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segunda-feira, 23 de abril de 2012

jogos de armar/ no espelho






Se você tem algo, de fato, a escrever sobre o tempo, perceba que ainda uma outra vez ele passou de vez sem que você soubesse que a chance de dizer as poucas coisas que lhe foram caras, na esperança vaga de que tais palavras sustentadas pelo poema possam, na sua dança, tatuar em outro corpo a mesma marca, está perdida: o mundo segue algum desvio, desesperos portáteis, vãos, gomorras sem o olhar de um deus, distopia e corrosão do século vinte e um, dessublimações, falsa anunciação que lhe afunda em soul, sexo e melancolia.

terça-feira, 10 de abril de 2012

jogos de armar/ trajeto


(Falling Man - fotografia de Richard Drew, em 11 de setembro de 2001)

Entrar (, violento, abrupto como cápsula de metal, nave que incandesce enquanto cai no ar denso, metáfora brilhando rubra na escuridão do céu, diáspora em que não se sai, antes se mergulha no nada até rebentar no chão qual semente e, assim, germinar) no real, cair (, precipitar-se numa fuga pelo abismo, voluntário mau passo no vazio, deixando o chão que o arranha-céu alçou, artificial e estranhamente, ao antes impossível espaço dos pássaros, verter-se até o fim como quem não vai se encontrar) em si.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

jogos de armar / + 1 lance





descendo mais um lance em espiral da escada, traço rápido um grafite com o sorriso do gato de Alice, enigmático e superficial, simulando um motivo metafísico no que risquei, afastado da arte, pelas paredes. Não, é só da carne que falo, mesmo escondido num mínimo enigma e agarrado ao corrimão no mergulho áspero rumo ao centro inatingível, sem provar qualquer profundidade, luminosa ou não, nas coisas – e a escada vai descendo abrupta e sem volta como viver.