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terça-feira, 13 de julho de 2021

À venda



O número de Verão, o 13, da Electra já saiu e o dossiê é aliciante - A Comida. Os temas de gastronomia são abordados por colaboradores conhecidos e de qualidade. Aqui deixo a informação a quem aprouver.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Lembrete 75


Previamente anunciado o adiamento de saída, por causa da pandemia (?), para Junho de 2020, surgiu agora, à venda nas bancas, o número 9 da revista Electra. O tema é a velocidade. A quem possa interessar.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Um poema celta anónimo


Despedida do Verão


Ouvi minha mensagem: o cervo brama,
o inverno fez descer a neve e o verão já se foi.
Vem um frio que corta e o sol está baixo,
o seu curso é breve, o mar cheira a maresia.

Os fetos estão pardos, murchou seu verdor.
O corvo faz ouvir o seu rouco grasnar.
A geada faz encolher as asas dos pássaros.
Há geada - eis todo o meu recado.


(Século IX)

terça-feira, 24 de julho de 2018

O ar do tempo


Todos os anos, por alturas do Verão, o TLS costuma questionar umas quantas personalidades, de vários quadrantes culturais, sobre os livros que vão ler nas férias. 
Este ano (TLS, nº 6015) não foi excepção, e são 22 os inquiridos, entre romancistas, críticos literários e ensaistas. Como Portugal está na moda, há duas referências ao nosso país. De Leslie Jamison (1983), que fala de uma sua anterior vinda a Lisboa, e de Becca Rothfeld que, elogiando a riqueza da literatura portuguesa, destaca: "The Maias" (Dedalus), a realist family chronicle by the nineteenth-century Portuguese master José Maria de Eça de Queiroz, who was much lauded in his lifetime; he was regarded by Émile Zola as "far greater than my own dear master, Flaubert."
Infelizmente, esta opinião já não terá chegado a tempo, nem terá sido tomada em conta pela misteriosa instituição ministerial, talvez coadjuvada pelo inefável grupo do académico Plano Nacional de Leitura, ao seleccionar o futuro. Foi pena...

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Falsa partida


É com desconforto que vestimos o Verão, ainda com a visão matinal do ébano espelhado das ruas lavadas pela noite e dos caricatos guarda-chuvas abertos dos passantes. O gato preto e branco que, ainda ontem, se aquecia no tejadilho do automóvel estacionado já terá, com certeza, procurado outros abrigos mais seguros.
Eu próprio, retardado, espero uma aberta, sem saber o que vestir, para sair e comprar o jornal, que só por descuido anunciará a chegada do Verão.

sábado, 12 de agosto de 2017

Dispersas e matinais


Se os relvados ainda estão verdes, graças à rega matinal mecânica, já apresentam, porém, grandes peladas acastanhadas pela falta de chuva. As flores dos aloendros, mal nascem, ficam logo meladas e definham, sem crescer. E, à volta das pobres oliveiras centenárias, o solo está juncado de azeitonas ainda verdes e raquíticas. Uma dor de alma!
A falta de água provoca uma acentuada luta pela sobrevivência do mundo da natureza.
Formigas endiabradas e vorazes esburgavam a carcaça de uma carocha pequena e negra, já morta.
No Mercado, as bancas de peixe tinham clientes, mas o talho estava vazio e às moscas.
A D. Irene tinha o seu lugar cheio de fruta e como lhe esgotamos os figos lampos ainda verdes, lançou, popular e críptica, o seu provérbio: "Na minha casa há mulher, na da vizinha envergonhei-me."
Não fora eu ter lido, há dias, uma nota de Leite de Vasconcelos sobre ditados portugueses, e ficaria preocupado e curioso, com o dito da D. Irene. Dizia o linguista e etnólogo português que nem sempre os adágios têm conceitos sábios ou claros. É necessário é que tenham rima. Seja ela disparatada ou erudita...

