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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Feridos e Esquecidos nas Trincheiras - A Igreja e os desviados

 


Por: Luiz Montanini

Publicado originalmente em Revista Impacto

A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha. Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.

Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de “desviados” no Brasil, o resultado seria assustador.

Calcula-se que hoje existam no país entre 30 e 40 milhões de “desviados”. Por “desviados”, entenda pessoas que um dia tiveram seus nomes no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.

Estas pessoas — cuja boa parte povoa hospícios e presídios ou, saco às costas, vaga errante à beira de estradas — um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e, no outro, se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual.

Nesse contingente de desviados, há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão.

É desta classe de pessoas que trata esta edição. De pessoas desesperadas por uma nova chance, mas sem ter a quem recorrer porque, sabem, o único lugar onde encontrariam novamente a paz para suas almas é a igreja; porém ali, pensam, as pessoas são santas demais (ou se consideram santas demais) para admitir o retorno de um filho pródigo como ele.

Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque inadvertidamente cortaram os longos cabelos ou caíram em erros considerados “sem volta” por sua igreja, como o adultério. Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados a andar errantes pelo mundo pelo resto de suas vidas miseráveis. O problema é que, em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.

Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil – em algumas situações, impossível.

“A própria igreja discrimina os desviados”, constata Sinfrônio Jardim Neto, líder do ministério Jesus Não Desistiu de Você, de Belo Horizonte, dedicado à restauração da vida dos desviados.

“A igreja vê o desviado como se fosse Judas Iscariotes, que traiu a Deus e a igreja. E o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado daquele ambiente. Mal sabe que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada, garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo”.

Uma igreja de 200 membros perde outros 400 em 10 anos

Na próxima vez em que for a um culto, pare um instante e olhe à sua direita e esquerda. Agora, saiba que daqui a dez anos é possível que a senhora, o jovem sorridente e o austero senhor que estão em cadeiras ou bancos, próximos a você cantando louvores, estejam completamente afastados da igreja, amargurados com Deus e entristecidos por algum motivo.

De acordo com estatística do pastor mineiro Sinfrônio Jardim Neto, uma igreja de 10 anos de funcionamento, que tenha mantido média de 200 membros, viu passar por seu rol, ao longo dessa década, o dobro desse número. Uma evasão como essa explica a conta fictícia do parágrafo anterior.

Segundo as contas que têm feito ao longo de suas inúmeras campanhas em igrejas brasileiras desde 1994, quando começou a trabalhar com desviados, 400 pessoas que passaram por uma igreja que tem média de 200 membros estão desviadas hoje.

Em português claro e chocante: a igreja permanece com sua média de 200 membros, substituindo-os naturalmente. Mas essa rotatividade originada na dificuldade de “fechar a porta dos fundos” resulta, ao final de 10 anos, em perda de 200% no número de pessoas.

Esses números, destaca Sinfrônio Jardim, são relativos apenas a desviados. Aqui não estão incluídos outros itens, como mudança de membro para outra igreja.

Expulso da igreja porque não usava chapéu

As causas para o chamado desvio de pessoas na igreja são variadas, explica Sinfrônio Jardim Neto. Desde o abandono da fé, em razão da volta voluntária ao pecado, até a exclusão pela liderança da igreja em decorrência de coisas pequenas, mas consideradas pecados por eles.

Em suas viagens, Sinfrônio Jardim diz que encontra situações de exclusão que seriam hilárias, se não fossem tão perniciosas às vidas das vítimas. Pessoas que foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de igrejas, cujos líderes zelosamente disciplinaram com exagero pequenas contravenções. Na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o “pecador” junto com a água suja.

“Vejo gente sofrendo, afastada da igreja por causa de coisas pequenas, como ter cortado o cabelo, ter deixado a barba e até, pasme, por ter sido visto andando de bicicleta. Uma vez, em Campos, no Rio, conheci um homem que foi  expulso da igreja porque não usava chapéu, como ordenava o estatuto da igreja.”

Falsas Profecias, Propaganda Enganosa e Decepção com Deus

Outra causa para a apartheid espiritual de muitos é a decepção com lideranças. O membro procura alguém para confessar uma fraqueza ou pecado e, em vez de perdão e ajuda para vencer o mal, recebe maior condenação.

As profecias falsas são também causa importante de desvio da fé. Inúmeras pessoas naufragam depois de receber profecias falsas. A pessoa tem o filho doente, por exemplo, e recebe uma “palavra de Deus” de cura. Pouco tempo depois, a criança morre. Ela fica desesperada. Ou então ouve que deve se casar com alguém porque é vontade de Deus. Obediente, casa-se e algum tempo depois percebe que a voz ouvida não era da parte de Deus. Em vez de se decepcionar com o homem, decepciona-se com Deus e sai da comunhão, explica o pastor Sinfrônio Jardim.

E há, claro, o grande número de pessoas que se aproximam de Deus seduzidas por propaganda enganosa. Chegam porque alguém lhes prometeu prosperidade aqui e agora, mas não percebem as implicações do discipulado a Cristo. Querem as bênçãos do cristianismo, mas nada de porta estreita e caminho apertado. Querem sair do mundo, mas levar o pecado a reboque. “Querem a salvação, mas não querem largar o pecado”, resume Sinfrônio Jardim.

Por último, a decepção contra o próprio Deus é causa de afastamento de muitos. A pessoa é uma crente fiel e, de repente, alguém a quem ela ama morre, por exemplo. Nesse caso, se não tiver alicerces firmes em Deus, ela culpa a Deus pelo infortúnio. Age como se Deus tivesse sido ingrato com ela, sempre tão fiel e, portanto, a seus olhos, merecedora de recompensa.

