Mostrar mensagens com a etiqueta René Magritte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta René Magritte. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Memória 155

 

Por onde passámos, vagas recordações nos ficam, quando ficam. Outras vezes, permanece o sabor de um ambiente, positivo ou negativo da atmosfera que ali, então, respirámos.
Recentemente, em sonho, veio-me à tona o Museu de Ixelles (Bélgica) que, há muito, descobrimos por feliz acaso nas nossas deambulações pedestres por Bruxelas.



Ficou-me a memória de que o museu da comuna de Ixelles, não sendo excessivamente grande, o que foi bom, continha resumidamente uma selecção original e singular englobando arte ocidental que ia dos séculos XVI ao XX, com obras de Dürer a Magritte, passando por Toulouse-Lautrec.



segunda-feira, 4 de março de 2024

Parece que Magritte andou por cá...

 

... ou uns hipocampos, quase desvanecidos, se foram apagando, de Norte para Sul no céu de Lisboa.

domingo, 14 de maio de 2023

Para um aniversário



Para o aniversário do blogue Memórias e Imagens, de Margarida Elias, com um brinde de futuro, com a ajuda de Magritte,  e com muitos parabéns, pela sua sempre renovada qualidade estética!

domingo, 22 de janeiro de 2023

Uma fotografia, de vez em quando... (167)



Se Goethe falou delas com propriedade, Magritte representou as mais significativas nas suas telas.  Mas as quatro ou cinco nuvens outrabandistas que vimos ontem, ao fim da tarde, creio que escapavam aos protótipos habituais. Pareciam iluminadas por dentro por um sol estranho e posicionavam-se a sudoeste. HMJ conseguiu fixar fotograficamente uma delas, antes que ela perdesse o ar e tom alaranjado e tendesse para o castanho ou apenas cinzento com o abrir obscuro da noite. De uma forma banal e quase indistinta.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Pinacoteca Pessoal 174

 


Tentado inicialmente pelo impressionismo e pelo expressionismo, o pintor belga Paul Delvaux (1897-1994) viria a integrar mais tarde, em definitivo, a escola do surrealismo, também partilhada pelo seu compatriota coevo René Magritte, que integrava, de algum modo, um certo tipo de humor, nas suas obras. Delvaux introduz algumas notas de subtil dramatismo, mas também mistério que me fazem lembrar alguns quadros de Giorgio Chirico.



Uma visita a Itália, em 1939, deixou marcas na sua estética e também em cenários arquitectónicos que, por vezes, surpreendemos nas suas telas. Concluímos a reprodução de pinturas de Delvaux com As fases da Lua (1942) e A Retirada (1973). Afectado por problemas de visão, o artista deixou de pintar em 1986.




sábado, 2 de maio de 2020

Uma fotografia, de vez em quando... (140)


Morreu há poucos dias (17/4/2020) este talentoso fotógrafo francês, cujas obras, justificada ou injustificadamente, me lembram quase sempre as telas de Magritte. Gilbert Garcin (1929-2020) começou contudo já tarde a fotografar, em finais do século passado, e disse que o fez por temer a monotonia e o tédio que poderia sobrevir com a sua reforma. Na sua obra e títulos surpreendemos, algumas vezes, uma nota de bom humor.


Creio que esta primeira fotografia, acima, intitulada Le charme de l'au-delà, teve um primeiro prémio, em 1995, nos Rencontres d'Arles e é daquelas que mais associo a René Magritte. Grande parte dos protagonistas da sua obra são Garcin e a esposa. E a quase totalidade das suas fotos são colagens ou fotomontagens, de algum modo, com um forte pendor surrealista. À segunda foto, acima, deu o artista o título de Ruptura...
Por curiosidade, posso informar que Gilbert Garcin esteve em Braga, em 1998, participando nos Encontros de Imagem.




terça-feira, 16 de julho de 2019

Osmose 107


As afinidades criam-se, muitas vezes, de sobreposições, ainda que ténues. Um gesto que reconhecemos também nosso, uma palavra que nos irmana pelo significado distinto e próprio, um gosto partilhado intimamente, um desprezo oculto que aflora simultâneo, geminado e natural, depois de expresso.
É assim, ainda que cada vez mais raro com o passar dos anos, que reconhecemos a fisionomia de um amigo possível. E a hipótese, nem sempre concretizável, de uma relação para sempre. Embora possa ter demorado muito, até o vazio ter reconhecido uma presença real de ocupação merecida.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (108)


Há sempre um traço inaugural, uma pincelada prévia sobre a tela branca, um primeiro verso, ou uma primeira palavra que se escreve, ao começar uma carreira. Como pode haver uma pedra na fotografia inicial que se tira, mesmo que ela possa convocar uma pintura, que até poderá ser de Magritte. Depois, esse objecto que tomou forma exterior a nós, ganha relevância. Tentamos vê-lo à distância, atribuir-lhe um valor. E será arte, ou não?


