Nossa Terra, a dama azul que roda pelo salão do sistema solar, não estava sozinha! Um pequeno vagabundo errante lhe serve de abre-alas há muito tempo, oculto discretamente nas trevas frias do espaço.
Notícia publicada na revista NATURE revela que os astrônomos que estudam as fotos tiradas pelo satélite-observatório espacial WISE, acabam de descobrir o asteroide 2010TK7, o primeiro “troiano” identificado orbitando o Sol enquanto circula à frente da Terra.
“Troianos” são chamados os asteroides que compartilham a órbita de outro corpo celeste, girando em torno de um dos pontos de equilíbrio gravitacional, adiante ou atrás dele. Enquanto sempre precedem ou seguem o planeta, jamais colidirão com ele. Os astrônomos responsáveis pela descoberta afirmaram garantir que a órbita de 2010TK7 permanecerá estável por pelo menos mais 7.000 anos. Ufffa!
No nosso sistema solar, já se sabia que Netuno, Júpiter, Marte e duas luas de Saturno dividiam suas órbitas com asteroides troianos.
A órbita da Terra aparece em azul. O Sol é o círculo amarelo no centro. A órbita de 2010TK7 está em verde. Suas revoluções acompanham a translação da Terra. Se não sofrer interferência de outro corpo celeste, deverá permanecer sem alterações significativas por pelo menos 7.000 anos. (Foto: Nature Magazine)
Cientistas já haviam previsto que a Terra deveria ter troianos, mas que seriam difíceis de ver por seu tamanho relativamente pequeno e por ficarem visíveis durante o dia, próximos do Sol, pelo ponto de vista terrestre.
A descoberta de 2010TK7, uma rocha de aproximadamente 300 metros, foi confirmada posteriormente por observações feitas a partir de um telescópio terrestre no Havaí.
Saiba algumas informações sobre o WISE, o satélite-observatório autor das fotos que permitiram a descoberta do asteroide troiano.
WISE: uma pequena maravilha recheada com tecnologia de ponta e resfriada por um sistema criogênico, que fotografou o espaço durante apenas 14 meses. Mesmo assim, os cientistas acham que valeu a pena. (Imagem:extraída de uma concepção artística da NASA/JPL.)
WISE – Wide-field Infrared Survey Explorer
(Explorador de Busca Infravermelha de Grande Amplitude)
Projeto: NASA e Jet Propulsion Laboratory.
Construtores:
Ball Aerospace, Lockheed-Martin, Space Dynamics Laboratory e SSG Precision Optronics Inc.
Peso: 750 kg
Lançamento: 14-dez-2009 – Base aérea de Vanderberg (Lompoc, Califórnia).
Desativação: 17-fev-2011, quando seu transmissor foi desligado.
Custo da missão: 320 milhões de dólares.
Resumo da missão:
Lançado por um foguete Delta II, o WISE foi colocado a orbitar a cada 95 minutos em torno da Terra, numa distância de 535 km. Sua proposta primária seria mapear objetos cuja luz não fosse visível da Terra, devido ao baixo índice de reflexão, ou à sua absorção pela atmosfera terrestre.
O satélite foi colocado em uma órbita polar, passando por ambos os polos e se mantendo sempre sobre a linha do crepúsculo, de forma a ficar sob a sombra protetora do seu próprio coletor solar, abrigado permanentemente da radiação do Sol.
Como o calor poderia distorcer imagens infravermelhas, seus sensores foram mantidos a uma temperatura de 8° Kelvin (-265° C) por meio de um sistema criogênico que utilizou hidrogênio.
Durante 10 meses, realizou uma busca ampla nos céus com um telescópio infravermelho de 40 cm de diâmetro, captando aproximadamente 1,5 milhão de imagens (uma a cada 11 segundos) em quatro faixas de comprimentos de ondas:
Faixa 1 (3.4 µm): adequada para captar estrelas e galáxias.
Faixa 2 (4.6 µm): detecta radiação térmica de fontes internas em objetos subestelares como anãs marrons (estrelas que não se desenvolveram – em Portugal: anãs castanhas).
Faixa 3 (12 µm): detecta radiações térmicas dos asteroides.
Faixa 4 (22 µm): detecta nuvens de poeira cósmica em locais de formação de estrelas, onde as temperaturas alcançam 70 a 100 graus Kelvin.
(1 µm (micron) = um milionésimo do metro)
Nesta foto batida pelo WISE, 2010TK7 está assinalado pelo círculo verde na parte inferior direita.
(Foto: NASA/JPL - Caltech - UCLA.)
Em outubro de 2010, se esgotou o suprimento de hidrogênio usado como arrefecimento, e as verbas inicialmente alocadas para o projeto. Mas, mesmo com limitações operacionais, o projeto recebeu um reforço de verbas e ainda foi tocado por mais 4 meses, no programa chamado NEOWISE ( NEO de Near-Earth Objects) pesquisando pequenos corpos celestes nas proximidades da órbita terrestre.
Os resultados totais da missão serão publicados em março de 2012, mas sabe-se de antemão que o WISE descobriu mais de 33.500 novos asteroides e cometas, tendo observado mais de 154.000 objetos dentro do nosso sistema solar, até outubro de 2010. Além disto, também foram feitas imagens da Via Láctea e do espaço exterior a ela.
E, de quebra, ainda revelou a presença deste nosso pequeno parceiro de dança, bailando com a Terra no imenso salão espacial.