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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Mote e glosa (13)


Heidegger não pensa "sobre algo", mas pensa algo.
...
... a capacidade de nos surpreendermos perante o que é simples (...) e tomar como ponto de partida este sobressalto.

Hanna Arendt (1906-1975), in Revista de Occidente (nº 84, 1970).

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O tempo desocupado por inteiro pode, nalguns casos e após um período neutro de transição (as férias não são o suficiente...), levar-nos a questionar as coisas mais simples, os factos dados como encerrados, os saberes adquiridos, as frases feitas. O tempo, dito, de reforma ou de aposentação pode, por isso, ser portador de novas curiosidades e descobertas. Criando assim um espaço de reflexão inesperado, natural.
Se a idade, necessariamente, nos faz desaprender, até pelos saberes que fomos esquecendo com o tempo, devido a não os usarmos, esse novo espaço livre pode vir a ser uma fonte fresca e seara de conhecimento, desde que o tomemos como ponto de partida para esse sobressalto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Citações CCCLXVIII


A erudição impõe à história uma lentidão insuportável.

Marcel Bataillon (1895-1977), referido por Eugenio Asensio (1902-1996), in Revista de Occidente.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Reacções ao passado


Fotografias muito antigas, nos seus sépias delidos, muitas vezes fazem-nos sonhar. Ou, ao menos, imaginar, sobretudo quando não temos sobre os locais fixados ou figuras inscritas, quaisquer referências concretas. Assim também uma pintura abstracta, bem conseguida, que repercute sobre a nossa imaginação.
Haverá, contudo, outro tipo reacções sobre coisas ou acontecimentos passados. Modas que foram o ai-jesus de um tempo, podem hoje fazer-nos sorrir, benevolamente, ou mesmo rir. As saias-balão de outrora parecem-nos, agora, uma espécie de sacos de batatas. E os antigos fatos de banho, com as suas alças e folhos?
Há dias, ao folhear uma Revista de Occidente, de Junho de 1968, fui surpreendido por um anúncio singular publicitando uma Água de Colónia espanhola. O nonsense criativo era notório. A mescla publicitária, associando crime e literatura, a um perfume, criava uma enorme surpresa, em que o humor, ocupava também um espaço insólito no desprevenido observador...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Da leitura (26)


Tenho vindo a arrastar, penosamente aliás, de há mais de um mês a esta parte, a leitura de Às Cegas (2005, Quetzal 2012), obra de ficção do escritor triestino Claudio Magris (1939). E o que me tem valido, à persistência da leitura do romance, é intervalá-la, salutarmente, com escapadelas até a alguns artigos da Revista de Occidente e da Revista de Guimarães, como refrigério do sacrifício.
Magris é, para mim, uma referência, sobretudo depois de Danúbio, uma espécie de belíssimo diário etnográfico e histórico de viagem pela Mitteleuropa, mas terei de concluir que a ficção não é, de todo o seu violon d'Ingres. Antes pelo contrário. Um pouco na senda de Camilo que, sendo um grande ficcionista, era um mediocre poeta. Nem todos os artistas tocam bem os 7 instrumentos...
A minha grande tentação, a que até agora tenho conseguido resistir, é não fazer batota de leitura nas últimas 96 páginas (das 301 do livro) que me restam desta via sacra que tem sido o Às Cegas. Vamos a ver, se consigo.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Últimas aquisições


Prestigiada publicação espanhola, a Revista de Occidente foi fundada por Ortega y Gasset, publicou-se durante largos anos e contou, entre os seus colaboradores, com personalidades de grande qualidade cientifica e literária.
Eu tinha já alguns números dispersos, comprados há anos e escolhidos por causa de conterem artigos ou inéditos com particular interesse, para mim.


E ontem, no meu alfarrabista de referência, deparei-me com três rimas de exemplares diversos, que deviam totalizar cerca de uma centena. Passei-os a pente fino e trouxe 7 números diferentes, a 2 euros cada. O mais antigo é de 1963 e o mais recente tem o número 132, de 1974.
Do exemplar de homenagem a Albert Camus, a um especialíssimo trabalho sobre o New Criticism, passando por um conto de John Updike, vou ter muito por onde me entreter, com proveito.