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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Feridos e Esquecidos nas Trincheiras - A Igreja e os desviados

 


Por: Luiz Montanini

Publicado originalmente em Revista Impacto

A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha. Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.

Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de “desviados” no Brasil, o resultado seria assustador.

Calcula-se que hoje existam no país entre 30 e 40 milhões de “desviados”. Por “desviados”, entenda pessoas que um dia tiveram seus nomes no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.

Estas pessoas — cuja boa parte povoa hospícios e presídios ou, saco às costas, vaga errante à beira de estradas — um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e, no outro, se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual.

Nesse contingente de desviados, há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão.

É desta classe de pessoas que trata esta edição. De pessoas desesperadas por uma nova chance, mas sem ter a quem recorrer porque, sabem, o único lugar onde encontrariam novamente a paz para suas almas é a igreja; porém ali, pensam, as pessoas são santas demais (ou se consideram santas demais) para admitir o retorno de um filho pródigo como ele.

Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque inadvertidamente cortaram os longos cabelos ou caíram em erros considerados “sem volta” por sua igreja, como o adultério. Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados a andar errantes pelo mundo pelo resto de suas vidas miseráveis. O problema é que, em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.

Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil – em algumas situações, impossível.

“A própria igreja discrimina os desviados”, constata Sinfrônio Jardim Neto, líder do ministério Jesus Não Desistiu de Você, de Belo Horizonte, dedicado à restauração da vida dos desviados.

“A igreja vê o desviado como se fosse Judas Iscariotes, que traiu a Deus e a igreja. E o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado daquele ambiente. Mal sabe que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada, garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo”.

Uma igreja de 200 membros perde outros 400 em 10 anos

Na próxima vez em que for a um culto, pare um instante e olhe à sua direita e esquerda. Agora, saiba que daqui a dez anos é possível que a senhora, o jovem sorridente e o austero senhor que estão em cadeiras ou bancos, próximos a você cantando louvores, estejam completamente afastados da igreja, amargurados com Deus e entristecidos por algum motivo.

De acordo com estatística do pastor mineiro Sinfrônio Jardim Neto, uma igreja de 10 anos de funcionamento, que tenha mantido média de 200 membros, viu passar por seu rol, ao longo dessa década, o dobro desse número. Uma evasão como essa explica a conta fictícia do parágrafo anterior.

Segundo as contas que têm feito ao longo de suas inúmeras campanhas em igrejas brasileiras desde 1994, quando começou a trabalhar com desviados, 400 pessoas que passaram por uma igreja que tem média de 200 membros estão desviadas hoje.

Em português claro e chocante: a igreja permanece com sua média de 200 membros, substituindo-os naturalmente. Mas essa rotatividade originada na dificuldade de “fechar a porta dos fundos” resulta, ao final de 10 anos, em perda de 200% no número de pessoas.

Esses números, destaca Sinfrônio Jardim, são relativos apenas a desviados. Aqui não estão incluídos outros itens, como mudança de membro para outra igreja.

Expulso da igreja porque não usava chapéu

As causas para o chamado desvio de pessoas na igreja são variadas, explica Sinfrônio Jardim Neto. Desde o abandono da fé, em razão da volta voluntária ao pecado, até a exclusão pela liderança da igreja em decorrência de coisas pequenas, mas consideradas pecados por eles.

Em suas viagens, Sinfrônio Jardim diz que encontra situações de exclusão que seriam hilárias, se não fossem tão perniciosas às vidas das vítimas. Pessoas que foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de igrejas, cujos líderes zelosamente disciplinaram com exagero pequenas contravenções. Na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o “pecador” junto com a água suja.

“Vejo gente sofrendo, afastada da igreja por causa de coisas pequenas, como ter cortado o cabelo, ter deixado a barba e até, pasme, por ter sido visto andando de bicicleta. Uma vez, em Campos, no Rio, conheci um homem que foi  expulso da igreja porque não usava chapéu, como ordenava o estatuto da igreja.”

Falsas Profecias, Propaganda Enganosa e Decepção com Deus

Outra causa para a apartheid espiritual de muitos é a decepção com lideranças. O membro procura alguém para confessar uma fraqueza ou pecado e, em vez de perdão e ajuda para vencer o mal, recebe maior condenação.

As profecias falsas são também causa importante de desvio da fé. Inúmeras pessoas naufragam depois de receber profecias falsas. A pessoa tem o filho doente, por exemplo, e recebe uma “palavra de Deus” de cura. Pouco tempo depois, a criança morre. Ela fica desesperada. Ou então ouve que deve se casar com alguém porque é vontade de Deus. Obediente, casa-se e algum tempo depois percebe que a voz ouvida não era da parte de Deus. Em vez de se decepcionar com o homem, decepciona-se com Deus e sai da comunhão, explica o pastor Sinfrônio Jardim.

E há, claro, o grande número de pessoas que se aproximam de Deus seduzidas por propaganda enganosa. Chegam porque alguém lhes prometeu prosperidade aqui e agora, mas não percebem as implicações do discipulado a Cristo. Querem as bênçãos do cristianismo, mas nada de porta estreita e caminho apertado. Querem sair do mundo, mas levar o pecado a reboque. “Querem a salvação, mas não querem largar o pecado”, resume Sinfrônio Jardim.

Por último, a decepção contra o próprio Deus é causa de afastamento de muitos. A pessoa é uma crente fiel e, de repente, alguém a quem ela ama morre, por exemplo. Nesse caso, se não tiver alicerces firmes em Deus, ela culpa a Deus pelo infortúnio. Age como se Deus tivesse sido ingrato com ela, sempre tão fiel e, portanto, a seus olhos, merecedora de recompensa.

