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terça-feira, 29 de outubro de 2024

Apontamento 178: Ouriços-cacheiros (bis)

 

Ora, o bichinho engraçado da imagem vive tempos difíceis por causa dos automóveis e agora também devido aos robots corta-relvas.

Mas tenho uma amiga muito dedicada à preservação dos ouriços. Como se aconselha, ela tem vários montes de folhas e casinhas próprias para os animais espalhados pelo quintal. À noite deixa comida e amendoins no terraço. Lembro-me, sentada à noite no terraço de os ver chegar para comer, ouvindo o ruído de trincar os amendoins.

Com a chegada do Outono, o trabalho da minha amiga aumenta. Numa garagem vazia monta uma “cidade” de caixas de papelão para os ouriços hibernarem, até à Primavera.

Antes de os bichinhos irem para as casotas têm que ter um determinado peso para aguentarem a hibernação. Com efeito, são pesados e os “mini-mini” ouriços ainda ficam dentro de casa para um melhor acompanhamento. O cuidado vai a ponto de preencher várias vezes durante a semana uma ficha de cartolina, registando a evolução do peso até atingir o recomendado para ir hibernar.

No entanto, a Ruth fiscaliza diariamente a garagem para saber se algum ouriço ainda está acordado e, nestes casos, deixa comida, limpando, obviamente, todos os dias o chão conspurcado.

Na casa existe também uma pequena farmácia com remédios e pinças para cuidar dos ouriços enfermos, havendo especial cuidado na desparasitação.

Após um curso intensivo de cuidados para ouriços, a Ruth ficou diplomada e tem a porta sempre aberta para receber mais bichinhos que as pessoas resolvem entregar ao seu cuidado.

Post de HMJ

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Adagiário CCCXXVIII

 

1. Nunca se matou Ouriço-cacheiro às punhadas.

2. Muitas coisas sabe a raposa, e o ouriço-cacheiro uma só.

sábado, 22 de outubro de 2011

Notas de Viagem 4 (finais)

Estas últimas notas reservei-as para falar de um bichinho que, para além dos esquilos, sempre me encantou, o ouriço-cacheiro. Confesso a minha ignorância sobre os hábitos de vida de ouriços até conviver com eles, diariamente, no jardim da minha amiga e ouvir as suas sábias lições. Ora, o ouriço-cacheiro, residente no jardim de RJ apresenta-se:

Temporariamente encontrava-se no chão da cozinha, à espera de ser alimentado, através de uma seringa e com um creme de sopa de carnes, por se encontrar doente dos "dentinhos" e, por isso, incapaz de trincar o prato de carne cozida, sozinho. No entanto, a moradia do ouriço-cacheiro, no jardim, é agradável e espaçosa como se vê:

A restante população de ouriços, uma dúzia ou mais, vive noutras casinhas e abrigos vários espalhados pelo jardim. Por volta das 23 horas, e depois de terem comido nas casinhas os pratos de carne diariamente servidos por RJ, começa a "ronda da noite". Passeiam pelo jardim e pelo terraço, à procura de amendoins previamente espalhados pela minha amiga. Comem-nos deliciados, fazendo um ruído próprio que anuncia a sua presença. Ouvem-se também, por vezes, uns roncos agressivos quando dois pretendentes ao mesmo petisco se enfrentam. Aprendi, portanto, algo sobre o seu modo de vida que, em pequena, ignorava por completo, ou seja, os ouriços-cacheiros percorrem o jardim no período nocturno. Aproveitam o Verão para encherem o bandulho até atingirem ca. de 800 gr., peso que lhes permite aguentar o período de hibernação, no Inverno, até acordarem, de novo, na Primavera seguinte. Os residentes de RJ, e outros que ela encontra e pretende salvar dos inimigos mais ferozes dos ouriços, ou seja, os automóveis, hibernam numa parte reservada da garagem, em enormes caixas de papelão, confortados numa caminha de feno.
Soube, há dias, que o ouriço doentinho, que vemos na imagem, apesar dos cuidados extremos, não sobreviveu muito tempo depois da minha partida.


Post de HMJ, dedicado a RJ, em pensamento