Poucas visitas ao desviado – que resultam em ainda maior condenação

Depois que experimentam a expulsão do paraíso, poucos conseguem encontrar lugar de arrependimento. Pior é que se forem depender de boa parte da igreja para isso, já terão na mão o passaporte para o inferno.

Na pesquisa de Sinfrônio Jardim Neto, entre 60% e 70% dos desviados não recebem qualquer visita de líderes ou membros após sair da igreja. São simplesmente descartados ou substituídos por outros membros.

O restante dos desviados (entre 30% e 40%) recebe de uma a três visitas, que se revelam infrutíferas, porque na maioria das vezes a visita é de cobrança ou condenação. Em vez de amar o pecador e odiar o pecado, os visitantes lançam ambos na cova profunda do inferno. Jogam pedra, condenam. Decretam o inferno-já para o pecador. “É como bater de vara sobre a ferida de alguém… o ferimento e a dor só vão aumentar”, compara Sinfrônio Jardim.

Hospícios e presídios estão lotados de ex-crentes

Ainda segundo a pesquisa de Sinfrônio Jardim, existem três lugares onde sempre se pode encontrar desviados: nos hospícios, nos presídios e na mendicância.

“Vá a um hospício e ali você encontrará muita gente internada que recita versos bíblicos e canta canções cristãs. Estas pessoas um dia se afastaram, caíram em pecado e os demônios tomaram conta de sua vida. Ficaram endemoninhadas.

“Depois, visite um presídio e você encontrará inúmeros Josués, Elias e Samuéis. Detentos de nomes bíblicos, que demonstram o berço cristão. Ali você começa a conversar com um deles e descobre que é filho de presbítero de igreja.

“Por último, passe próximo a rodoviárias e estações de trem ou tente conversar com um andarilho de beira de estrada. Pelo menos três entre dez destas pessoas que andam bebendo errantes, sacos de bugigangas às costas, já participaram de uma igreja cristã. Ali, não raro, você encontra homens que um dia ocuparam solenes púlpitos e pregaram o evangelho.”

E por que não voltam? Sinfrônio Jardim entende que a falta de perdão a si mesmo, a falta de perdão por parte da igreja e o entendimento errado de que Deus também não pode perdoar o que praticaram, afastam-nas cada vez mais do ponto de retorno.

“Mais da metade dos que se desviaram tem problemas sérios com o ressentimento e falta de perdão. Não voltam porque não conseguem perdoar, ou não querem perdoar ou acham que não merecem perdão.”

O peso que está sobre a pessoa fica insuportável às vezes, explica Sinfrônio Jardim. Há denominações, por exemplo, que pregam que quem pratica adultério jamais será perdoado. Ora, com um decreto como esse na cabeça, o pecador desiste de qualquer tentativa de reconciliação com o Deus irado que lhe foi pintado e se transforma em um monstro na terra. Passa a praticar os mais baixos pecados, porque, pensa, se já está condenado ao inferno por toda a eternidade, resta aproveitar seus dias na terra.

Poucos saem em busca da ovelha extraviada

Hoje a maioria das igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. Ninguém pensa em deixar suas 99 ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada.

Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno. Afirma que na visão expansionista de muitas igrejas hoje, é pouco lucrativo deixar 99 ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada, que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tem chance de sobreviver.

Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar suas consciências, usam o argumento de que a pessoa já conhece a palavra.

Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. “Saíram de nós porque não eram dos nossos…” é um dos mais recitados.

A falta de visão de restauração descrita por toda a Bíblia é ignorada nesses casos. “Buscar ovelhas perdidas é visão antipática em muitas igrejas”, lembra Sinfrônio Jardim. “Isto porque quando o membro sai, geralmente sai falando mal da igreja ou do pastor. Acaba ficando malvisto dentro da própria igreja que, em vez de amá-lo e perdoá-lo, passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre o risco de ser também malvisto. E poucos estão dispostos a isto.”

Igreja Batista da Lagoinha foi buscar 3 mil desviados

O retorno com sucesso dos desviados à igreja depende basicamente da atitude da igreja. “A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a igreja toma uma atitude de ir buscá-los, consegue até 80% de sucesso”, afirma o pastor Sinfrônio Jardim.

Bons exemplos não faltam: a Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, já reagrupou 3 mil pessoas ao seu rebanho de 30 mil pessoas em pouco mais de dois anos. Ali, o pastor César Teodoro dirige o ministério “A centésima ovelha”, junto com o líder principal da igreja, Márcio Valadão.

A igreja Assembléia de Deus em Brasília, dirigida pelo pastor Elienai Cabral, também tem obtido sucesso no resgate aos seus desviados. Outra Assembléia de Deus, dirigida por Daniel Malafaia, em Campo Grande (MS), alcançou sucesso semelhante.

“Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença”

O casal Valmir Soares e Alina é exemplo perfeito de filhos pródigos restaurados. Conheceu a Deus, resolveu seguir seus próprios caminhos, reconheceu o estado em que estava, conseguiu forças para voltar, foi recebido com festa e experimentou a restauração em suas vidas, nessa ordem.

A primeira experiência de Valmir e Alina com Cristo aconteceu em 1987. Por um ano e meio, eles se relacionaram com Deus e com a igreja local que freqüentavam, em Campinas, SP. “O problema é que não abri totalmente o coração naquela época. O resultado é que ao longo do tempo fui esfriando, as coisas foram ficando difíceis e, no fim, tomei duas decisões erradas que acabaram me afastando da comunhão.”

“Aí não tem jeito, você entra mesmo no pecado e fica até pior. Comecei a praticar coisas horríveis e a mentir para minha esposa. Quando pensava em voltar, havia sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que eu era indigno, que ninguém iria me receber, enfim, que não tinha mais volta. Eu me lembrava dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutávamos, mas o pecado me impedia de voltar.”

