Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

E se eu me cansar de ficar no céu?

 


E se eu me cansar de ficar no céu?

Larry Libby

Se você está pensando que pode cansar-se ou aborrecer-se de ficar no céu... não se preocupe! Tente imaginar uma coisa comigo. Imagine que você é um passarinho que vive em uma pequenina gaiola feita de metal enferrujado. Dentro da gaiola, há um pratinho de alimento, um espelho pequeno e um minúsculo poleiro para você se balançar.

Um dia, uma pessoa bondosa pega sua gaiola e a leva para uma floresta grande e linda. A floresta é banhada pelos raios do sol. Árvores altas, imponentes, cobrem os montes e vales até onde sua vista consegue alcançar. Há cascatas volumosas, amoreiras cobertas de amoras maduras, árvores frutíferas, tapetes de flores silvestres e um lindo e imenso céu azul para você voar. E, além de tudo isso, há milhões de outros passarinhos...

    pulando de galho em galho

      comendo tudo o que gostam

        criando suas famílias

          cantando a plenos pulmões

            durante o dia inteiro.

E agora, passarinho? Você acha que vai querer continuar dentro de sua gaiola? Acha que vai dizer: "Oh, por favor, não me solte. Vou sentir falta de minha gaiola. Vou sentir falta de meu pratinho com sementes. Vou sentir falta de meu espelho de plástico e de meu pequenino poleiro. Vou me cansar de ficar naquela enorme floresta."

Seria uma tolice, não? Também é uma tolice pensar que não teremos nada para fazer no céu!

 Do livro Histórias para o Coração (org. de Alice Gray)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Uma Igreja que casou-se com o Sistema



 Pastor João A. de Souza Filho


Eu tinha apenas sete anos de idade quando minha mãe aceitou a Cristo numa denominação pentecostal. Lá se vão quase cinqüenta anos! A exigência de se viver um padrão cristão e a disciplina rígida a que nos submetemos desde os primeiros dias da Escola Dominical marcaram nossas vidas.

Hoje consigo perceber os resultados no seio da família: Cansada e numa cadeira de rodas, mamãe não consegue dimensionar o rastro de seu testemunho: 1 filho pastor e escritor, uma filha esposa de pastor e pregadora, seis netos no ministério em tempo integral, afora tantos outros filhos, noras, genros, netos e bisnetos comprometidos em suas congregações com o evangelho de Cristo Jesus!

No decorrer dos anos entendi que o mundo olha para a igreja esperando nela ver um diferencial, um estilo de vida que contraste com o estilo de vida da sociedade.

O mundo costumava ver a igreja sob a ótica do respeito, de vida transformada, de gente diferente, de pessoas de bens - de cujo seio saiam empregados submissos, donde empregadas domésticas eram requisitadas, de gente que pagava em dia suas contas - em que o dono do armazém vendia fiado na caderneta sabendo que receberia seu dinheiro.

No dizer de Pedro, sem amoldar-se às paixões da vida mundana que tínhamos antes de receber a Cristo (1 Pe 1.14). No dizer de Paulo, viver sem conformar-se com esse mundo (Rm 12.2) mostrando ao mundo "como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade" (1 Tm 3.15).

Recordo-me que em 1962 quando a igreja pentecostal foi grandemente perseguida em Porto Alegre pelos meios de comunicação contrários à realização de uma campanha evangelística, um cidadão foi para o rádio defender os crentes. Sua defesa: os crentes eram seus melhores funcionários!

No entanto, no decorrer dos anos a igreja incorporou em seu seio os valores mundanos, a filosofia do mundo, seus modismos, deixando-se levar ao sabor do sistema. Confundiu contextualização com contemporização - não soube trabalhar no contexto da sociedade e acomodou-se à sociedade que ela tanto insiste em mudar.

Ainda hoje o mundo espera ver na igreja o diferencial entre aquilo que frustradamente vive e o que espera encontrar na igreja - e quase não o encontra! Os pastores, antes serviçais, em cujas casas os pobres do bairro encontravam lenitivo e alimento, escassearam!

No lugar desses surgiram pastores sonhadores de riquezas, profetas balaônicos de olho nos presentes de Balaque; ricos, abastados, vivendo em condomínios fechados, alienados da própria membrezia, vivendo na opulência e no fausto. Alguns optaram por uma teologia de prosperidade que contrasta com a simplicidade de se viver o evangelho.

Vivem longe de suas paróquias, enquanto no passado o certo era viver entre os paroquianos, entre as pessoas do mesmo bairro. O pastor outrora tão presente no lar dos fiéis, são vistos de longe, e na imensidão de seus templos parecem figuras minúsculas gesticulando no púlpito, a menos que sejam projetados no telão ou vistos na tela da tevê.

A nova geração de crentes - cujos avós eram tão pobres, mas fiéis - melhorou de vida, subiu socialmente para a classe média e, até mesmo alguns ricos despontaram no cenário evangélico. Membros de igrejas, antes considerados proletariados, prosperaram, e hoje fazem parte da nata industrial e comercial da nação, no entanto, muitos deles se esqueceram dos exigentes padrões bíblicos: tratam seus funcionários da mesma maneira - quando não pior - que os patrões mundanos.

Aliás, alguns empresários que não se confessam cristãos têm ótima reputação dos seus funcionários; por outro lado, alguns crentes sequer querem trabalhar para empregadores evangélicos. Da mesma forma, os empregados evangélicos perderam o respeito e já não se submetem aos patrões como é ensinado no Novo Testamento. Costumam ser piores do que os descrentes.

