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terça-feira, 31 de março de 2015

Curiosidades 41 (Inauguração da Estátua Equestre - final)


Dando continuidade, e para concluir, estas curiosidades sobre os festejos que acompanharam a inauguração, a 6 de Junho de 1775, da estátua equestre de D. José, no Terreiro do Paço, aqui deixamos nota de mais algumas despesas, mais singulares, usadas na cerimónia. Como nos 2 anteriores postes, sobre o mesmo assunto, as informações são transcritas do livro de Ângelo Pereira, anteriormente já referido. Assim:
"Da despeza feita pelo dito Copeiro e Armador Fernando Antonio pª. o ornato das Cazas...:
- Canivetes e tizouras........................................ 16$735 mil réis.
- Colheres pª. Copos de Neve............................ 17$350.
- Grateficações...............................................2:287$600.
- Loiça da India q. se quebrou..........................266$330.
- Pregos e Alfenetes..........................................132$905.
- Rolhas................................................................2$400.
- Vassoiras...........................................................2$450.
(...)
Das qualidades de Vinhos nacionaes q. havia no banquete
- Dª. Marota....................................................Lavradio branco.
- Carcavellos...................................................Tinto.
- Chave doirada...........................................Setubal moscatel.
- Golgãa.............................................................Alto Douro."

Seguramente que o Vinho de Carcavelos terá sido fornecido da Quinta de Oeiras, do sr. Marquês de Pombal. Por outro lado, atente-se no peso e valor considerável da despesa com "Grateficações".

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Bizantinices


Marqueses (Marquês de Marialva...), condes (Conde de Borba...) e duques (Duque de Viseu...), sempre apadrinharam, de nome e aristocraticamente, vinhos portugueses. O benefício era das excelsas criaturas, se o vinho fosse bom. Porque ganhavam uma real excelência e notoriedade, acompanhando o néctar.
Não o julgou assim o desconhecido e obscuro conde de Oeiras. Valha a verdade que, Vinho de Carcavelos, conheço eu há dezenas de anos. Quanto ao aristocrata, que na imagem aparece engalanado, só agora soube que existia...

P. S. : o jornal Público apelidou, mal, o Vinho de Carcavelos. Em bom rigor não é licoroso, mas, sim, generoso. O que faz alguma diferença. Ai! estes jornalistas de pacotilha...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um tratado sobre vinhos portugueses



Este "A Treatise on the wines of Portugal", publicado em 1788, é seguramente uma das mais antigas e bem informadas obras dedicadas aos vinhos portugueses, com particular incidência na abordagem e história do Vinho do Porto. O autor do livro, John Croft (1732-1820), pertencia à Feitoria Inglesa, no Porto, sendo natural do Yorkshire, e negociava em vinhos, sobretudo na exportação para a Inglaterra.
A obra foi traduzida em 1940 e teve uma reedição do Instituto do Vinho do Porto, em 1942. Aí se aprende que foi, em finais do séc. XVII, que os vinhos de Portugal (re)começaram a ser comprados pela Grã-Bretanha, devido à decadência da viticultura italiana e da pouca produção da zona da Galiza, em Espanha.
John Croft explica-nos, também, que sendo os vinhos delgados e de pouca cor (Palhetes), era costume adicionar-lhes bagas de sabugueiro, para os tornar semelhantes aos anteriormente importados de Florença e outras regiões italianas. Croft faz considerações pouco lisongeiras para com o Marquês de Pombal - o que se compreende -, mas gaba-lhe o Carcavelos, que ele produzia na sua Quinta, na zona de Oeiras.

domingo, 23 de outubro de 2011

Mercearias Finas 40 : Bolo-rei


Ao princípio são os lagares, onde fruta diversa (cereja, cidrão, calondro, casca de laranja, figo...) é acompanhada por pasteleiros encartados que dela tratam, adicionando-lhe água e açúcar, e a remexem profissional e semanalmente. Retirada e enxugada, esta fruta dita "escorrida" (e não cristalizada, que é um outro tipo), bem como a fruta seca laminada (amêndoas, pinhões, nozes e, às vezes, avelãs) associada às uvas passas, serão o elemento decorativo e interior, imprescindível, da massa do célebre Bolo-rei. A isto se acrescentava uma fava embrulhada, antigamente, que, dizia-se, trazia sorte a quem coubesse, na fatia de brinde, do Bolo. As pastelarias de referência fabricam-no, tradicionalmente, desde o feriado de 5 de Outubro, até ao Carnaval. Aos fins-de-semana, mas com extrema intensidade nos dias 24 e 31 de Dezembro, e no dia de Reis (6 de Janeiro).
O Bolo-rei inspira-se, dizem, na "Galette des Rois", francesa, e começou a fabricar-se em Portugal, em data incerta do séc. XIX, provavelmente, na Confeitaria Nacional, de Lisboa, propagando-se gradualmente por todo o país. É hábito respeitado, normalmente, ser o Pasteleiro-chefe com o cotovelo a fazer o buraco central, em cada Bolo-rei. Com o advento da República quiseram chamar-lhe "Bolo da República", mas a moda não pegou e, por isso, sempre manteve o nome inicial. Pelo Natal e no Ano Novo, bem como no dia de Reis, o Bolo-rei era acompanhado por Vinho Fino (Vinho do Porto particular), nas mesas onde as famílias se reuniam, festivamente.
Ora, ontem, sábado 22/10, cá em casa iniciou-se a "saison", com o primeiro Bolo-rei. Que estava muito bom. Fiz uma pequena alteração ao que é tradicional: em vez do habitual Vinho do Porto, na fotografia, dei-lhe por companheiro um Vinho de Carcavelos, dos antigos e raros, da Quinta do Barão, entre Oeiras e Carcavelos. É um vinho mais seco e data do início dos anos 70, do século passado. Posso garantir que Willy Brandt o apreciava, enormemente, porque tinha um admirador português (Miguel Cerqueira) que, todos os anos, lhe enviava uma caixa de 6 garrafas deste vinho, para Berlim, através de uma família alemã de apelido Kirchwitz, que vinha passar Agosto e Setembro, em Esposende. E Willy Brandt agradecia. Só não tinha era o Bolo-rei português para acompanhar...