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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Dia de Reis


[in Manual de diuersas oraciones, Lisboa, J. Blávio, 1559]

 Ora, para o Dia de Reis, e lembrando-me de uma imagem publicada recentemente por J.J.Alves Dias, no Prosimetron, encontrei nos meus afazeres sobre os impressores do Século XVI a pequena gravura que encima este "post". Como se observa, os Reis Magos são todos brancos, não havendo também neste exemplar nenhum rei negro.

Não se poderá argumentar ser deficiência da impressão ou do impressor ser incapaz de mudar a cor da pele, porque existem exemplos, de outros impressos mais ou menos contemporâneos, que elucidam muito bem como se fazia. Servem, portanto, os seguintes exemplos 

[imagens tiradas das Folhas Volantes: Auto das Regateyras e Auto dos Sátiros, ca. 1544/1558]


Com os desejos de um bom Dia de Reis e o correspondente Bolo Rei.

Post de HMJ, em geminação com o Prosimetron

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Divagações 105


A fantasia contribui, e não pouco, para a felicidade do mundo. A violência, nas suas múltiplas formas, para a prosperidade da indústria norte-americana. Porque nem tudo vai a par ou é simétrico, na sua simplicidade. Em peso e em estética. Haja em vista, recentemente, este desaguisado islâmico entre sunitas e chiitas, que vai adquirindo consideráveis proporções.
De Gaspar, Melchior e Baltasar, pouco sabemos para além da sua peregrinação estelar, em busca do nascituro rei divino. Teriam regressado, em paz, aos seus reinos? Terão sido agraciados de beatitude e felicidade, no resto das suas vidas? Talvez, mas é bom lembrar que um objectivo, uma vez alcançado, perde sempre força, valor e fantasia...
Pecaminosamente, cá em casa e por razões pragmáticas, já desfizemos o Presépio. O musgo, semprevivo, recolheu à garagem, os pequenos bonecos de barro às caixas respectivas.
E, desta vez, os 3 Reis Magos não atingiram o objectivo. A esperança e o ardor da procura retiveram-se em suspenso, por um tempo indefinido de felicidade cristalizada e tensa de fantasia...

sábado, 3 de janeiro de 2015

Recuperado de um moleskine (10)


O novo ano começa a criar raízes, na normalidade dos dias que se vão sucedendo. Das ofertas não suficientemente exploradas até aos restos de bolos e doces que ainda ocupam as mesas enfeitadas, o passado recente começa a ganhar forma estática e futura.
A magia vai-se perdendo, a pouco e pouco, a infância volta ao seu lugar cativo, no fundo da memória, a família dispersa-se, novamente. O diário trabalho da sobrevivência regressa com os seus constrangimentos.
Reinstalamos o piloto automático no comando dos dias. E, ao contrário do passado, já quase nem se celebra o dia de Reis, que vem próximo. Com ligeira melancolia, movo Gaspar, Melchior e Baltazar para mais próximo da cabana do Presépio, como se esta fosse a única realidade que ainda subsiste.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Boas entradas em 2014!


A história não nos diz o que terão feito os Reis Magos, depois de terem dado as prendas ao Menino. Terão pernoitado em Belém? Terão sido mais felizes, depois? O que se sabe da vida deles é que tinham um objectivo e o realizaram.
É sempre bom, e salutar, ter objectivos. Muito embora, e realisticamente, não seja aconselhável esperar muito do Ano Novo de 2014, que está bem próximo. Até porque há muito poucas "estrelas", no céu, a apontar o caminho...
Iremos por partes e devagar: Boas entradas a Todos!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Ritual

Como se se contasse uma história em que já não acreditamos, os capítulos, porém, não deixam de ser sinceros, na elaboração meticulosa e atávica que procuram respeitar.
A colocação dos protagonistas, na progressão gradual dos Reis Magos, que vão sendo deslocados - simulando a viagem. O lago que, outrora foi um espelho entre o musgo e agora - por mais flexível - é feito da folha de prata de um maço de tabaco já vazio...
E a história volta a contar-se.