
Confesso que, em poesia, só há três autores (afora os amigos) vivos de que compro, sem hesitar, qualquer livro que saia: Gastão Cruz, Fernandes Jorge e António Osório. Dos outros, mais novos, abro o livro, na livraria, leio 2 ou 3 poemas, e faço o meu juízo: compro ou não. Destaco dos mais recentes, apenas um nome: Tolentino Mendonça. De que aprecio alguns títulos, mas não todos.
Mas, ontem, ou porque estivesse mais benevolente e heterodoxo, à noite, na FNAC, comprei 4 livros. E quero destacar um nome e um título de cuja autora nunca tinha lido nada: Renata Correia Botelho (pelo apelido, bem pode ser açoreana) e o seu livro "Um Circo no Nevoeiro" (Ed. Averno, 2009). É uma poesia despojada de artifícios, mas intensa, na sua concisão e brevidade. Deixo um poema ( mas há vários, no livro, merecedores do meu destaque), para que se fique com uma ideia da qualidade da poesia de Renata Correia Botelho.
"falhamos tudo: entregámos
os livros ao sepulcro
das estantes, ao amor
demos o colo de horas
certas, deixamos de abrir
janelas para cheirar a noite.
já nada nos lembra
que o poema só se forma
no fio da navalha."