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domingo, 19 de maio de 2013

Eduardo Lourenço


A poucos dias de completar 90 anos e pouco depois de ter saído o seu último livro (Os Militares e o Poder, Gradiva), Eduardo Lourenço (1923) concedeu a Teresa de Sousa (jornal Público) uma importante entrevista, onde, com a sua habitual lucidez, abordou uma série de questões, nomeadamente, sobre a Europa. Embora a entrevista deva ser lida por inteiro, seja-nos permitido respigar alguns pequenos excertos que nos pareceram mais significativos. Seguem:
"Não temos guerra no sentido clássico, mas temos uma guerra permanente que é uma disputa para ocupar os primeiros lugares de tudo quanto se produz no mundo..."
"A verdade é que quando o Monet dizia que era pela cultura que se devia ter começado (a construção da UE), enganava-se. A cultura separa. Os intelectuais não querem perceber isso, porque pensam que são eles os donos da cultura. A cultura marca as diferenças."
"Esta Europa tornou-se um museu de si mesma."
"Veja que vivemos a eleição de Obama como se fosse a eleição do rei da Europa que não existe. Ou até do mundo. E vivemos esse sentimento da maneira mais generosa possível, quase de cinema."

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A lição da História, em palavras de ontem


"...Como dizia um amigo meu, é preciso nunca esquecermos que a elite portuguesa estava do lado de Castela na batalha de Aljubarrota. ..."

Teresa de Sousa, in jornal Público (31/3/13).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Recuperar a cultura humanista da Europa



O Suplemento 2 do Público trouxe-nos, no Domingo passado, um trabalho jornalístico que, pelo apelo à reflexão, se torna cada vez mais raro. Numa entrevista de Teresa de Sousa a Rob Riemen, do Nexus Institut, falava-se da essência – da herança cultural clássica, da Filosofia, da Literatura – como imperativo para recuperar os valores espirituais da verdade, da beleza e da justiça, expressão de uma verdadeira democracia, em detrimento de uma democracia de massas, baseada numa cultura “kitsch” que impede o pensamento crítico.
Da análise crítica e desassombrada do rumo político e social da Europa, prevalece o apelo ao humanismo europeu como “ideal a que devemos aspirar”. No entanto, o entrevistado identifica bem os responsáveis por essa “democracia de massas”, i.e., uma classe dirigente “absolutamente focada nos seus próprios interesses, que têm a ver com o dinheiro e o poder, que fez emergir aquilo a que chamo cultura kitsch”. Por conseguinte, “a nossa classe política nunca conseguirá resolver os nossos problemas porque ela é o principal problema”. A estreiteza de espírito dos nossos dirigentes não lhes permite, em vez de “salvar os bancos”, preocupar-se com as pessoas, “facultar-lhes o acesso à arte, à cultura, aos livros … para que possam tornar-se seres humanos críticos”. Enfim, diríamos com tudo o que tem sido alvo de cortes, em nome de numa ideologia, o capitalismo, que o entrevistado refere, juntamente com outros fundamentalismos, como o religioso ou outra qualquer forma de fascismo ou nacionalismo.
As palavras dedicadas ao sistema de educação não podiam ser mais eloquentes, resumindo, na essência, o que já abordámos noutro post. “Só interessa um sistema de ensino que seja bom para a economia [Belmiro/Sonae, etc agradecem] e para o Estado, ou seja, para uma classe de privilegiados, avessa a seres humanos capazes de pensar autonomamente. Num alerta relativamente aos jovens, as primeiras vítimas e mais vulneráveis desta sociedade, o entrevistado também é claro sobre a tendência de voto na extrema-direita. A sociedade kitsch fez com que acreditassem que cada um vale pelo que tem, o tipo de roupa, o relógio, os sapatos e se não “encaixares, não és nada. Querem apenas estar no Facebook e poder dizer: este sou eu”.
Sobre a miséria cultural da nossa classe dirigente, sublinhada por Rob Riemen, não resisto a acrescentar uma imagem esclarecedora:


com o ar embevecido perante um futebolista, a quem, segundo o jornal DIE ZEIT, até mandou “cartas de amor”.
Por fim, não resisto a denunciar, neste 1º de Maio, o capitalista selvagem que, despudoradamente, se aproveitou do feriado para lançar uma campanha abjecta de descontos, usando a “crise” e a “democracia de massas” em proveito próprio e, tal como o Wilders, da Holanda, país onde colocou o seu dinheiro, não é um democrata.