Para encobrir o que somos, criamos a moda gospel, buscando parecer que o estilo de vida cristã, sua música e mensagem tenham adquirido nova roupagem. Pelo menos existe o charme glamouroso (desculpe-me o pleonasmo) na substituição do termo em português pelo inglês! E a geração gospel vai para a televisão falar de Cristo e do novo nascimento, literalmente sem roupagem alguma!

Mulheres sensuais e seminuas com um palavreado profano - não que queiramos que todos aprendam o evangeliquês - afirmam ser membros dessa ou daquela igreja. Não apenas as mulheres, mas também os homens confundem pelo visual e palavreado a mensagem do evangelho!

Apesar da obscenidade e do mundanismo que repugna o mais vil pecador, seus pastores sorriem e caladamente consentem, afinal o nome de sua igreja e seus nomes podem ser ouvidos pela mídia nacional. Outros, vestindo a roupagem tradicional dos evangélicos, sugam dos pobres o dinheiro e os bens em troca de um compromisso com Deus!

Além destes, surgiram pastores, pregadores e cantores, em todas as denominações, que mesmo sem aquela extravagante aparência, sem as requebradas coreografias e palavreado mundano - mantendo a antiga forma de vestir e o visual tradicional dos crentes - mas que em nada diferem em seu comportamento e moral daqueles que não conhecem a Jesus, nem por ele foram transformados, agregam-se à classe vil protagonizada por Jezabel e Balaão.

Seus cachês são os mais altos e seu comportamento, pior! São pessoas que, mesmo mantendo a postura evangelical, a aparência tradicional, repito, encaixam-se perfeitamente no perfil traçado por Pedro e Judas (2 Pe 2.10-22 e Jd 8-16).

A opção de ser crente, de ser um fiel discípulo de Jesus - às vezes uma decisão difícil sabendo-se que há um preço a ser pago em seguir a Jesus - já não é levado em conta por boa parte dos que se dizem cristãos, por pessoas que dão péssimo testemunho, pois seu comportamento no campo de sua atividade profissional contradiz seu palavreado e suas afirmações de fé. E isso vai do carpinteiro ao artista, da empregada doméstica ao famoso atleta, do estudante ao político.

Algumas igrejas parecem ter perdido o rumo. A quantidade de divórcios entre seus membros é testemunha gritante de como o evangelho diluiu-se no meio de uma sociedade paganizada. A santidade de alguns jovens que se propõem viver castos até o casamento é motivo de chacota no seio da própria congregação.

À essas igrejas, aos seus pastores, cantores, líderes e políticos cristãos, o profeta ergue a voz em protesto!

A mensagem de Amós precisa ecoar novamente na igreja, pois tem uma palavra de alerta aos membros da comunidade da fé. Ele não apenas diria "afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias da tua lira" (Am 5.23), acrescentaria:

"Afaste de mim o palavreado das mensagens que você prega, pois fecho os ouvidos quando você sobe no púlpito; cerro os olhos para não ler o que você escreve; detesto quando você menciona o meu nome; sua música é muito linda, sua banda é perfeita, sua voz belíssima, mas o som de sua melodia chega aos meus ouvidos desafinado pelo estilo de vida perverso que você tem; o cheiro que você exala provoca-me náuseas...".

Amós clama pelas ruas:

"Vocês oprimem o pobre e o forçam a dar-lhes trigo" - (Am 4.11), isto é, sugam dos pobres todo o dinheiro que eles têm para satisfazer os desejos pessoais de vocês, para construir suntuosas catedrais e comprar aptos. e terras. "Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais" (4.12b), isto é, vocês os mantêm sob o jugo da autoridade, ameaçando-os e intimidando-os com a possibilidade de exclusão pública do rol de membros. A opressão da vara do pastor, de todas, é a pior!

Amós clama na igreja:

"Vocês se deitam em camas de marfim e se espreguiçam em seus sofás" (6.4), enquanto os pobres da igreja dão duro e trabalham; enquanto seus obreiros andam em ônibus lotados, à pé, suando para fazer a obra de Deus, vocês como líderes, do alto de sua autoridade, descansam no sofá repassando um a um as centenas de canais de tevê, deleitando-se em viagens, dormindo nos mais caros hotéis e freqüentando os shoppings da moda.

Ele diz aos cantores e grupos que cobram altos cachês para se apresentarem nas igrejas:

Vocês "dedilham suas liras como Davi e improvisam em instrumentos musicais" (Am 6.5), mas não têm o coração de Davi; buscam, isso sim, seu próprio bem-estar e, depois de cantarem e louvarem nos cultos das igrejas ou nos festivais, fecham atrás de si as portas do quarto de hotel e deleitam-se na fartura da melhor comida e das bebidas mais caras, quando não em orgias sexuais!

"Vocês bebem vinho em grandes taças - não apenas vinho mas toda sorte de bebidas caras e finas nas festas de gente ímpia que detesta o nome de Cristo - e se ungem com os mais finos óleos - têm aparência de possuir grande unção e poder, confundem poder e unção com habilidade e profissionalismo; fazem do ministério seu ganha-pão - mas não se entristecem com a ruína de José - isto é, vocês não choram, nem clamam, nem jejuam, nem se importam com a ruína da igreja e do mundo! Pensam apenas em vocês mesmos!" (Am 6.6).

