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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Memória (102)


Setembro era a fronteira de águas, entre o mar da Póvoa e o rio Ave.
A memória, porém, há-de ser sempre ingrata, pouco lógica e desapiedada, com os anos. Não perdoa o desaparecimento físico, nem tem em conta a diferença da pujança juvenil com a debilidade gradual dos corpos mais próximos e amigos - a marcha do tempo, inexorável, infinita.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Impromptu (17)


Lorca gostava de Gongora, em prejuízo de Quevedo. Pensando bem, talvez se justifique esse afecto literário, porque o poeta Federico não deixa de ser um barroco cultista que escrevia curto, em resumo lírico - mas que, às vezes, chegava ao derrame...
Todas as memórias físicas ou mentais guardam, umas e outras, preciosos documentos, valiosos para os seus detentores e para outros alguns, por sua temática própria, e porque são antigos na idade. Valem o que valem, consoante quem os vê.
Assim, pode ser que uma velha padaria desactivada, próxima do Palácio de Queluz, conserve ainda, no lambril interior da loja, velhos, azuis e bonitos azulejos oitocentistas. Poucos saberão, no entanto, que o alvará original está em nome de um francês, que foi o seu primeiro proprietário e artífice.
Ou que uma antiga e modesta estalagem, na margem do Ave, que abre sazonalmente, ostente, com galhardia, na sala de jantar e como ex-libris da casa, uma antológica garrafeira pequena, mas notabilíssima.