Com o bilhete dos transportes
públicos carregado, dá-me, por vezes, vontade de apanhar um autocarro e
cirandar pela cidade. Não gosto muito do Metro, porque não se vê nada da
cidade.
Ontem foi o dia em que escolhi a
carreira de propósito, o 759, se não me engano. Ia do Terreiro do Paço até à
estação Oriente, passando por toda a zona oriental que mal conheço.
A primeira parte do percurso
tornou-se um pouco cansativa, com uma serigaita – julgando-se senhora – a
animar com voz alta todo o autocarro. Confesso que dispenso este tipo de banhos
de realidade, com criaturas em idade escolar sem qualquer verniz civilizado. Há
muito que não experimentava essa desagradável sensação da inutilidade do
esforço de educação, e fiquei incomodada.
Passando Xabregas e Chelas, o
ambiente no autocarro sossegou. A partir daí deu para olhar pelo Bairro da
Encarnação, a pensar numa velha amiga, e tentar descobrir qual a parte antiga
dos Olivais. Eis-me chegado à estação Oriente. Uma nova cidade dentro da
cidade, sem dúvida.
Não fosse a primeira passagem
pelos “bairros do chinelo”, daria o tempo por bem empregue. Assim, ficou-me a
velha azia de um ambiente escolar desgastante sem grandes contributos educacionais.
Hoje, pela força da publicidade
de J. Avillez, lá fui espreitar o novo espaço, sobretudo para saber o que a
mercearia vendia. Ficou-me a impressão de o fotógrafo ter conseguido aumentar
imenso o espaço nas imagens publicadas em jornais. A mercearia não merece o
nome e, sobretudo, não se aconselha pelos preços exorbitantes. Um pacote de chá
custa lá mais 2.00 euros do que 100 m abaixo, numa loja de cafés.
Mas, lá estava muita gente a
experimentar “a novidade”.
Ora eu tinha escolhido o velho
“1º de Maio”, quase vazio, para almoçar, e ainda bem. Pela comida e pelo
sossego.
Post de HMJ