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11.12.14

Coisas pequeninas



Ultimamente olhar pela minha janela pelas manhãs é simplesmente deprimente.... Pronto lá venho eu queixar da neve...


A noite foi movimentada... O vento e a neve faziam das suas e pela manhã sair de casa, era uma aventura. Há dias que me pergunto porque raio decidi emigrar para este país e ainda assim ainda não encontrei uma resposta convincente.... E os anos passam a olhos vistos e os dias passam tão depressa que acabo por me habituar! Custa, mas para nao perder o pouco que tenho de sanidade mental, mais me vale buscar outras coisas em que pensar que não seja a cor branca predominante.


E quando penso, o que é muito usual, a coisa pode complicar-se.... Já andava há um tempo com uma ideia na cabeça para responder ao desafio da Lia, do Lemon and Vainilla, para esta 14ª Ediçao da Bundtmania e, quando me decidi o caos instalou-se entre as minhas neuronas e enquanto não fiz o que idealizei não descansei.


Ora sendo o tema desta Ediçao Frutas Outonais e Especiarias, tinha que ser algo de bonito, aromático, aconchegante, algo que me enchesse a alma, como faria uma lareira no dia de hoje.







Tanto andei, tanto andei, que de marmelos passei directamente a sabores citrícos. Aquilo que era para ser não foi, mas ainda estará por ser.... os marmelos ficam guardados e desta vez o desafio responde-se com uns mini bundts de polenta com laranja e toranja caramelizadas com cardamomo.

O nome da receita é enorme, mas assim é o efeito que provoca!


A receita foi retirada de uma que vi no meu livro The Indulgents Cakes, e na receita original está feita com ameixas. Apesar de que ainda encontro por aqui ameixas, não podia considerar uma fruta outonal e vai daí lembrei-me das clementinas caramelizadas e assim surgiram a laranja e a toranja caramelizada.




Mini Bundt Cakes de Polenta com Laranja, Toranja Caramelizada, e Cardamomo.









Ingredientes:
- 110 gramas de amêndoas torradas e moídas
- 100 gramas de coco ralado
- 125 gramas de polenta
- 1 colher de chá de fermento em pó
- 225 gramas de manteiga sem sal, amolecida e cortada em pedaços
- 220 gramas de açúcar
- 1 colher de sopa de raspa de limão
- 1/2 colher de chá de cardamomo moído
- 4 ovos
- 60 ml de limoncello
- açúcar em pó para polvilhar


Para o caramelo de citrícos:
- Ver a receita do Bolo de Amêndoa e Clementinas Caramelizadas, trocando as clementinas por por uma laranja e uma toranja, e substituindo o sumo das clementinas pelo sumo de uma laranja. Adicionar 4 sementes de cardamomo verde ao mesmo tempo do sumo.
Cortar a laranja e a toranja de maneira a eliminar toda a casca branca e cortar segmentos das mesmas.
Proceder como na receita indicada.


Execução:

Pré aquecer o forno a 170ºC. Untar as formas de mini bundts e reservar.

Juntar as amêndoas, o coco, a polenta e o fermento numa taça.

Bater a manteiga com o açúcar de modo a obter uma massa esponjosa e pálida. Juntar os ovos um a um, mexendo bem entre cada adição.

Juntar a mistura seca e envolver bem. Juntar o cardamomo e o limoncello.

Levar ao forno durante aproximadamente 40 minutos, ou até que o palito saia seco.

Retirar do forno e deixar arrefecer nas formas durante 10 minutos.

Desenformar e deixar arrefecer. 

Servir com o caramelo de laranja e uma colherada de crème frâiche.








Devemos colocar um pouco de caramelo a embeber no bolo antes de colocar a crème frâiche e depois as fatias de laranjas.

Desta maneira permitimos que o caramelo citrico e cheio de sabores, humedeça o pequeno bundt também tão cheios de sabores!

Quando vi a receita, fiquei encantada com os ingredientes da massa e como a curiosidade matou o gato, não descansei enquanto nao experimentei. Ainda assim, a versao original com ameixas, tem que ser experimentada! Ou sim, ou sim!










O mini bundt só deve ser decorado, se for de seguida servido, evitando assim, passar pelo frigorifico por causa da crème frâiche. Se por acaso tiver que ser guardado no frigorífico deve ser retirado momentos antes de servir, para evitar que os sabores fiquem escondidos.