Gérard Castello Lopes (1925-2011) terá começado por fotografar uma pedra sobre mar, que se lhe impôs ao olhar. Vendo depois o resultado e dando-o a ver, ele ganhou cidadania artística, espaço. Terá sido assim que iniciou a sua carreira de fotógrafo, a partir do meio da vida. Como autodidacta, mas influenciado (é ele que o diz) por Cartier-Bresson. Mas as temáticas, eram suas.


E maioritária, genuinamente portuguesas.



domingo, 25 de fevereiro de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (103)


Assumidamente autodidacta, o fotógrafo norte-americano Duane Michals (1931), a pedido do governo mexicano, cobriu os Jogos Olímpicos de Verão, em 1968. Assim como trabalhou e colaborou com as revistas Esquire e Vogue.



A inovação e o lado lúdico da vida ocupam uma boa parte da sua obra, de que as fotos que dedicou a René Magritte são um bom exemplo. Muitas vezes, Michals faz acompanhar os seus instantâneos, de pequenos textos reflexivos ou meramente especulativos.


Numa expressa manifestação de um diálogo que procura exceder o mero campo visual.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Pinacoteca Pessoal 117


Nascido em Gand, a 2 de Agosto de 1881, o pintor flamengo Gustave van de Woestijne veio a falecer em Abril de 1947, também na Bélgica. A sua obra é como que uma ponte entre o simbolismo e o expressionismo europeu. Mas são raras as suas obras que excluem a figura humana. A sua pintura, que não deixa de incorporar reminiscências dos antigos mestres flamengos, terá influenciado Delvaux e Magritte, segundo alguns críticos de Arte.

domingo, 2 de outubro de 2016

Mais um poema traduzido, de Eduardo Chirinos


Derrota del Otoño


Por estas redondezas, o Outono não é bem-vindo.
                                                              Ninguém o espera
na margem de um qualquer rio melancólico
que esconde nos seus fluxos os segredos do mundo.
Mas o Outono reina em outras latitudes:
lá longe, onde os ciclos se cumprem, obedientes, lá longe
onde envelhecem e se renovam as metáforas.

(O Sol afunda-se num charco esverdeado
onde flutua, solitária, uma folha de loureiro).

Mas hoje de tarde nem sequer choveu. As folhas
fincam-se com força férrea aos seus ramos,
heroicamente lutam contra o vento
e pela noite hão-de celebrar a derrota do Outono.

Não sabem que as folhas em queda são escritas
e a árvore um calado e seco poema sem estrias.


para quem não aprecia muito o Outono, como a Margarida, no seu "Memórias e Imagens"; e para Maria Franco, que gosta da obra do Poeta. Cordialmente, esta despretenciosa tradução.

Ipsis verbis


Duas coisas não sabia eu: que René Magritte (1898-1967) tinha pertencido ao partido comunista belga; e que tinha uma grande exposição no Centre Pompidou (Paris), nesta altura - foi L'Obs que me elucidou...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Osmose 83


Numa recente entrevista, Eduardo Lourenço (1923) referia-se, e por palavras suas, a que: só existimos em função dos outros. Eu acrescentaria que, em casos extremos, nós somos e temos razão de ser nos outros. Finalmente (referi-o há dias), só vivemos a morte nos outros e dos outros, que a nossa é sempre imaginavelmente abstracta e presumível, mas nunca será vivida, em consciência total. Como também, conviria acrescentar, que a palavra sobrevivente (de um acidente, da guerra, do holocausto...) é das mais falsas do vocabulário universal, quando aplicada ao ser humano, porque a morte nunca interrompe o seu curso. Apenas o pode adiar.
Voltando aos outros. Que são o nosso espelho real, e reflectem, mais ou menos conscientemente, as nossas diversas facetas. Há amigos com quem (melhor) pensamos e amigos com quem (melhor) sentimos. Amigos com quem partilhamos leituras e aqueles com quem vamos construindo um breviário estético de eleição perene. Amigos que escolhemos para viver  alegrias e outros que melhor sabem acolher a nossa tristeza. Ou a sabem compreender. Por uma ruga na face, um nublado olhar, um embargo de voz.
Como as almas gémeas são raras e as afeições electivas, difíceis, também por aí nos temos de dividir, para ser, completadamente.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Divagações 108


