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sexta-feira, 16 de maio de 2025

Cepticismo críptico


Ninguém me tira da ideia que o homenzinho é um actor espalhafatoso e mediocre que, apesar do desempenho infeliz da tragédia de estreia, a criatura resolveu fazer um encore sem que o público lhe tivesse pedido...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Oportunismos teatrais



Este La Feria sabe vivê-la. É uma espécie de Rieu do nosso vistoso "teatro" chunga lisboeta. Lembrou-se agora de ganhar dinheiro dos pacóvios com a história dos 3 Pastorinhos. Que a Senhora de Fátima lhe perdoe a ganância e o despudor de vendilhão...

domingo, 1 de setembro de 2019

Deus seja louvado!


Júlio Dantas (1876-1962) está de parabéns.
A sua obra A Ceia dos Cardeais (1902) já tem um elenco suficiente para poder ser representada, no Vaticano, por actores profissionais e autênticos.
Almada deve estar a morder-se de raiva, no Inferno, ao saber disso...

domingo, 2 de dezembro de 2018

Parecer


Lembro-me de alguém, aqui há uns bons vinte anos, se ter lamentado por ser muito inseguro, embora nada o fizesse parecer. Como bem me recordo de lhe ter respondido que ele não aparentava insegurança e que, no fundo e para os outros, o importante era não o dar a perceber. Sobretudo, em funções de chefia.
Muitas vezes me perguntei se os traços de um rosto e/ou de carácter não definem e condicionam, irremediavelmente, um destino. Ainda hoje creio que sim. Há expressões faciais que despertam, nos outros, uma reacção epidérmica imediata, que tanto pode ser de simpatia, compaixão e proteccionismo, como de irritação ou desagrado.
O longo e aprofundado conhecimento do outro, no entanto, pode vir a corrigir essa primeira impressão emotiva, para a transformar, com fundamento e razão, numa apreciação objectiva das verdadeiras qualidades e defeitos reais desse outro ser humano, já mais próximo. Até porque uma expressão de candura pode esconder, muitas vezes, uma intensa perversidade; um ar fero e façanhudo pode albergar, em si, uma extrema bondade. Nada é o que é, tão simplesmente.


Os encenadores de teatro, bem como os realizadores de cinema, colam frequentemente, e talvez de forma injusta, um rosto a determinados papéis, que assim funcionam de protótipos, para os espectadores distantes e futuros. Deste modo, em sequência, os actores ficam prisioneiros de um destino e a desempenhar personificando, por toda a vida artística, uma simples faceta do bem ou do mal, a que raramente escapam, por causa do seu papel inicial.
Como não ver sempre nas expressões fugidias e ambíguas de Peter Lorre (1904-1964), o crápula, o cobarde e o mau? Ou como não ver na figura de Adelaide João (1927), a sempiterna infeliz empregada ou criada de servir? Das malhas do destino, por excepção, se livrou Raul Sonado (1929-2009), pela mão atenta de Fonseca e Costa, de se tornar no eterno cómico, quando o realizador lhe atribuiu (e muito bem) o papel grave e dramático do inspector Elias Santana, n'A Balada da Praia dos Cães (1986), apesar da oposição inicial de José Cardoso Pires, autor da obra em que o filme se baseou. E, curiosamente, também ele grande amigo de Solnado.


sábado, 18 de junho de 2016

Bibi Ferreira


A durabilidade tem as suas vantagens. Se se trata de uma coisa, mesmo sendo-nos indiferente, ou uma ferramenta que dure muito, acabamos por nos afeiçoarmos a ela. Se for uma pessoa, a sua longa idade provoca-nos sempre alguma admiração. Escritor que seja, se ultrapassar os 80, mesmo que seja banal, alguma editora acaba por o ressuscitar e ele entra no circuito das celebridades, e cada novo livro é saudado como se de uma obra-prima se tratasse. Se for actor, ainda é melhor e mais garantido, ainda que tenha sido um canastrão toda a vida. A velhice cria-lhe uma aura de respeitabilidade e sucesso.
Não é o caso de Bibi Ferreira, actriz brasileira, que acabou de completar 94 anos no passado dia 1 de Junho, nascida que foi no já longínquo ano de 1922. E que é, em si mesma, uma lenda viva e merecida. Pelo seu passado rico de profissionalismo e capacidades humanas. Senão, bastaria ouvirmos este Monólogo das Mãos, que ela declamou, com arte, no programa de Jô Soares, para nos rendermos à sua excelência profissional. Ora ouçam:


com agradecimentos a C. S..

