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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Duas reflexões ou estratégias de defesa


1.
Com a gente do Sul aprendi que a ternura tem que ser protegida com dureza e que a dor não nos pode paralisar.

Luis Sepúlveda, in As Rosas de Atacama (pg. 131).

2.
A ironia é uma atitude defensiva que deve permitir-se a quem se aventura a navegar no elemento movediço das formas humanas, com a consciência nítida da própria impossibilidade de distinguir os corpos das sombras.

Antonino Pagliaro, in A Vida do Sinal (pg. 4).

sábado, 6 de julho de 2019

Pedro Monteiro (1969)


Pouco posso dizer sobre Pedro Monteiro, que nasceu algures em Portugal (Coimbra? Manteigas? Bragança?), a 4 de Julho de 1969. Com formação jurídica, dedicou-se desde cedo à diplomacia, cumprindo missões, pelo menos, em 3 continentes. Deslocações quotidianas em Paris, entre a sua casa e a embaixada, deram-lhe matéria, nas viagens de metro, para breves reflexões.


Que vieram a integrar um voluminho (Galáxia de Berlindes, 2012) de 128 páginas, em edição de autor, discreta, mas de muito bom gosto, com grafismo e capa de Rui Cardoso.
Os textos, por entre o aforismo e a greguería (à Gómez de la Serna), uma ou outra vez sugerem um haikai ligeiramente poético para que as palavras tendem, imperceptivelmente. Mas também se temperam de um humor muito original, que nos ajuda a viver melhor, pela riqueza da imaginação.
Deixo três exemplos da primeira página deste pequeno-grande livrinho de Pedro Monteiro.




segunda-feira, 22 de abril de 2019

Reflexões de Pascoela, com osmose gastronómica e enológica, naturalmente...


Tenho o passado arrumado, razoavelmente, na cabeça, até porque, sendo emotivo, não sou sentimental. Coisas há que têm o seu tempo e como bem dizia o poeta Afonso Duarte (1884-1958), "voltar atrás é uma falta de saúde...". Não me recuso, porém, a celebrar, algumas datas da tradição portuguesa, que são, em princípio, de enorme contributo calórico...
Dispenso as cavacas, o pão-de-ló, tenho pena de não ter à boca os bolos de gema desta época, mas faço questão de ter à mesa o anho pascal, no Domingo de Aleluia. Que é uma espécie de ressurreição laica atávica e de antanho, na minha vida. Mesmo que me recuse a hipócrita e teatral identificação, bem portuguesa e preguiçosa, de católico não praticante (que será isso? Não ir à missa aos domingos?!!!...)
No nosso almoço de Páscoa, naturalmente, o cabritinho no forno veio à mesa, tenríssimo, com aroma a alecrim e outras preciosidades silvestres. Fi-lo acompanhar de um monocasta de Touriga 2014, rústico de Silgueiros, tinto e ainda com taninos fortes. Sobrante, o cabrito regressou nesta segunda-feira de  antecipada Pascoela, mais apurado e perfeito. Escolhi, desta vez, um Assobio de 2011, produzido no Douro pela Esporão.


Excelente, para não dizer mais. Assim concelebramos a ágape pascal e de pascoela, à nossa maneira.