Quase escondidos tive que os meter eu! E como são pequeninos, os miúdos não lhe resistem!


Eu também não lhes resisto, né?

20.5.14

Qualquer coisa bárbaro!!


Olho para o calendário e vejo que passou um mês desde que voltei a trocar de ocupação, trabalho, emprego, aquilo que lhe queiram chamar!

Mas desta vez, com uns dias de repouso antes de começar mais uma nova etapa! E foi nesses dias que a Sibéria, acolheu de braços abertos, aquela que é uma das minhas amigas virtuais. Ou melhor, agora já não é, e mesmo antes, nunca a considerei com tal, porque a sua presença constante na minha vida era tal, que o dia em que nos conhecemos, face to face, foi como as nossas trocas de mensagens.

Pois, falo da Kinhas, quem haveria de ser! Dentro das que tenho é a que está geograficamente mais perto! Como se mil kilometros fossem pouca coisa.... Mas ainda assim e comparada com as outras, é a mais cercana!

Ora visto o não visto, esses dias cá por casa foram um corropio! Os catraios animadissimos porque havia gente nova e eu ainda mais, porque as conversas eram diferentes! E entre cozinhados, sim porque havia que manter o ritual das refeições, e os passeios aquilo pelo sítio, o tempo que estiveram passou a correr!

Foi preciso vir a rapariga, para eu conhecer o Museu da Miniatura! Único no mundo e instalado no lado norte de Andorra! Olhem, mais vale tarde que nunca, e além do mais eu não costumo ficar de férias aqui né? 

Este Museu conta com uma coleção permanente privada do ucraniano Nicolai Siadristy, considerado por muitos o melhor microminiatura do mundo. O museu também apresenta outras coleções sobre a microminiatura.

As exposições sobre microminiaturas contêm fantásticas obras elaboradas à mão a partir de nobres materiais e materiais comuns, como por exemplo a obra de representação dos reis do oriente elaborada sobre um grão de arroz, a representação de uma taberna sobre um grão de sal ou a obra que faz passar uma fila de camelos no olho de uma agulha de coser. A maior parte das obras apenas pode ser observada através de um microscópio!






As fotografias não sei se eram permitidas, mas ainda assim roubei a máquina da Kinhas e fui tirando!!! Adorei as matrioskas! São de um requinte que não podem imaginar! Já para não falar nas micro miniaturas. Eu fiquei boquiaberta, porque jamais pensei que tal fosse possível. Ainda tenho muito que ver e aprender neste mundo.

Como dizia antes foi uma roda viva, o tempo pregou-nos alguma que outra partida, mas não nos impediu que se fizessem umas voltinhas! E ao fim do passeio, por a cozinha estava por nossa conta! Como é óbvio não se experimentaram coisas novas! Eu sim, porque fizemos raclette! Mas não foi coisa que me convencesse e eu continuo a nao ser grande amante de queijos!

Saiu um bundt de Chocolate e uma éspecie de Challah, e para me deixar mal, o raio do Bundt colou na forma, ou pelo menos um pouquinho! O que nao impediu que metade dele, fizesse a viagem de regresso aos Alpes, para saciar a fome dos 2 viajantes!!


Esta minha afinidade com a Kinhas surgiu logo no início deste blog. Se calhar a coincidência de estarmos as duas longe de casa, fez com que nos torná-se-mos mais próximas! E do lado dos Alpes chegaram coisinhas boas! Oh se chegaram! E uma delas chama-se ruibarbo!! Enquanto esteve connosco não o pude preparar e só uns dias depois é que o pude fazer, colocando mãos a mais de uma receita. A que hoje vos deixo é um clássico! De juntar o morango ao ruibarbo, para que a doçura do morango, atenue a acidez desta raíz barbára! Sim, porque a única coisa que se aproveita desta planta, é mesmo o caule! E de preferência que sejam bem firmes e bem rosados! As folhas essas não servem para nada, visto serem altamente tóxicas!

Mas visto o não visto, o que interessa são os caules rosadinhos! E foi isso que fiz! Usar até não poder mais, tendo guardado alguns para próximas receitas! Com parte dele fiz a tarte, o doce de morango e ruibarbo soberbo como diz a minha Lia e, eu confirmo, crumble de maçã, ruibarbo e frutos vermelhos, cuja receita nunca aparecerá, porque como foi a olho e desapareceu numa noite, nem a fotos chegou. Quanto ao doce, sempre podem ver a receita e fazerem, porque não sei quando o poderei publicar por aqui!