Poucas visitas ao desviado – que resultam em ainda maior condenação

Depois que experimentam a expulsão do paraíso, poucos conseguem encontrar lugar de arrependimento. Pior é que se forem depender de boa parte da igreja para isso, já terão na mão o passaporte para o inferno.

Na pesquisa de Sinfrônio Jardim Neto, entre 60% e 70% dos desviados não recebem qualquer visita de líderes ou membros após sair da igreja. São simplesmente descartados ou substituídos por outros membros.

O restante dos desviados (entre 30% e 40%) recebe de uma a três visitas, que se revelam infrutíferas, porque na maioria das vezes a visita é de cobrança ou condenação. Em vez de amar o pecador e odiar o pecado, os visitantes lançam ambos na cova profunda do inferno. Jogam pedra, condenam. Decretam o inferno-já para o pecador. “É como bater de vara sobre a ferida de alguém… o ferimento e a dor só vão aumentar”, compara Sinfrônio Jardim.

Hospícios e presídios estão lotados de ex-crentes

Ainda segundo a pesquisa de Sinfrônio Jardim, existem três lugares onde sempre se pode encontrar desviados: nos hospícios, nos presídios e na mendicância.

“Vá a um hospício e ali você encontrará muita gente internada que recita versos bíblicos e canta canções cristãs. Estas pessoas um dia se afastaram, caíram em pecado e os demônios tomaram conta de sua vida. Ficaram endemoninhadas.

“Depois, visite um presídio e você encontrará inúmeros Josués, Elias e Samuéis. Detentos de nomes bíblicos, que demonstram o berço cristão. Ali você começa a conversar com um deles e descobre que é filho de presbítero de igreja.

“Por último, passe próximo a rodoviárias e estações de trem ou tente conversar com um andarilho de beira de estrada. Pelo menos três entre dez destas pessoas que andam bebendo errantes, sacos de bugigangas às costas, já participaram de uma igreja cristã. Ali, não raro, você encontra homens que um dia ocuparam solenes púlpitos e pregaram o evangelho.”

E por que não voltam? Sinfrônio Jardim entende que a falta de perdão a si mesmo, a falta de perdão por parte da igreja e o entendimento errado de que Deus também não pode perdoar o que praticaram, afastam-nas cada vez mais do ponto de retorno.

“Mais da metade dos que se desviaram tem problemas sérios com o ressentimento e falta de perdão. Não voltam porque não conseguem perdoar, ou não querem perdoar ou acham que não merecem perdão.”

O peso que está sobre a pessoa fica insuportável às vezes, explica Sinfrônio Jardim. Há denominações, por exemplo, que pregam que quem pratica adultério jamais será perdoado. Ora, com um decreto como esse na cabeça, o pecador desiste de qualquer tentativa de reconciliação com o Deus irado que lhe foi pintado e se transforma em um monstro na terra. Passa a praticar os mais baixos pecados, porque, pensa, se já está condenado ao inferno por toda a eternidade, resta aproveitar seus dias na terra.

Poucos saem em busca da ovelha extraviada

Hoje a maioria das igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. Ninguém pensa em deixar suas 99 ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada.

Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno. Afirma que na visão expansionista de muitas igrejas hoje, é pouco lucrativo deixar 99 ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada, que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tem chance de sobreviver.

Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar suas consciências, usam o argumento de que a pessoa já conhece a palavra.

Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. “Saíram de nós porque não eram dos nossos…” é um dos mais recitados.

A falta de visão de restauração descrita por toda a Bíblia é ignorada nesses casos. “Buscar ovelhas perdidas é visão antipática em muitas igrejas”, lembra Sinfrônio Jardim. “Isto porque quando o membro sai, geralmente sai falando mal da igreja ou do pastor. Acaba ficando malvisto dentro da própria igreja que, em vez de amá-lo e perdoá-lo, passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre o risco de ser também malvisto. E poucos estão dispostos a isto.”

Igreja Batista da Lagoinha foi buscar 3 mil desviados

O retorno com sucesso dos desviados à igreja depende basicamente da atitude da igreja. “A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a igreja toma uma atitude de ir buscá-los, consegue até 80% de sucesso”, afirma o pastor Sinfrônio Jardim.

Bons exemplos não faltam: a Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, já reagrupou 3 mil pessoas ao seu rebanho de 30 mil pessoas em pouco mais de dois anos. Ali, o pastor César Teodoro dirige o ministério “A centésima ovelha”, junto com o líder principal da igreja, Márcio Valadão.

A igreja Assembléia de Deus em Brasília, dirigida pelo pastor Elienai Cabral, também tem obtido sucesso no resgate aos seus desviados. Outra Assembléia de Deus, dirigida por Daniel Malafaia, em Campo Grande (MS), alcançou sucesso semelhante.

“Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença”

O casal Valmir Soares e Alina é exemplo perfeito de filhos pródigos restaurados. Conheceu a Deus, resolveu seguir seus próprios caminhos, reconheceu o estado em que estava, conseguiu forças para voltar, foi recebido com festa e experimentou a restauração em suas vidas, nessa ordem.

A primeira experiência de Valmir e Alina com Cristo aconteceu em 1987. Por um ano e meio, eles se relacionaram com Deus e com a igreja local que freqüentavam, em Campinas, SP. “O problema é que não abri totalmente o coração naquela época. O resultado é que ao longo do tempo fui esfriando, as coisas foram ficando difíceis e, no fim, tomei duas decisões erradas que acabaram me afastando da comunhão.”

“Aí não tem jeito, você entra mesmo no pecado e fica até pior. Comecei a praticar coisas horríveis e a mentir para minha esposa. Quando pensava em voltar, havia sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que eu era indigno, que ninguém iria me receber, enfim, que não tinha mais volta. Eu me lembrava dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutávamos, mas o pecado me impedia de voltar.”