A bússola da verdade deve urgentemente ser consultada para que a igreja ande na rota traçada por Deus! Quando isso acontecer, o mundo voltará a olhar a igreja como uma sociedade séria, diferenciada; como sociedade que tem rumo próprio.

Políticos evangélicos, firmem-se na verdade, pois o mesmo Deus que vocês alegam que servem, haverá de sacudir os fundamentos da estrutura política, como tantas vezes o fez, expondo-lhes à ignomínia. A mídia que vocês tanto amam é laço que lhes prenderá os pés; mordaça que lhes impedirá de falar; espinho que lhes cegará os olhos - essa mesma mídia impedir-lhes-á a caminhada, mas por certo, se vocês tiverem temor de Deus, haverão de se firmar no Senhor, servindo-lhe e apenas a ele de todo o seu coração!

"Ouçam esta palavra, vocês (...) que estão no monte de Samaria - Os políticos. Vocês que estão em posição de autoridade, nas casas do povo - vocês que oprimem os pobres e esmagam os necessitados - cujos altos salários contrastam com o pobre salário mínimo, e com o baixo reajuste salarial dos velhos e velhas aposentados, vocês que dizem - tragam bebidas e vamos beber - isto é, que vivem em festas, no meio da fartura" (Am 4.1). Ganham altos salários para fazer pequenos discursos nas Assembléias e Câmaras do povo. Até quando suportará Deus o hálito das festas e da embriagues?

As eleições estão chegando e teremos que suportá-los novamente bafejando o odor do mundo de Maquiavel sobre os púlpitos de nossas igrejas! Será insuportável, uma vez mais, observar pastores, cantores e líderes seguindo o curso do mundo governado pelo diabo - seguindo a carreira do mundo!

Que Deus tenha misericórdia de nós e abra-nos os olhos para enxergarmos na sua bússola o Norte a seguir. Que a igreja volte a andar no caminho da santidade e se diferencie do mundo ao seu redor!


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Ele queimou a santa, ou: Aprenda a valorizar o homem

 


Ele queimou a santa, ou: Aprenda a valorizar o homem

Numa fria noite de inverno, um asceta errante pediu abrigo em um mosteiro jesuíta, instalado no sopé da cordilheira do Himalaia. O pobre homem tremia de frio na neve, por isso o prior do mosteiro, embora relutasse em deixá-lo entrar, disse:

– Muito bem, pode ficar, mas só por esta noite. E deve dormir no pátio, pois não há lugar vago no interior do mosteiro; nós somos um mosteiro de clausura, e pessoas estranhas não podem adentrar nossas portas. Tome esta pele de iaque, cubra-se com ela. Pela manhã terá de ir embora.

Na calada da noite, o sacerdote ouviu um estranho barulho crepitante. Correu ao pátio do mosteiro e deu com algo inacreditável: o estranho se aquecendo em uma fogueira que acendera e... estava faltando a estátua de um santo de madeira!

O sacerdote perguntou, aflito:

– Onde está a estátua?

O andarilho apontou para a fogueira e disse:

– Pensei que este frio fosse me matar... Não havia lenha no pátio; toda a construção é feita de pedra e alvenaria. Eu estava tremendo demais. Temi a morte.

O sacerdote gritou:

– Ficou louco?! Sabe o que fez? Era uma estátua de Santa Edwiges! Sacrilégio! Você queimou uma santa!

O fogo se extinguia aos poucos. O maltrapilho olhou para as chamas e começou a remexer nelas com o cajado.

– O que está fazendo agora?! – vociferou o sacerdote.

– Meu senhor, estou procurando os ossos da santa que você diz que matei.

– Maldito! Essa imagem era sagrada, e você cometeu uma grande ofensa contra a santa e contra todos neste mosteiro!

– Me perdoe; achei que era apenas um boneco de madeira, e há aqui tantas estátuas... Acreditei mesmo que este lugar fosse uma fábrica delas, já que há tantos homens dentro dessas portas, e não pude imaginar outra ocupação para tantos homens ficarem reunidos e selados. Rogo seu perdão. No entanto, sua religião me surpreende: Valoriza uma estátua morta mais que a um homem vivo.


Recriada a partir de uma fábula oriental, encontrada no livro Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Por que males acontecem ao cristão? – Stanley Jones

 



Um terremoto na Índia derrubou o edifício de uma missão e deixou de pé, na vizinhança, um prostíbulo. Em Berma, um terremoto tremendo abateu tudo na localidade, mas deixou intacta a casa de um cristão — e considerou-se isto um ato da Providência. Mas, que se poderá dizer quanto aos casos que não se dão dessa maneira? Responder a esse problema com os cristãos providencialmente poupados, deixa-nos num caminho que conduz à morte, pois não é operante na vida.

Considerem-se as consequências, se acontecesse de outra maneira. Se fosse possível provar-se que, ao sobrevirem a dor e o sofrimento o cristão seria infalivelmente poupado, o resultado seria a degradação do Cristianismo. As multidões afluiriam às igrejas e aceitariam o Cristianismo e sua proteção como se obtivessem, assim, uma apólice de seguro contra fogo. Isto seria também degradar o cristão, pois ele não teria a disciplina que provém de viver em um universo regido por leis imparciais. Não precisaria lutar com as forças impessoais e imparciais da natureza, com as quais se formam a acuidade mental e a força do caráter e por meio das quais ele é aparelhado mental, espiritual e fisicamente, para sobreviver. Esta isenção seria sua ruína. Além disso, sua religião havia de degenerar em magia. Ele a usaria como um talismã, tornar-se-ia tão perniciosa como um costume nas Filipinas de levarem os estudantes, nas vésperas dos exames, as suas penas para os sacerdotes as abençoarem, sendo-lhes, assim, assegurado o sucesso na prova a que se submeterão. Isto enfraqueceria sua fibra moral e mental.