“Outra coisa que me impedia de voltar era a presunção”, lembra Valmir. “Dizia para mim mesmo, tenho o Senhor na Bíblia… não preciso voltar. Eu não tinha o entendimento de que é o corpo que nos sustenta.”

“Mas aí Deus usou a vida do próprio casal que nos falara inicialmente de Jesus, os irmãos Hélcio La Scala Teixeira e Isabel, hoje pastores em São José dos Campos, SP.”

Valmir relembra: “Um dia, depois de uma conversa franca com eles e de novo convite, eu e minha esposa resolvemos visitar a igreja novamente. Enchemo-nos de coragem e fomos. Era um domingo de setembro, em 1992. Fomos recebidos literalmente como filhos pródigos. A maioria dos irmãos nos abraçou, orou conosco e, pela graça de Deus, fomos tocados novamente. Fiquei mais de uma hora chorando num canto, arrependido.”

Hoje o casal está restaurado e integrado na vida normal da igreja.

“O melhor de tudo”, diz Valmir, “é que em tempo algum recebemos o menor olhar de acusação dos irmãos. Nem mesmo por parte daqueles que tinham nos aconselhado anteriormente e a quem não tínhamos dado ouvidos. Ninguém disse: ‘Eu te avisei’. Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença.”

Luiz Montanini é jornalista, mora em Valinhos, SP, e é responsável pelo site cristão www.jornalhoje.com.br

Livros de Sinfrônio Jardim Neto que tratam do assunto desviados:

• Jesus Não Desistiu de Você 1 e 2
• Voltei – E Agora?
• Onde Está o Seu Irmão?
(Editora Betânia)

• A Reconquista
(Editora Vida)

Para entrar em contato com o Ministério Jesus não Desistiu de Você:
Tel: (31) 3452 1840
e-mail: daria@prover.com.br
www.jesusnaodesistiudevoce.com.br

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UM DESVIO MONSTRUOSO

• Estima-se que haja hoje, apenas no Brasil, entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.

• Uma igreja de 10 anos que manteve média de 200 membros viu passar por seu rol o dobro desse número. Isto é, 400 pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

• A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil.

• Entre 60% e 70% dos desviados não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

• Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram na maioria das vezes de cobrança ou condenação.

• Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados.

• De cada 10 andarilhos, 3 freqüentaram uma igreja evangélica um dia.

• A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança.

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Estatística dos Desviados

O número estimado de 30 milhões a 40 milhões de desviados no Brasil não é corroborado pela Sepal — Serviço de Evangelização Para América Latina. Missão internacional estabelecida no Brasil há mais de 30 anos, a Sepal tem um departamento especialmente voltado a pesquisas relacionadas ao meio cristão no Brasil e na América Latina.

A secretária do departamento de pesquisas da Sepal, Mércia Carvalhaes, explica que hoje no Brasil nenhuma instituição possui números oficiais sequer sobre a quantidade de cristãos no Brasil e muito menos sobre o número de desviados.

“Concordamos que há muitos desviados no Brasil, mas é impossível dimensionar a quantidade”, afirma Mércia Carvalhaes. “Seria necessário fazer pesquisa específica sobre isso. E não conhecemos ainda nem os números dos evangélicos. Queremos saber primeiro onde estão as igrejas e as pessoas que realmente as freqüentam, para então levantar outros dados, como o de desviados, por exemplo.” O movimento Brasil 2010, também da Sepal (www.brasil2010.org), está tentando localizar as igrejas evangélicas no Brasil.

“Ora, se não sabemos quantos somos, como saberíamos o número de desviados?”, pergunta Mércia Carvalhaes. “O que sabemos apenas é que os evangélicos no Brasil constituem 17% da população.” O fato é que 17% da população brasileira correspondem a cerca de 30 milhões de crentes e que desse universo, muitos se desviaram.

A pesquisadora da Sepal informa que nem mesmo a pesquisa do IBGE é confiável, porque os recenseadores da pesquisa em 2000 não foram treinados para ver as diferenças de religião. Ainda assim, ressalva, os dados do IBGE são os únicos disponíveis.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ele frequentava a igreja há anos, mas não via diferença em sua vida - Ilustração

 


O caminho é este. Você decide se quer ou não percorrê-lo.

 

Durante anos, nos cultos de sua antiga congregação, o velho pastor observou a presença de um jovem que nada falava e que parecia indiferente a tudo. Entrava, assistia aos cultos, meio alheio, saía. Não costumava participar dos eventos externos, batismos, retiros. Certa noite, o jovem chegou um pouco mais cedo e ao encontrar o pastor sozinho, arrumando as coisas no altar, aproximou-se dele, interpelando-o:

– Pastor, há muitos anos venho à sua igreja e tenho reparado no grande número de obreiros e obreiras ao seu redor e no número ainda maior de leigos, homens e mulheres. Alguns deles alcançaram plenamente a realização. Qualquer um pode comprovar isso. Outros experimentaram certa mudança em sua vida. Também hoje são pessoas mais livres e felizes.

Mas, senhor, também noto que há um grande número de pessoas, entre as quais me incluo, que permanecem como eram ou que talvez estejam até pior. Não mudaram nada, ou não mudaram para melhor. Por que há de ser assim, mestre? Por que o senhor não usa do seu poder e da sua unção para libertar a todos?

O pastor sorriu e perguntou:

– De que cidade você vem?

– Eu venho de Camboriú, pastor, a trezentos quilômetros daqui.

– Você ainda tem parentes ou negócios nessa cidade?

– Sim, mestre. Tenho parentes, amigos e ainda mantenho negócios em Camboriú, de modo que frequentemente vou para lá.

– Então, meu jovem, você deve conhecer muito bem o caminho para essa cidade.

– Sim, mestre, eu o conheço perfeitamente. Diria que até com os olhos vendados eu poderia achar o caminho para Camboriú, tantas vezes o percorri.

