Mostrar mensagens com a etiqueta Rimbaud. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rimbaud. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Antologia (prosa) 2

 


Dimanche 13 janvier 1963

Toda a poesia é intraduzível. Se a edição bilingue dos poemas de Emily Brontë foge à regra, o mérito pertence, à partida, ao tradutor Pierre Leyris. Mas principalmente uma presença se nos impõe, uma dor, uma solidão cujo grito passa através das palavras estrangeiras e faz esquecer a música destruida: no texto francês um coração continua a bater, e eu escuto essa pulsação que se silenciou na poesia francesa de hoje, depois que Rimbaud escolheu calar-se.
A recusa em deixar o sombrio paraíso da sua infância impede Emily de respirar fora do seu presbitério natal. Haworth e da sua charneca ligados a este destino único que lhe guardam o segredo. Porque há um segredo, aqui como em toda e qualquer vida, como em toda a grande poesia, naquele tempo em que os poetas acreditavam na sua alma. O que eles chamavam poesia, era a expressão desse segredo de que eles não revelavam o nome. E talvez nem eles próprios o conhecessem. Os Brontë em Haworth, os Guérin em Cayla: destes dois «altos lugares» se eleva para mim (que teria tido um destino tão diferente desses destinos) uma lamentação, que é minha absolutamente.


François Mauriac (1885-1970), in Bloc-notes, tome III (pg. 291).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Um Rimbaud prosaico : J. D. Salinger




Jerome David Salinger (1919-2010), conhecido literariamente por J. D. Salinger, faleceu ontem, 28/1/2010, de causas naturais. A sua primeira e mais emblemática obra "The Catcher in the Rye", publicada em 1948, teve um extraordinário sucesso, e foi usado simbolicamente por Mel Gibson no filme "Teoria da Conspiração". O assassino de John Lennon também usou esse livro para que o cantor o autografasse, antes de disparar, mortalmente, sobre ele.

Salinger publicou apenas mais três livros, o último dos quais, "Hapworth 16, 1924", em 1965.

Depois, foi a reclusão quase total, pouco se sabendo da sua vida.

O livro "The Catcher in the Rye", traduzido, inicialmente para português por "Uma Agulha no Palheiro", e que li, na versão original, é talvez a obra de que mais gosto de todas as que conheço da literatura norte-americana.