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terça-feira, 13 de julho de 2010

Coelho com Arroz do Pinhal

Era a Titó pequenita, a tradição dos domingos de verão era o almoço no pinhal. Podíamos ou não ir à praia de manhã, mas aquela refeição era sagrada, na maioria das vezes com a presença da família.
Na véspera, à noite, eu preparava tudo ao pormenor. A refeição, a sobremesa, as bebidas, a fruta, o café que ía num termo... e mais uma parafernália de tralhas. Aquilo parecia que se ía de férias por muitos dias e, afinal, apenas se andavam meia dúzia de quilómetros e lá abancávamos no sitio do costume, no Pinhal do Rei! Estes pic-nics iniciavam-se pela Quinta-feira da Ascenção e duravam até ao fim do verão. As ementas iam variando, mas a preferida de todos e a mais solicitada era sempre "O Arroz de Coelho" a que a Titó chamava de "Arroz do Pinhal".


Até há poucos anos atrás, este era um dos pratos favoritos dela, mas a Mãe Bela "estragou tudo" num certo dia em que foi passear à feira de Santarém e de lá lhe trouxe um coelhinho anão. O anormal que se quiz desfazer do coelhinho à força toda, dissera que o bichinho já estava desmamado e comia e blá blá blá... mas, ele quis foi vender, e o pobre coelhito não resistiu. Não conto a história toda porque é triste e não gosto sequer de relembrar, mas o certo é que a partir dessa altura... a menina nunca mais comeu coelho, o petisco que adorava! Ou melhor, petiscou qualquer coisita a muito custo, desta vez!


Agora que ela está de férias lá pós Allgarves, a administradora e cozinheira da tasca aproveitou e deliciou-se com este maravilhoso:

COELHO COM ARROZ DO PINHAL




1 coelho partido em pedaços (nunca aproveito a cabeça)
3 dentes alho bem picadinhos
1 folha louro
sal qb
vinho tinto qb

Começo por partir o coelho e temperá-lo já no tacho na véspera de o cozinhar. O ultimo tempêro que coloco é sempre o vinho e a quantidade é até cobrir mal a carne. Guardo no frigo.

2 cebolas picadas
colorau qb
azeite qb

Na altura de cozinhar, pico as cebolas e deito por cima. Polvilho com o colorau e deito o azeite. Com a colher de pau, envolvo tudo e levo ao lume a guisar lentamente e mexendo de vez em quando.

arroz qb
dobro da medida de arroz de água

Depois do coelho guisado, retiro-o do tacho. Deito o arroz préviamente lavado, escorrido e bem seco. Envolvo-o naquele molho e deixo-o cozinhar até absorver todo o liquido. Acrescento a água necessária já a ferver, rectifico o sal e deixo cozer cerca de dez minutos com o tacho destapado. Retiro o tacho do fogão para uma superfície mais fria, coloco a tampa e assim fica a suar um pouco.


Na altura de servir, apresenta-se bem soltinho e levo-o à mesa sempre no tacho!


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Coelho...

... é das carnes que eu mais gosto!

Desde tenra idade me lembro de comer Arroz de Coelho, feito pela mami e, quase sempre era o petisco dos pic-nic's domingueiros de verão, no Pinhal de Leiria, mais própriamente na zona de S. Pedro de Moel.
Esses domingos foram sempre passados em família, primos, tios, avós e amigos dos papás. O hábito era a manhã na praia, o almoço e a tarde toda no pinhal. Brincadeiras próprias da idade, jogos, cartas, raquetes, bolas, bonecas... que saudades!
Continuei este ritual domingueiro depois de nascer a Titó e durante alguns anos, assim como o tão tradicional Coelho do Pinhal (como ela lhe chamava). O tempo passou depressa e muita coisa se alterou, mas esse gostinho e cheirinho... estará sempre nas nossas memórias.
A partir de uma determinada altura, a Titó deixa de comer coelho, não que não gostasse, mas por outros motivos que deixo para ela contar no seu mundinho, quando lhe apetecer.
Estive anos sem cozinhar coelho e, durante esse tempo, as poucas vezes que o comi foi feito pela mami.

Um destes dias, pensei:
- Apetece-me tanto coelho... mas ninguém gosta cá na Tasca...
Deixei-me de tretas, e:
- Vou comprar um, caseirinho, a uma senhora de confiança!
Quando apareci na Tasca com o dito prontinho a ir para o tacho...
- Ai! Eu não como!
- Ai! Eu não gosto!
- Ai! Eu...
Tanto "Ai", e:
- Eu gosto, eu como, eu vou cozinhá-lo! Quem não quiser... temos pena! eheheh

COELHO À CAMPONESA



1 coelho inteiro
1 folha louro
3 dentes alho
200 ml vinho tinto
sal qb

Parti o coelho em pedaços, temperei com o sal, os alhos esmagados, o louro e reguei com o vinho tinto. Deixei a marinar de um dia para o outro no frigorífico.

1 cebola grande
1 bom fio de azeite
1 colher massa pimentão
1 malagueta sem sementes
1 ramo de salsa e alecrim verde

No dia seguinte, piquei a cebola bem miudinha e juntei. Deitei o azeite e a salsa, salpiquei com a malagueta cortada em pedacinhos finos, a massa de pimentão e o alecrim. Levei a cozinhar lentamente e em lume brando.
500 gr castanhas
500 gr cogumelos Pleurotus

As castanhas cozidas em água e sal, os cogumelos lavados e escorridos e, quando o coelho estava quase cozinhado foi só adicionar no tacho, dar-lhe umas voltinhas com a tampa bem no sítio, deixar apurar mais uns minutos e... já está!

Acompanhei com arroz branco bem soltinho. Ficou uma delícia e para quem tanto reclamou... só sobraram mesmo os ossinhos ;)

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