Mostrar mensagens com a etiqueta artistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta artistas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Apontamento 80: Um galerista fala sobre a Arte e os Artistas


Jörg Johnen, galerista em Berlim e que iniciou a sua carreira, em 1984, em Colónia, Alemanha, deu, recentemente, uma entrevista ao jornal DIE ZEIT, tecendo considerações sobre o estado actual da Arte e dos Artistas.

A sua visão crítica, num olhar de despedida sobre a sua carreira, não engrandece a Arte, nem abona nada sobre a maioria dos Artistas.

Johnen sublinha que uma recepção intelectual da Arte foi substituída por fenómenos como a “posse”, a “auto-representação” e o “glamour”, tornando-se duvidoso o caminho dos Artistas que seguem esta “pista do capital” de coleccionadores endinheirados.

O galerista, mantendo-se fiel a alguns, poucos, artistas, confessa-se cansado de uma arte contemporânea feita de “cliques de rato”, “junções artesanais” de “corte e costura”. No fim, fala de um dos seus Artistas que ele considera pela espiritualidade, mas que não consegue ter o êxito merecido pela timidez e modéstia, características tão fora do mundo actual.


 Post de HMJ

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Apontamento 44: O encontro de miseráveis



Se tivesse capacidade e dotes especiais para transpor factos reais para um universo de ficção, engenho e arte que, de facto, não me foram concedidos, poderia transformar um evento insólito, presenciado, numa prosa com laivos de verosimilhança.
Na ausência de dotes superiores, fico-me pela narração factual de um encontro de miseráveis, claro está, falando de condição social e mental, tão ao sabor dos nossos tempos.
Imaginemos, pois, um “artista português”, falando alto para dar nas vistas, a aproximar-se do seu local de trabalho. Neste caso, o Teatro Municipal S. Luís, em Lisboa. Berrava, de dentro da sua viatura, para uma nova figura típica de Lisboa, o “arrumador” – sabe-se lá da quantidade de “arrumos” de que ele vive. Eles são tantos ! Como o artista não conseguia um lugar de estacionamento, maçada reservada aos restantes cidadãos, recorreu ao “lobby dos arrumos” estabelecido, há muito, na zona. Ele até anda com um molho de chaves de tanta gente, mais uma não lhe faz diferença nenhuma. E ter a chave de carro de um artista, mesmo por minutos para lhe fazer o “serviço”, até lhe dá uma certa “ficha” e promoção social na miséria que nos cerca.
O processo até é simples. O presumível cliente pára o carro num sítio, entrega a chave ao arrumador e vai à vida.



Ele faz o trabalho dele, frequentemente barrando um lugar ao cidadão comum, para servir o “seu cliente”. Foi o que aconteceu.


Apenas uma completa ausência de princípios morais e cívicos poderá explicar essa profusão de “lobbies”, do mais comezinho e miserável ao mais elaborado e pernicioso, vivendo sempre da conivência e do pequeno “jeito”, de “siguranças” a arrumadores e quejandos, em vez de se empenhar na construção de uma democracia adulta, em que a lei e as regras são de cumprimento e respeito obrigatórios para todos.

Enquanto uma Câmara Municipal da capital de um país tolera esta subversão, e até os agentes de autoridade declaram desconhecer semelhante fenómeno, estaremos longe de uma democracia real em que o cidadão cumpridor e consciente não se sinta esmagado por esse mundo de “novos miseráveis” em ascensão.

Post de HMJ