Há também versões salgadas, mas essas não me fascinam tanto! Porque será!?!





Depois de muito pesquisar, rendi-me à Galette da Martha Stewart! Não que as outras receitas que encontrei não me fascinassem, mas não queria que a minha primeira experiência com o ruibarbo ficasse mal! Na altura fiz algumas alteraçoes, porque senão ficava sem ruibarbo! É óbvio que quando as faço, aponto, o problema é quando não sei onde ou não sei onde meto o caderno! Isto só eu! Usei uma base de massa brisé à base de polenta, da mesma senhora, que assim que me cruzei com ela, me deixou a salivar!


Galette Rústica de Ruibarbo e Morangos

Ingredientes:

Para a massa:
- 250 gramas de farinha
- 100 gramas de polenta (sémola de milho)
- 1 colher de chá de sal
- 1 colher de sopa de açucar
- 225 gramas de manteiga sem sal, fria cortada em cubos
- 80 - 125 ml de água bem gelada

Para o recheio:
- 300 gramas de ruibarbo cortado em pedaços de 1 cm
- 200 gramas de morangos lavados e cortados
- 100 gramas de açucar
- 1 colher de sopa de essência de baunilha
- 1 colher de sopa de amido de milho (Maizena)
- 1 colher de sopa de sumo de limão
- 30 gramas de manteiga fria cortada em pequenos pedaços
- 1 clara de ovo
- Açúcar mascavado escuro para polvilhar


Execução:
Na receita original a massa é feita com um processador de alimentos. Na falta dele e para este tipo de massa, as quais eu chamo de diabólicas, uso a soqueira, ou então duas facas para evitar tocar muito na manteiga para que com o calor das mãos não derreta.

Numa taça colocamos a farinha, o sal, o açúcar, a polenta e a manteiga fria cortada em cubos. Usando a soqueira, vamos trabalhando a massa de maneira a que a manteiga fique do tamanho de ervilhas. Seguidamente vamos juntando a água, pouco a pouco, até conseguirmos uma massa homogénea.

Dividir a massa em 4 porções e colocar entre película aderente e esticar até obtermos um círculo. mais ou menos 15-20 cm, e 5mm de espessura. Envolver bem cada disco e deixar repousar no frigorifico 1 hora, ou toda uma noite. ( Eu deixei descansar toda a noite)


O recheio deve ser preparado meia hora antes de o usar. Colocando todos os ingredientes numa taça e envolvendo bem, para que desta maneira o ruibarbo e o morango macerem. O facto de ter amido de milho, dar-lhe-á uma coloração rosa claro, mas que depois de cozido não se notará.

Pré aquecer o forno a 180ºC.

Retiramos os discos de massa do frigorífico e deixamos a temperatura ambiente 5 minutos. Colocamos sobre um tabuleiro forrado com papel vegetal e de seguida colocamos o recheio no centro do disco, deixando 4 cm de margem. Depois de distribuído o recheio e o respectivo suco, dobramos sobre o mesmo, a massa restante.






 Distribuir os pedacinhos de manteiga sobre o recheio e pincelar a massa com a clara. Polvilhar com o açúcar mascavado e levar ao forno durante 30 minutos, ou até que a massa esteja dourada.

Retirar e deixar arrefecer. Servir morna ou fria, simples ou com um fio de nata.






Normalmente a massa de uma galette é muito mais frágil que o normal e se a esta lhe juntamos a polenta, ainda o é mais, porque fica muito mais quebradiça. Mas nao se assustem, porque sem PRESSAS, o resultado é perfeito! E se partir um bocadinho qual é o problema? Também não se come inteira! (risos)

E devo acrescentar, que é simplesmente deliciosa!

Enquanto está no forno, é normal que alguns dos sucos comecem a sair, e parece mesmo que se vai desmoronar, mas não! Também é normal!




O que também é normal é que não aguentem muito tempo! Porque o problema é mesmo começar com uma fatia pequenina! E mais se tiverem alguém aí por casa que vos diga enquanto estão no forno: "Oh Mãe, isto cheira bem! Eu quero!!!"






O toquezinho da nata, é dica da senhora Stewart! Simples é perfeita, mas assim pintada de branco, é simplesmente fantástica!

Depois disto, só espero ter mais tempo, para experimentar o que tenho por aqui apontado!

Só espero não perder outra vez o sítio do caderninho!!