Ao princípio poderia ter sido a marmita operária, que Pomar eternizou, por outras vias, no Almoço do Trolha, nos anos 70/80 com a Comida Pronta e os Come-em-Pé, aburguesou-se; agora os Take-away acabam por ser uma alternativa de levar para casa de restaurantes em que já não podemos amesendar, como dantes, à vontade. Do nosso predilecto já veio Arroz de Pato, Ensopado de Raia e Pataniscas de Bacalhau com arroz de feijão vermelho - deliciosos. O Pernil, parente afastado do germânico Eisbein (bem diferente), creio que só o tínhamos provado uma vez, na sua magnitude. No restaurante do Arco, na medieval rua de Sta. Maria vimaranense, era por um dia pavoroso de chuva, de inícios de Novembro. Bisámos, aqui há dias, e fomos buscá-lo à Trafaria, à Taberna do Zé da Lídia - esplendoroso. Na fotografia, acima, ainda ele está no ninho, aconchegado, ao lado das frésias, amarelinhas, que já tinham dado um ar da sua graça olorosa... O vinho portou-se bem (Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, alentejano, 14º), mas precisava de mais 2 ou 3 anos para amaciar melhor os taninos. Como dizia Alexandre Dumas, citado por João Paulo Martins: "...o vinho é a parte intelectual da refeição!" E quem sou eu para contradizer tal axioma, de gente tão fina?!