Uma senhora me pediu com toda seriedade que eu orasse para ser premiado o seu bilhete nas corridas do Derby; se eu orasse, acrescentou ela, e o bilhete fosse premiado, "dividiria metade da importância com a igreja". Repliquei que oraria para ela ter um novo conceito da religião em geral e do Cristianismo em particular.

O Cristianismo não é magia, mas revelação moral, cujo objetivo é a formação do caráter e não salvar os fiéis, em situações especiais, do poder das leis dos fenômenos físicos. Um diretor que matriculasse o filho na sua própria escola e o dispensasse dos trabalhos escolares e das penalidades, faria um mal verdadeiro grave a ele mesmo, ao filho e à escola.


Trechos extraídos do livro Cristo e o Sofrimento Humano


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Um Filho que causou tantas lágrimas – Santo Agostinho e os filhos desviados

 


Ruth Bell Graham

 

Santo Agostinho não foi sempre uma pessoa piedosa. Sua mãe, Mônica, ensinou-lhe as doutrinas do Cristianismo e orava por ele, mas a mente incrível de seu filho a deixava atormentada. Certo dia, quando era adolescente, ele avisou que estava abandonando sua fé em Cristo para seguir unia heresia moderna! Passou a ter uma vida imoral. E Agostinho nunca fez as coisas pela metade. Foi o melhor e o primeiro aluno no colégio e tornou-se o melhor e o primeiro nas festas mundanas da juventude.

 

Eu não conseguia distinguir a diferença entre o claro brilho da afeição e a escuridão da luxúria... Eu não conseguia permanecer dentro do reino da luz, onde a amizade liga uma alma a outra... E, assim, eu poluí o riacho da amizade com as águas imundas da luxúria.

 Não dei ouvidos ao clangor dos grilhões de minha mortalidade, ao castigo do orgulho que existia em minha alma, e afastei-me de Ti, e Tu me deixaste sozinho. Fui atirado de um lado para o outro, vivi de maneira dissoluta e desregrada, mergulhei fundo em minhas fornicações, e Tu preservaste a Tua paz, oh, Tu, minha alegria tardia!...

 

Cada um de nós tem uma maneira própria de pecar. Alguns se deixam enganar porque seu pecado é socialmente aceitável; afinal, aquele pecado não é tão grave assim. Outros sofrem as consequências porque seu pecado não é aceito pela sociedade; vão parar na cadeia ou são desprezados pelas pessoas que costumavam chamá-los de amigos. A história de Agostinho é igual à nossa:

 

A perda da fé sempre ocorre quando os sentidos começam a despertar. Nesse momento crítico, em que os instintos naturais afloram, na maioria das vezes a consciência das coisas de natureza espiritual fica ofuscada ou totalmente destruída. Não é a razão que afasta o jovem de Deus; é a carne. O ceticismo só serve para criar desculpas para a nova vida que ele está levando.

 

Mônica, contudo, continuou a orar. Orava pelos pecados e pela heresia do filho. Orava pela luta do filho com Deus. E Agostinho sabia disso.

 

Passaram quase nove anos, nos quais eu chafurdei na lama do mais profundo abismo e na escuridão da hipocrisia... Durante todo esse tempo, aquela viúva casta, piedosa e sensata... não cessou de orar a Ti, suplicando em meu favor. E suas orações chegaram à Tua presença; contudo, Tu continuaste a permitir que eu me envolvesse cada vez mais naquela escuridão.

 

Aqueles anos não foram fáceis para Mônica. Qualquer mãe que tenha um filho perdido na escuridão sabe disso. Foram anos de sofrimento. Finalmente, ela recorreu ao bispo, um homem devoto que conhecia muito bem a Bíblia, e pediu-lhe que conversasse com Agostinho para apontar seus erros. O bispo recusou-se. Naquela época, Agostinho tinha a fama de ser um ótimo orador e debatedor.

Em vez de conversar com Agostinho, o bispo dirigiu sábias Palavras de conforto a Mônica, dizendo que uma mente tão inteligente como a de seu filho enxergaria o caminho certo por meio das decepções. Citou o próprio exemplo — ele havia sido maniqueísta.

Mônica não se sentiu confortada com aquelas palavras. Continuou a implorar ao bispo em meio a rios de lágrimas. Finalmente,cansado diante da tenacidade daquela mulher e, ao mesmo tempo, sem saber o que fazer diante de tanto sofrimento, o bispo disse:

 - Vá, vá! Deixe-me em paz. Continue a viver sua vida. Não é possível que um filho, que lhe causa tantas lágrimas, possa se perder.

Palavras ásperas entremeadas de bondade e compaixão.

O filho rebelde continuou a fugir de sua mãe e de Deus. Fugiu durante muitos anos. Um dia, porém, Agostinho deu ouvidos a Santo Ambrósio, bispo de Milão, o religioso mais conceituado da época. Exausto depois de tantos anos de fuga, convicto e quebrantado, Agostinho arrependeu-se e aceitou Jesus.

