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domingo, 14 de dezembro de 2014

Mais um retrato em palavras


Acolhendo a perspectiva do historiador Rebelo da Silva (1822-1871), e fazendo fé no retrato, aqui se transcrevem os traços de D. João IV (1604-1656), o restaurador:

"De estatura mediana, bem proporcionado de corpo e até gentil de rosto antes da enfermidade das bexigas, mas grosso, vigoroso, e pouco esbelto, ninguém procurando ler-lhe o futuro na expressão dos olhos azues tão alegres, e no semblante desanuviado e risonho, se atreveria a vaticinar, mesmo um anno antes, que aquelle principe de cabello quasi loiro e barba ainda mais clara, assim modesto nos trajos, e avesso na apparencia a todos os negocios publicos, quasi sempre irresoluto, havia de arrancar subitamente a mascara, e apparecer diverso em tudo do que fôra, e do que se cuidava que era. Pouco estudioso, e de lettras muito superficiaes, repartia os dias entre os exercicios venatorios, a administração de suas vastas propriedades e a musica religiosa, de que sempre se mostrou apaixonado, e a que applicava duas horas, desde as cinco até ás sete da manhã. Depois de jantar, em vez da sésta, divertia-se provando as peças que haviam de ser cantadas na capella ducal, ou compondo algumas obras em defeza da arte. Na intimidade apparecia menos concentrado e menos frio, e na conversação denunciava juizo claro e pratico, grande penetração e muita agudeza natural. Prompto e por vezes sentencioso nos ditos e respostas, se não empregava palavras cultas e phrases esmeradas, escrevia e fallava com certa graça, e os despachos de sua mão mereceram varias vezes applauso por discretos. Á mesa demorava-se de mais. Parco na bebida, e frugal quanto á delicadeza das iguarias, absorvia enormes quantidades de alimento, arruinando a saude e apressando a morte. Nos vestidos usava extrema singeleza, repetindo com frequencia aos que lhe estranhavam o desprezo das pompas: «Que todo o alimento sustentava, que todo o fato cobria.»"


terça-feira, 11 de março de 2014

História e ficção - algumas questões


Na esteira de Herculano, também Rebelo da Silva foi um romancista conceituado.
Será que a História exige, dos seus artífices, a criatividade da imaginação ou, pelo contrário, eles apenas devem obedecer a uma rigorosa neutralidade realista que os poupe ao desvario das efabulações?
Seja como for, creio que Alexandre Herculano e Rebelo da Silva foram os únicos historiadores portugueses, desde sempre e até há pouco, a dedicarem-se também à ficção. E nesta ambivalência será possível, num mesmo homem de letras, compartimentar rigorosamente a ficção, do rigor científico, no espírito humano?
Claro que há sub-espécies... De pretensos historiadores que efabulam sobre História, e até ganham bom dinheiro com isso, sem grandes preocupações de consciência.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Curiosidades 24


Esta carta, em imagem, de Luís Augusto Rebelo da Silva (1822-1871), historiador, romancista e homem político, é reproduzida de um catálogo bibliográfico de 1916.
É um documento de empenho (sem data), ou de cunha, dirigido a alguém (?) influente nos Ministérios de Lisboa, tendo sido escrita em data posterior a 1856. Nele são referidos: o Marquês de Loulé (1804-1875), António Vicente de Carvalho Leal e Sousa (1821-1911), o Conde de Bretiandos, Gaspar da Cruz e José da Costa Pinto Basto (1808-?). E ainda a localidade de Vila Nova de Famalicão.