– Deve, então, acontecer de algumas pessoas às vezes o procurarem, pedindo-lhe que lhes explique o caminho até lá. Quando isso ocorre, você esconde alguma coisa delas ou explica-lhes claramente o caminho?

– O que haveria para esconder, mestre? Eu lhes explico claramente o caminho, de maneira a não deixar nenhuma dúvida.

– E essas pessoas às quais você dá explicações tão claras... todas elas chegam à cidade?

– Como poderiam, mestre? Somente aquelas que percorrem o caminho até o fim é que chegam a Camboriú.

– É exatamente isso que quero lhe explicar, meu jovem. As pessoas vêm a mim sabendo que sou alguém que já percorreu o caminho e que o conhece bem. Elas vêm a mim e perguntam: “Qual é o caminho para a salvação? E como ter e manter uma correta vida cristã”? E o que há para esconder? Eu lhes explico claramente o caminho. Se alguém simplesmente abana a cabeça e diz “Ah, um lindo caminho, mas não me darei ao trabalho de percorrê-lo”, como essa pessoa pode chegar ao seu destino? Eu não carrego ninguém nos ombros. Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu destino. No máximo, é possível dizer:

“Este é o caminho e é assim que eu o percorro. Se você também trabalhar, se também caminhar, certamente atingirá o seu destino”. Mas cada pessoa deve percorrer o caminho por si, sentir cada um dos seus passos. A salvação, pregada coletivamente, é individual; e individual também é a cruz de cada um.

Quem deu um passo está um passo mais próximo. Quem deu cem passos está cem passos mais próximo. Parece um paradoxo? Marchamos juntos, mas você tem que percorrer o seu caminho por si só. Não posso dar passos por você. Posso apontar, com palavras e exemplos, a direção.

Recriada a partir de ilustração presente no livro Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho.


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Um Filho que causou tantas lágrimas – Santo Agostinho e os filhos desviados

 


Ruth Bell Graham

 

Santo Agostinho não foi sempre uma pessoa piedosa. Sua mãe, Mônica, ensinou-lhe as doutrinas do Cristianismo e orava por ele, mas a mente incrível de seu filho a deixava atormentada. Certo dia, quando era adolescente, ele avisou que estava abandonando sua fé em Cristo para seguir unia heresia moderna! Passou a ter uma vida imoral. E Agostinho nunca fez as coisas pela metade. Foi o melhor e o primeiro aluno no colégio e tornou-se o melhor e o primeiro nas festas mundanas da juventude.

 

Eu não conseguia distinguir a diferença entre o claro brilho da afeição e a escuridão da luxúria... Eu não conseguia permanecer dentro do reino da luz, onde a amizade liga uma alma a outra... E, assim, eu poluí o riacho da amizade com as águas imundas da luxúria.

 Não dei ouvidos ao clangor dos grilhões de minha mortalidade, ao castigo do orgulho que existia em minha alma, e afastei-me de Ti, e Tu me deixaste sozinho. Fui atirado de um lado para o outro, vivi de maneira dissoluta e desregrada, mergulhei fundo em minhas fornicações, e Tu preservaste a Tua paz, oh, Tu, minha alegria tardia!...

 

Cada um de nós tem uma maneira própria de pecar. Alguns se deixam enganar porque seu pecado é socialmente aceitável; afinal, aquele pecado não é tão grave assim. Outros sofrem as consequências porque seu pecado não é aceito pela sociedade; vão parar na cadeia ou são desprezados pelas pessoas que costumavam chamá-los de amigos. A história de Agostinho é igual à nossa:

 

A perda da fé sempre ocorre quando os sentidos começam a despertar. Nesse momento crítico, em que os instintos naturais afloram, na maioria das vezes a consciência das coisas de natureza espiritual fica ofuscada ou totalmente destruída. Não é a razão que afasta o jovem de Deus; é a carne. O ceticismo só serve para criar desculpas para a nova vida que ele está levando.

 

Mônica, contudo, continuou a orar. Orava pelos pecados e pela heresia do filho. Orava pela luta do filho com Deus. E Agostinho sabia disso.

 

Passaram quase nove anos, nos quais eu chafurdei na lama do mais profundo abismo e na escuridão da hipocrisia... Durante todo esse tempo, aquela viúva casta, piedosa e sensata... não cessou de orar a Ti, suplicando em meu favor. E suas orações chegaram à Tua presença; contudo, Tu continuaste a permitir que eu me envolvesse cada vez mais naquela escuridão.

 

Aqueles anos não foram fáceis para Mônica. Qualquer mãe que tenha um filho perdido na escuridão sabe disso. Foram anos de sofrimento. Finalmente, ela recorreu ao bispo, um homem devoto que conhecia muito bem a Bíblia, e pediu-lhe que conversasse com Agostinho para apontar seus erros. O bispo recusou-se. Naquela época, Agostinho tinha a fama de ser um ótimo orador e debatedor.

Em vez de conversar com Agostinho, o bispo dirigiu sábias Palavras de conforto a Mônica, dizendo que uma mente tão inteligente como a de seu filho enxergaria o caminho certo por meio das decepções. Citou o próprio exemplo — ele havia sido maniqueísta.

Mônica não se sentiu confortada com aquelas palavras. Continuou a implorar ao bispo em meio a rios de lágrimas. Finalmente,cansado diante da tenacidade daquela mulher e, ao mesmo tempo, sem saber o que fazer diante de tanto sofrimento, o bispo disse:

 - Vá, vá! Deixe-me em paz. Continue a viver sua vida. Não é possível que um filho, que lhe causa tantas lágrimas, possa se perder.

Palavras ásperas entremeadas de bondade e compaixão.