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Curiosidades 55


Lembro-me bem que, aqui há uns anos, das artistas de cinema a nível mundial, a mais bem paga era Julia Roberts. Há dias, tive oportunidade de ler e ver os salários mensais mais altos das artistas portuguesas, em meados da década de 40, do século passado. Aqui deixo a lista das 7+  para cotejo e por curiosidade:

-  Madalena Sotto........ 15.000$00.
-  Hermínia Silva...........  7.500$00.
- Mirita Casimiro..........  7.000$00.
- Irene Isidro................  5.000$00.
- Palmira Bastos...........  5.000$00.
- Brunilde Júdice..........  4.500$00.
- Lucília Simões...........  4.500$00.

E, hoje, como será?

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Teatro


Mais pelo bom gosto do encarte, de feliz grafismo estético, que reproduz uma obra de Rui Sanches (1954), aqui dou notícia e imagem deste anúncio-convite que me chegou, hoje, pelo Correio, sobre o Festival de Teatro de Almada-2015, que irá decorrer entre 4 e 18 de Julho, próximos.
A propósito, lembro que o primeiro organizador e grande dinamizador deste Festival de Teatro, de Almada, com participação de grupos nacionais e estrangeiros, foi o jornalista e, sobretudo, actor e encenador Joaquim Benite, falecido em 2012.

quinta-feira, 27 de março de 2014

No Dia Mundial do Teatro


Creio que a primeira peça de teatro que li terá sido o "Auto da Alma", de Gil Vicente. Também por razões escolares, seguiu-se-lhe "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett. E até pouco depois dos 30 anos continuei, com regularidade, a ver e a ler obras teatrais.
Subitamente, e mais ou menos por essa altura, o meu interesse começou a declinar, a pouco e pouco, e julgo que há mais de dez anos que nem vejo, nem leio teatro. Mas também não consigo explicar a razão deste meu desinteresse acentuada por essa temática literária.
E, embora não a pratique de todo, actualmente, neste Dia Mundial de Teatro, que se celebra hoje, quero deixar, em imagem, algumas das obras que li e recordo, com maior satisfação, do passado.

domingo, 24 de junho de 2012

Livrinhos 10 : Teatro



Não sendo muito frequente, acontece, por vezes, aparecerem à venda, em alfarrabistas, livros cujo carimbo de posse remete para bibliotecas públicas ou identificadas. Pode haver várias razões para o facto. A mais frequente é essas bibliotecas terem acabado e, sendo desfeitas, dispersaram-se por compradores diversos, como foi o caso, aqui há uns bons 20 anos, de um acervo de volumes em língua inglesa que pertencera a um convento (?) ou comunidade religiosa de frades irlandeses, em Lisboa. Comprei 2 ou 3 livros desses, que tinham o respectivo carimbo de posse. Mas, outras vezes, as obras são mesmo desviadas, por leitores pouco honestos, e depois vendidas, chegando assim ao mercado alfarrabista.
Será o caso (?) deste voluminho que me ofereceram, há anos, e que ostenta o carimbo da Biblioteca Damianeum (terá por patrono S. Damião), da localidade holandesa de Simpelveld, no Limburgo, que terá hoje cerca de 11.000 habitantes, pelo que apurei. Por breve investigação fiquei também a saber que esta Biblioteca, criada no séc. XIX, ainda hoje existe e funciona. O livrinho (7,5 x 11 cm.) é que viajou muito... Impresso em Bielefeld (Alemanha), no ano de 1849, em língua francesa, terá sido adquirido (ou oferecido) pela referida Biblioteca holandesa e, depois, alguém o terá "desviado" para Portugal. Recebi-o de presente, há cerca de 5 anos.  O livrinho é de Teatro e tem peças de Moliére, Musset e outros escritores franceses.

para MR, que iniciou esta temática, no Prosimetron.

domingo, 24 de julho de 2011

Pequena história - D. João da Câmara


Teve vida breve este homem de Teatro, formado em Engenharia, mas que gostava da boémia e noitadas. D. João (Gonçalves Zarco) da Câmara (1852-1908) foi um fecundo dramaturgo e escreveu mais de 40 peças de teatro, entre elas: "Os Velhos", "Alcácer-Kibir", "Ao pé do fogão"... O seu busto pontifica entre o Teatro D. Maria II e a Estação do Rossio, em Lisboa. É o local apropriado, porque D. João da Câmara também trabalhou nos Caminhos de Ferro, e o pequeno Largo lisboeta, referido, tem o seu nome.
Dele se conta uma pequena história, interessante. Um dia, chegando a casa, disse à mulher: "Sabes? Convidaram-me hoje a entrar para a política. Prometeram-me um lugar de deputado, nas próximas eleições. Que dizes?"
E a mulher, consternada, abanou a cabeça e respondeu-lhe:
"- Ó João, mal por mal, antes o Teatro."