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sábado, 2 de outubro de 2010

Renata Correia Botelho


Bells

os pássaros morrem sempre
de noite, e os sinos tocam
os seus nomes pela madrugada.

nevou durante mais de quarenta horas
sobre as ruas vazias,
cobrindo de branco
o voo nocturno do anjo.

Renata Correia Botelho, small song, Averno (Set. 2010)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Recomendado : Um


Confesso que, em poesia, só há três autores (afora os amigos) vivos de que compro, sem hesitar, qualquer livro que saia: Gastão Cruz, Fernandes Jorge e António Osório. Dos outros, mais novos, abro o livro, na livraria, leio 2 ou 3 poemas, e faço o meu juízo: compro ou não. Destaco dos mais recentes, apenas um nome: Tolentino Mendonça. De que aprecio alguns títulos, mas não todos.
Mas, ontem, ou porque estivesse mais benevolente e heterodoxo, à noite, na FNAC, comprei 4 livros. E quero destacar um nome e um título de cuja autora nunca tinha lido nada: Renata Correia Botelho (pelo apelido, bem pode ser açoreana) e o seu livro "Um Circo no Nevoeiro" (Ed. Averno, 2009). É uma poesia despojada de artifícios, mas intensa, na sua concisão e brevidade. Deixo um poema ( mas há vários, no livro, merecedores do meu destaque), para que se fique com uma ideia da qualidade da poesia de Renata Correia Botelho.

"falhamos tudo: entregámos
os livros ao sepulcro
das estantes, ao amor

demos o colo de horas
certas, deixamos de abrir
janelas para cheirar a noite.

já nada nos lembra
que o poema só se forma
no fio da navalha."