Segundo os historiadores e estudiosos cristãos, Santo Agostinho modificou o curso da História. Suas obras foram e continuam sendo mais lidas do que as de quase todos os outros autores ao longo dos séculos. Ele também é capaz de falar à geração atual, como que transmitindo uma mensagem de coração para coração. Santo Agostinho levou a bom termo as esperanças e as orações piedosas de sua mãe. Alguns dizem que ele foi uma ferramenta usada por Deus para manter acesa a chama do Novo Testamento quando o Império Romano desmoronou.

Pouco tempo depois que o Filho Pródigo voltou para casa, sua mãe lhe disse que não tinha mais motivos para viver. Passara a vida inteira desejando vê-lo voltar e aceitar Jesus. Nove dias depois, ela morreu.

O pai do Filho Pródigo do livro de Lucas estava tão ansioso por ver o filho retornar que o avistou quando "vinha ele ainda longe". Mônica fez o mesmo. Ela o seguia de longe enquanto ele fugia; reclamava de seus modos rebeldes quando ele voltava para casa. Nunca parou de orar pelo filho que lhe causou tantas lágrimas.

Agostinho aprendeu com ela uma lição que muitos filhos pródigos têm aprendido a respeito de nosso Pai celestial: "A única maneira de um homem se perder é afastando-se de Ti; e, se ele afastar-se de Ti, para onde irá? Ele só poderá fugir de Tua misericórdia rumo à Tua ira."'

Deus deseja ardentemente mudar as pessoas, afastando-as do foco de sua ira e levando-as em direção à sua misericórdia. É terrivelmente penoso ver um filho ou uma filha escolher o próprio caminho e segui-lo, mas devemos fazer o mesmo que a mãe de Agostinho. Foi assim que Jesus nos ensinou. Espere por eles, ore por eles e nunca pare de orar por eles. E, depois, olhe para a estrada com esperança. Talvez você possa ver seu filho, aquele que lhe causou tantas lágrimas, surgindo em meio a uma nuvem de poeira no horizonte.

 Do livro Histórias Para o Coração, de Alice Gray (org.).


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O Ganso que amou o mundo das Galinhas - Uma ilustração missionária

 

O Ganso que amou o mundo das Galinhas

 

Em certa fazenda, um homem dedicava-se à criação de galinhas (frangos) de corte. Suas instalações eram famosas em toda a região, pela limpeza e conforto proporcionado às galinhas, sendo a fazenda detentora de vários prêmios e certificações.

Além das galinhas, criadas presas em amplos galinheiros, o fazendeiro mantinha um pequeno bando de gansos. Criados soltos, o objetivo dos mesmos era a vigilância e a guarda da propriedade. É conhecida a capacidade de alerta e até mesmo de ataque dos gansos, usados por isso como verdadeiros cães de guarda.

Mas um daqueles gansos, afastando-se de seu bando, se perdia por muitas vezes, observando o cercado das galinhas. A ração dele era oferecida uma única vez ao dia, em pequena quantidade; a ração das galinhas era farta, e disponível o dia inteiro. Nos dias de chuva ou de sol inclemente, ele precisava procurar abrigo sob árvores ou em cantos de muro; as galinhas estavam protegidas, e até a temperatura de seus criatórios, seguros e à sombra, era controlada, com ventilação nos dias de calor. Ele marchava sobre lama e solo seco, testando as patas contra pedras pontiagudas; as galinhas se esfalfavam sobre macia serragem de madeira, que se sobrepunha a um piso de alvenaria, liso e regular.

E aquele jovem ganso passou a dedicar seus dias, ao invés de andar pela propriedade com seus irmãos, a circundar os galinheiros, observando pelas telas de arame, e tentando mesmo entrar neles a cada vez que a porta era aberta para a entrada ou saída de funcionários. O prolongar daquele comportamento divertiu o fazendeiro, que resolveu um dia deixar o ganso entrar num daqueles espaços. Uma vez dentro, o animal rapidamente avançou para os cochos de ração, e não foi sem prazer que percebeu que a ração das galináceas, além de milagrosamente farta, era bem mais gostosa que a sua. As aves de início se espantaram com aquela presença. Mas, logo, percebendo que o ganso não era hostil ou ao menos viril como os demais dos gansos, se acostumaram com aquele folgazão.

Os dias se passaram, e a ave não demonstrava sinal algum de que desejava sair daquele espaço confinado, porém tão agradável.

Após o transcurso de seis meses, dezembro se apresentou, e com ele as festas de fim de ano. Muitas das galinhas foram levadas para o abate, dias antes – era afinal uma criação de corte, e não de poedeiras de ovos. O ganso observava aquela movimentação com certo espanto, assim como as demais galinhas que ficaram no galinheiro.  De toda forma, ele relaxou: O que quer que tivesse acontecido com as galinhas levadas, ele estava livre, afinal não era galinha, eleito que era de uma outra e melhor espécie. Ficara em paz com o que restara das galinhas, menores e mais magras – ou seja, seu domínio sobre o cocho de ração seria ainda mais absoluto.

Em véspera de Natal, a matriarca daquela grande família, sabendo de todos os filhos e netos que viriam da cidade e até do exterior para a grande confraternização familiar, resolveu apanhar algumas das aves da criação para o preparo da ceia. Ao adentrar o espaço, com surpresa notou que a maior e mais gorda ave do recinto era... um ganso. Tomou aquilo como um sinal da Providência – uma carne diferenciada e que daria um imenso assado, digno de figurar no centro das melhores das mesas!

