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domingo, 7 de março de 2021

Para uma bibliografia exaustiva de Jorge de Sena (2)

 


Há sempre coisas que ficam pelo caminho, sobretudo para quem muito produziu. Creio que terá sido o caso deste poema de Jorge de Sena (1919-1978), incluído na revista Vértice (66), de Fevereiro de 1949, fez há pouco 72 anos. Os versos não reaparecem na Poesia I (Morais, 1961) nem posteriormente em qualquer outro livro publicado por Sena.



É minha ideia que, muitas vezes, a colaboração que se envia para revistas literárias ou outras, no que diz respeito, principalmente, a poesia, não será de primeira água e pode vir a ser mais tarde rejeitada pelos autores, no conjunto da obra. Com mais probabilidade ainda se for da juventude. Seja como for, aqui deixo reproduzido o poema que saíu na Vértice.


Nota tardia (15/4/2021): através de Índices da Poesia (Cotovia, 1990), de Mécia de Sena, foi possível localizar este poema no livro Pedra Filosofal (1950). Não era, por isso, um poema omisso.


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Memória 133


A imagem reproduz, da Revista Vértice (nº 450/1, 1982), e do volume em homenagem ao escritor Carlos de Oliveira (1921-1981), a folha do livro de curso de licenciatura (Histórico-Filosóficas) concluída em Coimbra, no ano de 1947, e correspondente ao poeta. E em que colaboraram alguns dos seus ilustres amigos e confrades da escrita.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Versões


É um pormenor sem importância, talvez. Mas atesta as transformações por que passa um poema, até à sua versão final. Ou aquela que um Poeta acha mais concorde e perfeita.
Por outro lado, é pouco provável que venha a ser feita, alguma vez, uma edição crítica da obra de Eugénio de Andrade (1923-2005), muito embora grande parte do seu acervo se encontre na BPMP. Mas também dele, ultimamente, pouco se tem ouvido falar ou, melhor dizendo, da sua poesia.



Em Jan./Fev. de 1960, a Revista Vértice (nº 196-197) publicou um pequeno conjunto de poemas de Eugénio de Andrade, com o título Improvisos de Outono. O segundo poema, que é um dos que eu mais aprecio do Autor, tinha inicialmente 6 versos, como pode ver-se, na imagem acima. E não tinha qualquer dedicatória, na sua versão primeira. 




Cerca de dois anos depois, Eugénio de Andrade publica na Delfos a sua primeira Antologia (25 de Novembro de 1961). O poema (pg. 206) é então dedicado ao amigo e crítico literário Óscar Lopes. Passa a intitular-se Passo e Ardo... E os 6 versos iniciais são reduzidos para cinco. Desaparece o Sol doirado?, substituído por Luz?. Bem como se altera a ordem das palavras no 2º verso, que não terá ainda, aqui, a sua versão definitiva. 




Todo o ano de 1966, Eugénio de Andrade passa, a pente fino, a sua obra - conforme o referiu em carta. Aperfeiçoando os poemas, modificando-os de acordo com uma maior exigência de maturidade. De novo desaparece a dedicatória, e a quintilha perde, mais uma vez, o seu título anterior, passando a ser designada por Quase nada. O segundo verso é também alterado: desaparece Música?, substituída por Água?. E a ordem das palavras sofre modificações. Os Poemas virão a ser publicados pela Portugália, em Novembro de 1966, na celebrada colecção: Poetas de Hoje.
O poema teve deste modo a sua redacção definitiva. É assim que ele vai aparecer nas futuras edições da IN-CM (Abril de 1980) e de "O Jornal/Limiar", em 1990. Entre a primeira versão e a última, no entanto, tinham decorrido quase sete anos ( o que faz lembrar Camões...). Por essas reconfirmações de 1980 e 1990 se estabeleceu o ne varietur do poema.