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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Apontamento 88: Anualmente o mesmo negócio




Embora “fora de serviço”, entra pelos olhos o infame e chorudo negócio do chamado “Regresso às Aulas”. Este ano, como se pode ver pela imagem acima, a promiscuidade atingiu um novo patamar, i.e., uma plataforma de venda de livros, WOOK, associa-se a  uma cadeia – séria e recomendável – de venda de alimentação saudável.

Outro tanto são os folhetos cheios de mochilas, estojos e outro “material escolar” que, apesar de um discurso crítico sobre as despesas, parece conquistar, todos os anos, os mesmos consumidores. Então, as criaturas precisam, todos os anos, uma mochila nova, um estojo diferente ? Onde ficaram as canetas, as borrachas, os afias, etc. que sobraram do ano anterior ? De facto, nunca entendi tanto despesismo e comportamento acrítico com que os progenitores cumprem, sobretudo nesta matéria, as ordens dos “professores”, comprando, anualmente, os mesmos produtos daquela lista infindável de material de papelaria de uso corrente.

Dos livros nem falo, porque sempre recusei os chamados “Manuais”. Não suporto o nome de “fichas”, nem as “propostas de actividades”. E se os livros escolares fossem apenas antologias de textos, para o caso da disciplina de Português, as criaturas não teriam dores de costas para alombar com um indigesto e pesado “tijolo” de duvidosa qualidade.


Post de HMJ

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Da Janela do Aposento 48: Efemérides



O dia começou bem para as efemérides muito especiais, familiares, com o tio Otto a celebrar, como único sobrevivente dos Wagner, os 100 anos. Utilizou uma palavra para se referir à proeza de alcançar a meta, que já não ouvira há muito tempo, e que é de difícil tradução para português. Voltou a insistir que, a partir de agora, voltaria a contar o percurso da sua vida a partir do ano 1.

Destacando-se, desde sempre, dos restantes irmãos pela boa disposição e pelo enorme gosto pela vida, houve quem o recompensasse por períodos de grandes sacrifícios durante a guerra. Teve honras de uma visita do burgomestre que comentou, com o seu humor, dizendo que o estavam a “embonecar” para o evento.

Para além de artífice memorável na construção de móveis, era um fotógrafo excepcional, enriquecendo o espólio familiar e, sobretudo, o meu álbum de fotografias desde a infância até aos meus quinze anos. Tenho pena das películas, da AGFA, que se perderam quando abandonou a sua câmara escura instalada na cave da sua casa.

Lembrei-me, pois, das fotos que me deixou da infância, do teatro de bonifrates que montava em casa a contar histórias, numa casa pequena, cheia de alegria.

Por coincidência, o dia de hoje é também o início do ano lectivo, em Colónia e no respectivo estado. Veio-me à memória o primeiro dia de escola, com a fotografia a preceito que, no entanto, não foi o tio Otto que ma tirou. As recordações fixaram-se na fotografia reproduzida acima e ficou a interrogação sobre o percurso da civilização – europeia – nos últimos 60 anos.

Confesso que tenho alguma dificuldade em aceitar a menorização e infantilização do ser humano, empreendidas pelas poderosas forças do consumo, a ponto de o Governo de Portugal emitir uma brochura sobre o “Regresso às aulas” com conselhos indigentes.


Ora, como se pode ver pela foto, apresentei-me, no primeiro dia de aulas, “compostinha”, sem haver necessidade, da parte do governo de então, em explicar à minha mãe o que me havia de vestir, ou de comprar para levar para a Escola.

A lição de chegar aos 100 anos, “são e salvo”, não passa, certamente, por essa indigência do consumo tolo e do supérfluo em detrimento da essência. Para já, nem sequer me rebaixo a comentar a imagem que o folheto oficial transmite dos professores. Deixo a imagem apenas como registo de revolta.



 Post de HMJ