Pego pelo capataz, a mando de sua patroa, o ganso de repente entendeu sua situação. Enquanto esperneava suspenso, tendo o pescoço e as duas asas manietadas, podia observar de um lado os nababescos cochos de ração, a melhor ração que já provara em sua breve vida; de outro lado, o de fora, pôde fixar a vista nos campos à distância, e divisar, na linha do horizonte daquela imensa fazenda, seu bando de irmãos, os outros gansos, marchando pela relva, atentos e barulhentos, cumprindo sua rude, porém nobre missão. E ele se lembrou de sua designação, de sua comissão naquele sistema de coisas, naquele universo dito a fazenda. Invejando a sorte das galinhas, agora compartilhava de seu destino, do alto preço por toda aquela ração, sombra e conforto.

 

*   *   *

 

Não inveje os sem-missão. Pior: Não inveje os que perecem. Não inveje o tolo que é mimado e engordado, em segurança e conforto, para o abate e o fogo. Tua função é guardar, atento e audaz, os campos do Senhor, e revirar o solo em busca de almas perdidas.


Sammis Reachers

domingo, 27 de julho de 2025

O pensamento de Stanley Jones em 450 Citações: Novo e-book gratuito

 

Eli Stanley Jones (1884—1973) foi um missionário protestante, teólogo e autor norte-americano que dedicou sua vida ao trabalho evangelístico na Índia. Stanley chegou a ser chamado por veículos de mídia de “o maior missionário do mundo”, mas definia-se a si mesmo como um evangelista. Seu esforço de contextualização e promoção do cristianismo entre culturas orientais e seu ímpeto em busca da unidade cristã em prol da Grande Comissão encantaram e mobilizaram a muitos, não sem escandalizar a alguns. Sua luta contra o preconceito racial e social transcendeu fronteiras e religiões, influenciando líderes como Martin Luther King Jr., que se inspirou em sua biografia de Gandhi — de quem Jones fora amigo — para adotar a não-violência no movimento dos direitos civis.

Seus muitos livros — mais de 25 títulos —, alguns dos quais best-sellers, redundaram em lucros revertidos para a obra. Fiel aos preceitos de John Wesley, Jones foi incansável em pregar, em doar, em arder. Pregou mais de 60.000 sermões durante sua vida. Estadista do Reino de Deus, Jones foi um cristão global de fato e direito, décadas antes deste termo fazer sentido.

Num tempo (ou numa sucessão de séculos!) de tantos teólogos preocupados apenas com o teologar, seguros em suas cátedras, púlpitos e urbes, sem maior ou ao menos inteiro compromisso com a Grande Comissão — observe a sua estante, é o caso de mais deles do que você imagina — o exemplo colossal de Jones é um modelo a ser admirado e replicado, se tivermos almas à altura do chamado que pesa sobre todos nós.

Neste e-book GRATUITO, apresentamos um apanhado do pensamento de Jones, na forma de 450 trechos (citações), coligidos de diversos de seus livros.

LEIA E COMPARTILHE!

PARA BAIXAR SEU E-BOOK PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


O e-book também está disponível em:

Google Play, AQUI.

Scribd - AQUI.

Slideshare - AQUI.


segunda-feira, 5 de maio de 2025

O segredo da Oração do Pai Nosso - Stanley Jones

 


Jesus “estava orando em particular, e com ele estavam os seus discípulos” (Lc 9.18). “Em particular” e seus discípulos “com ele”. Fisicamente eles estavam juntos, mas, na verdade, estavam separados. Ele tinha um segredo que os discípulos não partilhavam, e o segredo era a oração. Ele orou e ele era poder; eles não oravam e não tinham poder. Ele estava sempre são; eles estavam sempre doentes de si mesmos e dos outros. Jesus era magistral, passando de uma tarefa à outra; os discípulos se atrapalhavam com as tarefas mais simples. O menino endemoninhado tinha um quadro mais forte de possessão demoníaca do que os discípulos tinham de “possessão divina”, por isso eles não puderam resolver a situação (Mt 17; Mc 9. Eles não eram “possuídos” por Deus, porque não eram “possuídos” pela oração. Assim, pediram a Jesus que compartilhasse o seu segredo: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11.1). E ele lhes ensinou o Pai-Nosso, que seria melhor chamado “Oração dos Discípulos”. É a essência da oração correta.

A oração divide-se em duas partes: o lado de Deus e o lado do homem: (1) “Pai nosso, o teu nome, o teu Reino, a tua vontade”; (2) “Dá-nos, perdoa. não nos deixes cair, livra-nos” (Mt 6.9-13). A primeira parte é o Realinhamento e a segunda, o Resultado. Na primeira parte, realinhamos a vida ao nosso Deus, ao nome de Deus, ao reino de Deus, à vontade de Deus. Na segunda parte, obtemos o resultado: Deus nos dá, nos perdoa, não nos deixa cair, nos livra. Estas são as batidas alternadas do coração da oração: Realinhamento/Resultado, Realinhamento/Resultado. E cada lado da batida cardíaca é igual: quatro aspectos para o Realinhamento e quatro para o Resultado. Em outras palavras, você obtém maior Resultado à medida que houver maior Realinhamento. Quanto mais você realinhar seus propósitos aos propósitos de Deus, mais resultados você obterá. A ênfase, então, deve ser dada ao Realinhamento, e o Resultado será consequência por si só. Se você está sempre olhando para os resultados, está tomando o lado errado das coisas. Olhe para os meios, e os fins cuidarão de si mesmos. [...] Aprenda a primeira parte do Pai-Nosso, e a segunda parte será consequência.


