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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Desabafo (35)


Os jornais noticiam que: Os Maias deixam de ser leitura obrigatória no Secundário. Pois muito bem!
Sugiro que os professores, na sua inefabilidade construtiva, substituam Eça, pela leitura da Caras ou do CM. Mas tão só dos títulos, em maiúsculas, para não cansar muito o olhar e as meninges das criancinhas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Da Janela do Aposento 63: Ordem para Formatar


A estatística reproduzida na imagem acima parece-me bastante clara quanto aos tempos que vivemos.
Relativamente a explicações para o facto da “melhoria de resultados” dos Bancos, vieram-me à memória vozes cândidas – nacionais e europeias – a quererem impor uma nova disciplina escolar: formação económica e financeira.
Esse objectivo de formação neoliberal situa-se na sequência de posturas bem mais autoritárias, de um tal “senhor sonae”, querendo impor, ao corpo docente nacional, uma sua “ordem para formatar” funcionários diligentes e submissos.
A este senhor, cá do burgo, também não interessa um ensino que se centra na sua essência, i.e., fazer pensar e, sobretudo, falar e escrever bem e correctamente. Quanto às lições neoliberais económico-financeiras, tenho dúvidas que pretendem explicar a jogada por detrás dos números acima representados.

Para mim, bastam-me as lições paupérrimas dos malfadados “gestores de conta” que se intrometam na nossa vida de forma abusiva.

Post de HMJ

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Da Janela do Aposento 49: Paradoxos



Na vivência democrática sempre me incomodaram certos paradoxos que, de forma encapotada, se revelaram, desde cedo, no sistema educativo. Uma dessas incoerências, em que sempre tropecei com indignação, consta do seu enquadramento legal, ou seja, da sua Lei de Bases.

Alguém, de perfeito juízo, acredita neste palavreado incoerente, quando se afirma, em jeito de preâmbulo, que “O Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas (...)" ?

Olhando à nossa volta, e porque não concebo a realização de qualquer acção humana num espaço neutro, verifica-se que a chamada “crise dos valores” se aproxima, afinal, de uma profusão de “não valores” que resultam dessas directrizes de moralidades inconfessadas e encapotadas.

Exemplifiquemos.

Quando se institui, no Ensino Básico, uma carga horária de 3 h semanais para a disciplina de Educação Física, idêntica às disciplinas de Inglês ou Francês, de História ou Geografia, não estamos perante uma directriz a que subjaz uma valorização ideológica,  política ou até filosófica ? Valorizamos, pois, “os valores e princípios associados a uma vida activa”, ou como afirmou, recentemente na imprensa, uma representante do Desporto Escolar, o efeito “super-pedagógico” (sic) das aulas de Educação Física.

O perverso deste desconchavo constata-se diariamente. Dificilmente se encontrarão os efeitos da “Ética do Desporto Escolar”, com a sua proclamada formação orientada por valores como a Tolerância e o Humanismo, perante criaturas a dar “urros” em cada pontapé na bola, usando um precário e reduzido vocabulário do mais baixo nível de língua, sem respeito pelo sossego e ambiente do seu semelhante.

Falta explicar também o efeito “super-pedagógico” perante a ausência de qualquer sentido de tolerância nas hordas de “hooligans” que proliferam à volta do futebol e que, paulatinamente, se têm vindo a organizar em movimentos – numa mistura de Pegidas e Hogesas de má fama castanha - como os que vemos na Alemanha.

De facto, o Estado não pode atribuir-se o direito de falar em Humanismo, nem quanto à disciplina de Educação Física, nem no que se refere à sua acção política, porque é uma palavra demasiado elevada e cheia para sair de uma boca tão pequena.

Post de HMJ

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Da Janela do Aposento 46: A cereja em cima do bolo



Um sistema de ensino dedicado, essencialmente, a uma tarefa difícil e prolongada no tempo, i.e., fazer pensar não se coaduna com uma ausência de reflexão permanente sobre a estratégia mais adequada para atingir esse fim, nem, e muito menos, com soluções “ao sabor da onda” como demonstra a imagem acima.