“Outra coisa que me impedia de voltar era a presunção”, lembra Valmir. “Dizia para mim mesmo, tenho o Senhor na Bíblia… não preciso voltar. Eu não tinha o entendimento de que é o corpo que nos sustenta.”

“Mas aí Deus usou a vida do próprio casal que nos falara inicialmente de Jesus, os irmãos Hélcio La Scala Teixeira e Isabel, hoje pastores em São José dos Campos, SP.”

Valmir relembra: “Um dia, depois de uma conversa franca com eles e de novo convite, eu e minha esposa resolvemos visitar a igreja novamente. Enchemo-nos de coragem e fomos. Era um domingo de setembro, em 1992. Fomos recebidos literalmente como filhos pródigos. A maioria dos irmãos nos abraçou, orou conosco e, pela graça de Deus, fomos tocados novamente. Fiquei mais de uma hora chorando num canto, arrependido.”

Hoje o casal está restaurado e integrado na vida normal da igreja.

“O melhor de tudo”, diz Valmir, “é que em tempo algum recebemos o menor olhar de acusação dos irmãos. Nem mesmo por parte daqueles que tinham nos aconselhado anteriormente e a quem não tínhamos dado ouvidos. Ninguém disse: ‘Eu te avisei’. Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença.”

Luiz Montanini é jornalista, mora em Valinhos, SP, e é responsável pelo site cristão www.jornalhoje.com.br

Livros de Sinfrônio Jardim Neto que tratam do assunto desviados:

• Jesus Não Desistiu de Você 1 e 2
• Voltei – E Agora?
• Onde Está o Seu Irmão?
(Editora Betânia)

• A Reconquista
(Editora Vida)

Para entrar em contato com o Ministério Jesus não Desistiu de Você:
Tel: (31) 3452 1840
e-mail: daria@prover.com.br
www.jesusnaodesistiudevoce.com.br

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UM DESVIO MONSTRUOSO

• Estima-se que haja hoje, apenas no Brasil, entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.

• Uma igreja de 10 anos que manteve média de 200 membros viu passar por seu rol o dobro desse número. Isto é, 400 pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

• A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil.

• Entre 60% e 70% dos desviados não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

• Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram na maioria das vezes de cobrança ou condenação.

• Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados.

• De cada 10 andarilhos, 3 freqüentaram uma igreja evangélica um dia.

• A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança.

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Estatística dos Desviados

O número estimado de 30 milhões a 40 milhões de desviados no Brasil não é corroborado pela Sepal — Serviço de Evangelização Para América Latina. Missão internacional estabelecida no Brasil há mais de 30 anos, a Sepal tem um departamento especialmente voltado a pesquisas relacionadas ao meio cristão no Brasil e na América Latina.

A secretária do departamento de pesquisas da Sepal, Mércia Carvalhaes, explica que hoje no Brasil nenhuma instituição possui números oficiais sequer sobre a quantidade de cristãos no Brasil e muito menos sobre o número de desviados.

“Concordamos que há muitos desviados no Brasil, mas é impossível dimensionar a quantidade”, afirma Mércia Carvalhaes. “Seria necessário fazer pesquisa específica sobre isso. E não conhecemos ainda nem os números dos evangélicos. Queremos saber primeiro onde estão as igrejas e as pessoas que realmente as freqüentam, para então levantar outros dados, como o de desviados, por exemplo.” O movimento Brasil 2010, também da Sepal (www.brasil2010.org), está tentando localizar as igrejas evangélicas no Brasil.

“Ora, se não sabemos quantos somos, como saberíamos o número de desviados?”, pergunta Mércia Carvalhaes. “O que sabemos apenas é que os evangélicos no Brasil constituem 17% da população.” O fato é que 17% da população brasileira correspondem a cerca de 30 milhões de crentes e que desse universo, muitos se desviaram.

A pesquisadora da Sepal informa que nem mesmo a pesquisa do IBGE é confiável, porque os recenseadores da pesquisa em 2000 não foram treinados para ver as diferenças de religião. Ainda assim, ressalva, os dados do IBGE são os únicos disponíveis.


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Um Filho que causou tantas lágrimas – Santo Agostinho e os filhos desviados

 


Ruth Bell Graham

 

Santo Agostinho não foi sempre uma pessoa piedosa. Sua mãe, Mônica, ensinou-lhe as doutrinas do Cristianismo e orava por ele, mas a mente incrível de seu filho a deixava atormentada. Certo dia, quando era adolescente, ele avisou que estava abandonando sua fé em Cristo para seguir unia heresia moderna! Passou a ter uma vida imoral. E Agostinho nunca fez as coisas pela metade. Foi o melhor e o primeiro aluno no colégio e tornou-se o melhor e o primeiro nas festas mundanas da juventude.

 

Eu não conseguia distinguir a diferença entre o claro brilho da afeição e a escuridão da luxúria... Eu não conseguia permanecer dentro do reino da luz, onde a amizade liga uma alma a outra... E, assim, eu poluí o riacho da amizade com as águas imundas da luxúria.

 Não dei ouvidos ao clangor dos grilhões de minha mortalidade, ao castigo do orgulho que existia em minha alma, e afastei-me de Ti, e Tu me deixaste sozinho. Fui atirado de um lado para o outro, vivi de maneira dissoluta e desregrada, mergulhei fundo em minhas fornicações, e Tu preservaste a Tua paz, oh, Tu, minha alegria tardia!...