Stanley Jones, no devocionário O Caminho (Ed. Ultimato)


domingo, 20 de abril de 2025

NÃO POSSO DIZER “PAI NOSSO" SE...

 


NÃO POSSO DIZER “PAI NOSSO...”

 

Não posso dizer “Pai nosso”, se não demonstro este parentesco em  minha vida cotidiana.

Não posso dizer “que estás nos céus”, se estou tão ocupado nas coisas da terra que não tenho tesouros lá.

Não posso dizer “santificado seja o teu nome”, se eu, que sou chamado por seu nome, não sou santo.

Não posso dizer “venha o teu reino”, se não estou fazendo todo o possível para apressar a sua vinda.

Não posso dizer “seja feita a tua vontade”, se me oponho, se ressinto, ou se desobedeço à sua vontade para mim.

Não posso dizer “assim na terra como no céu”, se não estou disposto a dedicar minha vida ao seu serviço.

Não posso dizer “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”, se vivo de experiências passadas ou se sou egoísta.

Não posso dizer “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, se guardo rancor contra alguém.

Não posso dizer “não nos induzas à tentação”, se deliberadamente me exponho à tentação.

Não posso dizer “livra-nos do mal”, se não estou preparado para travar a batalha espiritual com a arma da oração.

Não posso dizer “teu é o reino”, se não dou ao único grande Rei a obediência leal de um súdito disciplinado.

Não posso dizer “teu é o poder”, se temo o que me possa fazer o homem, ou o que possam pensar os meus vizinhos.

Não posso dizer “tua é a glória”, se busco a minha própria glória.

Não posso dizer “para sempre”, se o meu horizonte está limitado pelas coisas temporárias.

Não posso dizer “amém”, se o meu coração não tem dito amém à sua vontade em todas as áreas da vida.

 

Extraído de Mananciais no Deserto II

segunda-feira, 3 de março de 2025

Imagens cristãs de BOM DIA para você compartilhar em suas redes sociais

 

Aqui apresentamos diversas imagens de BOM DIA que criamos, com versículos ou frases cristãs edificantes. Copie/salve em seu aparelho, e compartilhe!



















Arsenal do Crente


sábado, 1 de fevereiro de 2025

A recente morte de um membro precioso do Reino de Deus



Nossa igreja está de luto, pois faleceu nesta semana um dos nossos membros mais valiosos, a nossa mui querida irmã Outra Pessoa.

A morte da irmã Outra Pessoa cria uma lacuna que será difícil de preencher. Outra Pessoa esteve conosco por muitos e muitos anos, e em todos esses anos ela fez mais do que qualquer pessoa normal poderia fazer.

Toda vez que tinha um trabalho precisando ser feito, como ensinar na classe de crianças, participar de uma reunião, discipular, visitar, uma voluntária logo estava na lista de todo mundo, e a primeira coisa que se dizia era: “Deixe Outra Pessoa fazer”.

Era Outra Pessoa quem limpava o chão, quem arrumava as cadeiras, quem recebia os visitantes na porta, quem ajudava a servir a Santa Ceia, etc.

Sempre que qualquer atividade de liderança era mencionada, esta mulher maravilhosa era procurada para inspiração, bem como para se responsabilizar pelos resultados: “Outra Pessoa pode trabalhar com esse grupo”. “Outra Pessoa pode cuidar desses detalhes”.

Todo mundo sabe que Outra Pessoa era a dizimista e ofertante mais fiel dessa igreja. Toda vez que um desafio financeiro era levantado, um projeto era lançado, um missionário enviado, todos já assumiam como certo que Outra Pessoa iria dar mais do que todos, fazer a diferença, completar o que faltava.

Outra Pessoa era uma criatura maravilhosa, algumas vezes parecendo sobre-humana. Mas a grande verdade é que todo mundo esperava demais de Outra Pessoa.

Agora, meus queridos, Outra Pessoa se foi! Contudo, a grande pergunta é: o que vamos fazer agora?

Outra Pessoa deixou um exemplo maravilhoso a ser seguido, mas, quem vai seguir o seu exemplo? Quem vai fazer as coisas que Outra Pessoa fazia? Quem vai assumir todas as suas funções?

Portanto, se você quer fazer alguma coisa em homenagem a Outra Pessoa, ainda está em tempo, mesmo que ela esteja morta e enterrada, no seu merecido descanso. Quando alguém lhe pedir para ajudar em alguma coisa na igreja, lembre-se -não podemos mais depender de Outra Pessoa.

Autor desconhecido / Ivanildo Gomes – Dinâmicas, quebra-gelos e ilustrações

 Disponível no livro Almanaque do Mobilizador Missionário. Baixe gratuitamente seu exemplar AQUI.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

15 breves reflexões sobre Jesus Cristo, por Sammis Reachers



Jesus encarnado é a quebra da meta-alteridade de Deus, o infinitamente inapreensível tornado infinitamente ao lado.

