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segunda-feira, 12 de junho de 2023

A evitar, absolutamente (5)



Há mais de 4 anos que eu não abria esta temática. Nunca o fiz por gosto, antes por despeito e imperativo de consciência. E por aviso aos incautos, pela falta de qualidade: de vinhos, livros...
Acontece que, com um pequeno intervalo temporal, experimentei 2 vinhos brancos alentejanos de marcas diferentes, mas do mesmo ano de colheita (2022) e com as mesmas castas no lote: Roupeiro, Antão Vaz e Arinto. Um da zona de Reguengos de Monsaraz (Pedra do Casar, 12,5º), o outro vinho da região de Borba, com 13º.
A apreciação foi idêntica: vinhos medíocres, de sabor acre e desagradável. Tenho alguma dificuldade em aceitar e perceber como é que a Adega Cooperativa de Borba sobretudo, produtora com linhagem de qualidade firmada, foi capaz de pôr à venda este branco inqualificável.



Se é certo que, por vezes, a casta Antão Vaz, se não for bem doseada, pode diminuir o vinho, inclino-me mais para ter sido o Roupeiro a prejudicar o resultado final. Negativo, que abarca também a fraca qualidade do vinho branco produzido e posto à venda pela Carmim.
Há, por isso, que evitar esta infeliz dupla vínica alentejana.

domingo, 15 de janeiro de 2023

Divagações 184



O jornal Público de hoje titula na primeira página assim: Há juízes que usam o Supremo para se jubilarem com mais 250 euros por mês. E de imediato me lembrei do médico Ribeiro Sanches (1699-1783) que escreveu: Dificuldades que tem um Reino Velho para emendar-se. Porque isto, quanto a justiça à portuguesa, já vem de longe nos abusos à pala da independência dos poderes. Lembremos o Abade de Jazente (1719-1789), Paulino Cabral, que também pôs o dedo na ferida, com particular evidência poética. Ora, aqui vai o soneto do eclesiástico, em linguagem indisciplinada e castiça da época:

Citado o Réo, a Acção distribuída,
Offréce-se o Libello na Audiencia;
Entra logo uma cota, huma incidencia,
Apenas em déz annos discutída.

Contraría-se tarde; ou recebída
Huma Excepção, faz nova dependencia:
Crescem as dilações, e a paciencia
Huma das Partes perde, ou perde a vída.

Habilita-se hum Filho, outro demóra;
E de novos artigos na dispúta,
Mais se dilata a causa, ou se empeóra.

Cõ tudo pôem-se em prova, ou circundúta,
Em caza do Escrivão bem tempo móra,
E se há sentença em fim, não se execúta. *


Donde se vê que os agentes de justiça, em Portugal, gozam muitos deles, de há muito, de uma total impunidade quanto à sua preguiça profissional, à sua capacidade, e mesmo à sua postura cívica. Eticamente, alguns quase parecem uns marginais sem vergonha.


* o soneta vem na página 127, do tomo I das Poesias de Paulino Cabral... (Porto, 1786).

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Adagiário CCCXV

 


Médicos e advogados, Deus nos livre dos mais afamados. *

(Ditado espanhol)


* não fora castelhano o rifão, e eu teria a tentação momentosa de acrescentar, às profissões, a de juiz...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Os 4 Cês da Justiça à portuguesa

Dizem Roquete e José da Fonseca, em dicionário competente, que Justiça é "a conformidade das acções com o direito". É simples, claro e conciso. Dizem os jornais que "os 137 examinandos de um teste do CEJ (Centro de Estudos Judiciários) para futuros juízes, foram apanhados a copiar e, numa decisão corporativa e complacente" (para não dizer, cúmplice), a inefável Direcção do organismo de ensino resolveu, magnânima, corrê-los a 10 valores, rumo à etapa seguinte. É dúbio, injusto, cómodo, irresponsável e mole. 
Único comentário que me ocorre: a Justiça, à portuguesa, no seu melhor, em pleno século XXI.