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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

E se eu me cansar de ficar no céu?

 


E se eu me cansar de ficar no céu?

Larry Libby

Se você está pensando que pode cansar-se ou aborrecer-se de ficar no céu... não se preocupe! Tente imaginar uma coisa comigo. Imagine que você é um passarinho que vive em uma pequenina gaiola feita de metal enferrujado. Dentro da gaiola, há um pratinho de alimento, um espelho pequeno e um minúsculo poleiro para você se balançar.

Um dia, uma pessoa bondosa pega sua gaiola e a leva para uma floresta grande e linda. A floresta é banhada pelos raios do sol. Árvores altas, imponentes, cobrem os montes e vales até onde sua vista consegue alcançar. Há cascatas volumosas, amoreiras cobertas de amoras maduras, árvores frutíferas, tapetes de flores silvestres e um lindo e imenso céu azul para você voar. E, além de tudo isso, há milhões de outros passarinhos...

    pulando de galho em galho

      comendo tudo o que gostam

        criando suas famílias

          cantando a plenos pulmões

            durante o dia inteiro.

E agora, passarinho? Você acha que vai querer continuar dentro de sua gaiola? Acha que vai dizer: "Oh, por favor, não me solte. Vou sentir falta de minha gaiola. Vou sentir falta de meu pratinho com sementes. Vou sentir falta de meu espelho de plástico e de meu pequenino poleiro. Vou me cansar de ficar naquela enorme floresta."

Seria uma tolice, não? Também é uma tolice pensar que não teremos nada para fazer no céu!

 Do livro Histórias para o Coração (org. de Alice Gray)

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Por que males acontecem ao cristão? – Stanley Jones

 



Um terremoto na Índia derrubou o edifício de uma missão e deixou de pé, na vizinhança, um prostíbulo. Em Berma, um terremoto tremendo abateu tudo na localidade, mas deixou intacta a casa de um cristão — e considerou-se isto um ato da Providência. Mas, que se poderá dizer quanto aos casos que não se dão dessa maneira? Responder a esse problema com os cristãos providencialmente poupados, deixa-nos num caminho que conduz à morte, pois não é operante na vida.

Considerem-se as consequências, se acontecesse de outra maneira. Se fosse possível provar-se que, ao sobrevirem a dor e o sofrimento o cristão seria infalivelmente poupado, o resultado seria a degradação do Cristianismo. As multidões afluiriam às igrejas e aceitariam o Cristianismo e sua proteção como se obtivessem, assim, uma apólice de seguro contra fogo. Isto seria também degradar o cristão, pois ele não teria a disciplina que provém de viver em um universo regido por leis imparciais. Não precisaria lutar com as forças impessoais e imparciais da natureza, com as quais se formam a acuidade mental e a força do caráter e por meio das quais ele é aparelhado mental, espiritual e fisicamente, para sobreviver. Esta isenção seria sua ruína. Além disso, sua religião havia de degenerar em magia. Ele a usaria como um talismã, tornar-se-ia tão perniciosa como um costume nas Filipinas de levarem os estudantes, nas vésperas dos exames, as suas penas para os sacerdotes as abençoarem, sendo-lhes, assim, assegurado o sucesso na prova a que se submeterão. Isto enfraqueceria sua fibra moral e mental.

Uma senhora me pediu com toda seriedade que eu orasse para ser premiado o seu bilhete nas corridas do Derby; se eu orasse, acrescentou ela, e o bilhete fosse premiado, "dividiria metade da importância com a igreja". Repliquei que oraria para ela ter um novo conceito da religião em geral e do Cristianismo em particular.

O Cristianismo não é magia, mas revelação moral, cujo objetivo é a formação do caráter e não salvar os fiéis, em situações especiais, do poder das leis dos fenômenos físicos. Um diretor que matriculasse o filho na sua própria escola e o dispensasse dos trabalhos escolares e das penalidades, faria um mal verdadeiro grave a ele mesmo, ao filho e à escola.


Trechos extraídos do livro Cristo e o Sofrimento Humano