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Quanto mais acumulo quer riquezas quer dívidas, amigos ou opositores, decepções ou alegrias, e experiências com os anos de vida, mais percebo que, estando cheias ou vazias minhas despensas, para tudo, sobretudo e contra tudo, Jesus é tudo o que tenho.

Sou um cristão e, deixados os eufemismos no capacho, isso significa que não há um centímetro do corpo de Cristo que eu não tenha apunhalado, e persista em perfurar novamente, num vai-e-vem tragicômico de crimes e arrependimentos. Cada segundo de respiração minha é um absurdo, uma explosão milagrosa, cataclísmica, de perdão e graça. Kierkegaard falava com razão que a fé verdadeira exige um salto para o absurdo, e a loucura da cruz, do Deus apunhalado, é esse absurdo.

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi, o melhor dos homens?

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi galileu?

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Eu não sei quem eu sou, mas Cristo, sei bem quem tu és. E sabendo quem és, em ti encontro quem sou.

 *   *   *

Às vezes pode ser cansativo, algumas vezes até irritante, e vezes há que até mesmo, sim!, é humilhante.

Mas nada se compara ao suportado pelo CORDEIRO.

ELE é digno. No dia mau, na crise, quando não puder suportar sequer a expressão do próximo, ou quando não puder suportar sequer o seu próprio rosto no espelho, olhe nos imutáveis olhos do Cordeiro. Apanhe força, arranque-a da Fonte.

Continue seu combate, seu serviço, sua missão.

 *   *   *

Maria busca a máscara chamada filhos; João, a máscara dita paz. Antônio a máscara poder, Marcela a máscara fama. Desmascaradas suas fragilidades, o que todos buscam é por redenção. E só o Cristo, aquele que ressuscitou, a possui e a dá, graciosamente, a quem lhe pede.

 *   *   *

Somos deuses suicidados, ressuscitados por Deus que por nossas mãos se suicidou.

“A palavra da cruz é loucura para os que perecem”.

 *   *   *

Deixar de compartilhar a verdade com medo de magoar o ouvinte, é acabar magoando a verdade.

E a verdade não é uma relatividade ou generalidade, mas uma singularidade, um ‘norte’ fundacional para todas as coisas. Ao fim e ao cabo, a verdade é uma pessoa: Cristo, de onde toda verdade emana.

 *   *   *

Há rei que peça que você mate; há Rei que peça que você morra. Inevitavelmente um desses dois vai definir seu estar e seu porvir. O que lhe solicita que morra é na verdade Senhor da Vida, e a dará a você, a Vida além do tempo, além do calculável. O que ordena que você mate, ao fim e ao cabo nada pode, senão morrer contigo, e arrastá-lo para compartilhar para sempre de seu castigo, o castigo dos usurpadores. Pois só existe um Rei.

 *   *   *

Em Cristo as genealogias são pó, assim como é pó toda honra obtida ao largo da cruz.

 *   *   *

Toda rota que não leva a Cristo é rota de colisão.

 *   *   *

Descobrir que Jesus existe,

Descobrir quem Ele é:

Eis tudo.

_________________________________

Sammis Reachers

Outras frases e reflexões do autor podem ser encontradas no pequeno e-book gratuito Sabenças & Sentenças da Missão. Para baixar o arquivo do livro, CLIQUE AQUI.


domingo, 1 de dezembro de 2024

Uma paráfrase de Natal baseada em 1 Coríntios 13.1-13


Uma paráfrase de Natal baseada em Coríntios 13.1-13.

Autor desconhecido

 

- Ainda que eu repetisse a história do Natal e cantasse os seus hinos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou o sino que tine.

- Ainda que eu recebesse numerosos presentes de Natal e conhecesse o seu valor monetário; e ainda que cresse na celebração da festividade do Natal em meio a dias incertos e tenebrosos e não tivesse amor, de nada serviria.

- E ainda que eu distribuísse presentes de Natal aos pobres e entregasse o meu corpo às intempéries do tempo para ajudar aos necessitados e não tivesse amor, de nada me aproveitaria.

Especialmente no Natal, o Festival do Amor, o amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso, o amor não trata com leviandade, o amor não se ensoberbece.

Embora o Natal traga consigo as suas tentações, o amor não trata com indecência; não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas alegra-se com o amor de Deus manifesto em Cristo, o Senhor!

Este maravilhoso amor de Deus, derramado sobre o mundo, através do Menino de Belém, faz com que possamos tudo sofrer, tudo crer, tudo esperar, tudo suportar.

O amor jamais se acaba: ainda que haja pinheirinhos de Natal, estes morrerão; ainda que haja enfeites multicores, estes perecerão; ainda que haja gritos alegres de crianças, estes cessarão.

Porque estas coisas são apenas a manifestação terrena da alegria do Natal, mas quando o Natal vier, então o que é imperfeito será aniquilado.

Quando eu era criança, compreendia o Natal como criança, pensava a respeito do Natal como criança, mas quando me tornei homem, libertei-me das minhas ideias fantásticas sobre o Natal.

Porque agora vemos apenas de relance a beleza do Natal, mas então o veremos em toda a sua glória. Agora eu conheço em parte o significado deste dia, mas, então, conhecerei o Natal, assim como eu mesmo sou conhecido.

Por ora, ficam a fé, a esperança e o amor, estas três; mas a maior é o amor.


In Perto Está o Senhor – Para celebrar o Natal. Organização de Dorothea Wulfhorst (Ed. Sinodal).