Assim começa Le Rire, de Bergson (1859-1941), pela minha despreocupada tradução:
Que significa rir? Que há na base do risível? O que é que se pode encontrar de comum entre a careta de um palhaço, um jogo de palavras, um quiproquo de revista ligeira, uma cena de fina comédia? Que resultado nos dará a destilação da essência, sempre a mesma, à qual tantos produtos diversos emprestam ou o seu indiscreto odor ou o seu perfume delicado? Os maiores pensadores, desde Aristóteles, enfrentaram este pequeno problema, que se desnuda sob esse esforço, desliza e se escapa, volta a encobrir-se, impertinente desafio ousando a especulação filosófica. (...)
Nota pessoal: não sou muito dado a filosofias, mas esta é a minha obra predilecta de um dos meus pensadores de referência. Mesmo em coisas simples, Bergson faz pensar.