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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Ideias fixas 52


Há duas formas extremas de terminar a leitura de um livro. Ou ler as últimas páginas muito devagarinho, porque estamos a gostar e queremos que dure esse prazer, ou apressar o ritmo de leitura, por já estarmos fartos do livro. A situação normal e mais frequente é conservarmos a velocidade natural com que iniciámos a obra. Há ainda uma quarta via, que não tem final: o abandonarmos o livro a meio e para sempre, sem o acabar de ler.
É por aqui - medindo o ritmo - que, em caso de dúvida, eu me apercebo, de forma cabal, se aderi e gostei do que li, ou não. Porque, às vezes, subsistem dúvidas e só mais tarde chegaremos a uma conclusão definitiva sobre o gosto e utilidade da leitura ou a pura perda de tempo.

domingo, 30 de setembro de 2018

Considerações sobre o ritmo


Aqui há uns anos, um amigo ofereceu-me um pedómetro. Se é certo que eu já andei mais depressa, se quiser, posso medir pelo pequeno aparelho, ainda hoje, o ritmo dos meus passos e as distâncias percorridas nas minhas deambulações diárias, com alguma exactidão.
Quanto a leituras, a situação acaba por ser mais complicada de avaliar. Quando a leitura é aliciante, creio que lemos mais depressa; sendo fastidiosa o ritmo abranda, certamente. Alguém dizia que, ao longo de uma vida, talvez fosse possível ler entre 4.000 a 5.000 livros.
Não gabo a sorte do juiz Ivo Rosa (1966). Nos próximos tempos, e para bem documentar-se, vai ter de ler 21.954 páginas, distribuídas por 55 volumes, extensão total do Processo Marquês. Para ajuizar se o caso vai a julgamento. Ser-lhe-á possível? E quanto tempo levará?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ritmos


Paulatinamente, creio que desde meados de Julho deste ano, tenho vindo a ler este diário (em imagem de capa) do escritor alemão Ernst Jünger (1895-1998). Faltam-me agora cerca de dez páginas para concluir a sua leitura. O livro, cuja maior parte é constituído por anotações feitas durante a sua estadia em França, na sua terça parte final completa-se com apontamentos feitos no Cáucaso, para onde, como oficial alemão foi deslocado, a partir de 24 de Outubro de 1942. Há 75 anos, portanto.
Da leveza e elegância dos dias parisienses, com frequência dos meios intelectuais, as palavras de Jünger, escritas no Cáucaso, vão adquirindo, gradualmente, um peso e um pessismo ontológico decorrente dos mais raros contactos humanos, quase só consignados aos colegas militares e ao povo rural da região. Agravando-se as reflexões do escritor alemão pela morte do pai, o começo da retirada germânica desta zona ocupada e pelo pressentimento objectivo da derrota alemã, na II Grande Guerra.
E o curioso é que também o meu ritmo de leitura do livro se foi alterando. Nas páginas do diário de Paris, terei feito uma leitura normal, como é costume. Ao início do texto escrito na Rússia, por Ernst Jünger, a leitura foi mais lenta e morosa; sendo que estas últimas páginas, de maior tensão e dramatismo, naturalmente, me fizeram acelerar o ritmo de leitura... Mas não para acabar o livro mais depressa.
É apenas a constatação dos factos, objectiva. Embora vá reflectir sobre isso.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ritmos


Julgo que qualquer pessoa é capaz, ao vê-los evoluir, de distinguir a diferença entre um mau dançador e um bom bailarino. Leveza, elegância, entre outros aspectos, os separam. Mas também o ritmo.
Muitos de nós terão assistido a desgarradas. E admirado a capacidade e rapidez de resposta apropriada que os cantadores evidenciam, com maior ou menor imaginação. São os repentistas.
Na arte da poesia, também os há. O encadeamento dos versos e a justa medida saem-lhes naturalmente e com enorme facilidade. Estou-me a lembrar de António Botto ou de Pedro Homem de Melo. Os seus versos abrem-se escandidos e certos, na perfeição. Outro tanto não acontece, quase nunca, com os poemas de Jorge de Sena. Ou, se quisermos ir mais atrás, com a "frauta ruda" de Sá de Miranda. De forma não aprofundada, eu diria que há um ritmo natural e um ritmo trabalhado.
Como se, num caso, o bater do coração conduzisse à medida certa, e, na outra circunstância, houvesse uma original arritmia que só pela razão pudesse vir a ser corrigida, depois, nos versos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ritmos


Em relações humanas fala-se muito da conjugação de feitios, de cedências recíprocas, da complementaridade, ou da atracção pelo oposto (sobretudo em anos de juventude, neste último caso). Que me lembre, nunca vi referida a questão das diferenças de ritmo num casal, ou mesmo entre pessoas do mesmo sexo, no que diz respeito a pensamento, tarefas, compreensão, etc..
Há uns tempos assisti, numa roda de amigos, a uma certa disfunção de ritmos de pensamento e expressão entre um romancista e um poeta. Este último, excessivamente epigramático, era criticado pelo romancista que o considerava demasiado impositivo e dogmático, pela brevidade inflexível das afirmações ou conclusões que formulava. Por outro lado, observei a impaciência do poeta ao ouvir as descrições minuciosas e detalhadas do romancista, para chegar ao fim dos casos de que falava.
Questões de ritmo...