 

Cada um de nós tem uma maneira própria de pecar. Alguns se deixam enganar porque seu pecado é socialmente aceitável; afinal, aquele pecado não é tão grave assim. Outros sofrem as consequências porque seu pecado não é aceito pela sociedade; vão parar na cadeia ou são desprezados pelas pessoas que costumavam chamá-los de amigos. A história de Agostinho é igual à nossa:

 

A perda da fé sempre ocorre quando os sentidos começam a despertar. Nesse momento crítico, em que os instintos naturais afloram, na maioria das vezes a consciência das coisas de natureza espiritual fica ofuscada ou totalmente destruída. Não é a razão que afasta o jovem de Deus; é a carne. O ceticismo só serve para criar desculpas para a nova vida que ele está levando.

 

Mônica, contudo, continuou a orar. Orava pelos pecados e pela heresia do filho. Orava pela luta do filho com Deus. E Agostinho sabia disso.

 

Passaram quase nove anos, nos quais eu chafurdei na lama do mais profundo abismo e na escuridão da hipocrisia... Durante todo esse tempo, aquela viúva casta, piedosa e sensata... não cessou de orar a Ti, suplicando em meu favor. E suas orações chegaram à Tua presença; contudo, Tu continuaste a permitir que eu me envolvesse cada vez mais naquela escuridão.

 

Aqueles anos não foram fáceis para Mônica. Qualquer mãe que tenha um filho perdido na escuridão sabe disso. Foram anos de sofrimento. Finalmente, ela recorreu ao bispo, um homem devoto que conhecia muito bem a Bíblia, e pediu-lhe que conversasse com Agostinho para apontar seus erros. O bispo recusou-se. Naquela época, Agostinho tinha a fama de ser um ótimo orador e debatedor.

Em vez de conversar com Agostinho, o bispo dirigiu sábias Palavras de conforto a Mônica, dizendo que uma mente tão inteligente como a de seu filho enxergaria o caminho certo por meio das decepções. Citou o próprio exemplo — ele havia sido maniqueísta.

Mônica não se sentiu confortada com aquelas palavras. Continuou a implorar ao bispo em meio a rios de lágrimas. Finalmente,cansado diante da tenacidade daquela mulher e, ao mesmo tempo, sem saber o que fazer diante de tanto sofrimento, o bispo disse:

 - Vá, vá! Deixe-me em paz. Continue a viver sua vida. Não é possível que um filho, que lhe causa tantas lágrimas, possa se perder.

Palavras ásperas entremeadas de bondade e compaixão.

O filho rebelde continuou a fugir de sua mãe e de Deus. Fugiu durante muitos anos. Um dia, porém, Agostinho deu ouvidos a Santo Ambrósio, bispo de Milão, o religioso mais conceituado da época. Exausto depois de tantos anos de fuga, convicto e quebrantado, Agostinho arrependeu-se e aceitou Jesus.

Segundo os historiadores e estudiosos cristãos, Santo Agostinho modificou o curso da História. Suas obras foram e continuam sendo mais lidas do que as de quase todos os outros autores ao longo dos séculos. Ele também é capaz de falar à geração atual, como que transmitindo uma mensagem de coração para coração. Santo Agostinho levou a bom termo as esperanças e as orações piedosas de sua mãe. Alguns dizem que ele foi uma ferramenta usada por Deus para manter acesa a chama do Novo Testamento quando o Império Romano desmoronou.

Pouco tempo depois que o Filho Pródigo voltou para casa, sua mãe lhe disse que não tinha mais motivos para viver. Passara a vida inteira desejando vê-lo voltar e aceitar Jesus. Nove dias depois, ela morreu.

O pai do Filho Pródigo do livro de Lucas estava tão ansioso por ver o filho retornar que o avistou quando "vinha ele ainda longe". Mônica fez o mesmo. Ela o seguia de longe enquanto ele fugia; reclamava de seus modos rebeldes quando ele voltava para casa. Nunca parou de orar pelo filho que lhe causou tantas lágrimas.

Agostinho aprendeu com ela uma lição que muitos filhos pródigos têm aprendido a respeito de nosso Pai celestial: "A única maneira de um homem se perder é afastando-se de Ti; e, se ele afastar-se de Ti, para onde irá? Ele só poderá fugir de Tua misericórdia rumo à Tua ira."'

Deus deseja ardentemente mudar as pessoas, afastando-as do foco de sua ira e levando-as em direção à sua misericórdia. É terrivelmente penoso ver um filho ou uma filha escolher o próprio caminho e segui-lo, mas devemos fazer o mesmo que a mãe de Agostinho. Foi assim que Jesus nos ensinou. Espere por eles, ore por eles e nunca pare de orar por eles. E, depois, olhe para a estrada com esperança. Talvez você possa ver seu filho, aquele que lhe causou tantas lágrimas, surgindo em meio a uma nuvem de poeira no horizonte.

 Do livro Histórias Para o Coração, de Alice Gray (org.).


segunda-feira, 8 de abril de 2024

E-book gratuito: Frases, Poemas e Reflexões contra o ABORTO


O tema do aborto tem mobilizado mentes, corações e culturas ao longo da história. Nos dias de hoje, tornou-se questão incontornável, transcendendo delimitações sanitárias, sociológicas, políticas e religiosas para inserir-se no centro do debate público.

Temos, ao longo dos anos, editado diversas antologias, dos mais variados escopos e amplitudes. Em sua maioria, antologias poéticas ou de citações. Para execução de tal atividade, é de praxe a aquisição e/ou consulta de livros no gênero, e o leitor deve saber que é relativamente farta a disponibilidade – no caso das citações – de livros de frases em nossas prateleiras. No entanto, transitando, por prazer e a trabalho, por dezenas de antologias e mesmo dicionários de citações, jamais vimos o verbete “aborto” categorizado em obra alguma. Até citações esparsas sobre um tema tão significativo estão curiosamente ausentes deste gênero de literatura. Assim, tomamos para nós a tarefa de, mesmo reféns da brevidade, organizar e disponibilizar a presente obra, de maneira alguma exaustiva, sobre esse assunto vital.