O filho rebelde continuou a fugir de sua mãe e de Deus. Fugiu durante muitos anos. Um dia, porém, Agostinho deu ouvidos a Santo Ambrósio, bispo de Milão, o religioso mais conceituado da época. Exausto depois de tantos anos de fuga, convicto e quebrantado, Agostinho arrependeu-se e aceitou Jesus.

Segundo os historiadores e estudiosos cristãos, Santo Agostinho modificou o curso da História. Suas obras foram e continuam sendo mais lidas do que as de quase todos os outros autores ao longo dos séculos. Ele também é capaz de falar à geração atual, como que transmitindo uma mensagem de coração para coração. Santo Agostinho levou a bom termo as esperanças e as orações piedosas de sua mãe. Alguns dizem que ele foi uma ferramenta usada por Deus para manter acesa a chama do Novo Testamento quando o Império Romano desmoronou.

Pouco tempo depois que o Filho Pródigo voltou para casa, sua mãe lhe disse que não tinha mais motivos para viver. Passara a vida inteira desejando vê-lo voltar e aceitar Jesus. Nove dias depois, ela morreu.

O pai do Filho Pródigo do livro de Lucas estava tão ansioso por ver o filho retornar que o avistou quando "vinha ele ainda longe". Mônica fez o mesmo. Ela o seguia de longe enquanto ele fugia; reclamava de seus modos rebeldes quando ele voltava para casa. Nunca parou de orar pelo filho que lhe causou tantas lágrimas.

Agostinho aprendeu com ela uma lição que muitos filhos pródigos têm aprendido a respeito de nosso Pai celestial: "A única maneira de um homem se perder é afastando-se de Ti; e, se ele afastar-se de Ti, para onde irá? Ele só poderá fugir de Tua misericórdia rumo à Tua ira."'

Deus deseja ardentemente mudar as pessoas, afastando-as do foco de sua ira e levando-as em direção à sua misericórdia. É terrivelmente penoso ver um filho ou uma filha escolher o próprio caminho e segui-lo, mas devemos fazer o mesmo que a mãe de Agostinho. Foi assim que Jesus nos ensinou. Espere por eles, ore por eles e nunca pare de orar por eles. E, depois, olhe para a estrada com esperança. Talvez você possa ver seu filho, aquele que lhe causou tantas lágrimas, surgindo em meio a uma nuvem de poeira no horizonte.

 Do livro Histórias Para o Coração, de Alice Gray (org.).


terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Existem alguns tipos de cristãos que Deus não pode usar

Cerca de 17 anos atrás, eu fiz a oração mais perigosa da Bíblia enquanto estava deitado no chão da minha igreja perto de Orlando. Repeti estas palavras de Isaías 6: 8: "Aqui estou eu. Envie-me". Então eu me encolhi. Eu sabia que Deus "me estragaria bem", a fim de me usar para tocar os outros por Cristo.

Eu queria que Deus me usasse, mas estava dolorosamente ciente de que não apenas começamos um ministério em nossos próprios termos. Deus inclina e quebra quem fala por ele. Ele requer rendição total. Eu tive que deixar ir medos, ajustar atitudes e mudar prioridades.
Tornou-se popular hoje sugerir que Deus pode usar qualquer um. É verdade que Ele não mostra favoritismo com base em raça, idade, sexo, história conjugal, falhas anteriores ou status de renda. No entanto, seus padrões nunca foram reduzidos; Ele usa apenas seguidores humildes, obedientes e consagrados.
Muitos cristãos nunca serão úteis no reino por causa de atitudes ou comportamentos que limitam o fluxo do Espírito Santo ou, como disse o apóstolo Paulo em Gálatas 2:21a (KJV), "frustram a graça de Deus". Eu nunca quero frustrar Sua graça! Se você deseja que Deus o use, não se enquadre em nenhuma destas categorias:
  1. Sentados no banco do motorista do cristão. Jesus não é apenas nosso Salvador; Ele é nosso Senhor. Ele quer guiar nossas decisões, dirigir nossos passos e anular nossas escolhas egoístas. Existem muitos crentes que desfrutam dos benefícios da salvação, mas nunca cedem controle a Deus. Se você deseja que Ele o use, deve deslizar para o banco do passageiro e deixar Jesus dirigir. Se você tiver um problema de voluntariedade, aprenda a orar: "Não seja feita a minha vontade, mas a sua" (Lucas 22: 42b, MEV).
  2. Críticos de poltrona. Há pessoas que arregaçam as mangas e servem ao Senhor; há outros que decidem analisar e separar todos os que estão fazendo a obra de Deus. O diabo é o acusador; portanto, se você está acusando outras pessoas, você está operando no espírito de Lúcifer. O Espírito Santo não trabalha com pessoas que são amargas, iradas ou julgadoras.
  3. Pessimistas "meio-copo vazio". Hoje, muitos cristãos se preocupam com o que os pecadores estão fazendo, e alguns passam horas tentando prever quando o anticristo surgirá ou quando o mundo terminará. Enquanto isso, há outros cristãos que se concentram em conquistar pessoas perdidas para Jesus e mostrar Sua compaixão por um mundo destruído. Quem você acha que dará mais frutos espirituais - o pessimista do dia do juízo final ou o evangelista esperançoso?
  4. Cristãos de espírito carnal. Hoje tornou-se moda para os crentes baixar o padrão de comportamento moral a tal ponto que tudo vale. Não se deixe enganar. Só porque mais e mais pessoas estão pulando na onda da permissividade sexual não significa que Deus reescreveu Sua Palavra eterna.
Pessoas que vivem em pecado flagrante não podem ser instrumentos do Espírito Santo. 2 Timóteo 2:21 diz claramente: "Quem se purificar dessas coisas será um vaso de honra, santificado, apto para o uso do Mestre e preparado para toda boa obra". Nossa utilidade para Deus é baseada no fato de termos nos submetido ao processo de santificação. Santidade não é uma opção.
  1. Abandonadores da igreja. Não vencerei um concurso de popularidade dizendo isso, mas é verdade: Deus não usa pessoas que se afastaram da igreja. Hoje está na moda bater na igreja; algumas pessoas estabeleceram "ministérios" para atrair os cristãos para longe da igreja e para um deserto espiritual isolado. A maioria desses banhistas da igreja é amarga porque teve uma experiência ruim com um pastor.
Tenho apenas compaixão pelas vítimas de abuso espiritual. Mas ninguém tem o direito de derrubar a obra de Deus apenas porque um líder espiritual o machucou. A igreja é o plano A de Deus, e Ele não tem uma alternativa. Se formos usados ​​por Deus, precisamos nos conectar à igreja e aprender a fluir com a liderança ordenada por Deus.
  1. Covardes/tímidos. Quando Paulo enviou Timóteo a Éfeso para abrir a igreja lá, ele o exortou a se libertar do medo. Ele escreveu: "Não se envergonhe do testemunho de nosso Senhor" (2 Tim. 1:8a). O medo tem o poder de paralisar. Todos os que se rendem ao chamado de Deus devem bravamente abrir a boca, defender a fé, arriscar sua reputação e sofrer rejeição - e possível perseguição. Se você tem medo de compartilhar o evangelho, arrependa-se do seu medo e peça a Deus uma santa ousadia.
  2. Espectadores preguiçosos. Muitos cristãos hoje pensam que seguir a Deus significa assistir a um culto de 60 minutos antes de dirigir para a praia. Lemos devoções rápidas em nossos smatphones inteligentes e fazemos orações curtas durante o trajeto da manhã. Mas em algum lugar de todo esse estresse do século XXI, perdemos o significado de discipulado.
Se você quer que Deus o use, você deve levar a sério o chamado dele e tornar-se um aluno concentrado da Sua Palavra e um guerreiro de oração apaixonado. Os apóstolos do primeiro século declararam: "Mas nos dedicaremos continuamente à oração e ao ministério da palavra" (Atos 6: 4). Pessoas sem coração nunca mudaram o mundo. Você deve ser dedicado, comprometido e apaixonado, se quiser causar o máximo impacto espiritual.