Assim como me tem preocupado a lenta, mas persistente, anulação do direito fundamental do docente à autonomia na concepção e implementação de um Programa Nacional para uma dada matéria, tem havido um processo administrativo contínuo na castração de alunos. Em nome de uma pretensa objectividade, contrária à natureza da língua que, nas suas combinações ilimitadas, não permite textos idênticos, o ME tem produzido “papel” com uma prosa admirável.

Para exemplificar, se um exame nacional, qualquer que ele seja, tem três páginas de enunciado, a burocracia aumenta em três vezes esse aglomerado de indigências, acrescentando “critérios”, “descritores” e “cenários de resposta”, tudo em nome de uma falsa tentativa de alcançar a objectividade da avaliação. A autonomia do docente, claro está, fica reduzida ao cumprimento desta fatalidade, sacrificando, se não tiver o remédio de sair a tempo, a sua sanidade mental e contribuindo para industriar “macacos” em vez de desenvolver a autonomia de pensamento de alunos. Dispenso-me de sublinhar pormenores perversos como a “penalização” por usar mais do que um determinado número de palavras nas respostas, o que, obviamente, leva os alunos a contar as palavras em vez de se preocuparem com o essencial, a saber, o conteúdo.

Dito isto, basta olhar para a imagem acima para atestar a miséria a que chegamos e, sobretudo, sem vergonha ! De uma velada tentativa de instrumentalizar os professores para  a formação de “empregados diligentes”, de Azevedos e quejandos, surge, finalmente, a revelação por uma editora que enriquece à custa do treino institucionalizado.

Definitivamente, e sem pejo, o exame nacional passou a ter a figura de um avião e as restantes provas são meras malas de viagens. Não me parece que a mensagem pudesse ser mais concludente quanto à natureza de uma máquina instalada e com o objectivo de esvaziar, totalmente, a autonomia e a nobreza do ensino, anulando, por completo, a dignidade do pensamento humano.


 Post de HMJ

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Da Janela do Aposento 39: Educação ? Ensino ?





A condição de “posto em sossego” desobrigou-me a qualquer declaração de interesse, mas não me livrou do desassossego perante o desnorte, ao nível nacional e europeu, nas questões da educação e do ensino.
A confusão entre os dois conceitos tem décadas, ao ponto de ganhar estatuto, na nova proposta do “Programa de Português”, sob o lema de “Educação Literária” quando, de facto, se pretende traçar objectivos de ensino na vertente de leitura de textos literários. Contudo, a confusão conceptual tem uma raiz e uma origem, i.e., uma Lei de Bases do Sistema Educativo, de 1986, que declarava, nos seus considerandos preambulares, que o “Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”. Embora sempre negligenciado, tamanho embuste paradoxal e conceptual abriu a porta ao declive em que nos encontramos.
Passamos a definir a educação em função de universos restritos. Uma Lei de Bases definida com os olhos postos nos filhos lá de casa, esquecendo que a realidade era bem outra. O que até levou um Ministro, após a sua saída, a declarar que “o difícil é sentá-los”, uma evidência que qualquer docente sabia, e bem demais para ser verdade.
O medo perante um “cânone literário” para leccionar, e ensinar, privou uma geração de alunos de uma percepção “cronológica e antológica” da Literatura Portuguesa, substituindo-a por uma salganhada de leituras da “literatura universal”, entremeada por excertos, envergonhados, dos chamados clássicos nacionais. Não merece a pena citar os “bons ventos” responsáveis, nem os famigerados “planos nacionais” que suportam semelhante opção.
Os chamados Programas, ou Metas Curriculares, orientaram-se pela vaidade ou inclinação académica dos seus redactores. Nalguns casos, o aparato “teórico de enquadramento” é um portento. Noutros, para descer a um nível inferior da linguagem, a “montanha pariu um rato”, como é o caso da recente proposta de Programa de Português para o Ensino Secundário, da autoria de Helena Buescu.
Convém recordar que este novo programa surge num momento em que a escolaridade obrigatória se alargou até ao 12º Ano, i.e., declarando-se válido e exequível, para o universo dos alunos, uma recuperação de um determinado “cânone literário”.
E neste “novo Programa”, de “gato escondido com rabo de fora”, sucede que a selecção “cronológica” anda aos saltos e a “antologia” se resume, na generalidade, a excertos, acusando determinadas opções estéticas e particulares dos redactores. O espanto geral perante uma encenação tão inconsistente permite apenas citar alguns exemplos mais aberrantes:
Cantigas de Amigo (escolher 5), Cantigas de Amor (escolher 3), Crónica de D. João I (escolher 2 capítulos), História Trágico-Marítima (Capítulo V), A.Vieira, Sermão de Santo António (passou a ter capítulos, em vez de partes do sermão, Cap. I – integral – o restante em excertos), e, para finalizar, A. Garrett, Viagens na Minha Terra (escolher 5 capítulos!). As opções relativamente ao Século XX dispensam qualquer consideração. Pobres professores, infelizes criaturas !
Tenho saudades do tempo em que os estudantes entoavam “loas”, cantando vivas à Academia e aos professores, porque lhes reconheciam valor na sua capacidade de orientar os seus estudos de uma forma sábia, objectiva e desinteressada.