E este pequeno livro é na verdade uma antologia multigêneros: às diversas citações sobre o aborto, unimos uma seleção de poemas e, por fim, uma coleção de pequenos textos de reflexão que ajudarão a iluminar nosso entendimento sobre o assunto.


       Esse é um livro gratuito, que nasce em serviço da sociedade e da melhor das intenções. Convidamos você a ler e também a compartilhar este conteúdo, com quantos achar conveniente.

Para baixar o seu exemplar gratuitamente pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


terça-feira, 25 de agosto de 2020

PALAVRA DE DEUS: BASE PARA A FAMÍLIA, A IGREJA E A SOCIEDADE



PALAVRA DE DEUS: BASE PARA A FAMÍLIA, A IGREJA E A SOCIEDADE

A Bíblia Sagrada reúne histórias e conselhos úteis para todos os momentos da vida. São ensinamentos e reflexões com os quais podemos repensar nossa maneira de ser e de agir. São valores fundamentais para a família, a igreja e a sociedade.
Leia, viva e compartilhe a Bíblia Sagrada em seu dia a dia, começando pelos temas e passagens sugeridos a seguir. "Feliz a nação que tem o SENHOR como o seu Deus!" (Sl 33.12)

Amor
Êx3.6 - O amor de Deus é tão grande que não pode ser medido.
Sl 100.5 - O amor de Deus dura para sempre.
Lm 3.22-23 - O amor de Deus se renova a cada manhã.
Mt 5.43-48 - Jesus pede que amemos a todos, inclusive os inimigos.
Mt 22.36-40 - O resumo dos mandamentos é amar a Deus e ao próximo.
1Co 13.1-13 - O amor é o dom mais importante.
1Jo 4.19-21 - Amamos porque Deus nos amou primeiro.

Educação
Dt 6.1-9 - Devemos ensinar a Palavra de Deus aos nossos filhos.
SI 25.4 - É importante compreender o que Deus ensina na sua Palavra.
Pv 1.8-9 - O ensino dos pais pode aperfeiçoar o caráter dos filhos.
Pv 22.6 - O ensino recebido na infância nos acompanha por toda a vida.
Mt 7.28-29 - Jesus ensinava com autoridade, e as pessoas gostavam disso.
Mt 11.25-30 - Jesus nos convida a aprender com ele.
2Tm 3.14-17 - A Palavra de Deus é útil para o ensino.

Esperança
Jó 5.8-16 - Deus dá esperança aos fracos.
Sl 62.5-7 - Depositemos nossa esperança em Deus.
SI 145.15 - Todos os seres vivos olham para Deus com esperança.
Ez 37.1-14 - A Palavra faz o povo reviver, trazendo-lhe esperança.
Rm 5.1-5 - A esperança depositada em Deus não nos decepciona.
1Co 15.12-20 - Em Cristo, a nossa esperança não se limita a esta vida.
1Pe 3.15 - Os cristãos devem estar preparados para explicar a sua esperança.

Fé e confiança
SI 37.3-6 - Coloquemos nossa vida nas mãos do Senhor.
Is 40.27-31 - O Senhor dá novas forças aos que nele confiam.
Hc 3.17-19 - Confiemos em Deus em meio às aflições.
Mc 10.13-16 - Recebamos o Reino de Deus como as crianças.
Lc 7.1-10 - Jesus fica admirado com a fé de um oficial romano.
Rm 1.16-17 - Deus nos aceita por meio da fé em Jesus.
Hb 11.1-40 - Pela fé é possível conseguir a aprovação de Deus.

Honestidade
Lv 19.35-36 - Sejamos honestos no comércio.
Dt 19.14 - Sejamos honestos para com nossos vizinhos.
Sl 112.5-6 - Quem administra honestamente seus negócios é feliz.
Pv 10.2 - Aquilo que se consegue desonestamente não vale nada.
Pv 14.2 - A honestidade agrada a Deus.
Pv 20.7 - Os filhos de um pai honesto são felizes.
Pv 20.23 - Deus detesta a desonestidade.

Humildade
2Sm 22.26-30 - Deus salva os humildes, mas humilha os orgulhosos.
Pv 16.18-19 - O orgulho conduz à destruição.
Jo 13.1-15 - Jesus lavou os pés dos discípulos.
Rm 12.16 - Não sejamos orgulhosos ou pretensiosos, mas humildes.
Ef 2.8-9 - Sejamos humildes, pois a salvação é presente de Deus.
Fp 2.5-11 - Jesus foi humilde.
1Pe 5.5-7 - Sirvamos uns aos outros com humildade.

Integridade
Gn 6.1-22 - Deus se agradava de Noé, pois ele era íntegro.
Jó 1.1-5 - Jó foi uma pessoa íntegra.
Sl 15.1-5 - A pessoa íntegra está sempre segura.
Pv 11.20 - Deus se alegra com as pessoas íntegras.
Lc 16.10 - Sejamos íntegros nas pequenas coisas.
Hb 13.18 - A pessoa íntegra tem a consciência limpa.
Tg 3.9-12 - Sejamos íntegros no falar.

Justiça
Dt 10.17-18 - Deus é justo e não aceita suborno.
Dt 16.18-20 - Todos devem ser julgados com justiça e honestidade.
Pv 12.17 - A verdade e a justiça andam juntas.
Pv 21.2-3 - Deus julga as intenções humanas.
Mt 7.1-5 - O costume de julgar os outros é perigoso.
Jo 3.14-20 - Deus enviou Jesus para salvar o mundo, não para julgá-lo.
Jo 8.1-11 - Quem não tem pecado atire a primeira pedra.