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Verão


Estes meses de Verão são propícios a despedidas fictícias, ou temporárias. A votos de" boas férias!", nas separações ocasionais e breves. Teremos de recuar muito para encontrar as definitivas, dos afectos estivais de praia, dos estrangeiros que passaram por nós, em países a que nunca mais voltámos. E que nunca mais vimos, nem veremos. A casas que foram nossas, pelo breve espaço de as habitarmos, como, aliás, serão todas ao longo das nossas vidas. Efémeras que serão um dia, também.
Por isso, esta irónica imagem antinómica de duas pequenas lapas, que HMJ encontrou na praia da Areia Branca, e que trouxemos, cuidadosamente, para esta nossa casa, temporária.

domingo, 3 de julho de 2016

Mercearias Finas 114


Por uma vez, não falarei de viandas cozinhadas, que o fim da tarde ainda está tórrido, no ar. Apraz-me entrar na cozinha e ver o melão aberto ressumando frescura, as cerejas luzidias, os figos de pingo na ponta, as laranjas, é certo que um pouco retraídas, os morangos rútilos, o pêssego maduro... E é por aí que me vou servir, no lanche ajantarado que apetece.
Remato, ao de cima, com uma bela natureza morta de George Lance (1802-1864), que me traz, virtuais, as uvas e as framboesas que me faltam para ser feliz.

sábado, 11 de julho de 2015

Hosana!


Desconfiados, distraídos e macambúzios que somos, não ouvi ainda ninguém louvar, este ano, a fartura e excelências da terra portuguesa. E que ricas colheitas se têm vindo a fazer: as laranjas suculentas, as cerejas tensas de doçura, os figos chorando mel de alegria, os pêssegos aromáticos e deleitosos...
Acordai, compatriotas, para esta fartura doce da terra portuguesa! Nem tudo são agruras.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dias e sabores


Bem se afanam os comentadores de vinhos e outros produtos naturais em tentar, surreal e caricatamente, classificá-los poeticamente, enquanto os especialistas afirmam que o ser humano só tem possibilidade de sentir quatro sabores básicos: doce, amargo, insosso e salgado. Ao que parece, haverá um quinto sabor, de origem japonesa, que aguça o apetite, mas de que eu não me lembro do nome. E é tudo.
Há sinais e sintomas que marcam os dias. Se os dias úteis nada têm que os distingam, salvo algum acontecimento fortuito que possa vir a acontecer e a marcá-lo na memória, já o domingo é reconhecível, logo ao acordar: há, quase sempre, mais silêncio em volta. E se eu fizer uma retrospectiva memorial, há, pelo menos, quatro pontos característicos nesses meus domingos provinciais: a manhã, que era um tempo espiritual, a carne assada e o leite-creme, ao almoço, o futebol e a reunião alargada de família, durante a tarde dominical.
Hoje, porém, este dia útil de segunda-feira, soalheiro, tem, por razões diversas, um sabor marcante e diferente. Porque o Verão quase parece ter voltado. E, por causas distintas, também regressou a esperança em melhores dias.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Divagações 73 (nubladas)


Para melhor dominar os assuntos ou arrumar as ideias, o homem procurou sempre sistematizar e classificar as coisas. Um nome é, em muitos casos, uma fórmula tranquila, um sossego gramatical ou biológico, a maneira de circunscrever o imprevisível, de formatar as circunstâncias, de chamar. Nem a Natureza escapou a esta febre disciplinar humana, embora, por vezes, se permita perturbar e baralhar essa estabilidade classificativa: um animal exótico que nunca fora visto, um peixe estranho que pede uma nova reordenação, uma planta pequena e humilde, ou uma flor que, sendo discreta, escapou, durante séculos, à visão humana. E as regras do jogo são postas em questão...
Embora arrumado nas ideias, considero-me indisciplinado nas coisas: papéis, livros, pequenos objectos que vou juntando e não consigo classificar, para poder arrumar, rasgar ou deitar fora, em definitivo. Há sempre livros que se escusam a uma classificação exacta, como as nuvens, das quais só consigo identificar e nomear, com certeza, os cirros (do latim, cirrus, e porquê?), que têm sido bem raros nestes últimos dias tão nublados e cinzentos deste Verão de Setembro. Também ele inclassificável.

