Era a Titó pequenita, a tradição dos domingos de verão era o almoço no pinhal. Podíamos ou não ir à praia de manhã, mas aquela refeição era sagrada, na maioria das vezes com a presença da família.
Na véspera, à noite, eu preparava tudo ao pormenor. A refeição, a sobremesa, as bebidas, a fruta, o café que ía num termo... e mais uma parafernália de tralhas. Aquilo parecia que se ía de férias por muitos dias e, afinal, apenas se andavam meia dúzia de quilómetros e lá abancávamos no sitio do costume, no Pinhal do Rei! Estes pic-nics iniciavam-se pela Quinta-feira da Ascenção e duravam até ao fim do verão. As ementas iam variando, mas a preferida de todos e a mais solicitada era sempre "O Arroz de Coelho" a que a Titó chamava de "Arroz do Pinhal".
Até há poucos anos atrás, este era um dos pratos favoritos dela, mas a Mãe Bela "estragou tudo" num certo dia em que foi passear à feira de Santarém e de lá lhe trouxe um coelhinho anão. O anormal que se quiz desfazer do coelhinho à força toda, dissera que o bichinho já estava desmamado e comia e blá blá blá... mas, ele quis foi vender, e o pobre coelhito não resistiu. Não conto a história toda porque é triste e não gosto sequer de relembrar, mas o certo é que a partir dessa altura... a menina nunca mais comeu coelho, o petisco que adorava! Ou melhor, petiscou qualquer coisita a muito custo, desta vez!
Agora que ela está de férias lá pós Allgarves, a administradora e cozinheira da tasca aproveitou e deliciou-se com este maravilhoso:
COELHO COM ARROZ DO PINHAL
1 coelho partido em pedaços (nunca aproveito a cabeça)
3 dentes alho bem picadinhos
1 folha louro
sal qb
vinho tinto qb
Começo por partir o coelho e temperá-lo já no tacho na véspera de o cozinhar. O ultimo tempêro que coloco é sempre o vinho e a quantidade é até cobrir mal a carne. Guardo no frigo.
2 cebolas picadas
colorau qb
azeite qb
Na altura de cozinhar, pico as cebolas e deito por cima. Polvilho com o colorau e deito o azeite. Com a colher de pau, envolvo tudo e levo ao lume a guisar lentamente e mexendo de vez em quando.
arroz qb
dobro da medida de arroz de água
Depois do coelho guisado, retiro-o do tacho. Deito o arroz préviamente lavado, escorrido e bem seco. Envolvo-o naquele molho e deixo-o cozinhar até absorver todo o liquido. Acrescento a água necessária já a ferver, rectifico o sal e deixo cozer cerca de dez minutos com o tacho destapado. Retiro o tacho do fogão para uma superfície mais fria, coloco a tampa e assim fica a suar um pouco.
Na altura de servir, apresenta-se bem soltinho e levo-o à mesa sempre no tacho!