Paz
Nm 6.24-26 - Deus nos abençoa com a sua paz.
SI 4.8 - Quem confia em Deus dorme em paz.
Mt 5.9 - Os pacificadores são felizes.
Jo 14.27 - Jesus nos deixa a sua paz.
Rm 12.17-21- No que depender de nós, vivamos em paz com todos.
Fp 4.6-7 - A paz de Deus nos guarda.
Cl 3.15 - Que a paz de Cristo oriente as nossas decisões.

Perdão
SI 32.1-11- A pessoa a quem Deus perdoa é feliz.
SI 51.1-19 - O rei Davi pediu perdão a Deus.
Is 55.6-7 - Deus perdoa completamente.
Mt 18.21-35 - Perdoemos sempre e sinceramente.
Lc 11.1-4 - Que o Senhor nos perdoe como perdoamos os outros.
Ef 4.32 - Perdoemos como Jesus nos perdoou.
1Jo 1.8-9 - Deus nos perdoa.

Sabedoria e prudência
1Rs 3.5-28 - Salomão pediu sabedoria a Deus para governar o seu povo.
Pv 1.1-7 - A sabedoria precisa ser valorizada.
Pv 8.1-36 - Deus criou a sabedoria, e nela há vida.
Pv 24.3-6 - Construa a sua vida sobre a sabedoria e a prudência.
Mt 7.24-27 - Alicerçar a vida nos ensinos de Jesus é ser sábio.
1Co 1.18-31 - Jesus Cristo é o poder e a sabedoria de Deus.
Tg 3.13-18 - A verdadeira sabedoria produz boas ações.

Solidariedade
Lv 19.14 - Todos merecem respeito e solidariedade.
Rt 1.1–4.22 - A solidariedade, a fé e a esperança caminham juntas.
2Sm 9.1-12 - Davi foi solidário para com o filho do seu amigo Jônatas.
Lc 10.25-37 - Sejamos solidários como o bom samaritano.
2Co 9.1-15 - A solidariedade agrada a Deus.
Fp 2.1 - Quem está unido com Cristo é solidário.
Fm 1-25 - Exerçamos a solidariedade, como Paulo fez com Onésimo.

Trabalho
Gn 2.1-4 - Deus trabalhou e descansou.
Gn 2.15 - Deus confiou ocupações ao ser humano.
Gn 3.17-19 - O pecado tornou o trabalho um fardo.
Sl 127.1-2 - Não é bom trabalhar demais; o sustento vem de Deus.
Pv 6.6-11 - Sigamos o exemplo das formigas.
Ec 4.4-6 - Trabalhar, sim. Ser ambicioso, não.
2Ts 3.6-13 - Trabalhemos e façamos o bem.

União
Ec 4.9-12 - Unidos somos mais fortes.
Mc 3.24-26 - A desunião leva à ruína.
Jo 15.1-17 - Quem está unido com Jesus produz bons frutos.
Jo 17.21-23 - Jesus ora pela união dos seus seguidores.
At 2.42-47 - A união era a marca distintiva dos primeiros cristãos.
1Co 1.10-17 - A família de Deus deve ser unida.
Fp 2.1-4 - Vivamos em união e harmonia.

Verdade
SI 25.4-5 - Vivamos de acordo com a verdade.
Pv 8.7-8 - A sabedoria combina com a verdade.
Pv 25.18 - A pessoa mentirosa é perigosa.
Jo 8.31-32 - A verdade liberta.
Jo 14.6 - Jesus é a verdade.
2Co 13.8 - Não podemos fazer nada contra a verdade.
Ef 4.25 - Digamos a verdade. 


domingo, 12 de abril de 2020

BILLY GRAHAM SOBRE A MORTE (Capelania funerária)



Billy Graham conta em seu livro Enfrentando a morte e vida além: "O Dr. Donald Gray Barnhouse foi um dos maiores pregadores dos Estados Unidos. Sua primeira esposa morreu de câncer antes dos quarenta anos, deixando três filhos menores de doze anos. Barnhouse decidiu pregar ele mesmo a mensagem no serviço funerário. O que um pai poderia dizer a seus filhos órfãos em um momento assim?
"Quando eu estava a caminho do funeral, um grande caminhão passou pelo carro dos Barnhouse na estrada, lançando uma sombra sobre eles. Barnhouse virou-se para sua filha mais velha, que olhava pela janela, e se aproveitou do ocasião para perguntar:
- Diga-me filha, o que você preferia mais que passasse sobre você, o caminhão ou sua sombra?
A menina olhou intrigada para o pai e respondeu:
- A sombra, sem dúvida. A sombra nunca poderia me machucar.
O Dr. Barnhouse usou a resposta para dizer aos seus três filhos pequenos:
- A mãe não foi esmagada pela morte, mas pela sombra da morte É por isso que não há nada a temer.
Durante o funeral, ele falou com confiança e energia baseado nos Salmos, enfatizando o Salmo 23:4: 'Mesmo que eu ande no vale da sombra da morte, não temerei o mal, porque você estará comigo '.
A morte não é quem vence no final, porque temos a vitória garantida em Cristo Jesus. " Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” (1 Co 15:55).

