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domingo, 23 de setembro de 2018

Divagações 134


Esta linha semi-circular de luzes ribeirinhas, por cima dos telhados defronte, traz-me sempre uma paz muito singular e pessoal, à noite. Depois, há esse triângulo agudo, cavado, por entre os prédios altos  que permite ao meu olhar ver o Tejo e, mais ao longe, a silhueta semi-iluminada do castelo de Palmela. Fernão Lopes acaba por ser convocado à memória. E as almenaras que D. Nuno, em finais do séc. XIV, fez acender da Outra-banda, para dar ânimo ao Mestre, cercado em Lisboa, pelos castelhanos.
Mas, hoje, há Lua Cheia, o rio é um espelho reflectido de luar. E o Verão, preguiçoso em despedir-se, parece augurar, em temperaturas, um S. Martinho à maneira... Ora, tudo isto recusa, liminarmente, essa melancolia dourada de que o Outono gosta, quase sempre, de se acompanhar. E que também nos inunda, quer queiramos ou não, tantas vezes. Ganha-se assim, benevolamente, um compasso de espera, bem-vindo e inesperado. Assim seja!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Outras férias...


Ao fim da tarde, há uma frescura de férias que parece vir do mar.
Mas estou na cidade e a aragem branda virá, quando muito, do rio, que ao longe se perfila.
Eu até dispensava as gaivotas que, como os turistas, alagam a cidade por excessivos e ululantes. Batem as nove (21h00) no "sino da minha aldeia" (aqui ao lado) do Pessoa que não falava muito de pássaros, mas parece que sabia imitar uma cegonha ou avestruz, para gaúdio da sobrinhada infantil.
Deve haver, por mim, uma memória biológica entranhada de Póvoa de Varzim. Não lhe posso valer, e até me sobra ternura para a noite, de Verão...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Litorais a Oeste


Mais do que a zona ribeirinha de Cacilhas, que poderia ter outro melhor aproveitamento, a praça central de Porto Brandão, junto ao Tejo, apresenta ainda um aspecto mais confrangedor de ruína e abandono. Carreiras de barcos, de e para Belém, são de hora a hora e acabam às 21h00, os cães preguiçam deitados no chão, velhos circulam lentamente e alguns jovens, na única esplanada aberta, vão apanhando o Sol que podem.



À retaguarda a mesma desolação impera, ganha apenas pelo silêncio da tarde quente que mais parece de Junho do que de Abril. Por todo o lado há traços de actividades extintas e indústrias marítimas que se perderam para sempre. No cais esburacado dois pescadores e uma pescadora lançam a linha sobre o rio quase quieto onde várias taínhas rebrilham em reflexos sinuosos sob as águas. 



E até a garça, inesperada e vigilante sobre o Tejo, depois de se deixar fotografar por nós, se foi embora daquelas paragens, que pouco ou nada já podem oferecer.