J. Lee Grady foi editor do Charisma por 11 anos antes de iniciar o ministério em tempo integral em 2010. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

FILHOS DESVIADOS - Uma história sobre a fidelidade de Deus



AS TÁBUAS DO ASSOALHO

Aquela casa de porta larga de cor cinzenta, situada à beira da floresta era bem conhecida, não só naquele rincão mas em toda a paróquia.
Como qualquer outro lar, tinha também a sua história. O lugar era em seu tempo uma colônia muito linda. Em alguns lugares podia-se usar o arado para virar a terra, mas em quase todo o terreno era necessário usar a pá por causa das muitas pedras. Nos antigos tempos como se diz - havia vida e movimento no lugar; quando Kristian e Nils corriam no pátio, cheios de vida e alegria, mas aquilo durou pouco tempo. Depois silenciou de uma maneira um tanto mística - parecia um cemitério. Não se via mais aquela linda colônia, nem se ouviam mais o mugido das vacas e cabritos nas lindas noites de verão, quando voltavam das pastagens, nem os meninos que apascentavam o gado. Veio aquele silêncio de cemitério. A casinha vermelha diminuiu no meio do mato que tomou conta e crescia ao redor dela. Algum mistério parecia descansar sobre o lugar, como se esperasse acontecer alguma coisa extraordinária; o próprio ar parecia denunciar tal coisa.
Renovam-se a alma e a mente na aurora depois de uma noite longa - quando o crepúsculo foge -, e o sol nasce e vem o dia claro sobre Liagrenda. Assim se chamava o lugar.
Altar de oração - Aquele silêncio solene, tinha a sua própria pré-história - os vizinhos a conheciam muito bem: como Nils e Kari viviam com o Senhor, como oravam pelos seus dois filhos Kristian e Nils. Lá no quarto, junto à sala, um banco de madeira servia-lhes como "altar de oração". Durante muitos anos, orações ardentes subiram, por aqueles filhos queridos.
Enquanto eles estavam em casa, eram o objeto de maior amor imaginável, mas como muitas vezes acontece, eles não ligavam a isso como deviam. Os filhos, por certo, amavam o pai e mãe, mas achavam que o fervor da religião dos pais era muito exagerado. As orações e advertências constantes não eram fáceis de suportar. Nunca podiam sair uma noite de sábado sem que se ouvissem sérias advertências e, muitas vezes, viam lágrimas nos rostos dos pais. Quando saiam de casa com essas impressões, a noite inteira, gasta em divertimentos, parecia-lhes um fracasso. Muitas vezes quando se retiravam de um baile voltando para casa, viam a mãe, espiando, a esperar por eles. Ela não se importava com o tempo que gastava ali, tossindo e trêmula de frio enquanto orava ao Senhor: Oh Deus, manda meus filhos para casa!
Lentamente o ambiente caseiro parecia apertado demais para os filhos.
Não se sentiam mais livres. Debaixo dessa vigilância constante dos pais, nascendo nos seus corações a dureza e oposição. Faziam o possível para não ferir demasiadamente os pais, mas não era fácil se afastarem dos divertimentos e pecados deste mundo enquanto tinham o mundo no coração. A situação piorava, pois os filhos começaram a tomar bebidas alcoólicas. A primeira vez que chegaram em casa embriagados, depois de um baile, deixaram a mãe tão triste e impressionada que caiu doente. Aqueles dias foram terríveis também para Kristian e Nils. Eles oravam a Deus para que sua querida mãe não morresse e prometeram a seus pais que nunca mais se embriagariam. Contudo, continuavam no pecado. Quando os filhos não voltavam para casa nas noites de sábados, os pais ficavam sentados, esperando, chorando e orando a Deus. Às vezes, quando a mãe chorava muito, tinha fortes ataques. Ouviam-se os gritos de longe, mas ainda assim os filhos não deixaram a miserável bebedeira.
Distante do lar - Aconteceu um dia que um "noruego-americano" (assim são chamados os noruegueses que emigraram para os EUA) veio visitar o lugar. Este fazia muita propaganda, contando como tudo era melhor no outro lado do oceano. Muitos moços ficaram influenciados a emigrarem para a América do Norte. Entre esses estavam também os dois queridos filhos de Kari e Nils. Os pais não se conformavam. Tudo fora feito para impedir que os moços viajassem, até o próprio padre daquela paróquia os advertiu, dizendo: "Virá o dia do arrependimento, quando souberdes que vossos pais não estarão mais com vida". Os velhos eram doentes e mesmo assim cuidaram da pequena propriedade durante alguns anos. Diminuiram-lhes as suas forças físicas e, por fim, já não podiam mais trabalhar. O resultado foi que tudo decaiu e o mato tomou conta do que outrora era terra bem cultivada.