José Luis Martínez - 503 Ilustraciones Escogidas

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

FILHOS DESVIADOS - Uma história sobre a fidelidade de Deus



AS TÁBUAS DO ASSOALHO

Aquela casa de porta larga de cor cinzenta, situada à beira da floresta era bem conhecida, não só naquele rincão mas em toda a paróquia.
Como qualquer outro lar, tinha também a sua história. O lugar era em seu tempo uma colônia muito linda. Em alguns lugares podia-se usar o arado para virar a terra, mas em quase todo o terreno era necessário usar a pá por causa das muitas pedras. Nos antigos tempos como se diz - havia vida e movimento no lugar; quando Kristian e Nils corriam no pátio, cheios de vida e alegria, mas aquilo durou pouco tempo. Depois silenciou de uma maneira um tanto mística - parecia um cemitério. Não se via mais aquela linda colônia, nem se ouviam mais o mugido das vacas e cabritos nas lindas noites de verão, quando voltavam das pastagens, nem os meninos que apascentavam o gado. Veio aquele silêncio de cemitério. A casinha vermelha diminuiu no meio do mato que tomou conta e crescia ao redor dela. Algum mistério parecia descansar sobre o lugar, como se esperasse acontecer alguma coisa extraordinária; o próprio ar parecia denunciar tal coisa.
Renovam-se a alma e a mente na aurora depois de uma noite longa - quando o crepúsculo foge -, e o sol nasce e vem o dia claro sobre Liagrenda. Assim se chamava o lugar.
Altar de oração - Aquele silêncio solene, tinha a sua própria pré-história - os vizinhos a conheciam muito bem: como Nils e Kari viviam com o Senhor, como oravam pelos seus dois filhos Kristian e Nils. Lá no quarto, junto à sala, um banco de madeira servia-lhes como "altar de oração". Durante muitos anos, orações ardentes subiram, por aqueles filhos queridos.
Enquanto eles estavam em casa, eram o objeto de maior amor imaginável, mas como muitas vezes acontece, eles não ligavam a isso como deviam. Os filhos, por certo, amavam o pai e mãe, mas achavam que o fervor da religião dos pais era muito exagerado. As orações e advertências constantes não eram fáceis de suportar. Nunca podiam sair uma noite de sábado sem que se ouvissem sérias advertências e, muitas vezes, viam lágrimas nos rostos dos pais. Quando saiam de casa com essas impressões, a noite inteira, gasta em divertimentos, parecia-lhes um fracasso. Muitas vezes quando se retiravam de um baile voltando para casa, viam a mãe, espiando, a esperar por eles. Ela não se importava com o tempo que gastava ali, tossindo e trêmula de frio enquanto orava ao Senhor: Oh Deus, manda meus filhos para casa!
Lentamente o ambiente caseiro parecia apertado demais para os filhos.
Não se sentiam mais livres. Debaixo dessa vigilância constante dos pais, nascendo nos seus corações a dureza e oposição. Faziam o possível para não ferir demasiadamente os pais, mas não era fácil se afastarem dos divertimentos e pecados deste mundo enquanto tinham o mundo no coração. A situação piorava, pois os filhos começaram a tomar bebidas alcoólicas. A primeira vez que chegaram em casa embriagados, depois de um baile, deixaram a mãe tão triste e impressionada que caiu doente. Aqueles dias foram terríveis também para Kristian e Nils. Eles oravam a Deus para que sua querida mãe não morresse e prometeram a seus pais que nunca mais se embriagariam. Contudo, continuavam no pecado. Quando os filhos não voltavam para casa nas noites de sábados, os pais ficavam sentados, esperando, chorando e orando a Deus. Às vezes, quando a mãe chorava muito, tinha fortes ataques. Ouviam-se os gritos de longe, mas ainda assim os filhos não deixaram a miserável bebedeira.
Distante do lar - Aconteceu um dia que um "noruego-americano" (assim são chamados os noruegueses que emigraram para os EUA) veio visitar o lugar. Este fazia muita propaganda, contando como tudo era melhor no outro lado do oceano. Muitos moços ficaram influenciados a emigrarem para a América do Norte. Entre esses estavam também os dois queridos filhos de Kari e Nils. Os pais não se conformavam. Tudo fora feito para impedir que os moços viajassem, até o próprio padre daquela paróquia os advertiu, dizendo: "Virá o dia do arrependimento, quando souberdes que vossos pais não estarão mais com vida". Os velhos eram doentes e mesmo assim cuidaram da pequena propriedade durante alguns anos. Diminuiram-lhes as suas forças físicas e, por fim, já não podiam mais trabalhar. O resultado foi que tudo decaiu e o mato tomou conta do que outrora era terra bem cultivada.
Nils e Kristian mandavam seguidamente cartas para seus pais; às vezes mandavam também algum dinheiro. E isso era mais do que bem-vindo, pois, os velhos eram pobres. Um dia aconteceu o que o padre predissera - os filhos receberam a triste notícia que seus pais partiram no espaço de algumas semanas.
Kristian e Nils prosperaram na América do Norte. Eles tinham uma só preocupação: ganhar dinheiro. Cerca de seis anos depois da morte de seus pais, uma forte saudade se apoderou deles. Cansados de todo o trabalho, voltaram à casa paternal.
Era um lindo dia de primavera, dois noruego-americanos robustos, entraram no velho pátio de Liagrenda. Sentiram uma solenidade profunda encher o próprio ar. Um casal de passarinhos estava na antiga escada, meneando as cabeças, no mesmo lugar em que seus queridos se despediram deles. Outro casal de passarinhos estava no telhado, cantando, parecia dar-lhes as boas-vindas, enquanto outros pássaros cantavam ao redor, nas árvores, como se fosse um verdadeiro coro. Era tudo isso como nos tempos passados! Somente uma coisa faltava: os pais.
Volta ao lar - Nils e Kristian sentaram-se na escada. Ficaram nessa posição por um tempo, sem dizer palavra alguma um ao outro. Era como se revivessem o passado. Sentiam como se lhes faltasse o fôlego enquanto pronunciavam: - Mãe, pai! Mas ninguém lhes respondia. Quando chegaram ao cemitério, acharam ali os sinais do lugar onde foram enterrados os pais.
Oh, como ardiam os seus corações; era como que tivessem feridas incuráveis.
Nesse momento não puderam fazer outra coisa se não lançarem-se ao pescoço um do outro - chorando.
Não achavam mais alegria ao chegar ao seu lar paterno. Andavam tristes, dia após dia. A casinha vermelha parecia-lhes outra vez apertada, tornando-se-lhe impossível morar ali. Resolveram demoli-la e construir outra maior e mais moderna. Um dia iniciaram a demolição. Agora importava mostrar coragem, e sob cânticos e júbilo tiraram o telhado. Logo a seguir estavam já sobre o quarto, aonde tantas vezes ouviram as orações dos pais. As lembranças vinham-lhes tão fortes à sua memória que silenciavam os seus cânticos. A demolição prosseguia a rapidez do estilo americano. Importava terminar breve esse serviço. Enquanto desmanchavam a casa, alguma coisa dentro dos seus corações também parecia desmanchar-se.
Finalmente acharam-se no quarto, junto àquele banco de madeira - o falar de oração dos pais. Parecia-lhes ouvir as orações, quando clamavam a Deus pela salvação de Nils e Kristian. Coitados dos moços! A vida assim não era tão fácil para eles agora. Chegara o grande momento em suas vidas, a hora de prestar contas ao A!tíssimo. Agora as orações incessantes dos pais seriam galardoadas, como uma bênção eterna para estes dois filhos, que até então tinham-se endurecido contra a chamada do Espírito Santo. Eles se retiraram o máximo possível do lado direito onde estava o banco, até que faltavam só umas dez tábuas, lugar de luta e lágrimas pelos dois filhos queridos, pararam o serviço. Kristian e Nils olharam um para o outro, era como se cada qual dissesse: Tira essas tábuas, tu. Eu não posso fazê-lo. Pareciam ter os braços paralisados. Não contavam com uma coisa desta, quando começaram com este serviço: não pensaram que havia na casa qualquer parte que lhes seria impossível desmanchar, sim, que havia ali algumas tábuas que se chamavam "tábuas de oração", que exigiam respeito e santo temor. Eles se sentaram no banco, completamente sem forças para ficar em pé, as lágrimas corriam com abundância, não das faces de dois velhos e esgotados, mas, finalmente, dos dois filhos pelos quais Kari e Nils tanto choraram.
Renovação - No silêncio ouviu-se o canto dos passarinhos, indicando alguma coisa nova a acontecer - uma coisa alegre. Um poder invisível obrigou os dois moços fortes a ajoelharem-se e ali se acharam orando, pedindo a Deus perdão por todos os seus pecados. Durante algum tempo ficaram assim, clamando..., pedindo... Mas repentinamente pareceu-lhes que as vozes de mãe e pai falavam por meio da Bíblia de capa marrom - muito gasta de tanto uso - que ainda estava no lugar de costume.
Promessa após promessa vieram-lhes ao encontro dentro de seus corações. Podiam agora, claramente, sentir o perdão de seus pais - e o perdão de Deus. Era como se tornassem meninos outra vez, sentados no colo dos pais, como na meninice.
Juntos louvaram a Deus pela salvação pelo sangue do Cordeiro. Um novo tempo raiou e sentiram-se alegres outra vez no velho lugar: Liagrenda.
Pais crentes! Não desfaleçais na oração, mesmo não vendo nenhum resultado das vossas orações pelos vossos filhos que não são salvos! Virá o dia quando as orações serão atendidas, pois, Deus é fiel.