Post de HMJ

sábado, 4 de maio de 2013

As enormidades e a desproporção


Quando me falam do Ensino, em Portugal, eu fico logo de pé atrás.
Ultimamente, pelo Chiado, tenho visto romarias de jovens subindo e descendo a rua do Alecrim, acompanhados de professores de bonés com pala, dando a volta ao Largo, seguindo para o Camões. Normalmente, junto à Brasileira e à volta da estátua de Fernando Pessoa, de Lagoa Henriques, há paragem e perlenga, fotografias também. Já sei ao que vêm estes jovens estudantes excursionistas: "estudar", in loco, os percursos queirozianos e pessoanos - é a moda, que se há-de fazer... Coitados dos estudantes de Bragança ou de Angra do Heroísmo, que não têm Lisboa à mão!... Como será, com eles?
Mas, hoje, tive uma notícia fidedigna e surpreendente, que me deixou estarrecido. A uma jovem estudante do 11º ano, foi pedido pela professora, ao seu grupo de trabalho (que integra mais 4 ou 5 colegas), que fizesse um trabalho escrito sobre "Os Maias", de Eça de Queiroz, com, pelo menos, 200 páginas. Será que a professora terá ensandecido?!
No Seminário do meu último ano da Faculdade, e com vista ao trabalho de tese sobre a obra de John Updike (1932-2009), que eu ia fazer, pediram-me, previamente, uma sinopse de cerca de 50 páginas sobre a obra que me propunha executar. Volto a perguntar, estarrecido: será que essa professora, do 11º ano, ensandeceu?

terça-feira, 12 de março de 2013

Pergunto eu


E se a desestruturação do Ensino, de uma forma geral, se insere, não num acaso facilitista e estatístico, mas numa estratégia política subtil e estudada, que visa provocar um regresso à ignorância, à barbárie, à iliteracia e à incultura servilista, que transforme gerações e gerações de jovens em futuros escravos? Pela anulação do pensamento.
Há dias, um conhecido empresário multimilionário português auto-reformado (que se vai dedicar à cultura de kiwis, no Norte), em entrevista, contava que, na escola primária, o seu competente professor não deixava passar e chumbava os alunos que dessem um erro ortográfico(?!) no ditado da prova final do ano. A minha experiência escolar, não sendo tão exigente nem fundamentalista, foi quase semelhante.
O que andamos para trás, deus meu!? Se não, compare-se o que era a escrita escorreita, clara, o discurso arrumado de antigamente, com estas duas search words que, recentemente, nos chegaram ao Arpose:
- "como cohe cer pinto o ke e galo ou oke e galiha" (sic).
- "joao chereno pe de o gen" (sic).
Que raio de "linguagem de ervilhaca"(Camões) será esta?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Da Janela do Aposento 28: Pensar




Como explicação assaz curiosa da imagem acima, verifica-se que o menino preenche uma folha, com exemplos em Castelhano, embora acompanhasse uma notícia sobre os resultados recentes de alunos portugueses em diversas áreas do saber. Para o efeito tanto importa, porque o mal é global e não exclusivamente português, porque falamos, certamente, de uma importação indevida e nociva, designadamente no que respeita ao essencial do ser humano.