Julgo que é apenas no século XX que a denominação de "Sem título" faz a sua aparição plena nas telas dos pintores ocidentais. Quase sempre ligada a pinturas abstractas. Cortando assim, cerce, qualquer veleidade de sugestão, ajuda ou meio de interpretação da obra, em si. Terá sido por vontade expressa dos autores, ou apenas por dificuldade na denominação adequada do quadro? Porque, simultaneamente no tempo, um pintor figurativo, Magritte, desencadeava para as suas telas uma luxuriante panóplia de títulos poéticos, irónicos, riquíssimos de sugestões. Que, por sua vez, encaminhavam os observadores para caminhos precisos, quando não, desconcertantes, pela sua múltipla oferta direccional.
Entretanto, a onomástica musical, de há muito, se desdobrara (sinfonia, sonata, estudo...), metodicamente, em classificações generalistas, muitas vezes, acrescidas de uma numeração cronológica que, se não interrogavam os ouvintes amadores, pouco os ajudariam em entendimentos simbólicos das composições. A tendência vinha sendo antiga, no sentido da abstracção de títulos. Assim fora também na poesia (écloga, canção, soneto...), muito embora, pelo seu conteúdo de palavras, não pusesse dificuldades de maior, ao leitor, quanto à percepção muito próxima do assunto ou temas tratados. De uma forma pouco rigorosa, eu diria que há, nos três casos distintos de arte, uma substantiva distinção onomástica.
Esta Prudência, a que Wim Mertens (1953) chamou Virtude (ver/ouvir poste-vídeo de 21/2/2016), na sua expressão musical singular, não sei se o será, imediata para mim. É certo que, por extremo, uma obra musical pode conter uma espécie de ficção, ou sugeri-la, em termos muito primitivos ou inconscientes, que nos despertam para emoções próprias, por associação longínqua de memórias, nem sempre explicável. Mas só por especulação eu posso interpretar esses silêncios cautelosos, entre os sonidos claros do piano, como uma espécie de hesitação, cuidado ou prudência (criativa?) do compositor belga, antes de se abandonar à sequência, mais livre, do resto da composição, sobretudo entre os minutos 1.08 e 1.47 da execução musical dessa obra referida.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Osmose 58


Transforma-se o amador na coisa amada. (Camões)

Sinto as escadas que se abatem sob a minha subida lenta dos degraus - trago alguns anos comigo -  e, a meio, ouço a voz que reconheço de há muito, na sua frescura louçã.
É quando os olhares se cruzam que me vejo a subir e a assomar: primeiro, a cabeça, depois, os ombros; gradualmente, o corpo todo, inteiro e de outrora. Reflectido por outros olhos, em mim. Como se fora um espelho real. Todavia, inexistente.

domingo, 12 de julho de 2015

Pinacoteca Pessoal 98


Rigoroso realismo de traço, técnica apurada, notável sobriedade linear e uma claridade geométrica e solar definem, de algum modo, os quadros singulares do italiano Antonio Donghi (1897-1963), pintor cuja obra conheci há muito pouco tempo. Mas que me despertou imediata simpatia estética e admiração. Há, na minha opinião modesta, um tímido surrealismo que o aproxima, ainda que ligeiramente, de Magritte, mas também da metafísica pictórica de um Chirico, mais rigorosa, em Donghi, pela claridade que ilumina as suas telas.
Um Auto-retrato, de 1942, encima o presente poste. Bem como o quadro Carnaval (1923) e um retrato de jovem, sentada, no Café (1932), que completam esta pequena mostra, que aqui deixo, em partilha cúmplice.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Recuperado de um moleskine (12)


É um canto mágico por onde eu vejo o tempo, às vezes, transfigurado. Outras, muito objectivo.
Estava um azul de Magritte, ao fim do dia. Mas as nuvens eram pouco criativas - nada sugeriam, entre as suas oblíquas linhas brancas, mal definidas, e os flocos de algodão, banais. Um dos flocos, quase a diluir-se, ainda tentou metamorfosear-se, escurecendo, num famélico leão aéreo. Depois, num cabrito esventrado, à Soutine, a preto e branco porém, mas cada vez mais ténue, que desapareceu, levado pelo vento, para Sul.
Pouco antes da noite cair, houve ainda uma pomba negra que parecia vir na minha direcção, mas que se afastou a tempo, no último momento, para meu sossego. E sua salvação.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Uma fotografia, de vez em quando (50)


Nascido em Detroit, em 11 de Junho de 1934, o fotógrafo norte-americano Jerry Uelsmann é considerado um precursor da fotomontagem. Mas não deixa de lembrar, numa outra via, o pintor belga René Magritte...


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sonho, emoção e imaginação


Os sonhos têm, maioritariamente, uma natureza emocional. Dos pesadelos aos sonhos agradáveis, a razão pouco ou nenhum controlo neles exerce. Porque tudo se passa numa ficção do inconsciente, que parece originar-se, a maior parte das vezes, de forma autónoma, retendo do real apenas a hipótese da probabilidade envolvida por uma vaga verosimilhança possível. O sujeito-produtor faz parte do cenário e a sua vontade pouco ou nada interfere no desenrolar da "narrativa", pelo menos, de forma consciente.
Numa recensão, do TLS (nº 5807), ao livro Emotion and Imagination, de Adam Morton, Adrienne Martin refere, parafraseando o autor da obra: "emoção é um estado mental que liga uma representação da actualidade com representações de possibilidades. Para usar um dos exemplos de Morton: o medo é o elo de ligação entre a representação de uma criança que se aproxima de um precipício e o imaginar-se a criança caindo."
Destes dois postulados ressalta o papel da imaginação. E é legítimo inferir, ainda que numa conclusão ligeira, que a razão adormece no sono, mas a imaginação e a emoção se mantêm despertas no sonho.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Ilustrações...


No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
(...)
Drummond de Andrade (1902-1987).