domingo, 27 de outubro de 2013

Azul


Dos azúis superiores, no alto sobretudo, há que ter muita atenção a vê-los - diacrónica e sincrónica. Se não, perdemos os pormenores, os nomes específicos e o que há de melhor. E não haverá outra vez, creio...
Escolha-se o Outono português, nas suas cores melancólicas e dos poetas nostálgicos. E temos, nada menos, de pelo menos três: o azul pálido (talvez porque o Sol anda cansado), o azul bebé e o azul cinzento que se quadra bem com as elegias.
Regressa o Verão, e a gama é mais rica: o azul vibrante dos postais turísticos, o azul cobalto (muitas vezes, nas águas do Tejo), o verde azul  de alguma folhagem que nos dá sombra, e ainda o ultramar e o azul violeta. E, isto, se não recorrermos aos ingleses e alemães que, classificativos, minuciosos e atentos, registam ainda: o azul prússia, o indigo, o azul régio, o azul mirtilo...
E ressalve-se a imodéstia subjectiva de eu dar nome a um azul inconfundível: o azul-arrábida, que se pode ver, de Verão, no céu e nas águas límpidas e oceânicas do Portinho e arredores marítimos, onde já não vou há muito.

domingo, 15 de setembro de 2013

Para uma iconografia dos últimos dias de Verão


A tela é de autoria do pintor francês Paul-César Helleu (1859-1927) e intitula-se: "Madame Helleu et sa fille, à la mer". Ignoro, porém, se terá sido inspirada pela despedida da família do Pintor, da praia de Deauville.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Bruce Springsteen, outra vez

Para agitar o Verão. E porque estava prometido a Maria A..

sábado, 6 de julho de 2013

Dos inconvenientes deste Verão português, com música pimba


Não bastasse este calor excessivo, para ter de assistir, ainda, ao canto desafinado de dois rapazelhos de coro, quais apostólicos Pedro e Paulo, numa rábula mesquinha, pouco antes do jantar. O regente do coro, inane como sempre, deve ter-se acobertado à sombra de Belém. Não veio ao Tivoli...
Em sintonia, na região outrabandista, há festa na aldeia. As vozes indigentes dos carreiras, dos barreiros e doutros pimbas de serviço atroam os ares e fazem-se ouvir em altíssimos decibéis. Pagos decerto pelo presidente da Junta de freguesia - felizmente em vias de extinção.
Irra!, que não há sossego, nem pachorra, nem orelhas para viver, continuamente, nesta opera buffa à portuguesa! É só música, e da pior...

domingo, 23 de junho de 2013

Divagações (muito dispersas, como convém ao Verão) 49


A dança aérea de cinco moscas importunas, no centro da sala interior, denuncia o Verão que também entrou pela janela. Bem como a luz cariciosa do mais longo dia do ano. Houve um tempo, em que esta fronteira de Junho acordava, de súbito, a minha melancolia.
Snowden continua a monte, e clandestino. Mas parece que a América do Sul o vai recolher, fraternalmente. Se bem me lembro, também houve um tempo em que os esbirros, das polícias políticas, eram chamados de moscas - e bem...
Vejo o papa Francisco, sorridente, na TV, com a sua bondade sul-americana,  a acariciar crianças deficientes, mas não me decido. Este novo Papa, como diz o povo," nem (me) aquenta, nem (me) arrefenta".
Que será feito de Bento XVI? Que ainda não chegou ao reino dos céus...
Tudo são modas efémeras, na venalidade mediática. Amanhã, há mais! - dizem eles.
O azul superior, visto da janela lisboeta, embora um pouco pálido, é seguro; o azul cobalto do rio, ainda é firme. E a noite vai demorar  ainda meia hora, pelo menos, até vencer a luz do dia. Um róseo singular instalou-se ameno, como se fosse ao começo da manhã.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Pelos finais de Setembro e do Verão