Portanto, o acessório da imagem representa, em Português ou Castelhano, o grau zero da mobilidade manual e do aperfeiçoamento do movimento no desenho das letras, pousio indispensável ao desenvolvimento das ideias, ou seja, o domínio do exercício mecânico sobre a esfera do pensar.

Contrariando muitas almas caridosas, sempre rejeitei e não aceito, testes de importação, “à americana”, “de cruzinhas”, de “escolhas múltiplas” e quejandos, sobretudo no ensino da língua e da literatura, pela matricial incapacidade de representar o universo infinito de combinação da Língua e, sobretudo, de pretender abarcar um universo tão vasto como a Literatura. Confesso que a importação pobre de “testes de escolha múltipla” facilita, e muito, o trabalho de correcção, aumenta a estatística, sobretudo daqueles que, maioritariamente, apostam no factor “sorte” do ensino, em detrimento dos alunos que, com esforço, acham que vale a pena pensar antes de escrever.

E, à semelhança dos indigentes “exames de condução”, os testes “de escolha múltipla” costumam premiar os “sortudos” e penalizar os que pensam pela sua própria cabeça. Convenhamos que a Semântica e, sobretudo, a Pragmática não se esgotam numa simples frase fora do seu contexto. Desgraçados os que pensam pela sua cabeça e que, perante o beco sem saída do exemplo, frequentemente redutor, não podem escrever nem justificar as opções de um universo muito maior.

Assim, chegamos ao essencial do “post”. Ou seja, o lento abastardar das Ciências Humanas e, sobretudo, da Língua e da Literatura a um exercício contabilístico imediato, um “deve” e “haver” que, de todo, o pensamento, suportado por qualquer língua, rejeita.

Post de HMJ, recordando o Pensar, de Vergílio Ferreira.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Da janela do aposento 13: Seria cómico, se não fosse trágico




Não obstante a convicção de que o distanciamento temporal poderá – aliado ao desejo de sobrevivência sã – apagar, lentamente, memórias funestas, a criatura confronta-se, frequentemente, com os velhos fantasmas, quer através de uma conversa elevada entre amigos, quer por efeito de um dos raros artigos de opinião que se tem publicado na imprensa. Li o excelente artigo de António Guerreiro, publicado na versão electrónica do Expresso com data de 23.7.2012 (?), e resolvi “pronunciar-me”.
Sobre o “adestramento” de professores e alunos para os exames, a enorme “industria editorial” que gravita à volta desta máquina infernal de trabalhar – em vão – para a menorização da inteligência em prol da estatística, o assassinato da subjectividade, insubstituível, da literatura a favor de uma pretensa objectividade do “avaliacionismo” – A. Guerreiro dixit – nada acrescentarei. Recomendo, apenas, a leitura do artigo citado.
Aproveitando o título do artigo de A. Guerreio, diria, como na epígrafe, que a “comédia de rigor” se revela, mesmo à distância, mais trágica e sinistra do que parece.
O docente, “vilipendiado” e amputado, administrativamente, da sua liberdade de pensamento próprio não conseguirá, em consciência, atingir o seu objectivo, i.e., contribuir para o desenvolvimento de um “pensamento crítico” que a escola deveria privilegiar.
O assassinato da leitura e da literatura, a pretexto da objectividade, elimina o desenvolvimento da escrita, substituindo-as por uma memorização de “chavões” metalinguísticas que perturbam pela sua “incoerência, o desajuste e a inapropriação”.
Assim, o país empobrece, de uma forma silenciosa, e a Europa vai formando uma geração de acéfalos para o cumprimento de desígnios ainda pouco definidos. O trágico do artigo de A. Guerreiro não se poderá confundir com o sentido último da Tragédia Clássica. A Tragédia grega, como a literatura, alimentavam-se da nobreza de espírito, do pensamento próprio e do ensinamento. Pelo contrário, uma má tragédia e uma péssima encenação não contribuirão para a elevação do público.

Felizmente “posta em sossego”, consegui ser “promovida a restauradora Olex” com extremo orgulho, proveito e gosto.

Post de HMJ