Nils e Kristian mandavam seguidamente cartas para seus pais; às vezes mandavam também algum dinheiro. E isso era mais do que bem-vindo, pois, os velhos eram pobres. Um dia aconteceu o que o padre predissera - os filhos receberam a triste notícia que seus pais partiram no espaço de algumas semanas.
Kristian e Nils prosperaram na América do Norte. Eles tinham uma só preocupação: ganhar dinheiro. Cerca de seis anos depois da morte de seus pais, uma forte saudade se apoderou deles. Cansados de todo o trabalho, voltaram à casa paternal.
Era um lindo dia de primavera, dois noruego-americanos robustos, entraram no velho pátio de Liagrenda. Sentiram uma solenidade profunda encher o próprio ar. Um casal de passarinhos estava na antiga escada, meneando as cabeças, no mesmo lugar em que seus queridos se despediram deles. Outro casal de passarinhos estava no telhado, cantando, parecia dar-lhes as boas-vindas, enquanto outros pássaros cantavam ao redor, nas árvores, como se fosse um verdadeiro coro. Era tudo isso como nos tempos passados! Somente uma coisa faltava: os pais.
Volta ao lar - Nils e Kristian sentaram-se na escada. Ficaram nessa posição por um tempo, sem dizer palavra alguma um ao outro. Era como se revivessem o passado. Sentiam como se lhes faltasse o fôlego enquanto pronunciavam: - Mãe, pai! Mas ninguém lhes respondia. Quando chegaram ao cemitério, acharam ali os sinais do lugar onde foram enterrados os pais.
Oh, como ardiam os seus corações; era como que tivessem feridas incuráveis.
Nesse momento não puderam fazer outra coisa se não lançarem-se ao pescoço um do outro - chorando.
Não achavam mais alegria ao chegar ao seu lar paterno. Andavam tristes, dia após dia. A casinha vermelha parecia-lhes outra vez apertada, tornando-se-lhe impossível morar ali. Resolveram demoli-la e construir outra maior e mais moderna. Um dia iniciaram a demolição. Agora importava mostrar coragem, e sob cânticos e júbilo tiraram o telhado. Logo a seguir estavam já sobre o quarto, aonde tantas vezes ouviram as orações dos pais. As lembranças vinham-lhes tão fortes à sua memória que silenciavam os seus cânticos. A demolição prosseguia a rapidez do estilo americano. Importava terminar breve esse serviço. Enquanto desmanchavam a casa, alguma coisa dentro dos seus corações também parecia desmanchar-se.
Finalmente acharam-se no quarto, junto àquele banco de madeira - o falar de oração dos pais. Parecia-lhes ouvir as orações, quando clamavam a Deus pela salvação de Nils e Kristian. Coitados dos moços! A vida assim não era tão fácil para eles agora. Chegara o grande momento em suas vidas, a hora de prestar contas ao A!tíssimo. Agora as orações incessantes dos pais seriam galardoadas, como uma bênção eterna para estes dois filhos, que até então tinham-se endurecido contra a chamada do Espírito Santo. Eles se retiraram o máximo possível do lado direito onde estava o banco, até que faltavam só umas dez tábuas, lugar de luta e lágrimas pelos dois filhos queridos, pararam o serviço. Kristian e Nils olharam um para o outro, era como se cada qual dissesse: Tira essas tábuas, tu. Eu não posso fazê-lo. Pareciam ter os braços paralisados. Não contavam com uma coisa desta, quando começaram com este serviço: não pensaram que havia na casa qualquer parte que lhes seria impossível desmanchar, sim, que havia ali algumas tábuas que se chamavam "tábuas de oração", que exigiam respeito e santo temor. Eles se sentaram no banco, completamente sem forças para ficar em pé, as lágrimas corriam com abundância, não das faces de dois velhos e esgotados, mas, finalmente, dos dois filhos pelos quais Kari e Nils tanto choraram.
Renovação - No silêncio ouviu-se o canto dos passarinhos, indicando alguma coisa nova a acontecer - uma coisa alegre. Um poder invisível obrigou os dois moços fortes a ajoelharem-se e ali se acharam orando, pedindo a Deus perdão por todos os seus pecados. Durante algum tempo ficaram assim, clamando..., pedindo... Mas repentinamente pareceu-lhes que as vozes de mãe e pai falavam por meio da Bíblia de capa marrom - muito gasta de tanto uso - que ainda estava no lugar de costume.
Promessa após promessa vieram-lhes ao encontro dentro de seus corações. Podiam agora, claramente, sentir o perdão de seus pais - e o perdão de Deus. Era como se tornassem meninos outra vez, sentados no colo dos pais, como na meninice.
Juntos louvaram a Deus pela salvação pelo sangue do Cordeiro. Um novo tempo raiou e sentiram-se alegres outra vez no velho lugar: Liagrenda.
Pais crentes! Não desfaleçais na oração, mesmo não vendo nenhum resultado das vossas orações pelos vossos filhos que não são salvos! Virá o dia quando as orações serão atendidas, pois, Deus é fiel.