domingo, 6 de novembro de 2011

Palavras justas sobre a Europa

"...A Europa comprometeu-se a chegar à cimeira do G20 com a casa arrumada. A cimeira foi o palco da grande desordem europeia. Em vez de um plano para resgatar o euro, houve uma tragédia grega e uma triste "comédia" italiana. O espectáculo foi suficientemente assustador para ter dissuadido os outros líderes mundiais a aceitar dar uma ajuda. ..."
Teresa de Sousa, in A Europa retira-se, jornal "Público" de 6/11/2011.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sublinhados no Jornal de hoje


Sem comentários, passo a transcrever do jornal "Público", de hoje:
1. " As agências de rating dizem o que pode acontecer e tratam de garantir que vai mesmo acontecer. É uma luta inglória. O problema pode ser nosso, a solução ou é europeia ou não existe."
Teresa de Sousa, Jornalista.
2. " Uma das razões é que se tratam de agências americanas com uma agenda escondida, hostil à Europa. Mas também é verdade que estas agências funcionam de forma muito mecânica, os modelos que usam são muito primitivos, indignos de estudantes do 1º ano de Economia."
Paul De Grauwe, Prof. de Economia da Univ. de Lovaina.
3. " As agências de rating não são a DECO dos mercados financeiros. Não são o pior dos males. Mas tornaram-se um poder corrosivo e desestabilizador que precisa de controlo."
Pedro Lomba, Jurista.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O hara-kiri lusitano


Começa hoje. Dos nossos magníficos 7 samurais (6 partidos e um PR limitado, nos seus horizontes cerebrais). Afora os 3 "treinadores de bancada", obsoletos e perfeitamente inúteis para a democracia: PCP e BE, mais os Verdes parasitas e gritantes, restam mais 3. O PS que, canhestro, deu um tiro no pé, antes de o obrigarem ao hara-kiri. O CDS que está sempre pronto para usar o táxi dos 4 deputados - oxalá, nas próximas eleições antecipadas. E, finalmente, o inefável PSD, com o seu coelhinho tirado da cartola da JSD, directamente. Com boa voz, contudo, e muito bem colocada.
Leia-se o artigo de Teresa de Sousa - com quem mais uma vez estou de acordo - no "Público" de hoje, e que começa por imaginar "os donos da Europa" a dizer: "Mas aquela gente é louca. Nós, aqui, a fazer um esforço tremendo para encontrar uma solução que vá de encontro daquilo que eles precisam e eles dão um tiro na cabeça. ...", para completar o raciocínio do bom senso.
Não posso, no entanto, esquecer aquela frase do coelhinho PSD quando lhe perguntaram sobre o futuro de Portugal e ele respondeu: "...uma coligação alargada...". Ou não sabe fazer contas (PSD+CDS, são só 2), ou então é genial (Rui Rio+António Costa+ o "Independente" Portas - mas não creio que Passos Coelho queira, humildemente, ficar de fora...). Estrabão é que a sabia toda, sobre os lusitanos... Quanto ao presente PR, é meramente irrelevante e decorativo. Mas, se calhar o Barroso que faz anos hoje, e que se perfila à sucessão do Cavaco, deve ter dito ao Coelho: "Força!, arruma com eles, de uma vez por todas! Porreiro, pá!"; e lá voltou, esfregando as mãos, ao seu gabinete da Presidência irrelevante da CEE, todo contentinho de si.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O leão, a águia, o galo de Barcelos, e a cabra (ou vaca de Míron)





Antes de mais, uma declaração de interesses: sempre fui mais anglófilo do que germanófilo, desde que comecei a pensar, politicamente. Em 1973, quando pela primeira vez fui a Inglaterra, um discurso de Harold Wilson, de cerca de 5/7 minutos, que vi e ouvi na BBC, convenceu-me de como em política se pode ser breve, lógico, verdadeiro e, racionalmente, conclusivo. Infelizmente, Blair com o seu virtuosismo "palhaciano" abalou-me, profundamente, nas minhas convicções pró-britânicas. Esperei muito de Brown, mas tem-me sido uma grande desilusão...
Por outro lado, Kohl ( aquela mão dada com Mittérrand, não me sai da memória!) e, agora, a Sra. Merkel, não sendo do meu quadrante político, têm-me convencido da sua "bondade" pragmática: realismo, solidariedade e razoabilidade de princípios.
Hoje, no "Público", Teresa de Sousa, jornalista que leio sempre com atenção e que, francamente, admiro a tratar as questões europeias, faz a pergunta : "O que quer a Alemanha da Europa?" No que escreve, estou em profundo desacordo, e acho que é a primeira vez em que tal acontece. Então a Alemanha é que tem de pagar os dislates, incontinência, gastos e consumo perdulários de alguns outros países europeus? Será que temos de ter sempre um "paizinho" protector e um guarda-chuva emergente e providencial para a nossa inconsciência e erros?