do governo e levará consigo toda a sua família.

domingo, 9 de setembro de 2007

Passagens para Ler Devagar

Já lá vão quase 15 anos que conheço a Cláudia. O nosso percurso científico foi quase simultâneo - licenciatura, mestrado, doutoramento - e nas mesmas instituições (primeiro na FCSH e depois no ICS). Mas foi neste último instituto, em que tive a oportunidade de ser seu colega no I curso de doutoramento, que pude conhecê-la mais de perto. Fiquei espantando com a sua tenacidade e com a capacidade de trabalho. Lembro-me da nossa sessão conjunta de apresentação dos projectos, na qual a Cláudia foi questionada pelos 'séniores' sobre a ambição do seu projecto e da extensão do horizonte temporal que este abarcava: "era uma missão quase impossível" - disseram. Face às críticas a então aluna de doutoramento não vergou e disse simplesmente que esse seria o desafio do próprio projecto. Quatro anos e tal depois (em 2005) o desafio concretizou-se (e tudo foi escrito em apenas um só ano, o último precisamente).
Toda esta conversa vem a propósito da publicação do seu mais recente livro Passagens para África: O Povoamento de Angola e Moçambique com Naturais da Metrópole (1920-1974), que corresponde a parte substancial da sua tese de doutoramento. Uma obra que já é referência e que marcará o campo de estudo da História da migração e da colonização. Não sou especialista, por isso, remeto para esta recensão escrita pelo crítico Eduardo Pitta.

O livro será lançado dia 14 de Setembro (sexta-feira), na Livraria Ler Devagar, Rua Fernando Palha, 26 (Fábrica do Braço de Prata), Lisboa. A apresentação estará a cargo do Doutor Valentim Alexandre.
Não digam nada, mas sei, de fonte segura, que haverá petiscada com sabor e aroma luso-tropicalista.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Festa na Cidadela*

ou Angola versus Cabo Verde no AfroBasket 2007

Hoje, Luanda é festa, na certa. Às 20:00 começa um dos jogos das meias-finais do AfroBasket[1] 2007, entre Angola e Cabo Verde. Prevê-se lotação esgotada na Cidadela, com torcida maioritária de orgulhosos angolanos ou angolanos orgulhosos (o que neste momento é a mesma coisa) porque a equipa tem correspondido ao favoritismo que lhe fora apontado desde o início. Mas já sabemos (e os angolanos também) que vamos contar com a presença significativa de torcedores da equipa de Cabo Verde, imigrantes que têm se esforçado por acompanhar e apoiar os rapazes vindos do arquipélago. Como sempre acontece, a comunidade de cabo-verdianos em Angola deu uma mãozinha aos jogadores para colmatar as deficiências de uma estadia que as autoridades desportivas do arquipélago nunca asseguram a 100% (excepto, talvez, quando se trata do futebol). Assim, entre abraços, cachupas, e funges também, é claro, os acarinhados rapazes acabaram por sentir-se em casa, em Angola, e protagonizaram duas das maiores surpresas do campeonato: estão nas meias-finais, e pelo caminho, derrotaram a Nigéria, a poderosa equipa de sempre do basquetebol em África.
O comentário geral é o de que, neste campeonato, à excepção da equipa anfitriã, as “grandes” do basquetebol masculino do continente tiveram um fraco desempenho e estão irreconhecíveis. Para a imprensa africana[2], as derrotas das grandes provam que o basquetebol em África está em crise. Mas não dizem o que provam as vitórias das pequenas, em relação à expansão da modalidade em África. Na Nigéria, os media continuam a falar da hecatombe da sua selecção (www.asemana.cv) e a imprensa que cobre o AfroBasket 2007 ainda se mostra muito mais surpreendida com a derrota da Nigéria do que com a vitória de Cabo Verde.
O que importa é que hoje tem festa na Cidadela! Angola já ganhou de Cabo Verde (por uma grande diferença de pontos) da primeira vez em que se enfrentaram neste campeonato. Para o certame de hoje, a superioridade da equipe é por demais evidente, mas depois da derrota da Nigéria/ da vitória de Cabo Verde, a prudência manda guardar para si as certezas sobre as fraquezas do adversário em campo. Hoje, os jogadores angolanos, favoritos em campo, devem temer muito mais as fraquezas que costumam derrubar os fortes como eles em pleno voo (literalmente no basquetebol) e que deixaram o gigante Nigéria pelo caminho.
Mas vamos ter festa nas bancadas porque nos 4 períodos de duração de jogo, o gigante não será ameaçado, o fraco continuará orgulhoso dos seus próprios feitos. Afinal, o semba nunca brigou com a coladeira, nem a kizomba com o funaná ou o kuduro com o batuque.
[1] A ausência da qualificação do género costuma “indicar” que se trata do campeonato masculino.
[2] A imprensa, em geral, não deve ter sido informada de que está a decorrer este campeonato.
* Iolanda Évora

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Desenvolvimento e resiliência social em África

Não é peão, mas é como se fosse, além de ser adepto da ferrovia.
Falo-vos do amigo e investigador cabindense Milando, que lança novo livro na próxima 6.ª feira, na Liv.ª Bulhosa, no lisboeta Campo Grande, às 18h. Terá apresentação dos profs. Oliveira Baptista e Enes Ferreira e conta com o patrocínio da Embaixada de Angola.
O livro trata das complexas questões do desenvolvimento, da cooperação e da resiliência social, tomando como exemplo as dinâmicas rurais de Cabinda. É editado pela Periploi e tem o apoio do Centro de Estudos Africanos (ISCTE).
Eis um resumo do ensaio, da contracapa:
"Este livro surge na sequência de um outro, do mesmo autor, publicado em 2005, pela Imprensa de Ciências Sociais, sobre «Cooperação sem Desenvolvimento», no qual analisa o complexo desenvolvimentista e os seus objectivos declarados e não declarados, em África, assim como questiona a viabilidade do próprio desenvolvimento, seja em que tipo de sociedade for.
O presente livro analisa o modo como o desenvolvimento institucionalizado, levado a cabo ou apoiado pelas elites políticas angolanas, afecta as representações e práticas sociais de populações rurais de Cabinda.
Por um lado, o desenvolvimento surge como uma máquina trituradora/reconstrutora de identidades e de culturas, com grande capacidade de integrar, gerir e perturbar as populações locais, levando a supor que estas estão condenadas a sucumbir rapidamente diante dos projectos desenvolvimentistas ou a entrar em processos de desagregação, lentos mas irreversíveis. Por outro, há sinais locais de resiliência social, que parecem exprimir processos de introversão defensiva, de regressão «tradicional» e de ulterior complexificação destas sociedades, configurando dinâmicas sociais que escapam sempre a qualquer análise linear. Assim, o desenvolvimento é analisado não como um choque de culturas, mas como um encontro de diferentes racionalidades culturais, de que resultam situações extremamente complexas e, quase sempre, imprevisíveis."
Mais informações nos blogues Koluki e Moçambique para todos.