... este fim de semana!
Com mau tempo por todo o território nacional, chuvadas intensas, muita ventania e o primeiro nevão da época a cair na Serra da Estrela. Mudou a hora para o horário de inverno, de repente demos conta que já era de noite e, soube bem!
Soube bem estar no recato do lar. Soube bem sentir o quentinho das mantinhas no sofá. Soube bem ficar na cama acordada até mais tarde a ouvir a chuva e o vento lá fora. Soube bem cozinhar refeições aconchegantes e sentir os aromas no ar. Soube bem descascar e comer nozes e figos secos. Soube bem ler. Soube bem escrever. Soube bem ouvir musica.
Hoje, primeiro dia do mês de Novembro,
Dia de Todos os Santos e do
Pão por Deus, acordámos ao som do toque da campaínha e com um sol lindo a brilhar de nascente. Excelente dia para as crianças andarem de porta em porta de saca na mão. Tinha já preparados cestos com guloseimas para dar às crianças, rebuçados, chocolates e chupa-chupas. É uma tradição antiga nesta zona do país, as crianças saem à rua com uma saquinha de pano, batem às portas, tocam às campaínhas e pedem o Pão por Deus. Nos meus tempos de criança, até me regalava com este dia, davam guloseimas, castanhas, nozes, figos secos, rebuçados, maçãs, merendeiras e por vezes um ou dois tostões, era uma festa. Nos tempos de hoje são muito menos as crianças a tocar à porta, mas fico contente por aparecerem algumas, de sorriso rasgado, saquinha aberta, e:
- Tia dá bolinho?
- Tomem lá meninos!
Agradecem com um brilhozinho no olhar e voltam costas bem rápido, para tocar a outras portas e não perderem tempo... Outras tocam e desaparecem num ápice, nem me dão tempo de pegar no cesto e chegar à porta.
- Meninos! Meninos! Meninos! - chamava eu, mas já estavam nos andares de cima e não voltaram atrás.
A um grupo de três, dois meninos e uma menina, com cerca de sete ou oito anitos, perguntei-lhes:
- Então meninos! Muito bolinho? Muitas guloseimas?
- Nã! Nem por isso! Está fraco!
Viraram costas satisfeitos e deixaram-me a pensar... Realmente! Há muita gente que não abre a porta e não dá nada! É certo que a vida não está fácil, mas sentir a alegria estampada no rosto destes miudos, vale tudo, e por meia dúzia de euros que se gastem, vale ainda mais do que tudo! E, a firmeza com que eles afirmam a comparação com anos anteriores. Pequenitos de corpo e idade, mas... bem desenvolvidos de consciência!
Soube bem! Soube mesmo muito bem!