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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Cafuné


Faltou a luz, a água, a rede móvel e a fixa, a tv e a internet (aqui só não faltou o gás), foi um fim de semana de temporal como eu nunca tinha visto nem sentido. Muitos estragos e prejuízos avultados por quase todo o país e foi também uma altura que levou muitos de nós, eu inclusivé, a ter a verdadeira noção da dependência que todos temos destes bens de consumo imediato e ao mesmo tempo de conforto como, apertar o comando da tv e nada, pressionar o interruptor da luz e nada, abrir uma torneira e nada, ligar o micro-ondas e nada, a máquina de café, idem, a chaleira eléctrica, aspas, e por aí fora... Foi um fim de semana de susto e apreensão e para desviar o pensamento acendi a lareira, estiquei-me no sofá, tapei-me com a mantinha e no silêncio agarrei-me à leitura. 
Sinopse:
Cafuné centra-se na figura de Rodrigo Favinhas Mendes, um bom malandro que não resiste aos encantos femininos e que se torna amigo de um ex-frade, Frei Urbino de Santiago, que acaba por ser o seu conselheiro e zelador espiritual. É que Rodrigo tem um coração gigante onde cabem muitas mulheres bonitas, dispostas a um carinho que ele é incapaz de recusar…
"Já nesse tempo não existia quarto de dormir onde não pontificasse a cama. E antes. Inventar a cama foi a primeira urgência dos homens, pela vontade de se deitarem, sozinhos ou acompanhados. Em pé, tudo se torna mais dificultoso, incluindo o dormir."
No seu estilo inconfundível, Mário  Zambujal, reúne episódios da História de Portugal do início do séc. XIX e relativos à altura crítica das invasões francesas e da partida da família real para o Brasil, com ficção, num romance cheio de humor e peripécias.
A tarde do passado domingo rendeu mesmo ao meu gosto. E, será mesmo preciso dizer que ADOREI este livro! Como eu costumo dizer:
- É Zambujal! ;)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Longe é um bom lugar


(o resto são histórias)

Gosto especialmente da escrita de Mário Zambujal. Gosto do seu jeito muito humorado de contar histórias. Gosto da escrita que cativa à leitura desde a primeira à última palavra. Gosto da sequência de acontecimentos e da forma como ele os encadeia. Gosto das personagens imaginárias por ele criadas e a quem ele atribui nomes vulgares e, quase sempre encontro nelas pedacinhos de alguém que conheço, de alguém que imagino que exista, de personalidades que me são comuns. Gosto das crónicas que ele escreve para vários orgãos de comunicação social. Gosto de o ouvir na tv. Divirto-me a lê-lo e suponho que ele também se diverte a escrever.



Li o "Longe é um bom lugar" já há algum tempo. Abri-o na primeira página e só descansei quando cheguei à última. É um livro de contos, pequeno, lê-se rápido e fácilmente. E é um daqueles em que não se chega a colocar o marcador...


Sinopse
Tânia Dulce é uma jovem com uma ampla capacidade para amar e cede aos rogos do Doutor Ângelo, narrador de uma movimentada relação de desfecho imprevisível. Médico com sonhos de romancista, o doutor Ângelo percorre caminhos paralelos, do romance real com Tânia Dulce e da trama ficcional que se esforça por escrever.
E porque o resto são (também) histórias, o leitor acompanha uma sequência de pequenas ficções, originalmente publicadas na revista Tempo Livre, do Inatel, com o estilo inconfundível a que podemos chamar de zambujalesco. Em Longe É Um Bom Lugar (o resto são histórias), Mário Zambujal volta a cativar os leitores pelo ritmo vivo da prosa em que avultam as surpresas, o humor e a reflexão acerca de cumprimentos e situações.
Começada e, pouco depois terminada a leitura, alguém que já o tinha lido perguntou-me:
- E que tal?
- É Zambujal! - eu sem nada a acrescentar porque quem já o tinha lido já sabia que eu tinha adorado.
É um grande cronista, é português, fala, escreve e expressa-se de uma forma leve, concisa, directa e sem rodeios. Gosto muito e recomendo!

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