Jornal Mensageiro da Paz / Via http://paginasilustrativas.blogspot.com/
gravura: http://alexandrehreis.arteblog.com.br/3

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

E-book: Deus e a Família - Roteiro de estudos bíblicos


A Aliança Evangélica Brasileira disponibilizou o e-book Deus e a Família - Roteiro de estudos bíblicos, de autoria do pastor e professor Martin Weingaertner. Nas 108 páginas do e-book o professor Weingaertner, que é editor do Devocional Orando em Família, apresenta um riquíssimo conteúdo para a edificação de nossos lares.

Para baixar o e-book, CLIQUE AQUI.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O valor da mesa para a família

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por Josué Gonçalves

A mesa na cultura de uma família, é mais que um simples lugar para colocar as vasilhas com alimentos para todos se alimentarem. A mesa é lugar de encontros, de oração, de alegrias, de tristezas, de lembranças, de comunhão, de sonhos compartilhados e de lições aprendidas.

Ontem, fiquei sabendo que o filho de um amigo meu morreu em um acidente de automóvel, um jovem marido, pai de dois filhos. Nesta casa, por um bom tempo a mesa será um lugar de lembranças que vão provocar muita saudades e com certeza lágrimas que não se misturar com o café e o pão. Tudo porque nunca mais os filhos e a esposa terá o prazer da companhia daquele que partiu para uma outra dimensão de vida.

Ontem eu também recebi a noticia de que a filha da minha secretária, que tinha um problema no sangue que na concepção de muitos médicos era incurável, misteriosamente, sobrenaturalmente esta semana a médica disse para a mãe, não sabemos explicar, o certo é que a sua filha está radicalmente curada. Para esta família, neste momento a mesa é lugar de alegrias, celebração e cântico de gratidão.

É na mesa que reconhecemos o cuidado de Deus, o carinho e dedicação da mamãe, o esforço do pai em trazer o pão, o valor de se ter saúde. Bendita mesa, por onde passou e passa a construção de toda nossa história. Uma casa sem mesa, é uma casa sem um ponto de encontro imprescindível. Valorize a mesa em sua casa e faça dela o lugar sagrado do encontro da família!

http://www.amofamilia.com.br
http://familiaegraca.blogspot.com