Estavamos a beberricar um Bucelas na esplanada, eu e o meu amigo Luís. O mar parecia manso, depois das marés vivas, as areias já quase livres e lisas de pegadas. E o azul anémico do céu mostrava alguns flocos de nuvens borbulhantes e mexidas. Era quase Outono, propenso à memória de outros dias mais luminosos. O Luís começou, então a contar-me (são palavras dele ligeiramente rectificadas, salvo num ou noutro pormenor):
"...anteontem, fui ao mesmo restaurante onde já não ia desde Agosto. Tu sabes, o olhar fica errante e curioso quando almoçamos ou jantamos sozinhos, fora. O mesmo acontece se somos o único estrangeiro, à mesa, num grupo de nacionais, porque falamos menos. Sobretudo se só soubermos dizer: sim, não e obrigado.
Depois reparei que, à minha frente, estava o mesmo grupo de pessoas que estavam da última vez que lá tinha ido. Só faltava um casalinho simpático que abancara com os outros, em Agosto. Mas o filho pequeno permanecera com os mais velhos, que deviam ser os avós. A jovem mulher do casal ausente devia ser nórdica, porque só a tinha ouvido dizer: sim e obrigado, com sotaque. Tinha o olhar claro, errante e curioso e trazia um vestido cor de fogo (lembras-te do José Régio?), de alças, que contrastava, quase escandalosamente, com o marfim da pele. Vi-a sorver com volúpia as ostras que vieram de entrada. E lamber, de olhos semi-cerrados, com prazer, o suco que escorria das gambas al ajillo. Dava gosto vê-la, sabes, assim jovem, assim abandonada no seu vestido escarlate quente. Mas anteontem já não estava lá. Para minha pena.
Por respeito à memória de Agosto passado, não pedi ostras, nem gambas. Optei por umas Tripas à moda do Porto, e acompanhei-as com Quinta de Cabriz, tinto. Porque estava frio, na sala. Tu sabes, às vezes, sou um romântico, sobretudo quando o Outono está por perto..."

domingo, 5 de dezembro de 2010

Letras sobrepostas


Como ao vestir, de novo, roupa de véspera o corpo se sente incomodado, e um desconforto se instala, quando é Verão, porque a transudação parece ter vidrado o tecido já usado; ou, se for Inverno, a pele se ressente da aspereza engelhada e de um odor a flanela húmida, assim a revisitação de obras acabadas ou antigas - que fizemos - nos provoca, também, um estranho desconforto: parece que já não cabemos nelas. E, se as queremos re-criar, cerzi-las de novo, é trabalho difícil, aturado, a mais das vezes, próximo do insucesso. Por essa, e outras razões, lhe chamei, em poste anterior: arte menor.
Porque se, muitas vezes, a emoção que as ditou, ressurge, já não há natural invenção, mas acrescento de experiências e tempo - perdeu-se a pureza original. Se o primeiro verso nos é dado (e, às vezes, também o segundo), ele não volta mais. E, se o não fixarmos ou anotarmos (numa rua, num encontro, num café, num autocarro) de imediato, ele perde-se da nossa vida e nunca mais se cruza connosco.
Por outro lado, revisitar obras antigas, acabadas na sua imperfeição, para as re-criar ou corrigir, tem os seus perigos traiçoeiros. Porque já não existe a força interior que as ditou, muita embora ressurja, normalmente, a paixão, a reflexão ou a ternura num dejà vu enganador, num jogo de espelhos de falsas imagens nebulosas. Mesmo que sejam elegias, cristalizadas no irremediável, ainda sentidas e presentes na sua eternidade fatal - sem retorno. A erosão do Tempo diferiu-as, para sempre.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nunca é demais lembrar


Eros

Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água
- como podíamos morrer,
tão próximos
e nus e inocentes.

Eugénio de Andrade (1923-2005), in Mar de Setembro.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ao início do Verão



Soneto menor à chegada do Verão


Eis como o verão
chega de súbito,
com seus potros fulvos,
seus dentes miúdos,

seus múltiplos, longos,
corredores de cal,
as paredes nuas,
a luz de metal,

seu dardo mais puro
cravado na terra,
cobras que despertam
no silêncio duro...

Eis como o verão
entra no poema.


Eugénio de Andrade, in Ostinato Rigore