Jornal Mensageiro da Paz / Via http://paginasilustrativas.blogspot.com/
gravura: http://alexandrehreis.arteblog.com.br/3

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Como transformar o Visitante em um Membro da Igreja


Como transformar o Visitante em um Membro da Igreja

Depois de ter atraído pessoas novas para a igreja, o que fazer com eles? Como se aproximar? Como entrar em contato com eles depois?
Bem, muitas igrejas são ótimas em fazer coisas novas e atrair muitos visitantes para a congregação fazendo um ótimo trabalho,  mas se esquecem do que fazer depois com esses visitantes que estão dentro da igreja. 
Não adianta ter uma igreja que sempre está cheia de visitantes se não dá prosseguimento no cuidado deles.
A igreja sempre vai estar cheia mas a membresia vai ser sempre uma minoria de pessoas.
Mas qual o problema disso?
Alta rotatividade de pessoas. A alta rotatividade é prejudicial tanto para os visitantes quanto para a igreja. Quando o visitante vai na igreja mas não se sente parte dela, ele sempre vai procurar outras igrejas até que alguma o acolha.
Com alta rotatividade de pessoas, a igreja sempre vai estar cheia, mas com poucos membros, poucos voluntários, poucas pessoas realmente comprometidas com a igreja local.
Lembre-se que muitas pessoas vão na igreja pela primeira vez arrasados, com problemas, como uma última esperança. Se essas pessoas entram na sua igreja, assistem o culto e nem são sequer notadas, talvez você não tenha uma outra chance de fazer a diferença para esta pessoa.


Então o que fazer quando o visitante chegar pela primeira vez na igreja?
  • Tenha uma equipe para recepcionar as pessoas e cuidar dos visitantes na porta:
Em igrejas com menos de 200 pessoas por culto, já é possível conhecer a maioria dos rostos que estão lá. Então a equipe de recepção consegue saber a MAIORIA das pessoas que já são da igreja e quem está visitando. Com isso, eles conseguem abordar o visitante pela primeira vez, se apresentar e  perguntar se é a primeira vez dele na igreja. Caso a resposta seja positiva, a pessoa pode se colocar à disposição do visitante e pedi-lo para preencher a FICHA PARA CADASTRO DE VISITANTE com os dados para contato. Se quiser, pode pedir para ele escrever um pedido de oração no verso da ficha, destacar e entregar para a equipe da recepção ou no local indicado.

  • Pergunte no culto:
O pastor ou a pessoa responsável pelo culto no dia, antes de começar a pregação pode pedir para as pessoas que são visitantes levantem a mão que uma equipe irá entregar a FICHA PARA CADASTRO DE VISITANTE para preencher e entregar depois do culto no local indicado. 
Essa é uma ótima forma pois é fácil e assertiva já que o visitante irá levantar a mão preencher a ficha para entregar depois sem nenhum constrangimento.  (Lembre-se de de NÃO CANTAR MÚSICA PARA OS VISITANTES. Isso é constrangedor para os dois lados e pode fazer com que o  visitante nunca mais queira entrar na sua igreja. Evite essas e outras práticas que exponham o visitante para toda a igreja.)

  • Countdown (Contagem regressiva)
Diversas igreja tem utilizado o Countdown ou Contagem Regressiva para um momento de descontração e interação antes de começar a pregação. Normalmente após o louvor, a igreja dá uma pausa de 5 MINUTOS para que as pessoas cumprimentem umas as outras, vão ao banheiro, bebam água e se conheçam um pouco antes de começar a palavra.
Esse é um ótimo momento para que as pessoas da igreja ou uma equipe responsável entre em contato com as pessoas que visitam pela primeira vez. 
Após o louvor e antes de iniciar o CountDown ou Contagem Regressiva, o pastor ou responsável pelo culto pede para os visitantes levantarem a mão que as pessoas ou a equipe irá até eles para se conhecerem. Essa interação de 5 minutos é o suficiente para saber quem é o visitante, de onde ele vem, porque está visitante a igreja entre outras coisas além de pedir para preencher a FICHA PARA CADASTRO DO VISITANTE com os dados dele e entregar depois. Lembre de pedir para sua equipe ficar atenta no momento que os visitantes levantarem as mãos.


Agora que temos um monte de fichas com os dados dos visitantes, o que fazer?
Agora é dar o acompanhamento para estes visitantes. Direcione alguém para que ao longo da semana entre em contato com as fichas preenchidas. Essa pessoa deve conversar um pouco com o visitante, saber sobre a vida dele, onde ele mora, o que achou da igreja, se já foi de outra igreja, tirar as dúvidas dele sobre a igreja, etc.
A pessoa pode estar direcionando este visitante para uma célula próxima a casa dele,  marcando para visitar a casa do visitante ou marcando para encontrarem depois e conversarem um pouco.
Após ter este primeiro contato, você já pode estar perguntando para o visitante se ele deseja batizar, se tornar membro, etc.
E assim, você vai inserindo os visitantes na membresia da igreja de uma forma agradável e saudável com acompanhamento a esta nova pessoa da sua igreja.

Via http://www.macampe.com/impressos/diversos/ficha-para-visitante

NOTA DE ARSENAL DO CRENTE: Em um recurso gratuito que elaboramos, "Certificados, Cartazes e Utilidades para Igrejas", há um modelo de ficha para visitantes. Baixe o arquivo AQUI.