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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Rearrumações


Camilo mudou de sítio e a Revista de Guimarães ganhou região autónoma, na nova estante do átrio. No entretanto, não consegui descobrir os dois primeiros Lobo Antunes, que ainda li, e não mais comprei. No local certo, das antigas estantes, não os encontro. Reapareceram-me, no entanto, obras esquecidas, como uns contos de Tchekhov (1860-1904), editados pela Atlântida (Coimbra, 1962), que agora ando a ler (ou reler?) com gosto e devagar, embora sejam bem pequenas as narrativas.
As novas estantes, milagrosas, não estão ainda cheias, mas olho, com algum desconsolo, para a secretária onde repousa uma parafernália de coisas e restos soltos que tenho dificuldade em voltar a arrumar em sítios convenientes. E que também não consigo imaginar-me a pôr no lixo...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A biblioteca de Raul Brandão


Uma biblioteca define, de algum modo, os gostos e, porventura, a maneira de ser do seu proprietário.
Foi por isso que, com alguma curiosidade, folheei o inventário da biblioteca de Raul Brandão (1867-1930), inserto na Revista de Guimarães (Volume LXXXIX, Jan--Dez. de 1979), biblioteca que, por disposição testamentária do Escritor, teria ficado à guarda da Sociedade Martins Sarmento. Só a partir de 1979,  isso aconteceu, por demora dos herdeiros em cumprirem a sua vontade, atempadamente. Uma vez que a viúva, Maria Angelina Brandão, teria falecido por volta de 1964.
O acervo é de média dimensão e, para lá dos livros portugueses, há bastantes volumes em língua francesa. Mesmo os volumes das obras de William Shakespeare (10), Dickens (8), Stevenson (6) e de Joseph Conrad (4), autores de língua inglesa, são versões em francês. Bem como as obras de Tolstoi (10), e Dostoievsky (7). Dos escritores gauleses representados, o maior número pertence a Balzac, com 25 livros, seguido de Anatole France (11), Michelet, Alexandre Dumas e Moliére, com 9 volumes, cada. Stendhal, com 8 livros e Paul Bourget, com 7.
Mas a minha grande surpresa, deu-se com os escritores portugueses. Do poeta, hoje esquecido, António Correia de Oliveira, havia 17 livros, na biblioteca de Raul Brandão - provavelmente eram amigos. Seguido por 12 livros de João Grave e 7 obras de Camilo. Junqueiro e António Sérgio (5), Pascoaes, Fialho de Almeida e Garrett, representados por 4 livros, cada. Seguia-se Aquilino Ribeiro, com apenas 3 obras. E não faltava, também, o polémico e escandaloso na altura, O Marquez de Bacalhoa, de António de Albuquerque, publicado em 1904.
Em síntese, eram estas  as leituras de Raul Brandão, na sua Casa do Alto, em Nespereira (Guimarães).

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Do que fui lendo por aí... 21


A louçania da mulher minhota não dispensava, por festa, romaria ou procissão, os atavios de ouro - lembro-me bem... Talvez por ali houvesse, também, alguma vaidade de mostrar os seus pertences de família ou a capacidade do seu dote. Dir-se-ia que, nalguns casos, pecava por exagero.
Mas qualquer dona minhota que se prezasse teria certamente, no seu bauzinho de jóias, as arrecadas de filigrana e o seu grosso cordão dourado. E as criadas de servir, muitas vezes trabalhavam uma vida inteira para investir no fio de ouro, que compravam, normalmente a prestações, no ourives da terra.


Por isso, não estranhei que, num artigo da Revista de Guimarães (vol. LXVII, Jan.-Jun. de 1957), intitulado "Das origens e técnica do trabalho do ouro", o coronel Mário Cardoso (1889-1982) referisse, em nota de rodapé, o seguinte: "...sabe-se que as mulheres ibéricas superavam as etruscas, célticas e outras, na sua vistosa indumentária e na riqueza exuberante com que se ornamentavam, cobrindo o toucado com diademas e rosetas de ouro, o pescoço e o peito com múltiplos colares e pendentes, grandes arrecadas, nas orelhas, pulseiras, braceletes (...) de uma grande quantidade de jóias de ouro ao pescoço, cordões, cruzes, medalhões de filigrana, etc., que por vezes cobrem todo o peito da lavradeira." (pgs. 18/9)

um agradecimento especial a H. N. - ele sabe porquê...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Da leitura (26)


Tenho vindo a arrastar, penosamente aliás, de há mais de um mês a esta parte, a leitura de Às Cegas (2005, Quetzal 2012), obra de ficção do escritor triestino Claudio Magris (1939). E o que me tem valido, à persistência da leitura do romance, é intervalá-la, salutarmente, com escapadelas até a alguns artigos da Revista de Occidente e da Revista de Guimarães, como refrigério do sacrifício.
Magris é, para mim, uma referência, sobretudo depois de Danúbio, uma espécie de belíssimo diário etnográfico e histórico de viagem pela Mitteleuropa, mas terei de concluir que a ficção não é, de todo o seu violon d'Ingres. Antes pelo contrário. Um pouco na senda de Camilo que, sendo um grande ficcionista, era um mediocre poeta. Nem todos os artistas tocam bem os 7 instrumentos...
A minha grande tentação, a que até agora tenho conseguido resistir, é não fazer batota de leitura nas últimas 96 páginas (das 301 do livro) que me restam desta via sacra que tem sido o Às Cegas. Vamos a ver, se consigo.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Memórias de raiz


Em modos suaves ou proporções amenas, vai subindo a Lua Cheia, a leste, aqui em frente. Ainda em negativo forçado, porque há luz (são 20h47), de tons de branco sujo, pouco antes da noite por inteiro a iluminar pelo Sol, que anda na outra banda da Terra.
E eu leio, na varanda a leste, coisas antigas sobre Guimarães (Revista de Guimarães, volume LXXIII), hoje cidade, e lugarejo  na altura (séc. IX), que deve o seu nome, provavelmente, a Vímara Peres, bisavô de Mumadona, fidalga antiga que terá refundado o Castelo e criado o Mosteiro dúplice que viria a ser a Colegiada, mais tarde.
E, por tudo isto, não posso deixar de me lembrar de Álvaro de Brée (1903-1962). E de Salvador Barata Feyo (1899-1990), com a sua magnífica estátua equestre de Vímara Peres, junto à Sé do Porto. Muito menos, esquecer-me de um texto lindíssimo de Eugénio de Andrade (1923-2005), intitulado A Domingos Peres das Eiras, com umas violetas (Os Afluentes do Silêncio, 1968), e que, qualquer portuense que se preze, deveria conhecer. Porque é das prosas mais límpidas que se escreveu, por todo o século XX, em Portugal, sobre a Invicta cidade.

com envoi muito grato a H. N..