Nunca me incomodou comer num restaurante atascado, desde que tivesse boa cozinha e o serviço fosse conveniente. Como também nunca realcei excessivamente as refeições tomadas em restaurantes de luxo, se também cumprissem esse desiderato, com a qualidade correspondente à sua categoria.
Nunca fui grande entusiasta da minimalista nouvelle cuisine que, no entanto, do ponto de vista estético, dá boas imagens em hebdomadários e revistas finas da especialidade. E faz a glória efémera de alguns chefs muito celebrados. Mas também nunca procurei restaurantes farta-brutos, para saciar a minha gula. No meio, acho que está a virtude. E se durante alguns anos, por motivos profissionais, me tive que habituar ao come-em-pé, infelizmente, não tenho porém qualquer problema - como muito boa gente tem - em comer sozinho. Saboreio melhor, talvez, e vou pensando, entretanto...
Não gosto de pouco espaço entre mesas. Não gosto de pedir o sal duas vezes. Lembro-me sempre que um prato que conste da ementa do dia, não deve demorar mais do que 20 minutos a chegar à mesa. E que um restaurante, minimamente competente, deve ter um empregado para cada 7 mesas. Ora, isto, até em alguns restaurantes ambiciosos é, muitas vezes, esquecido. Será em nome da tal produtividade?